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Clube da Semana – Ajax

Poucos clubes no mundo são tão representativos do futebol de um país como o Ajax em relação à Holanda. O time de Amsterdam é a lembrança imediata da maioria dos amantes de futebol quando se pensa na Holanda. Também, pudera. Os maiores nomes da história do futebol holandês (como Cruyff e Van Basten) vieram do clube; os maiores times (como o tricampeão europeu no início da década de 70), idem. Mesmo o torcedor mais fanático de Feyenoord e PSV deve admitir que, para o mundo, nada é igual ao Ajax.

 

Mais do que um celeiro de craques, o time nascido na Kalverstraat, rua do centro de Amsterdam, o Ajax moldou o estilo de jogar do futebol holandês, com a ocupação de espaços no campo, pressão total e um estilo que explica com perfeição o ideal batavo de jogo: o “totalvoetbal”.

A história do Ajax é mais longa do que a maioria das pessoas imagina (o clube já tem mais de 100 anos), e nem sempre o clube foi uma potência no futebol europeu, primazia que foi levada ao mítico estádio De Meer por dois gênios: Johan Cruyff e o técnico Rinus Mitchels.

As origens semitas? Mentira…

O Ajax surgiu no ano de 1900, por iniciativa de Floris Stempel, o primeiro presidente, que estava querendo fazer ressurgir um antigo clube com o mesmo nome, oriundo do nome de um guerreiro grego da mitologia, somente menor que Aquiles. Naquela década, como no Brasil, o futebol se disseminava rapidamente, e novos clubes apareciam todos os dias. O primeiro jogo seria disputado ainda naquele ano, no IJ, então o campo do clube, contra o DOSB. A primeira temporada seria lucrativa, rendendo aos cofres do Ajax quase cinco florins, a moeda local…

Muita gente acha que o Ajax é um clube fundado pela colônia judaica, tal a identificação da torcida com elementos semitas (os hooligans do Ajax usam a estrela de David como seu símbolo), mas é um erro. Apesar da identidade existir, as raízes do Ajax não são mais judias do que as de qualquer outro time holandês. Ninguém afirma categoricamente por que razão o clube ganhou a fama, mas sabe-se que alguns fatos colaboraram, como a proxinidade do De Meer com o bairro judeu de Amsterdam, a presença de vários judeus no time da década de 60 e a formação de um ambiente amigável à colônia naquela mesma época.

O primeiro estádio, Middenweg, comportava 10 mil espectadores, na primeira década do século XX. Em 1911, o atual uniforme foi adotado, permanecendo por quase todo o século. Quatro anos depois, o clube receberia aquele que seria o nome mais importante de sua existência pré-Cruyff. Em 1915, o inglês Jack Reynolds foi nomeado treinador e venceria seu primeiro título nacional em três temporadas. Reynolds ficou no clube por 33 anos, contando os cinco anos que passou num campo de concentração nazista, durante a II Guerra.

Jack Reynolds: o Ajax muda de nível

Reynolds fazia o tipo militar, durão e disciplinador, e mudou o status do clube, passando o Ajax para um dos maiores times do país. Seu estilo inspirou o legendário Rinus Mitchels, arquiteto do ‘totalvoetbal’ e do Ajax de ouro das décadas de 60 e 70. Com o inglês, começava a se delinear a filosofia mega-ofensiva e com avanços pelas laterais que se tornaria sua marca registrada até bem depois de sua morte, em 1962.

Infelizmente para sua torcida, a carreira internacional do clube não foi exatamente um sucesso de imediato. Em 1930, o time batavo foi à Áustria para tomar uma piaba histórica do Rapid Vienna pelo placar de 16 x 2 (também a maior vitória do clube vienense). O esporte ainda era amador no país, status que manteria até 1957, quando foi organizada a primeira Eredivisie, a atual liga holandesa. O torneio foi vencido pelo Ajax (seu nono título), que estreou outro nome que marcaria época: Sjaak Swart, o jogador recordista de partidas com a camisa vermelha e branca do clube. Foram 603 jogos e 228 gols. No ano seguinte, a estréia do clube da Copa dos Campeões, onde não passou da segunda rodada.

Os anos seguintes foram duros para o clube, que quase caiu em 1964. Mas naquele ano, estreou no time principal, com 17 anos, Johan Cruyff. O jovem vivia nas redondezas, e foi lançado pelo técnico Vic Buckingham. A saída do inglês deu lugar para um ex-atleta do clube, Rinus Michels. Era o início de tempos inesquecíveis.

Cruijff, Michels e o ‘totalvoetbal

Cruiff era o gênio, mas outros craques nasceram naquele time jovem do Ajax de 1965. Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, sem esquecer Sjaak Swart. O Ajax criava um novo estilo de futebol que faria seu debut internacional numa partida contra o Liverpool, pela Copa dos Campeões, em 1966. Os meninos de Mitchels devastaram o poderosíssimo Liverpool de Bill Shankly em Amsterdam, 5 x 1, e asseguraram a passagem de fase.

Este time se lapidaria nos anos seguintes e conquistaria a mesma Copa dos Campeões três vezes em seguida, de 1971 a 1973, sempre capitaneados por Cruijff. Depois disso, o astro se desentendeu com o resto da equipe e foi para o Barcelona. O Ajax sentiu o golpe e passou o resto daquela década vivendo das glórias passadas. O clube conviveria com este problema – perder jogadores para grandes clubes europeus – pelo resto de sua existência.

Cruijff voltaria a jogar no Ajax em 1981, mas rapidamente (embora tenha podido levantar mais um troféu nacional). Sua passagem marcante, contudo, seria como técnico, na metade daquela década, onde revelaria outra safra de jogadores espetaculares. Van Basten, Rijkaard, Koeman encantaram a Europa novamente. Todos iriam jogar for a do país, e Cruijff também repetiria a trajetória de 15 anos antes, indo treinar o Barcelona.

O final da década de 80 foi mesmo ruim. Rijkaard e Van Basten saíram por uma ninharia, e os jovens nomes do clube ainda eram inexperientes (o hoje veterano Bergkamp era um deles). Uma séria crise financeira se abateu no De Meer, e a solução foi chamar de volta um nome famoso da administração do Ajax. Michael Van Praag foi o terceiro Van Praag a comandar o Ajax, e juntos os três ficaram quase três décadas.

Van Praag e Van Gaal reerguem o mito

Em 1991, outro nome famoso do banco do Ajax chegava para fazer história. O então desconhecido Louis Van Gaal já tinha o temperamento autoritário de sempre, e seu ‘feeling’ não foi imediato, sempre com o fantasma de Johan Cruijff sobre si.

Mas Van Gaal ajudaria a revelar mais uma safra das divisões de base, com os já estabelecidos Bergkamp e Jonk, mas adicionando nomes como Davids, Kluivert, Overmars, Frank e Ronald De Boer, Jari Litmanen e Clarence Seedorf. O clube voltou à ribalta vencendo a Copa dos Campeões diante do Milan de Fabio Capello e o Mundial Intercubes em cima do Grêmio. Seu reinado durou de 1991 até 1997. Quase na sua saída, o Ajax mudou de casa, deixando o legendário De Meer para trás, e indo para a futurista ArenA, no subúrbio da capital.

Outro herói como jogador, Ronald Koeman, voltou ao clube para a atual fase do time. Koeman comanda uma renovação que pretende fortalecer o time tecnicamente, mas também deixar o clube financeiramente forte para poder vencer na Europa. As quartas-de-finais da Liga dos Campeões de 2003 são um indício de que os bons tempos podem estar voltando, e pela priemria vez longe do De Meer.

Amsterdamsche Football Club Ajax

Ano de fundação: 1900
Cidade: Amsterdam, na Holanda
Endereço:  Arena Boulevard, 29
Estádio: Amsterdam ArenA
Capacidade:  51.589
Principais conquistas:

–        4 títulos da Copa dos Campeões em 1971, 72, 73 e 1995

–        Título da Recopa em 1986

–        Título da Copa UEFA em 1992

–        28 títulos nacionais: 1918, 19, 31, 32, 34, 37, 39, 47, 58, 60, 66, 67, 68, 70, 72, 73, 77, 79, 80, 82, 83, 85, 90, 94, 95, 96, 98 e 2002

–        15 Copas da Holanda: 1917, 43, 61, 67, 70, 71, 72, 79, 83, 86, 87, 93, 98, 99 e 2002.

Principais jogadores:  Johan Cruyff, Marco Van Basten, Wim Anderiesen, Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, Johnny Rep, Sjaak Swart, Ronald Koeman

 

Site oficial:

www.ajax.nl

Clube da Semana – Sampdoria

Uma grande está voltando

Para felicidade geral do futebol italiano, a promoção da Série B desta temporada finalmente deve levar de volta á divisão máxima uma das equipes mais importantes do esporte no país. Se trata da Sampdoria, clube genovês que caiu há quatro temporadas e deixou a Série A um pouco mais órfã de grandes equipes.

Genova é uma das cidades onde praticamente nasceu o capitalismo. Na idade média, o porto da Ligúria era, junto com Veneza, o entreposto mais movimentado da Europa, e por onde chegavam ao Velho Continente, as especiarias vindas dos países árabes. O acúmulo de riquezas advindas deste negócio possibilitaram a formação das primeiras empresas de crédito (que viriam a dar origem aos bancos), não só na Ligúria, mas também na Toscana, regiões que têm bancos que datam dos séculos XV e XVI.

Não é preciso dizer que Genova é uma cidade muito rica. Com cerca de 60 mil habitantes (número que chega a 100 mil, contando coma  área metropolitana), a cidade ligure vive basicamente da indústria e da atividade portuária, ainda central na economia. Mas não é só. Em 2004, Genova, que tem um sítio histórico espetacular (com os belíssimos palácios Ducale, Rosso e Tursi), será a capital européia da cultura. Além disso, Genova tem um aquário famoso em toda a Europa, considerado o maior do mundo.

A Sampdoria temn em Genova, um rival famoso no futebol, que é o time do Genoa, o primeiro campeão italiano. O clube genoano é o que conta com mais torcida entre os habitantes mais velhos da cidade. Entretanto, vive uma decadência constante, há cerca de duas décadas. Enquanto isso, a Samp prepara seu novo vôo.

Um clube novo

A Sampdoria é um clube “júnior” em termos de idade. Surgiu somente em 1946, com a fusão do Andrea Doria e do Sampierdarenese. A união dos nomes dos dois clubes extintos deu origem ao nome atual. Logo em 1946, foi inscrita na Série A. O país estava saindo da guerra e antes que você se pergunte, não, não houve virada de mesa. A Sampierdarenese e o Andrea Doria eram, os dois, da Série A. Com o nome de Sampdoria, a primeira partida veio disputada no torneio 1946/47, contra a Roma, onde o time da capital venceu por 3 a 1. O primeiro gol “blucerchiato” foi anotado por um jogador chamado Adriano Bassetto.

A Samp manteve-se sempre na metade da tabela nos anos seguintes. A cidade não era grande, apesar de rica, e não tinha como competir com os gigantes Inter, Milan e Juventus. Em 1949, a melhor colocação deste perídio inicial: um quinto lugar. A boa campanha da Samp valeu a convocação para a seleção italiana, a primeira de um jogador sampdoriano.

A história da Samp não decola durante os anos 60 e 70. O clube mantém-se como uma força na sua região, mas jamais postula lugares mais altos. Neste período, o clube cai para a Série B duas vezes, o mais longo, de dez anos, nos anos 70. No fim da década, a Samp consegue o retorno à Série A, depois de um empate com o Rimini. Mas não sabia que as grandes alegrias estavam ainda por vir.

A Era Mancini

No começo na década de 80, a Samp era dirigida por um presidente que marcou época no clube: Paolo Mantovani. Em 1982, Mantovani faria a contratação mais valiosa de sua carreira, mesmo que não estivesse plenamente consciente disso. Tirou do Bologna um jovem de 18 anos. Era Roberto Mancini, que bateria o recorde de presenças na Série A com o clube (424 partidas, com 132 gols). Mancini, hoje, é técnico da Lazio, clube onde encerrou sua carreira.

Em 1985, a Samp consegue sua primeira conquista relevante, a Copa Itália, batendo o Milan na final. Os gols da final foram de Mancini, já uma bandeira do clube, e de Gianluca Vialli, outro atacante que fez época em Genova. Vialli tinha sido contratado junto à Cremonese um ano antes.

Três temporadas depois, a Samp levantaria outra Copa Itália, desta vez, batendo o Torino na final e em 1989, mais uma vez, sagra-se campeã da competição nacional, agora vencendo o Napoli de Maradona. O sucesso diante do Napoli de Maradona abriria caminho para a primeira glória européia, a Recopa Européia de 1990, onde o clube genovês venceu o Anderlecht na final, com dois tentos de Luca Vialli.

O time estava pronto para pensar num objetivo maior: o título nacional, o ‘scudetto’. À classe da dupla Mancini-Vialli, tinham se juntado a experiência do brasileiro Toninho Cerezo. O goleiro era Gianluca Pagliuca. E lá estavam também campeões como Pietro Vierchowod e Attilio Lombardo. Finalmente, em 19 de maio de 1991, a Sampdoria conseguiu bater o Lecce em casa por 3 a 0 e garantiu matematicamente o título daquele ano, levando Genova à loucura. Toninho Cerezo tingiu os cabelos de amarelo para comemorar a conquista. Ainda na gloriosa temporada de 1991, a Samp quase conseguiu vencer a Copa Itália, perdendo para a Roma na final, no saldo de gols.

Decadência e Série B de novo

A Samp ainda conseguiu disputar uma final de Copa dos Campeões com o vitorioso time do ‘scudetto’, mas não soube parar o Barcelona de Koeman e Cruyff, em 1992. Os anos 90 foram marcados pela presidência do filho de Paolo Mantovani, Enrico, que dilapidou o time, vendendo seus craques. Vialli, em 1992, Vierchowod, em 1995, Mancini, em 1997.

Em 1998, com um time desfigurado (que tinha acabado de ceder os argentinos Verón e Ortega e o eslavo Mihajlovic), o técnico Spaletti acabou demitido. A solução dada por Mantovani foi patética: David Platt, um ex-jogador inglês que estudava para virar treinador. Platt fracassou retumbantemente. Spaletti foi chamado de volta, mas não deu. Série B na cabeça.

Em 2001, a Samp correu risco até mesmo de cair para a Série C, dada a gestão desastrosa de Enrico Mantovani. Foi quando Enrico largou o osso e vendeu o clube para Garrone, o novo presidente. Garrone chamou Luigi Marotta, experiente diretor da Atalanta, para ser seu diretor de futebol. Marotta deu um jeito no clube. Vendeu jogadores sem futuro, contratou jovens e chamou Walter Novellino para técnico. Resultado: Sampdoria encaminhadíssima para a Série A. E a Itália toda comemora. Menos, os torcedores do Genoa.

Unione Calcio Sampdoria

Ano de fundação: 1946

Cidade: Genova, na Itália

Endereço: Piazza Borgo Pila, 39 – 16129 5° Piano – Torre B

Estádio: Luigi Ferraris, em Genova

Capacidade: 40.117

Principais conquistas:

– Campeã italiana em 1991

– Campeã da Recopa Européia em 1990

– Campeã da Copa Itália em 1985, 1988, 1989 e 1994

Principais jogadores: Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Toninho Cerezo, Pietro Vierchowod

Site oficial:

www.sampdoria.soccerage.com

Me engana que eu gosto

Pouco mais de um ano atrás, a Itália conquistou uma vitória diante da forte seleção inglesa, no estádio de Elland Road, em Leeds. Os 2 a 1 do time de Trappatoni que rumava para a Coréia do Sul foram conseguidos no segundo tempo, quando a Inglaterra colocou onze reservas em campo, poupando os jogadores mais importantes, todos envolvidos em disputas cruciais para seus clubes.

O jogo foi ruim, e não é necessário dizer que a Inglaterra do segundo tempo foi um fantasma. Mesmo assim, Giovanni Trapattoni deu uma entrevista na sala de imprensa de Elland Road como se tivesse batido o Ajax de Cruyff. “È duríssimo vencer aqui e isso nos enche de orgulho”. Começava ali o fiasco italiano na Copa, que, é verdade, foi causado por uma série de problemas, mas nenhum tão grave como a arrogância da Itália, que acreditava ter em Totti e Vieri, dois monstros do futebol mundial. Deu no que deu.

Parece que a lição de nada serviu. Depois da vitória de 2 a 0 sobre a Finlândia, em Palermo, no último sábado, a imprensa italiana alçou a seleção ‘azzurra’ aos céus, e colocou Totti e Vieri na condição de deuses inatacáveis. É bem verdade que a Itália jogou bem e que o resultado coloca os italianos no páreo novamente para lutar por uma vaga na Eurocopa, mas a Finlândia, por mais que tenha evoluído, ainda é uma força menor do futebol europeu.

Totti é incensado como se fosse um mágico, uma espécie de Zidane, enquanto Vieri é tratado como se fosse um Gerd Muller, um atacante impossível de ser marcado. Mesmo sendo ótimos jogadores, seria conveniente que a Itália abaixasse a bola, e só comemorasse depois de uma lição de futebol num jogo importante contra um selecionado realmente forte. Caso contrário, passará novos vexames, como aquele da Ásia.

O fato mais importante a ser comemorado é o de que a Itália encontrou opções de jogo pelas alas. O ítalo-argentino Mauro Camoranesi, da Juventus, junto com Marco Delvecchio, da Roma, finalmente abriram o leque de possibilidades do ataque italiano, agregando velocidade e profundidade ao jogo italiano, antes dependente das jogadas de bola parada.

Outra boa nova foi mais uma prestação satisfatória de Gianluca Zambrotta como ‘terzino sinistro’, nome dado na Itália ao nosso lateral-esquerdo (mas que lá tem funções defensivas). Zambrotta pode se consolidar na posição que foi de Paolo Maldini, comprovando uma grande versatilidade, já que pode cobrir todas as funções de meio-campo, além das laterais da defesa.

Trapattoni deu uma boa golfada de ar ao vencer a Finlândia, pois ainda pode chegar à Euro 2004, mesmo que não vença o grupo 9, liderado pelo País de Gales, com 12 pontos, cinco a mais que a Itália. Numa eventual repescagem (não inédita para os italianos), a vaga estaria ao alcance das mãos. Tudo possível, desde que ‘Trap’ e seu grupo se dêem conta de que têm limites.

Del Piero é um problema. De novo

A relação de Alessandro Del Piero com a seleção italiana é bastante conflituosa. Em 1998, ‘Ale’ era o titular do time, mas a torcida pedia enlouquecidamente Baggio, Del Piero minguou, e junto com ele, o futebol da ‘Azzurra’, batida pela França nos pênaltis. Em 2000, fragilizado pela doença terminal de seu pai, jogou um Europeu pífio, e foi culpado por outra derrota, desta vez na final, onde perdeu um gol incrível segundos antes do empate da França.

Na Copa de 2002, fechou o pau com o técnico Giovanni Trapattoni porque não aceitou ser reserva de Francesco Totti, como meia-atacante atrás dos atacantes. “Sou um segundo atacante”, disse Del Piero, consciente de que jamais seria titular no banco de Totti, mas poderia morder a vaga de Inzaghi ou Montella e fazer dupla com Vieri. Sem Del Piero, mais uma vez, a Itália soçobrou, e nem sua boa participação contra Portugal pôde salvar o time da tragédia coreana.

Seguindo a linha dos que não aprendem jamais, novamente Alessandro Del Piero é colocado como um problema para a seleção. “Mas vamos tirar quem?”, pergunta-se Trapattoni, que indubiamente não quer mexer na sua defesa a quatro, ainda que improvisada.

A Itália venceu a Finlândia com um 4-4-2 clássico, onde Panucci e Zambrotta eram os defensores externos, Cannavaro e Nesta os centrais, Delvecchio e Camoranesi os alas, Perrotta e Zanetti os volantes e Totti e Vieri os atacantes. Levando-se em conta que Vieri e Totti são intocáveis, neste módulo, definitivamente não há espaço para Del Piero.

Contudo, a lógica pede que a defesa jogue com três homens (Cannavaro, Nesta e Bonera, por exemplo), e o meio-campo mantenha Perrotta (ou Fiore) e Zanetti como volantes, Zambrotta e Camoranesi alas, e Totti atrás de Vieri e Del Piero atacantes. O módulo é mais frágil na defesa e obrigaria um esforço de Del Piero e Totti na marcação.

Assim, a Itália não se privaria de seu jogador mais talentoso. Pode-se dizer que Totti seja mais badalado, mas Del Piero tem sido determinante para a Juventus e para a Itália, enquanto Totti brilha, mas não carrega seu time consigo. Tratar Del Piero como problema é burrice pura. Ele é um problema sim, mas para os adversários.

Inter enfrenta Real Madrid por Beckham

Configura-se no horizonte uma briga de titãs monetários. Real Madrid e Inter de Milão devem travar, no próximo verão europeu, uma luta para arrancar David Beckham do Manchester United. O valor de largada é US$ 45 milhões, cifra fixada pelo clube de Old Trafford para liberar seu jogador mais prestigioso.

O divórcio inglês parece certo, ainda mais depois do incidente do vestiário do Manchester, quando o técnico Ferguson acertou uma chuteirada na cara de Beckham (sem querer), e não pediu desculpas. A fixação do valor de venda é um sinal inequívoco disto. Mas a saída ou não de Beckham do Manchester é assunto para Tomaz Alves.

Como se sabe, na lista de compradores, o Real Madrid está na primeira fila, como sempre. Não que Beckham seja o mlehor do mundo, mas certamente é o jogador mais famoso do mundo fora do Real Madrid. Logo, é alvo de mercado do clube ‘blanco’. Se uma banqueta fosse o jogador mais famoso do mundo fora do Real Madrid, o clube espanhol estaria atrás da banqueta.

Porém, o Real Madrid não vai ter a moleza do ano passado, onde aliciou Ronaldo sem concorrência. A Inter de Milão quer Beckham, e se o Real Madrid é rico, o petroleiro Massimo Moratti, dono do clube de Appiano Gentile, é mais. Logo, dinheiro não vai faltar na horta do Manchester United.

A favor da Inter está o fato de que diz-se que Beckham gostaria de ir jogar em Milão, para agradar sua esposa Victoria Adams, que adora o cenário da moda milanesa. Entre os dois clubes, empatados, ‘Becksie’ iria para a Lombardia. O que emperra a assinatura do contrato é o valor do salário do inglês, US$ 7 milhões anuais, o que forçaria reajustes nos salários de Vieri e Crespo, e explodiria a folha salarial da Inter.

O Milan também gostaria de ter Beckham, mas mais por um luxo de Silvio Berlusconi, admirador do inglês. Berlusconi gostaria também de usar Beckham e sua mulher como garotos-propaganda. Mas o salário é impagável para o rígido ‘salary cap’ milanista, onde o maior salário é de ‘somente’ US$ 4,5 milhões anuais.

Mezzogiorno afundando de vez

Uma rápida olhada na tabela da Série B explica tudo sem mais detalhes. Os cinco últimos times da Série B italiana são da região sul da Itália, o ‘Mezzogiorno’, revelando a falência completa do futebol da região, onde os clubes estão enterrados em dívidas e com seus clubes aos pedaços.

Napoli, Catania, Cosenza, Salernitana e Bari são os cinco últimos da tabela, e três deles (Napoli, Salernitana e Bari) passaram pela Série A pelo menos há três temporadas. Uma lástima, já que a torcida do sul da Itália é fervorosíssima, e sente a derrocada de seus times como uma verdadeira ópera.

Na ponta da tabela, a tendência é a mesma. Dos cinco líderes, somente o Lecce se infiltra como clube meridional, no desafio por uma vaga na divisão máxima do futebol italiano. Sampdoria, Siena, Ancona, Lecce e Triestina são os favoritos para as quatro vagas, com Vicenza e Ternana ainda vivos, mas por aparelhos. Fato curioso: a Ternana foi rebaixada à Série C na última temporada, e só está na Série B graças à falência da Fiorentina, que caiu da Série B para a série C2A por problemas financeiros, deixando uma vaga na Série B aberta, e que o regulamento deu ao clube de Terni.

Mais um ponto a ser notado é o do fracasso de times tradicionais da Série A em voltar ao ‘top flight’ do futebol peninsular. Entre Bari, Napoli, Genoa, Verona, Vicenza e Sampdoria, somente a Samp parece ter a sua vaga garantida para o ano que vem, comandada pelo promissor técnico Walter Novellino.

A única novidade boa da semana foi a vitória do Napoli por 2 a 1, nesta segunda-feira, sopbre o Vicenza. Pela primeira vez desde o início da temporada, o clube campano saiu da área de rebaixamento, e ao que tudo indica, o elenco, junto com o técnico Franco Colomba (que foi demitido e recontratado), vão manter a vaga na base da garra. Bem como a torcida da cidade gosta.

Rivaldo está ainda mais melancólico do que sempre esteve

Se divorciou da mulher, e seu astral está a zero

Maldini renovou seu contrato com o Milan até 2005

Se jogar até lá, deixará o clube com 37 anos, após 21 temporadas com a malha milanista

Tudo certo: Fabrizio Miccoli, revelação italiana da temporada, jogará na Juventus no ano que vem

O clube de Turim é dono de seu passe

Marca histórica nesta semana

O legendário “Domenica Sportiva”, esportivo dominical da RAI italiana, completou a sua edição de número 2500!

Entrevista com Roberto Baggio: “O Brasil é futebol”

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0 Craque italiano chega aos 34 anos cotado para ir à Copa de 2002 e não acredita numa decadência do futebol brasileiro. “È insuperável”, disse.

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As Copas Européias

A Itália não se queixa do desempenho de seus times nas Copas Européias. Na Copa UEFA, o Parma quase venceu o Rangers em Glasgow, cedendo o empate no final; já o Bologna aplicou uma sonora goleada no Betis, 4 x 0 em Bologna. Para quem não se recorda, esta coluna disse que o time espanhol se arrependeria de ter “… dado graças a Deus por pegar o Bologna…”. Dito e Feito. Em seu décimo quinto resultado sem derrota, os italianos despacharam os espanhóis.
A Roma venceu o Zurich, também no finzinho, por 1 x 0, em casa. E pela ChampionsLeague, a Internazionale venceu o Real Madrid e praticamente garantiu a primeira posição em seu grupo. Ronaldo voltou, e mesmo sem ritmo, fez três ou quatro jogadas sensacionais. Mas quem realmente destruiu foi Roberto Baggio, que entrou faltando vinte minutos,  e marcou dois gols, um aos 42’ e outro aos 45’ do segundo tempo.
Mas a grande polêmica foi envolvendo a Juve, que se recusou a ir a Istambul  pegar o Galatasaray, porque na Turquia se sucederam diversas demonstrações anti – italianas, em virtude na hegativa do governo italiano em extraditar um líder curdo, procurado na Turquia. As leis italianas proíbem extradição de pessoas que serão executadas em seus países. O Galatasaray protestou, e disse que a UEFA era conivente com a situação. O jogo deve ocorrer nesta semana, mas alguns jogadores como Deschamps e Di Livio já disseram que só irão se a situação se alterar. Xiiii…

Claudio Carsughi – Il Mestre parla

Nesta semana, se você se interessa pelo futebol italiano, não deixe de ler a entrevista que TRIVELA fez com o jornalista Claudio Carsughi. O mestre ‘brasiliano’ que trabalha na Rádio Jovem Pan e no La Stampa de Torino,  fala da Inter, de Ronaldo, do Milan e de uma outra pá de coisas envolvendo o calcio italiano, de uma maneira muito simples, quase didática. Uma entrevista sem sensacionalismo com o jornalista que provavelmente mais conhece futebol italiano no Brasil.

A Rodada

Bologna 3 x 0 Juventus

Numa semana sensacional, o time ‘rossoblú’ venceu duas partidas marcando sete gols e sofrendo apenas 1. Recebendo a poderosa Juventus em seu estádio, o time de Mazzone passeou sobre a ‘vecchia signora’. Um resultado indiscutível, com gols de Signori, Paramatti e Fontolan,  deixou claro duas coisas: o Bologna se mostra o time mais regular do campeonato; a Juventus perdeu mesmo as estribeiras, e nem a ausência de Del Piero justifica a má fase. A última vez que o time torinese não vencia por quatro rodadas foi na temporada 92 – 93. Uma coisa é certa. O problema pela Copa dos Campeões com o Galatasaray influiu muito na queda de rendimento do time de Lippi

Internazionale 2 x 1 Salernitana

“Uma vitória mais de raça do que de técnica”, foi o comentário de um jornalista italiano sobre o resultado da Inter em San Siro. Após sair perdendo do time de Salerno, a Inter jogou com uma raça não vista há tempos, e até um gol anulado teve. Só aos 50’ do segundo tempo que Zanetti meteu uma bomba no ângulo de Balli, e virou o jogo. Mais uma vez, Ronaldo foi “poupado”, e não jogou. Até quando sta situação continua, ninguém sabe

Parma 4 x 0 Milan

Inconteste a vitória do Parma. O Milan até começou melhor, mas depois de sofrer um gol de Chiesa, quando dominava a partida, o comando das ações passou para o time dirigido por Malesani. O capitão Maldini, do Milan, saiu de campo com o nariz quebrado pela Segunda vez na temporada, e fez falta na segunda etapa . Destaque para a partidaça de Crespo e de Benarrivo, que já era tido por muitos como carta fora do baralho de Malesani. O Milan melhora a cada rodada, mas ainda se ressente de um líbero, e de um jogador para jogar à direita de Bierhoff, há sete rodadas sem marcar.

Udinese 2 x 1 Cagliari

Domínio total da equipe de Amoroso que faz sua segunda vitória consecutiva, e a quinta derrota também consecutiva do Cagliari. Poggi abriu o marcador, e Amoroso fez o segundo. Tudo indica que a Udinese não fará uma temporada tão boa como a do ano passado, sentindo principalmente a ausência de Bierhoff, mas se manterá longe da zona rebaixamento. Já o Cagliari, deve seguir invencível em casa, e sendo um visitante amigo, que adora perder em viagem.

Empoli 1 x 0 Vicenza

Vice – campeão duas temporadas atrás, o Vicenza dá todos os sinais de que é candidato ao rebaixamento neste ano. Esta derrota para seu concorrente direto será determinante ao final do campeonato. O Empoli tem um time que não mpolga, mas já foi assim no ano passado, quando conseguiu se manter na série A, e mandou para a B times tradicionais como Brescia, Atalanta e Napoli. Colaborou muito para o resultado a cusparada que o atacante uruguaio Otero deu em seu adversário, causando sua expulsão

Perugia 2 x 0 Piacenza

Festa japonesa na Toscana, com uma ‘dopietta’ do japonês Nakata, excelente meia do time do Perugia, decisivo nesta jornada. No Piacenza, o único time só com italianos da série A, uma derrota incômoda, a segunda consecutiva. Mais uma vez, se destacou Rapajic, que havia marcado na semana passada contra o Bologna.

Bari 0 x 0 Fiorentina

A líder foi a Bari sabendo que pegaria um osso duro de roer. Afinal, o Bari já aprontou para cima de quase todos os “grandes”, inclusive vencendo a Inter em Milão.  Sabendo disto, Trapattoni entrou com uma esquadra cautelosa, com Tarozzi e Cois reforçando a marcação no meio, e torcendo para a velocidade de Edmundo e Oliveira dar resultado. Não deu. O Bari domou o time viola ,e fez um ponto importante. Sorte da Fiorentina que Juve e Milan tomaram ferro, e continuam distantes quatro pontos.

Venezia 0 x 0 Sampdoria

O 0x0 diz tudo. Mais uma vez o time genovês fez uma partida modorrenta, principalmente jogando fora de casa, frente a um Venezia retrancado. Ortega, que parecia que iria estourar no começo da temporada, outra vez esteve apagado. Ausência importante a do atacante Montella, que no ano passado foi um dos artilheiros do campeonato. O meio – campo confiável de Pecchia, Ortega, Sgró e Palmieri não compensa a falta de um goleador.

Lazio x Roma

Um dos melhores jogos do campeonato até agora. A exemplo do que aconteceu com a Inter no derby contra o Milan, a Lazio se superou e segurou a forte Roma em um 3 x 3 sensacional. Destaque para a atuação de Mihajlovic, um dos melhores defensores do campeonato, e para um golaço de Roberto Mancini, sacrificado como avante pelas contusões de Boksic e Vieri. Na Roma, outra partida ótima de Wome, um camaronês de apenas 19 anos, cada vez  mais titular. Um jogo à altura do campeonato para um estádio completamente lotado.

Uma entrevista com o mestre Claudio Carsughi

Trivela: Bem, o nosso site como é feito por estudantes de jornalismo questiona o trabalho da imprensa esportiva nacional, não só em relação à profundidade, mas também quanto à formação profissional…

CC: Bem, eu diria que não é generoso fazer uma comparação direta porque as condições econômicas são completamente diferentes. Um exemplo: na Gazzetta Dello Sport (diário italiano de esportes), existe um cara que só cobre automobilismo, e outro só cobre motociclismo. No grande prêmio Brasil de cada uma das categorias, vem um dos dois para cá. Aqui, o jornalista acaba sendo obrigado a fazer um pouco de tudo, e se ele for especialista em uma só coisa, a menos que seja futebol, ele não sobrevive. Não é generoso exigir dele um preparo que custa dinheiro e tempo. Para se falar de fórmula 1, por exemplo, é obrigatório que você tenha um embasamento tecnológico. Se você fez faculdade de Direito, não te ajuda muito. Quando o cara começa a te falar de momento de inércia, você não vai saber sobre o que ele vai falar.

Trivela: Mas a culpa desta filosofia de trabalho por assim dizer não estaria nos meios de comunicação, que não exigem um trabalho mais profundo, e só se preocupam em otimizar gastos ?

CC: Ah, claro você tem razão.

Trivela: Numa palestra outro dia na PUC-SP, o José Trajano levantava o fato de que o jornalismo esportivo não é levado tão a sério quanto as outras editorias.

CC: Tem toda razão

Trivela: …o jornalista esportivo é um pouco tido como “café com leite”. Eu vejo na RAI por exemplo, que o jornalista esportivo tem garantido o seu espaço. Quando ele entra no ar, todo mundo presta atenção. Eu não sei o que vem primeiro é o ovo ou a galinha, mas ele faz uma cobertura de mais qualidade, e em compensação é mais respeitado.

CC: Sem dúvida. Se você é editorialista de uma Gazeta Esportiva, você não tem o peso de um editorialista de uma Gazeta Mercantil.

Trivela: Como o Sr. vê o atual momento da imprensa esportiva hoje, em comparação com a de anos atrás?

CC: Por formação pessoal eu sou um otimista, então acredito que as coisas estão melhorando. Mesmo sem ter o hábito de acompanhar de perto a imprensa escrita nacional, eu sinto um avanço na qualidade do jornalismo. Esse jornal novo, o Lance, me parece bem feito. Mudou um pouco aquele estilo que tinha a Gazeta Esportiva, uma coisa meio antiga…Mas certamente eu não aconselharia ninguém a ser jornalista esportivo no Brasil

Trivela: Esse é um assunto que eu quero abordar: como fica esse aspecto do envolvimento de jornalistas com venda de jogadores, ou de publicidade ? Isso não é contraditório com a função jornalística ? Não existe um dilema entre fazer jornalismo e trabalhar na função de jornalista sem se preocupar com os princípios básicos da profissão?

CC: Eu faço uma distinção clara entre estas duas questões. Se você como jornalista vai vender jogadores, sua opinião sempre vai ser questionada, pois não se sabe se você tem interesse na negociação daquele jogador. Isto tira a credibilidade, justamente a maior virtude do profissional. O seu ouvinte pode até não concordar com a sua opinião, mas se ele questiona a sua lisura, aí é uma coisa séria. Aí então você tem essas pessoas que andam no fio da navalha. Aqui mesmo na rádio, nós temos profissionais que também vendem publicidade, mas é uma coisa que…

Trivela: Gera polêmica…

CC: …gera polêmica. Todas as vezes nas quais tentam me envolver em falar alguma coisa sobre um produto eu saio fora. Não vinculo o meu trabalho com algum produto, não digo que esse banco ou esta cerveja é melhor do que aquela. Posso até achar, mas é uma opinião pessoal.

Trivela: Mas não há por exemplo uma diferença entre o profissional que vende placas de publicidade e o que vende jogadores ?

CC: No fim é tudo a mesma coisa. É uma forma na qual você ganha dinheiro através do teu trabalho voltado para o outro lado.

Trivela: Mas uma placa por exemplo não supõe que a coisa já esteja ali mais clara, sem uma segunda intenção ?

CC: Não. Por exemplo, se você elogia o trabalho do presidente do Flamengo, que é sócio da Traffic, que negocia estas placas, sua opinião pode ser interpretada como tendo duas conotações.

Trivela: É mesmo uma barreira muito tênue entre uma coisa e outra.

CC: A única coisa que eu acho é que tem de haver uma divisão muito clara entre uma coisa e outra. Na Itália, três apresentadores do porte de um Gugu Liberato aqui no Brasil foram condenados à prisão porque recebiam um extra por fora para privilegiar mais uns spots publicitários do que outros. Não foram para a cadeia porque eram réus primários. Na minha carreira eu sempre procurei dividir completamente, embora se fechar à esta possibilidade te feche muitas maneiras de se ganhar dinheiro.

Trivela:O Sr. crê que as faculdades de jornalismo formem mal os profissionais, pelo contato que o Sr. tem com profissionais que chegam ao mercado?

CC: Olha, nunca entrei em uma faculdade de jornalismo na vida, então não posso dar uma opinião mais acadêmica. Mas de uma maneira geral, sinto que existe uma deficiência seríssima no que diz respeito à cultura geral. Às vezes, digo uma coisa banal, e algumas pessoas me olham como se eu tivesse dito algo esquisitíssimo.

Trivela: Mudando um pouco de assunto, como o Sr. vê o atual momento do futebol brasileiro? Não sobre a safra de jogadores brasileiros, que sem dúvida é muito boa, mas como estão os elencos dos clubes brasileiros? Há uma descendente, uma ascendente ?

CC: Primeiro, temos que deixar claro que o maior mal do futebol brasileiro é uma praga chamada dirigentes esportivos. Eles são em muitas vezes despreparados, em outras ambiciosos. Quem é rico quer aparecer, quem não é rico quer enriquecer. É fácil fazer exemplos: o falecido Vicente Matheus, mesmo sendo um empresário competente na sua área, jamais teria sido entrevistado por exemplo pelo Jornal Nacional se não tivesse sido presidente do Corinthians. Esse o exemplo de quem tem dinheiro e é ambicioso. Não vou fazer exemplo de quem fez dinheiro às expensas dos clubes, embora hajam muitos ex – presidentes de clubes que enriqueceram e não foram presos. A esses dirigentes falta um mínimo de humildade para saber quais são os seus limites. Ninguém nasce sabendo nada, e cada um tem suas aptidões. Os dirigentes fizeram uma opção clara que é a da quantidade sobre a da qualidade. Precisa – se de dinheiro, então faz – se mais jogos. Assim, ignora – se a lei da oferta e da procura. Como o produto é comum, ele vale menos, conclusão óbvia. Se alguém usasse esses critérios nas suas próprias atividades pessoais, certamente faliria.

Outro fato é a tentativa de se ignorar o espaço e tempo. O ano tem 365 dias. Tirando-se 60 dias de férias e de pré – temporada, absolutamente indispensáveis para se preservar o jogador, sobram 300 dias, e nesse tempo não cabem todos os torneios que esses caras querem fazer. Muito mais lógico seria fazer menos partidas, e campeonatos sérios. Quando digo sérios digo com regulamentos que não mudem, claros. No Brasil, os regulamentos são feitos para que haja margens de dúvidas e que as coisas possam ser decididas nos tribunais.

Um caso específico para mostrar como se banaliza o futebol: nesses últimos dias, jogam Palmeiras e Cruzeiro, que já jogaram na final da Copa do Brasil, e jogarão a final da Copa Mercosul . Isso não é admissível. Você pode gostar muito de faisão, mas se comer todos os dias, vai ficar de saco cheio. Vai querer arroz e feijão.

Trivela: Posso então concluir que o Sr. acha que a qualidade técnica do futebol brasileiro caiu nos últimos anos ?

CC: Claro. O jogador fica sobrecarregado, não tem tempo de treinar, não consegue eliminar defeitos de base. Você vê, existem jogadores profissionais que tem problemas de cabeceio.

Trivela: Ronaldo

CC: Isso se corrige. Há treinamentos específicos que diminuem esses problemas. Tem jogadores que só chutam com um dos pés

Trivela: Viola

CC: …ou só usa um dos pés para subir no bonde. Sem treino é impossível melhorar, mas é preciso tempo.

Trivela: E quanto ao êxodo de jogadores? O Brasileiro não se esvazia? Os dirigentes têm a máxima de que é preciso se vender jogadores para que se possa manter os clubes. Existe algum  ponto positivo neste êxodo que não seja para dirigentes ou empresários?

CC: Em princípio, ele traz mais pontos negativos do que positivos. Mas dado o caos do futebol brasileiro, ele proporciona a possibilidade ao grande jogador, de ir para um campeonato de melhor nível, organizado, que lhe dá maior expressão e conseqüentemente proporciona melhores salários. É quase impossível ficar no Brasil com esta confusão. O jogador brasileiro ele tem vontade de voltar ao Brasil, mas não dá. Pegue o exemplo do Júlio César. Veio do Borussia para o Botafogo, ficou cinco meses e foi embora correndo de volta. O que me parece grave é o fato dos jogadores agora estarem assinando contratos com 16, 17 anos, indo embora muito cedo.

Trivela: Um exemplo disto é o Eriberto, ex – volante do Palmeiras de 19 anos que hoje é titular no Bologna

CC: Isso. Eriberto poderia ficar aqui por muito mais tempo, se lhe fossem dadas condições. Hoje ele certamente está muito melhor lá, ganhando muito mais. Hoje existem brasileiros jogando em todo o mundo. Qual não foi a minha surpresa no ano passado quando ao ver o Spartak de Moscou eu vi lá um jogador negro, que era o ex – corinthiano Robson. Hoje no Venezia joga um menino de 19 anos, Bilica que eu nem imaginava que estivesse na Itália

Trivela: Junto do centroavante Tuta

CC: Sim, o Tuta eu sabia, mas o Bilica eu realmente não fazia idéia. É um bom jogador, tem qualidade. Deve ter ido para lá a troco de nada ou pouco. Isso é negativo. Não acho que se deva cercear a liberdade de ir ou não, mas sim se deve dar condições para que o jogador não queira sair daqui, como se fez no vôlei.

Trivela: Saindo do campo, e indo para o banco. Sobre os treinadores: qual o motivo de todos os treinadores, salvo raras exceções como Paulo Autuori por exemplo, parecem que têm o mesmo discurso? Me parece que o profissionalismo ainda não chegou à maioria dos treinadores, e eles não servem de exemplo para os jogadores. E outra questão: por que os treinadores no Brasil não fazem alterações táticas na equipe como se faz muito na Itália? Em um jogo se usa um 4-4-2, no outro 3-5-2… Que acontece aqui que é sempre 4-4-2, e acabou ?

CC: A questão é um pouco complexa, então vou responder por partes. Na minha opinião, as novas levas de treinadores representam um progresso em relação ao passado. Hoje há pessoas mais preparadas, pessoas que têm um conhecimento maior. Mas então por que não usam este conhecimento? Primeiro: o tempo de treinamento é muito escasso; segundo: a cobrança sobre o treinador é muito severa. Se algo dá errado, é muito mais fácil mandar embora o treinador do que mandar metade do elenco. Mas por que não muda?

Outro dia eu conversava com o Scolari e dizia a ele que a figura do goleiro parado no gol não existe mais, porque senão você tem um homem a menos do que o adversário. O exemplo mais claro é o Van Der Sar na Holanda e no Ajax. Quando há algum problema, a bola é atrasada para ele para não para dar um chutão, e sim para se iniciar uma jogada. Porque você não faz isto com o Veloso? Ele me respondeu muito coerentemente dizendo que o Veloso tem muitas qualidades, mas para fazer isto seria necessário muito treino para que ele ganhasse confiança. Sem treino, o máximo que ele pode fazer mesmo é dar um chutão para frente. Voltamos então para o velho problema do calendário. Se você tem, uma pré – temporada, pode-se usar 10 dias para variações táticas; se você só joga aos domingos, pode usar o treino da Quinta por exemplo para dar um treino tático, ou então chegar para um jogador tipo o Cléber e falar:” …olha você vai ter de aprender a cabecear…”, porque embora ele jogue na seleção brasileira, ele não sabe. E daí em diante. Outro problema é a resistência do jogador que pensa que só pode render bem em uma posição, e cria caso para sair de sua posição. Como o que acontece com Marcelinho Carioca, que se recusa a voltar para marcar. Ele não entende que se não marcar, o time tem um homem a menos no meio de campo. Aí, ele não marca, ou volta de má vontade e não faz porra nenhuma, ou pior, fica jogando a torcida contra o treinador…”tá vendo, não fiz gol porque o treinador quer que eu fique na marcação…”. Por isso que eu digo que jamais seria treinador, porque eu mandaria o jogador a m… ou então iria embora.

Trivela: Eu reparei observando o treino de uma escola de crianças inglesas que o treinador tinha um menino de 14 anos ,volante que também jogava de zagueiro. Mais: o treinador mudava os meninos de posição durante o jogo para que os meninos tivessem noção das posições no campo. No Brasil não existe uma discriminação quanto a essas mudanças de posição mais radicais no campo ?

CC: Tem. No Brasil, como eu já disse, o jogador não gosta de jogar fora da posição original dele porque acha que rende menos, aparece menos…

Trivela: … e ganha menos.

CC: …e ganha menos. Também tem um pouco a idéia de que o jogador que atua em várias posições não atua bem em nenhuma. Cito o exemplo do passado do Lima no Santos. Por ser um coringa, ninguém lhe dava valor, mas para mim era um ótimo médio de apoio. Como esta posição era fechada pelo Zico na seleção, não tinha chance.

Trivela: Voltando à praga dos dirigentes, como o Sr. vê a possibilidade da lei Pelé de alterar o quadro de amadorismo no futebol nacional? Até que ponto ela será eficiente ou não?

CC: Não sei, porque o Brasil tem uma coisa das leis que pegam e das leis que não pegam. Tomara que pegue. A verdade é que com a fauna de dirigentes incapazes uns, desonestos outros e incapazes e desonestos outros ainda, fica difícil uma mudança radical.

Trivela: Havendo uma profissionalização, o Sr. crê que o nível da imprensa esportiva melhoraria junto, forçosamente ? Essa observação é em cima do fato de que muitos profissionais sequer dominam bem o português, que dirá de se atualizarem em relação ao resto.

CC: Não resta dúvida. Eu entendo que mais cedo ou mais tarde o futebol brasileiro vai ter de adotar a figura do “manager”…

Trivela: Como o Alex Ferguson no Manchester United…

CC: …sim, poderia ser alguém como o Brunoro, por exemplo. Seria um profissional que se dedicaria 100% ao clube, e não como acontece hoje que o diretor aparece só em um período, quando é possível. Porque eu enxergo a coisa da seguinte forma: um presidente, que é quem manda, eventualmente que seja acionista do clube, um manager, e um técnico. Aquele “ diretor de bocha” que vá dar palpite …como aqueles corneteiros do Palmeiras. Eu nunca me esqueço de quando eu estava na rádio Bandeirantes, e no começo da década de 60 veio aqui jogar o Real Madrid. Fomos ao Rio, e num dado momento, nos encontramos com o médico do Real e um de nossos repórteres perguntou um detalhe sobre a escalação. O médico polidamente respondeu que qualquer  informação sobre a condição médica dos atletas, ele daria com todo prazer, mas que sobre a escalação, somente o treinador, para surpresa de todos os profissionais brasileiros. O que acontecia é que na verdade ele, já naquela época, tinha muito bem divididas as  funções, responsabilidades e obrigações de cada um.

Trivela: Retornando ao assunto dos treinadores. Nos últimos anos surgiu um novo ‘starlet’ que é o Luxemburgo, agora na seleção. Na sua opinião ele é realmente um treinador melhor do que os outros, ou é apenas um marketing mais bem feito de sua parte?

CC: Eu não acho que ele seja melhor do que outros. O coloco no mesmo patamar do Scolari, Nelsinho Batista, Leão, Autuori. Talvez uma ou outra diferença, mas no geral, estão no mesmo nível. Só não resta dúvida, como em todas as profissões, que o Luxemburgo sabe vender o seu peixe. Vendeu muito bem, superou problemas, como a saída do Santos, que o prejudicou um pouco, mas ele tem um sentido de relações públicas muito bom, exatamente o que faltava ao Zagallo. Tivesse o Zagallo a décima parte deste sentido de relações públicas que tem o Luxemburgo ,ele teria estátuas em praça pública, tal foi o retrospecto de sua carreira, extremamente feliz. Mas quando, depois das vitórias, ele vinha com aquele “…vocês vão ter de me engolir…”, sabe…

Trivela: O Sr. crê que mesmo a Seleção tendo trocado somente a folhagem, mas estando com a mesma árvore, possa haver mudanças significativas? Como deve se comportar a seleção nos próximos quatro anos?

CC: Por ser fundamentalmente otimista, acho que a coisa melhora, até porque piorar era impossível. A análise principalmente desta última seleção, deixou claro, mesmo para os cegos, que o Zagallo não sabe mexer no time. Já era hora de oferecer um jantar de despedida, dar um obrigado, e fazer uma limpeza. Espero que as coisas mudem. Algumas, negativas, já ficou claro que não vão mudar, como por exemplo a interferência da Nike. Quando eu vi em Johannesburgo a placa escrito “Brazil World Tour”, porra aquilo me lembrou muito os Harlem Globetrotters, ou o Michael Jackson. Não é por aí que se trabalha. Outra coisa é a presença de alguns dirigentes que ficaram na CBF, que deixam dúvidas. A saída do Gilberto Coelho me pareceu muito um caso de pessoa que não se enquadrou em algum esquema. Mudaram as moscas, mas o resto…Mesmo assim, entendo que tenha um material humano muito bom.

Trivela: Que nomes o Sr. destacaria ?

CC: Gosto do Fábio Jr, Alex…Alguns precisam ser vistos sob outro contexto. Por exemplo, as vezes que eu vi o França, me deixou uma boa impressão. Mas precisariam inclusive de testes na própria seleção. Além dos que estão fora, como o Anderson, e tantos outros.

Trivela: E o Rivaldo? Porque não consegue ser na Seleção o Rivaldo do Palmeiras, ou o Rivaldo do Barcelona?

CC: Porque tem uma função tática diferente.

Trivela: Não haveria um problema de peso da camisa, por exemplo?

CC: Não creio. É necessário que se adapte o esquema às qualidades dos jogadores. Na Roma, quando o Cafu desce, tem um na sua cobertura. Na Seleção, ninguém cobria. Então ele não descia, com medo de ser o culpado de qualquer coisa. Não é admissível escolher um esquema de jogo, e depois encaixar os jogadores. Tem que acontecer o contrário. Se seu ataque é de homens baixos, não adianta explorar cruzamentos; se são bons cabeceadores, o treinamento dos cruzamentos é vital…

Trivela: Apesar da obviedade da pergunta, como o Sr. viu o Brasil na última Copa, e da Copa como um todo.

CC: Do Brasil, fiquei decepcionado. Mesmo conhecendo os problemas, sempre resta a esperança de que uma hora a coisa engrene, e nunca engrenou, nem mesmo contra a Holanda. Só que se o Kluivert acerta o pé, a Holanda ganhava com facilidade. Teve no mínimo cinco chances claras. Eu vejo o Zagallo como grande culpado, mais do que os jogadores; e pela primeira vez desde 1930, vimos uma seleção ganhar a Copa sem ter ataque. Porque se juntarmos Trezeguet, Guivarc’h, Dugarry e Henry, não dá um bom jogador sequer. E graças a Deus.

Trivela: Quem o Sr. destacaria na Copa, como o grande jogador?

CC: Zidane, indiscutível; o Owen um belíssimo jogador; me decepcionou um pouco globalmente a Argentina, eu esperava mais; o Vieri, eventualmente, coitado, jogando sozinho…

Trivela: Sem sombra de dúvida que o caso Ronaldo foi o que mais deu o que falar na Copa, talvez mais até do que a própria vitória da França. Sabemos que o Ronaldo pode não ser um gênio, mas também não tem um QI de molusco. O Sr, acha que houve uma imposição para que ele jogasse de qualquer maneira a final?

CC: É difícil fazer conjecturas, mas é fato que a Nike tinha Ronaldo e Del Piero. Del Piero fracassou de forma clamorosa, então ficaram com Ronaldo. E a Adidas tinha Zidane. Se o Ronaldo não joga, era entregar de bandeja o negócio para a Adidas, resultado que seria amplamente utilizado no marketing. Eles então devem ter imposto: estamos pagando, o Ronaldo joga. Sei lá, vai que ele faz um gol, depois é substituído, enfim…

Trivela: Eu acho que o Ronaldo tem de ser operado. O Sr. diria que esta é uma afirmação procedente ?

CC: Outro dia conversei com o médico do Cruzeiro. Ele dizia que pelo retrospecto, não haveria problema nenhum. Ele disse que tentou algumas sondagens para descobrir informações, mas não conseguiu nada. O que houve foi um aumento de peso, que com esta onda de doping levanta a hipótese do anabolizante. A única coisa clara é que eles estão tentando desesperadamente não operar, tanto é que o Filé (fisioterapeuta carioca) foi para lá. Porque um ‘stop’ de seis a oito meses, como este que o Del Piero deve fazer é um grande prejuízo técnico e financeiro.

Trivela: E ele volta a ser o Ronaldo de antes?

CC: Sabe Deus. Acho que mais para sim do que não, mas eu torço para voltar

Trivela: Na Internazionale não falta um companheiro para ele, além do Baggio, que pudesse trazer uma clarividência àquele meio-campo, alguém como um Rivaldo, Bergkamp,  Zidane? Por que quando Ronaldo não está em uma jornada das mais inspiradas, tudo fica cinza naquele setor cheio de volantes como Winter, Paulo Sousa, Cauet…

CC: A Inter tem dois titulares absolutos somente: Ronaldo e o arqueiro Pagliuca. Ela tem um problema defensivo. Tem Giuseppe Bergomi, que tem 35 anos, e por isso só pode jogar de líbero, e com uma autonomia limitada, não pode sair muito. Então, Bergomi mais três defensores. Você já perdeu um cara no meio – campo. Se você não tem bons marcadores no meio – campo, você tá roubado. Se você puser ao mesmo tempo Ronaldo, Zamorano, Baggio e Paulo Sousa, sobretudo jogando em casa contra um time pequeno. Contra o Bari em San Siro, você perde o jogo. Por que? Porque o cara joga fechado, quebra teu time no meio, e no primeiro contragolpe mete um gol, acabou.

Trivela: Mas a culpa não é do treinador? Porque a Inter tem uma grande disposição para comprar jogadores famosos.

CC: Ele recebeu os ingredientes, e a ordem ”agora faça o prato”. Provavelmente se ele tivesse de comprar 29 jogadores, não compraria aqueles. Comprava um grande cara no meio – campo, que não tem; comprava um grande defensor, que não tem. Ë claro eu é um pouco teórico, mas imagine este time da Inter com Beckenbauer no lugar de Bergomi, e Gerson no meio – campo. Muda completamente o time.

Trivela: Numa análise de um comentarista da RAI, após a derrota de 5 x 1 para a Lazio, ouvi a seguinte argumentação: a defesa só melhora com muito trabalho, e treino, ao longo do tempo. No ataque, basta comprar um jogador como Ronaldo, para que as coisas melhorem da noite para o dia.

CC: Não resta dúvida

Trivela: …e, dizia o comentarista, Luigi Simoni já teve este tempo.

CC: Só que ele não tem grandes jogadores. Vendo friamente: Mickael Silvestre. Até acho que tem futuro, mas não tem presente, nem muito menos passado; Javier Zanetti. Um carregador de bola, mas quando vai lançar é um desastre; Simeone. Importantíssimo, mas já começa a ter uma certa idade, além de não ser um craque, não é um Redondo. Tudo isso, mais a cobrança de uma equipe que gastou milhões para ganhar títulos. Veja bem: a temporada passada não foi má. Ganhou a Copa UEFA, ficou em segundo no Italiano, venceu o Milan no derby…só que para eles foi um fracasso.

Trivela: Nada foi oficializado mas Marcello Lippi deve ser o treinador da Internazionale na temporada que vem. O Sr. vê o Ronaldo com melhores condições em um time montado por Marcello Lippi, um time mais arejado, para que o brasileiro e Baggio se sintam mais a vontade ?

CC: O Lippi, milagre não faz. Se ele tiver jogadores, muito bem. Se ele tiver um Zidane, por exemplo, aí sim. Eu já vejo um entrave na ida dele para a Juventus no seu salário, que é muito alto. Outra coisa, são as pretensões de se mudar o elenco, não acredito que ele vá para a Inter com estes jogadores.

Um outro ponto é saber até onde a exasperação do trabalho do preparador físico Ventrone é responsável pelo trabalho da Juve. Você vê que raramente um jogador vendido pela Juventus tem vida longa, são “limões espremidos”. Se tem a impressão de que eles tiram o máximo, mesmo do ponto de vista de doping, e depois tchau, um abraço. Tirando o Paulo Sousa, e o Torricelli, pouquíssimos ex – Juventus foram muito longe.

Trivela: Ainda em Milão, temos outra grande equipe que não se encontra já há algumas temporadas. Alberto Zaccheroni inicia uma nova fase no Milan?

CC: Que ele inicia uma nova fase, não tenho dúvidas. Se esta fase atingirá os mesmos resultados daquela grande equipe de Arrigo Sacchi, não sei. Ele já está em uma boa situação no sentido de que mesmo sem conseguir um entrosamento de seu time, está em segundo lugar no campeonato. Como a Inter no ano passado, jogava mal, mas vencia. Se ele convencer Weah a jogar na direita, se arrumar o meio – campo, sobretudo se Leonardo se recuperar rápido desta pubalgia, daí não será mais necessário se exigir do velho Donadoni que melhore o setor. Jogadores como Albertini e Maldini caíram de produção nos últimos anos. Não se tem mais Baresi lá atrás. Maldini, em particular, deve ter seu futuro na seleção apenas se for de central. Zoff não o quer mais na lateral. Tudo isso, mais os problemas de dinheiro, vaidades pessoais, etc.

Trivela: Alguma carência mais específica no Milan? O Milan não está satisfeito com o terceiro atacante, nem Ganz nem Guglielminpietro satisfizeram, tentaram comprar o atacante ucraniano Shevcenko…

CC: …que custa caro para burro…

Trivela: … e que provavelmente será a prima – donna da próxima temporada.

CC: Eu acho que eles precisam de um grande central, ou então que sarasse de vez o André Cruz, que nem no banco tem ficado. Se o André Cruz se fixasse como líbero, provavelmente até o Costacurta melhorava de rendimento. É ali que começam todos os problemas do Milan.

Trivela: Essa queda de rendimento nos últimos três anos foi mesmo o final de um ciclo, do supertime de Van Basten?

CC: Foi. Veja que nas últimas três temporadas, o Milan teve quatro treinadores, Tabarez, Sacchi, Capello e agora Zaccheroni. O elenco era formado por jogadores qu não eram mais novos, tinham ganho tudo, e completaram seus ciclos

Trivela: Outro time que gastou os tubos foi a Lazio, gastou US$ 110 milhões…

CC: …para desfazer um time que já estava pronto…

Trivela: …gastar tanto não é irresponsabilidade, coisa de novo – rico que entra na loja e leva um de cada cor ?

CC: Você usou a palvra certa: novo – rico. Quem é Sergio Cragnotti? O seu aparecimento no mundo das finanças italianas mostra isto. Ele era o braço – direito do Terruzzi, que depois se suicidou. Aí então fez um império. Como o dinheiro é dele, compra e vende quem bem entende, muitas vezes erradamente. E vire – se o treinador. Ocorrem erros de avaliação. Está clara na minha memória a declaração de Marcelo Salas após o jogo contra a Itália em que ele afirmava que marcaria muitos gols porque as defesas italianas eram fracas. Coitado. Além de falara bobagem, ele nem foi contratrado para ser o homem  – gol.

Aí entra o azar. Praticamente todos os contratados se machucaram ,e em alguns setores, não tem ninguém. Por exemplo: o Eriksson teve de inventar o Mancini como segunda ponta, pra jogar com Salas. É muito difícil acertar nestas condições, principalmente se somando a cobrança exagerada do Cragnotti, do Velasco que era o treinador italiano no vôlei e agora é o manager da Lazio, e quer justificar a fortuna que ganha de salário.

Trivela: Na Itália se tem muito a noção de que na primeira temporada é muito difícil acertar o time…

CC: Pode até dar certo, mas o normal é que somente na terceira temporada o time realmente estoura. Se a Lazio tivesse pego o time do ano passado, e comprado dois  jogadores ou três, como o Vieri e o Salas, estariam com o time pronto.

Trivela: Mandaram embora o Jugovic…

CC: Por que mandaram embora o Jugovic, que era um puta jogador? E ainda deram azar, de jogadores machucarem como Nesta, De La Peña…se bem que o De La Peña nunca chegou a jogar bem mesmo. As vezes o time contrata o jogador que joga bem em um time, e quando chega , nada. A Fiorentina contratou o Amor, do Barcelona. Está na reserva. Pensava que ia ser titular absoluto. Quantos jogadores saíram do Ajax e não deram certo?

Trivela: A Fiorentina, o seu time de coração, com o Trapattoni, um vencedor, agora vence o estigma de time médio?

CC: O primeiro estigma que eles conseguiram vencer, que já foi extremamente importante, foi convencer os jogadores de que seria possível ganhar o título. Outra coisa foi convencer o presidente Cecchi Gori, um pouco como o Cragnotti, que só gostava de comprar centroavante, sem ver que tinha uma defesa patética. Compraram o Repka, o Heinrich, o Torricelli e se não é uma defesa do outro mundo, não compromete. Não acho um timaço, mas ainda pode melhorar, e se não ocorrer um grande imprevisto, pode até ganhar. Mesmo assim, acho que o projeto para se ganhar o título é para daqui a dois anos.

Trivela: A Fiorentina conseguirá domar o Edmundo até o fim do ano, quando ele deve voltar para o Vasco da Gama?

CC: A grande sacada foi justamente convencê – lo de que ele poderia ganhar o título. Outra coisa foi fixar o passe em US$ 15 milhões, e deixar a segurança de que após a temporada, se ele não se adaptar, pode ir embora. Antes disso realmente era uma situação delicada. A participação do treinador para convencer Edmundo a ficar foi decisiva. E até a torcida entendeu que se havia alguém que poderia dar à Fiorentina este salto de qualidade seria Edmundo.

Trivela: O Vasco fazendo negócios incríveis. Vendeu o Edmundo por US$ 7 mi, agora vai comprar por US$ 15mi…Um time que eu via como favorito era a Juve, mas agora fiquei na dúvida após a contusão do Del Piero…

CC: A Juve deu sorte nos últimos anos quando vendia jogadores chave, e os repunha com outros mais baratos. Vendeu Vialli, comprou Vieri ainda novinho da Atalanta, e num dado momento, ele explodiu; aí vendeu Vieri por uma fábula, e comprou da mesma Atalanta o Inzaghi, jogador de características diferentes, sem presença física na área, mas que tem habilidade e sai muito bem do impedimento, e novamente deu certo. Comprou o Davids como refugo de fim de feira, e ele voltou a ser o grande Davids do Ajax. Mas não se faz treze pontos na loteria todo dia, chega um dia dá errado. Este ano não reforçaram consideravelmente o time. Agora perderam nomes importantes como Ferrara, Del Piero. Aliás, Del Piero já não joga bem há tempos, mas preocupava dentro da área

Trivela: A Lei Bosman foi positiva para o futebol europeu?

CC: Foi excelente para os jogadores, mas colocou em uma situação secundária as seleções nacionais. Hoje caminhamos para uma situação na qual teremos grandes clubes, e as seleções serão vistas como algo incômodo, mas inevitável devido à tradição.

Trivela: O Sr. vê favoritos no Italiano, ainda na décima rodada?

CC: Não. Qualquer um dos grandes, como Parma, Milan, Fiorentina, Roma , e até Lazio e Juventus ainda tem chances.

Trivela: A questão do doping é profunda ou não?

CC: É muito profunda, e acredito que terá conseqüências, envolvendo muita gente. Como todas as coisas que envolvem a justiça na Itália, as punições vão demorar, mas acredito que sairão. Médicos, laboratórios, todos estão sob suspeitas. Até mesmo o presidente da federaçõ, Nizzolla está sendo investigado. Embora o Zeman (treinador da Roma) tenha sido infeliz em algumas declarações, sua posição é válida. Não podemos admitir que enquanto em outros esportes, o doping está sendo atacado, no futebol é tratado como se nada acontecesse. Era ingenuidade crer que o futebol seja uma ilha feliz.

Trivela: E a seleção de Zoff?

CC: Muita coisa não muda, porque é uma continuidade dos campeonatos. Mas sobretudo, pelo fato de que os calendários não favorecem o trabalho das seleções, e os clubes vêm as convocações como algo inconveniente.

Trivela: A Superliga?

CC: O caminho forçoso do futebol. Quando deixou de ser esporte para ser espetáculo, passou a obrigatoriamente de seguir este caminho. Costumo dizer que seria esporte se ao invés de 22 jogando e 40.000 assistindo, fossem 40.000 jogando e 22 assistindo. Como o investimento é altíssimo, bilheterias já não são a parte mais significativa da receita, este é o caminho mais óbvio. Acredito que dentro de alguns anos, surja um campeonato europeu, uma liga européia. Se participarem 18 times, só acontecerão clássicos.

Trivela: Mas aí o futebol não corre o risco de se deixar de ser um esporte, com manipulação clara de resultados, e etc?

CC: Eu temo que o futebol se torne algo como o boxe nos Estados Unidos. Um show de TV. É mais difícil, porque são 22 pessoas em cada partida, ao invés de 2, é mais difícil a conivência de tanta gente.

Trivela: A FIFA vai sumir?

CC: Não, mas vai perder muito poder. Terá um papel mais figurativo do que hoje.

Eurocopa: a Espanha empatando em Salerno. Algo errado ?

Para quem viu a Espanha na Copa, e dizer que a Itália cedeu um empate em casa pode até assustar. Mas sobram explicações. Primeiro que a Espanha trocou o palhaço Javier Clemente por Jose Antonio Camacho, ex – jogador importante na década de 80 de tantos craques (Butrageño, Sanchez, Zubizarreta – ainda jovem e outros), e só isso já faria diferença. Mas Camacho já promoveu mudanças importantes, trazendo novos jogadores à “Fúria” (esse apelido é uma piada!). Um bom exemplo é Michel Salgado aquele que quebrou Juninho antes da Copa. Além de dar pontapés, ele joga alguma coisa, principalmente em se tratando da patética seleção da Copa.

Na Itália, sobrabvam problemas. Del Piero fora, Baggio voltando de contusão, e muita falta de confiança. No ataque pela primeira vez juntos uma dupla “giovanissima”. Inzaghi e Totti, que não fizeram feio, mas não conseguiram levar a Itália a uma vitória. Nada muito preocupante. Ainda

A Rodada

Roma 1 x 1 Bari

Eis um time que vem surpreendendo no campeonato. Com um elenco equilibradíssimo, e muito bem treinado por Eugenio Fascetti, o Bari não tem nenhuma grande estrela. Seus maiores destaques são o jovem meia Zambrotta e o sulafricano Masinga. E sicessivamente vão caindo seus adversários.

Depois de vencer a Inter em Milão, o Bari quase ganhou da Roma no Olimpico. Suportando uma pressão intensa durante toda partida, o Bari sempre que ia para o contragolpe era perigosíssimo. E assim Masinga abriu o placar, depois igualado através de pênalti sofrido e convertido pelo jovem capitão romano Totti. Impossível não destacar a soberba atuação do arqueiro Mancini, do Bari, uma muralha. E de uma maneira geral, da armação tática de Fascetti, que faz uma omelete com poucos ovos. Jogo agradabilíssimo

Cagliari 1 x 0 Parma

Irregularidade é o segundo nome do Parma. Depois de massacrar a Udinese na semana passada, o Parma foi uma sombra em Cagliari, e sucumbiu ao ‘caldeirão’ que é o estádio sardo, no qual o time do Cagliari dificilmente perde. Mesmo chegando mais vezes o gol do adversário, o Parma se mostrou ainda um time em formação, mostrando uma sonolência incrível. No segundo tempo, o africano Kallon fez um belo gol, e arrebanhou pontos importantes para a classificação. Entre os “gialloblú” de Parma, uma sensação de que o time entrou de salto alto.

Bologna 1 x 1 Perugia

Modéstia a parte, no início da temporada eu dizia que o Bologna, quando à toda força, seria uma equipe difícil de se bater. Entre campeonatos e Copas, este foi o décimo quarto resultado sem derrota da equipe de Carletto Mazzone. Mesmo assim, poderia ser melhor. O Bologna dominou o meio – campo, e sofreu um gol belíssimo num contra ataque, anotado por Rapajic. Empatou pouco depois, através de Johnathan Binotto, em uma precisa finalização, quase defendida pelo arqueiro bolognese Roccatti. Aposto que o Bologna terá uma das vagas da Copa UEFA no ano que vem, não por ter um timaço, mas pela regularidade que pode alcalçar, se não sofrer alguma contusão séria em algum elemento chave.

Juventus 0 x 0 Empoli

A falta de Del Piero é cada vez mais perceptível, não somente pela sua técnica, mas também pelo golpe que a Juventus sofreu em sua autoconfiança. Consciente de que não tem uma peça de reposição nem mesmo próxima da qualidade de Del Piero, Marcello Lippi está arrancando os cabelos. Conseqüência prática: um jogo chatíssimo, com o primeiro escanteio aos 25’ do primeiro tempo. Sorte do Empoli que arrancou um empate de ouro, um ponto valiosíssimo, ainda que sua sutuação continue crítica.

Fiorentina 3 x 1 Internazionale

Demonstração incontestável da superioridade florentina. Logo no início, Roberto Baggio cavou um pênalti convertido por Djorkaeff, mas a Inter de Simoni mais uma vez se mostrou débil para segurar a solidez do time de Trappatoni, nem de aproveitar os espaços deixados pelo alemão Heinrich. Destaques para Edmundo, autor de uma jogada sensacional no gol de Heinrich, e também do lateral direito Repka, um gigante na defesa viola. Até aqui, a Fiorentina merece a liderança do certame.

Salernitana 1 x 0 Venezia

O jogo dos desesperados. Como era de se imaginar, o fator campo seria decisiva em um jogo destes, e de fato o foi. Não é necessário imaginar que não se tratou de um show de técnica, mas também foi um jogo, muito disputado. O Venezia só não volta à série B por milagre, embora ainda haja muita água para rolar.

Sampdoria 0 x 0 Vicenza

Sinceramente um jogo para se esquecer, principalmente se você se chamar Ariel Ortega. O argentino perdeu um pênalti, em um jogo horrível, que poderia ter dado à Sampdoria uma colocação confortável na fuga dos últimos lugares. Se alguém ganhou com este jogo, foi o Vicenza, que levou um ponto para casa

Udinese 1 x 0 Piacenza

Nessa rodada tão pobre de gols (talvez motivada pelo frio intenso que se abate por toda a Itália), o time de Amoroso arrancou do valente Piacenza uma vitória importante. O brasileiro, por falar nele, perdeu um pênalti, e agradeceu muito a Paolo Poggi o gol salvador que deu a vitória ao time friuliano. Tecnicamente, um jogo pobre também.

Milan 1 x 0  Lazio

Um jogo de um  time só. A Lazio desfalcada de oito jogadores (seis titulares) foi à Milão para não perder, e o Milan quase que cede um empate. Uma péssima atuação de Bierhoff e Weah, que pararam nas mãos milagrosas de Marchegiani por diversas vezes. Aos 47’ do segundo tempo, Leonardo marcou um gol importantíssimo, que valeu ao time rossonero a vice – liderança do campeonato.

Por lá, só alegria (na Itália…)

Só alegria

Não há possibilidade de comparação entre o campeonato italiano e os outros, principalmente com o nosso ridículo campeonato brasileiro. Neste último fim de semana, simplesmente nenhum empate. 27 gols em oito jogos, e apenas um visitante saiu vitorioso. Os estádios estavam todos cheios, e alguns dos jogos foram inesquecíveis como o embate entre Roma x Juventus,ou a golada do Parma sobre a Udinese. Acompanhar o Italiano é um imenso prazer.

Copa Itália

Nesta semana, outra rodada da Copa Itália aconteceu. Mesmo sendo um torneio menor,se comparado ao campeonato italiano, é um certame que atrai os interesses dos clubes, pois dá uma vaga em uma Copa européia, a Recopa. É a chance mais fácil para um time médio jogar um dos três torneios continentais.

A rodada não mostrou muitas surpresas, já que os times maiores se classificaram, com exceção da desclassificação da Roma pela Atalanta de Bérgamo (este sim, um resultado inesperado).

O Parma foi à Bari e conseguiu um empate sem gols que lhe garantiu a classificação; a Udinese passou pelo Vicenza, mais uma vez com gol salvador de Sosa; o correto time do Bologna mais uma vez eliminou a Sampdoria, como já havia feito nas eliminatórias na Copa Intertoto. Desta vez, um milagroso pênalti aos 45’ do segundo tempo, sofrido por Signori, foi convertido por Kolyvanov, e assegurou o time ‘rossoblú’ na Copa Itália; a Fiorentina teve o melhor desempenho e meteu 4 x 0 no Lecce, com uma partida sensacional de Edmundo

Vergonha passou a Inter, que precisou de um penal duvidoso para empatar com o …Castel di Sangro, quando perdia por 1 x 0. O time foi vaiado, e deu início às especulações que apontam Marcello Lippi como o próximo treinador do time interista  HYPERLINK “#moratti” (leia abaixo) . A Juventus, cada vez mais esfacelada por contusões, teve de escalar o defensor Ferrara no ataque, e graças a ele, conseguiu um gol contra o Venezia, para ir adiante na competição. E no jogo mais esperado da Copa, deu a lógica, e a Lazio segurou um empate contra o Milan, sem Bierhoff. A Lazio vai adiante.

Del Piero no estaleiro

O título em risco. É isso que significa a perda de Del Piero para a Juventus. Um rompimento nos ligamentos do joelho semelhante ao que teve Raí, e só volta no ano que vem. Muito chateado, o fantástico italiano se recobrou com as inúmeras provas de solidariedade que recebeu dos amigos. “Alex, estou contigo. Para Inter x Juventus, te espero no campo”, foi o que disse a ele por telefone o avante Ronaldinho, também sofrendo com as pancadas nos joelhos. Seguiram – se telefonemas de Roberto Baggio, Vieri, Ferrara, Conte, Amoruso, do espanhol Raúl. Um carinho muito grande se demonstrou pelo acontecimento com o atacante e se espera o seu pronto restabelecimento.

Já para o clube, o futuro é incerto. Não há possibilidades de se contratar alguém como Del Piero da noite para o dia, e no time as opções do elenco são limitadíssimas. O uruguaio Zalayeta foi emprestado para o Venezia, e Daniel Fonseca é um jogador anos – luz atrás de Alessandro Del Piero. Um boato que se falou por aqui foi na possibilidade de França, o atacante do patético São Paulo ser contratado pela Juve, num assombroso valor de US$ 15 milhões. Mesmo assim, continuo achando que a Juventus terá de se contentar com uma vaga na Copa UEFA. O título, vai ficar para outro

Os sonhos de Moratti

Gastar, gastar, gastar. O megabilionário dono da Internazionale Massimo Moratti não para de pensar em gastar. Depois de trazer Ronaldo, Simeone, Paulo Sousa, Zé Elias, Ventola, Pirlo, West, Roby Baggio, e ver o treinador Simoni não ganhar nada, parece que Moratti se encheu da retranca de seu time milionário, e já acena com a contratação do excelente treinador da Juventus Marcello Lippi para a próxima temporada. Mais: vai tentar trazer Michael Owen do Liverpool, para o ano que vem.

Flávio Prado, em seu “No mundo da bola”, criticou o anúncio da Inter dizendo se tratar de falta de ética. Não vejo desta forma. A Inter não tem compromisso com Simoni para o ano que vem, e Lippi também encerra seu contrato com a Juventus no fim desta temporada. Ninguém está passando ninguém para trás.

Minha opinião é de que Lippi será o treinador no próximo ano, até porque já disse que gostaria de trocar de ares. Mas Owen não será vendido de maneira nenhuma. Os torcedores do Liverpool não admitem nem pensar nesta hipótese.

A Itália sem Del Piero, Vieri nem Baggio

Dino Zoff está com problemas. Três de seus preferidos para o ataque ‘azzurro’ estão machucados, e não puderam ser chamados para o jogo contra a Espanha, na Quarta – feira. Del Piero, só no ano que vem; Baggio está fora de forma, e Vieri, ainda não pode ser aproveitado. Outro nome machucado é o de Casiraghi, mas que não tem sido convocado.

Para substituí – los, os jovens Ventola e Totti (este último, nome comum nas últimas convocações), mais Chiesa, do Parma, e o também jovem, mas já veterano de convocações, Filippo Inzaghi.

No resto do time, a única surpresa é o romano Tommasi, no meio – campo. Eis os nomes:

Goleiros: Gianluigi Buffon (Parma) e Angelo Peruzzi (Juventus)

Defensores: Fabio Cannavaro (Parma); Giuseppe Favalli (Lazio); Mark Iuliano e Gianluca Pessotto (Juventus); Christian Panucci (Real Madrid); Moreno Torricelli (Fiorentina) e Paolo Maldini (Milan)

Meio – Campistas: Demetrio Albertini (Milan); Jonathan Bachini (Udinese); Eusebio Di Francesco, Damiano Tommasi e Luigi Di Biagio (Roma); Diego Fuser e Dino Baggio (Parma)

Atacantes: Enrico Chiesa (Parma); Filippo Inzaghi (Juventus); Francesco Totti (Roma) e Nicola Ventola (Internazionale)

A Rodada

Parma 4 x 1 Udinese

O Parma começa a acertar os ponteiros, e coloca uma significativa vantagem sobre o correto time da Udinese. Chiesa e Crespo vão dando os primeiros sinais de entrosamento, e envolveram com facilidade a defesa do ex – time de Zico e Edinho. Baseado num esquema de jogo sobre seu forte meio – campo, o Parma é um time cheio de opções, e mesmo sem um megastar no ataque, provou que pode ser prolífico em gols. Na Udinese, começa a se evidenciar o erro que foi a cessão de Bierhoff e Helveg para o Milan. Não corre risco de cair, mas parece que o título será quase impossível

Venezia 2 x 0 Lazio

Surpresa total! O lanterna do italiano pegou um time fortíssimo e todos pensavam que dava Lazio fácil. Mas o pequeno Venezia aprontou, e saiu na frente com um gol do brasileiro Tuta, e depois só ficou cozinhando o galo. Resultado excelente para o time do Veneto, e péssimo para as pretensões da Lazio de se manter no bloco de frente. Nada está perdido, mas ver a Lazio dá a sensação de que falta alguma coisa. Essa coisa se chama Vieri, machucado.

Piacenza 4 x 2 Fiorentina

O líder, contra um ameaçado de rebaixamento. Quem vence ? O ameaçado, e de goleada. O Piacenza, mesmo sem dois titulares, Vierchowod e Sachetti, se impôs e provou para quem quiser ver que no italiano deste ano, é impossível imaginar quem será rebaixado. Jogando o fino, o time de Simone Inzaghi horrorizou e enfiou uma improvável goleada na líder, em atuações sensacionais de Inzaghi e do meia Stroppa. A Fiorentina, que jogou completa, e deixou dúvidas sobre a eficiência de sua defesa, setor carente de alguém para jogar ao lado de Torricelli e Repka. Curiosidade: o Piacenza é o único time no qual Batistuta nunca marcou.

Intenazionale 3 x 0 Sampdoria

Sem Ronaldinho, um pouco de paz para Gigi Simoni. Nesta semana o treinador da Inter lembrou que o time não pode viver em função de Ronaldo. O lembrete valeu, e com dois pênaltis convertidos por Djorkaeff, mais um de Zamorano fecharam o marcador. Tudo bem que não foi um futebol vistoso, mas desfalcados de Ronaldo e Baggio, qualquer time se ressentiria. A Samp só figura no campeonato, no máximo buscando uma vaga na Copa UEFA

Roma 2 x 0 Juventus

Inesquecível a partida entre Roma e Juventus. Nem que fosse somente pelos quinze minutos finais, eletrizantes, já teria valido a pena. O time piemontês veio a campo tentando provar para si mesmo que podia vencer mesmo sem Del Piero, e a Roma, do alto de sua regular campanha, queria se aproximar dos  líderes. Paulo Sérgio colocou a Roma em vantagem no final do primeiro tempo, e no segundo, o jogo se abriu, gerando um lindo espetáculo. Quando estava toma – lá – dá – cá, Candela, da Roma, fez uma jogada e um gol de cinema, liquidando as pretensões da Juventus. Uma beleza. E ficou provado que sem Del Piero, a Juve  não é aquela equipe assustadora.

Salernitana 2 x 0 Perugia

Importante vitória do time da Campania, em casa, contra um dos times que vai concorrer na fuga do rebaixamento. Caindo pelas tabelas, a Salernitana venceu graças a dois gols de Di Vaio, um time perigoso e bem montado. O fato de jogar em casa foi decisivo para o resultado. A Salernitana, mesmo em penúltimo, vem subindo de produção.

Vicenza 0 x 4 Bologna

Quem só não fez chover neste jogo foi Beppe Signori. Mandado embora da Lazio no ano passado, Signori passou uma temporada amarga, sem brilho, na Sampdoria. Quando muitos o davam como em decadência, Signori foi para o Bologna, que já tinha ressucitado o futebol de Roberto Baggio. Após um começo de temporada medíocre, Beppe parece estar voltando às boas com o gol. Marcou um na semana passada contra a Roma, e nesta rodada fez três golaços, e viu Kolyvanov fazer o quarto. O Bologna vem crescendo a cada rodada,  e pode surpreender entre as primeiras posições. No simpático Vicenza, a derrota serviu para colocá – lo perigosamente próximo à UTI da tabela

Empoli 2 x 1 Cagliari

O time da Sardenha definitivamente não sabe jogar fora de casa. Mais uma vez perdeu em viagem, e o que é pior, para um concorrente direto na zona UTI. O Empoli ainda não convenceu ninguém de que pode se manter na Série A, e esta vitória foi fundamental. Prognóstico incerto para os dois times, mais para o time toscano Empoli.

Bari 0 x 0 Milan

Um jogo chatíssimo. Se o Bari esperava que o Milan fosse avante para atacar, errou. O Milan esteve retrancado, e sem ímpeto. Ziege pela direita foi nulo, e Ba (que o substituiu) não foi melhor. O ataque sempre foi morno, mas mesmo assim, obrigou o arqueiro Mancini a fazer pelo menos três grandes defesas. Resultado melhor para o Bari, e incômodo para o Milan

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