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Para entrar para a história

Se não fosse a derrota para o Boca Juniors na final da Copa Intercontinental, em Tóquio, em dezembro, a temporada do Milan até aqui teria sido rigorosamente perfeita. Carlo Ancelotti conseguiu montar um time que marca gols e se defende á beira da perfeição, e os números de sua campanha comprovam isso.

O time ‘rossonero’ tem uma escalação titular: Dida, Cafu, Nesta, Maldini e Pancaro; Pirlo, Gattuso, Kaká e Seedorf; Shevchenko e Tomasson. Pelo menos é essa a conclusão que se tira em relação ao tempo dos jogadores em campo. Talvez aí esteja boa parte do segredo do time.

“Na manga”, Ancelotti tem nomes como Ambrosini, Rui Costa, Inzaghi, Kaladze, Serginho e o “highlander” Costacurta. O curioso é que alguns dos titulares, como Tomasson e Pancaro, ganharam a vaga pelas contusões dos “titulares”, fato pelo qual o Milan ainda tem reserva técnica para a reta final das suas competições.

O técnico Carlo Ancelotti foi acusado de tudo: retranqueiro, preconceitusoso (“persegue Rivaldo”), limitado taticamente, e “muito amigo dos jogadores”. Mesmo assim, conseguiu inventar um atacante como primeiro volante (Pirlo), conciliar uma defesa sólida à italiana com um ataque ofensivo à espanhola, gerenciar um grande número de craques no banco de reservas, chegando às quartas-de-finais da Liga dos Campeões com uma confortável vantagem de sete pontos no campeonato, que faz realmente possível o inatingível objetivo da conquista das duas competições.

Um aliado de inestimável valor do Milan é o MilanLab, que até poucos meses vinha sendo contestados por alguns gênios, que entendem tanto de medicina esportiva quanto de física nuclear (ou de futebol). O fato é que, enquanto Roma, Inter e Juve têm as enfermarias mais ou menos cheias, Carlo Ancelotti só não pôde contar com Brocchi e Redondo para o jogo contra a Juventus.

No final de semana que vem, o Milan tem tudo para dar o golpe final na conquista do torneio. Se vencer o Parma no Giuseppe Meazza, os ‘rossoneri’ torcem para que a Lazio em boa forma bata a Roma, retribuindo a derrota do primeiro turno. Aí, só um milagre histórico tira o ‘scudetto’ de Milão.
Duzentos!

Roberto Baggio ganhou, neste final de semana, uma vaga num clube seletíssimo. Com seu 200º gol na Série A italiana, Baggio passou a ser o quinto jogador da história a ter feito mais gols na competição. O gol era esperado há semanas, e tanto seus companheiros e torcedores, como adversários, pararam para a plaudir aquele que é o maior jogador italiano dos últimos 20 anos.

Alguns podem argumentar que um entre Franco Baresi, Gaetano Scirea, ou Dino Zoff mereça este título. Mas é em vão. Baggio é o esportista italiano mais conhecido na Itália e no mundo. Joga com 37 anos um futebol de primeiríssima classe, e só não chegou a esta marca mais cedo porque teve diversos atritos com treinadores ao longo de sua carreira.

À frente de Baggio, só lendas. Com 216 gols, Giuseppe Meazza, craque que se notabilizou na Inter, mas também jogou por Juventus, Milan e Atalanta, e José Altafini, piracicabano que brilhou no Milan, Juve e Napoli; 225 gols é a marca de Gunnar Nordahl, maior atacante da história do Milan, que também atuou pela Roma; e Silvio Piola, com 274 gols, divididos entre Pro Vercelli, Lazio (maior atacante da história do clube), Juventus e Novara (passou pelo Torino mas não chegou a jogar).

A dificuldade que Baggio teve com os técnicos foi em decorrência de seu estilo. O craque sempre precisou de espaço e liberdade para atuar, e nem todos os seus comandantes estavam dispostos a tanto. Com Marcello Lippi, criou uma inimizade profunda; com Arrigo Sacchi, fez as pazes anos depois.

Mas a grande verdade é que a Itália ama Roberto Baggio e pede encarecidamente a ele que não pare de jogar no fim desta temporada, como ele se diz determinado. Seu tornozelo aflito por lesões é a maior causa da decisão; seus gols e jogadas espetaculares são os maiores motivos para que ele siga adiante. Tomara que ele siga adiante. Feliz definição foi a do técnico do Perugia, Serse Cosmi: “Não dá para não dar os parabéns a um jogador que marcou um número ignorante de gols. Tenho inveja de quem pôde ter a honra de treina-lo”.

Morte em Turim

Agora, nem mesmo a ‘grinta’ juventina deve bastar. A derrota para o Milan no Delle Alpi, na mesma semana da desclassificação da Liga dos Campeões, foi o golpe de misericórdia na temporada ‘bianconera’. Agora, a Juve se agarra à uma Copa Itália que, até pouco tempo, era desprezada.

O desastre juventino não começou nesta semana. Começou, provavelmente, em junho, quando Lippi e a comissão técnica decidiram antecipar o início da pré-temporada, visando poder chegar na final da Liga dos Campeões no ápice da forma, com uma prevista queda de rendimento no final de 2003. Tal decisão explica o início turbinado dos piemonteses nas primeiras rodadas, e o declínio natalício. Lippi esperava poder gerir esta queda, mas não contava com alguns obstáculos.

O primeiro deles foi o não-inserimento de Nicola Legrottaglie na sua defesa. O ex-atleta do Chievo até que começou bem, mas logo começou a sentir os efeitos de uma pubalgia que não o abandonou mais. Some-se a isso um Tudor que está há dois anos na enfermaria, um Paolo Montero visivelmente em declínio e um Ciro Ferrara que segue como o mais confiável defensor, mas já com 37 anos.

Outro entrave sério foi o capítulo Davids. O volante holandês era vital para a Juventus, e Stephan Appiah não está à sua altura. Com Davids indo para o Barcelona, o meio-campo juventino jamais teve a mesma solidez, enquanto o catalão mudou da água para o vinho, e o time do Nou Camp volta a competir por uma vaga na Liga dos Campeões.

O ataque do time também não colaborou. Del Piero teve pelo menos três contusões (a últiam delas, aos 5’ da partida contra o Deportivo), e Trezeguet jamais conseguiu nesta temporada manter uma série de partidas seguidas. Marco Di Vaio e Fabrizio Miccoli sentem-se desprestigiados, e isso é nítido. Ah, sim: Zambrotta também está KO, com uma lesão muscular.

O último problema foi mesmo um erro da diretoria. Com um elenco já curto, a Juve liberou Olivera, Fresi e Zalayeta em janeiro. Não que os três fossem tecnicamente espetaculares, mas era absolutamente necessário que viessem reforços. Falou-se muito em Fiore, Stam, Corradi, Ibrahimovic e Stankovic, mas ninguém foi apresentado como reforço. Não à toa, a Juve tem jogado todas as partidas com pelo menos três ou quatro jogadores das divisões de base.

A grande pergunta agora é se Lippi permanece como treinador para a próxima temporada. O próprio técnico já admitiu que o jogo contra o Deportivo pode ter sido o seu último pela Liga dos Campeões. É uma deixa para assumir a Itália depois do Europeu. Trappatoni só fica se vencer a competição. Herdeiros para Lippi? Vamos deixar esta especulação para mais para frente.
Como se não faltassem problemas…

A Roma sabia que não podia patinar. O Milan embalado não dá sinais de que vai fraquejar. Totti joga com dores no joelho e púbis há mais de quarenta dias justamente por isso. E aí veio o empate com a Reggina, uma das últimas colocadas do Italiano. Um balde de água gelada em todo mundo.

O time de Capello pressionou o tempo todo, mas não passou por um bem-organizado meio-campo do time calabrês. Ademais, ficou claro que Montella, recuperando-se de contusão, ainda precisa de tempo para voltar a seu melhor. Tempo este, que a Roma não tem.

Para o jogo contra a Lazio, que está numa fase melhor, O treinador Capello perdeu de uma vez só o zagueiro Zebina (terceiro cartão amarelo) e o defensor Panucci. Quando ordenado por Capello para se aquecer para entrar no jogo, simplesmente respondeu: “Você não quis me colocar desde o começo, agora quer que eu entre? Não vou”. Um atônito Capello custou a acreditar, mas sem perder a compostura, disse. “Não, fique aí. Parabéns”. Apesar de Capello afirmar que está tudo Ok, é quase certo que a história do defensor no time esteja encerrada.

Uma última observação: com o ‘scudetto’ praticamente nas mãos do Milan, o melhor que Capello poderia fazer é mandar Totti ao departamento médico, para que ele pudesse se recuperar adequadamente para a Euro 2004. Mas um palpite diz que a Roma vai arriscar, e a Itália vai pagar um preço alto por isso.

Curtas

A respeitável revista francesa “France Football” noticiou na última segunda-feira que o atacante Olivier Kapo, do Auxerre, assinou contrato com a Juventus, para a próxima temporada.

Se isso se confirmar, é sinal de que um entre Trezeguet, Miccoli e Di Vaio, deverá deixar Turim

Giuseppe Favalli, da Lazio, completou neste final de semana sua partida de nùmero 350 na Série A; 200 participações para Vincenzo Montella

Para Alessandro Costacurta, 600 jogos com a malha do Milan

Milan recordista: só a Inter de Trapattoni tinha conseguido igualar a marca de 64 pontos em 25 rodadas

Na verdade, a Inter de ‘Trap’ tinha tido a mesma campanha (20 vitórias, 4 empates e uma derrota), mas somente 44 pontos, pois o regulamento ainda previa dois pontos por vitória

Até aqui, a média do Milan é a de 2,56 pontos por jogo

Capítulo Inter: dois pontos nas últimas seis jornadas

Cada vez mais, a cova de Zaccheroni parece aberta

Já se fala até em Trappatoni para sucedê-lo

O clube de Appiano Gentile parece mesmo num eterno inferno astral

Tanto que, Adriano, que comia a bola no Parma, na Inter parece um reserva do Guapira

Esta é a seleção Trivela desta rodada

De Sanctis (Udinese); Cafu (Milan), Barzagli (Chievo), Maldini (Milan), Diana (Sampdoria); Jorgensen (Udinese), Mauri (Brescia), Barone (Chievo), Seedorf (Milan); Baggio (Brescia), Cipriani (Sampdoria)

Vida ou morte

Se os nervos de Juventus e Milan serão testados em algum momento desta temporada, certamente será nesta semana. Os dois clubes vão passar por duas provas definitivas em relação aos seus objetivos, e não podem, absolutamente, falhar. Para aumentar a dramaticidade, no próximo domingo, os dois se enfrentam, como um ‘gran finale’ de filme épico.

A Juve começa sua via crucis já na terça. O time de Marcello Lippi precisa se libertar do momento cinzento que dá tom às suas performances e bater o Deportivo La Coruña, em Turim, por dois gols. Se não o fizer, coloca em risco sua permanência na Liga dos Campeões. E, vale lembrar, o técnico Marcello Lippi jurou, no início desta temporada, que, caso não vença a competição européia, vai encerrar sua carreira como técnico.

Não faltam obstáculos. Com uma defesa que já tomou 27 tentos nesta temporada, a Juve não sabe como se acertar depois da partida de Edgar Davids. Para complicar, Lippi não vai poder contar com Iuliano, Birindelli, Zambrotta, Maresca e Trezeguet, contundidos, mais Tudor, eternamente no entra-e-sai da enfermaria. O Deportivo é um adversário hostil, que já despachou a Juve da LC no passado. De boa notícia, a aparente recuperação de Pavel Nedved, que teve uma semana de férias para eliminar o estresse.

Em Milanello, na teoria, o Sparta Praga é um compromisso menos espinhoso. Só na teoria. O time checo é cheio de bons jogadores, e nesta Liga dos Campeões, sempre jogou melhor em casa do que fora, pois aposta no contra-ataque. Os campeões europeus terão um time completo para receber o Sparta, e gozam de um momento de tranqüilidade. Mas estão cientes que uma vitória tcheca ou um empate com gols são resultados totalmente possíveis

Ancelotti deve usar dois atacantes contra o Sparta, com Tomasson-Shevchenko na frente de Kaká (ou Rui Costa). Defesa titularíssima de ponta a ponta, com Cafu, Nesta, Maldini e Kaladze, e Pirlo na cabine de comando do time. O Milan deve manter a posse de bola o mais possível para conter o Sparta em seu campo. Pippo Inzaghi deve entrar no decorrer da partida.

No domingo, o encontro entre Juve e Milan é uma final. Se a Juve vencer, zera as vantagens de Milan, e Roma na corrida pelo título, deixando os três numa diferença de três pontos (contando que a Roma bata a Reggina). Mas se o Milan sair vitorioso, a Juve dá adeus à competição. E se perderem Roma e Juve, o Milan praticamente assegura o título.

Quem é favorito para domingo? Prognóstico impossível. Primeiro, porque o resultado da Liga dos Campeões é fundamental para o ânimo de ambos; segundo, porque não se sabe quantos titulares contundidos cada time terá; e terceiro, porque num clássico de tais proporções, as vantagens técnicas, físicas e psicológicas são quase zeradas. Um fim de semana ímpar, que pode determinar o destino do campeonato.
O ás na manga de Trapattoni

Algumas grandes discussões circundam a lista de nomes (não a de Pelé, por favor!) que Giovanni Trapattoni quer levar para o Europeu de 2004. Na defesa, Cannavaro e Nesta são certezas, com mais uma vaga em aberto (Bonera?); no ataque, o trio Totti-Vieri-Del Piero também soa indiscutível, e as disputas ficam pelo banco de reservas (com Filippo Inzaghi, Corradi, Miccoli e Cassano na competição).

Contudo, a decisão mais importante que Trapattoni pode tomar é no meio-campo. É dado como certo que o técnico irá entregar a armação de seu time para Perrotta e Cristiano Zanetti, dois bons jogadores que foram bem quando juntos. Se o fizer, ‘Trap’ estará abrindo mão de ter em seu time (e no setor mais problemático da última década) um dos melhores registas do mundo, o milanista Andréa Pirlo.

Pirlo acabou no Milan praticamente desprezado pela Inter. Atacante de origem, surgiu no Brescia, e foi contratado pelo time de Via Durini ainda com 17 anos. Na Inter, jogou como atacante ou meia-atacante, mas nunca teve um rendimento regular. Por isso, foi emprestado à Reggina (onde virou herói, junto com o laziale Baronio – hoje emprestado ao Chievo), depois ao Brescia, e enfim, confinado ao terceiro time interista.

No Milan, chegou junto com Rui Costa, e já foi olhado de lado, como “o reserva de Rui Costa”. Só que em rubro-negro, foi automaticamente titularizado, enquanto Rui Costa não se adaptava. Aposentou a versão atacante, e passou a jogar como meio-campista puro. E no ano seguinte (2002), atendendo aos pedidos do técnico Carlo Ancelotti, fez uma experiência para atuar como primeiro volante, abrindo espaço para Rui Costa jogar mais avançado.

Ancelotti descobriu um pote de ouro no final do arco-íris. Recuado, Pirlo desenvolveu sua capacidade de marcação, e se tornou um gigante como regente. O bresciano de 25 anos é o cérebro do Milan, comandando todas as ações ofensivas, mas de uma posição recuada. Capaz de fazer lançamentos de quarenta metros com precisão milimétrica, Pirlo também pode aproveitar as incursões de Shevchenko, Inzaghi, Tomasson, ou Kaká (como fez no jogo contra a Samp).

No seu primeiro ano como mediano, tinha uma falha grave. Não sabia sair da marcação. Na partida entre Juve e Milan, em Turim, Marcello Lippi acabou com o Milan ao colocar um Nedved de seis pulmões para sufocar Pirlo. O Milan sucumbiu naquela partida (2 a 1 para a Juve, pela Série A). Só que a experiência fez com que Pirlo aprendesse a lidar com a marcação. Hoje, deixá-lo livre é praticamente um suicídio.

Se tiver alguma ousadia, Trapattoni tem obrigatoriamente de dar a Pirlo a vaga de Zanetti. Não que o interista não seja bom jogador, pelo contrário. Mas é que Pirlo é capaz de dar ao ataque italiano a fantasia que não tem há anos, fazendo com que a gama de opções de ataque seja infinita, tanto pelos lançamentos longos, quanto pelas infiltrações de Totti, tabelas entre Del Piero e Vieri ou descidas dos laterais Zambrotta e Camoranesi. Zanetti é excelente na contenção, mas uma sombra diante do talento de Pirlo. A bem da verdade, de Totti, Del Piero e Pirlo chegarem a Portugal no ápice de suas capacidades, a Itália é a única concorrente a afrontar Portugal e França de igual para igual.

O 3-4-3 sem polêmica

Enquanto a Inter come o pão que o diabo amassou com o 3-4-3 de Alberto Zaccheroni (campeão no Milan, quatro temporadas atrás), um outro time colhe frutos excelentes usando a mesma impostação tática nesta temporada. A Udinese, time destinado a evitar o rebaixamento e nada mais, corre forte por uma vaga na Copa UEFA e ainda sonha, ainda que não assumidamente, com uma vaga na Liga dos Campeões.

Mas por que razão o mesmo esquema têm resultados tão diversos? Resposta: Luciano Spaletti montou em Udine um time dentro de suas possibilidades, e tem controle do que se passa no seu elenco. Zaccheroni (que com o mesmo 3-4-3 quase chegou à Liga dos Campeões em 1998, na mesma Udinese) herdou um grupo montado para um 4-4-2, cheio de vaidades e jogadores desmotivados.

Mas falando da Udinese: o bom desempenho do time, como sempre, começa na defesa. O goleiro Morgan De Sanctis, reserva de Buffon nas seleções juvenis da Itália, é seguramente um dos mais regulares do torneio. A regência da defesa fica nas mãos no ‘nonno’ Sensini, 38 anos, mas uma performance de ‘star’, que controla os companheiros Bertotto, 14 anos no clube, e a revelação Kroldrup, ex-Bari, que é uma das revelações do campeonato no setor.

O meio-campo friulano tem nomes cobiçados por todos os grandes da Itália. David Pizarro é o arquiteto do time. Rápido, técnico e forte, Pizarro é o melhor jogador da geração chilena. Como se contundiu, Pizarro tem sido substituído pelo jovem italiano Pazienza e pelo também jovem Muntari. O primeiro promete boas coisas; o segundo já parece pronto para uma grande. Menos técnico que Pizarro, é forte como um touro e coloca pressão no setor. Pinzi, titular certo da Itália sub-21, é o marcador central, talvez o mais forte da sua idade no país.

Mas os astros do meio-campo são os externos Jorgensen e Jankulovski. O primeiro, dinamarquês, é praticamente um armador clássico, que dita o ritmo do jogo e costuma cair pelo meio, como um “10”; o segundo, tcheco, é jogador de faixa, que impinge velocidade e profundidade à jogada, fazendo com que a Udinese acione seus atacantes com grande facilidade.

Falando em atacantes, os dois fixos são Iaquinta e Dino Fava. Iaquinta faz a referência na área, e Dino Fava, artilheiro da Série B da Triestina na última temporada. Jorgensen e Jankulovski alternam-se no ataque, fazendo do esquema de jogo um misto de 3-4-3 com 3-5-2. O nome do esquema não importa, e sim sua versatilidade. (9 dos 11 titulares já marcaram gols nesta temporada). Dificilmente o time de Udine não acaba esta temporada com a missão mais do que cumprida.

Curtas

O defensor Marcelo Castellini chegou a 200 partidas pela Série A neste final de semana

Prova de que esta temporada está muito mais dura na luta pelo título, é o fato de que a Juventus, na temporada passada, tinha feito um ponto a menos do que nesta, até a 24ª rodada, mas mesmo assim, está duas posições atrás da do ano passado, quando era líder

Até aqui, 897 cartões amarelos foram dados na Série A, com média de 4,1 por partida, segundo dados da Gazzetta Dello Sport

Rui Costa é o alvo maior do Benfica para a próxima temporada

A notícia parece real, porque todos ficariam felizes

O Benfica teria de volta seu maior jogador dos últimos anos, o Milan receberia uma boa verba em dinheiro por um atleta que só tem mais um ano de contrato, e Rui Costa atuaria como estrela maior em Lisboa.

Esta é seleção Trivela do Italiano desta semana

Dida (Milan); Montero (Juventus), Kroldrup (Udinese), Ferrari (Parma), Maldini (Milan); Mancini (Roma), Pirlo (Milan), Baronio (Chievo), Dacourt (Roma); Cassano (Roma) e Inzaghi (Milan)

Vai faltar espaço na cadeia

Nos últimos anos, o futebol italiano foi um verdadeiro viveiro para tudo quanto é praga, mais ou menos criminosa. Agentes inescrupulosos, falsificadores, médicos irresponsáveis, dirigentes pilantras, todos tiveram espaço para fazer escândalos. E não foram poucos. Doping (médico e administrativo), passaportes falsos, falência de clubes, virada de mesa…

Mas pode ser que, finalmente, esteja na hora da ratatulha ir para a cadeia. Na última quinta, policiais e agentes da ‘Guardia di Finanzia’ (uma espécie de polícia tributária) invadiram as sedes de todos os clubes da primeira e segunda divisão, e alguns da terceira, além da Lega Calcio. Toneladas de documentos foram apreendidas e estão sendo minuciosamente vasculhadas. Para horror dos cartolas.

Basicamente, as suspeitas são de corrupção, bancarrota fraudulenta e falsificação de balanços. Quase trinta inquéritos estão sendo conduzidos, entre os quais, o dos passaportes, doping, cartas de garantias falsas, falências da Círio e Parmalat, abuso de poder da Capitalia, entre outros. Potencialmente, pode envolver o primeiro escalão do poder na Itália. De uma maneira geral, o assalto da GDF foi bem visto, especialmente por aqueles que pediam clareza nas finanças de clubes como Roma e Napoli, desde sempre beneficiados por favores dos “co-irmãos”.

De cara, já se sabe que o que mais vai aparecer são as chamadas ‘plusvalenze’, uma artimanha que os clubes faziam. Trocando jogadores de valores similares, os clubes alteravam seus balancetes para cobrir prejuízos. Um jogador era comprado por mil dólares e vendido por dez milhões, semanas depois. Isso aconteceu milhares de vezes, sabida e assumidamente. Lembram-se das trocas de jogadores entre Inter e Milan? Entre Roma e Parma? Pois é.

O grupo que está encarregado de passar o pente fino nas finanças dos clubes é da maior competência, e parece determinado a colocar tudo às claras. Todos os personagens do futebol italiano estão mais ou menos envolvidos com as negociatas, e embora haja uma certa calma, tudo indica que a chapa vai ferver para muita gente. Esta é uma investigação que não se sabe onde pode acabar.

Русские исчезли!

Tudo parecia estar arranjado. A Roma finalmente conseguiria sair de sua sinuca de bico. O clube de Trigoria tem uma dívida impagável de cerca de € 350 milhões, e para não seguir a rota de Parma e Lazio (ou pior – Fiorentina), o dono do clube achou uns russos endinheirados na mesma onda do milionário que comprou o Chelsea. A Nafta Moscou pagaria a Franco Sensi cerca de € 400 mi, e todos ficariam contentes – torcida incluída, pois não só não perderia Totti, Emerson e outros, como “corria o risco” de ver chegarem Davids, Vieri e mais alguns medalhões.

O verbo está no passado porque ia bem, mas não vai mais. Os milionários russos se borraram de medo quando viram a polícia invadindo as sedes de todos os clubes, e pensaram: será que nós não estaríamos entrando numa roubada? Na dúvida, suspenda-se tudo. A Roma volta à estaca zero.

A semana passada se desenhou macia para a negociação romanista, e numa hora em que a grana dos petroleiros russos viria bem à calhar. Agora, sem a grana dos Urais, o presidente do clube, France Sensi, só tem uma saída. Entrar em acordo com um grupo de empresários de Roma que tinha topado substitui-lo à frente do clube. O problema é que eles não querem as dívidas do clube, ou pelo menos exigem que o valor seja abatido da negociação. Sensi não aceita.

Moral da história: o furacão fiscalizatório do governo italiano acabou ferrando Sensi, que vai ter de ceder, mais cedo ou mais tarde. A gestão do clube sob suas mãos foi ruinosa. Por bem pouco, não se teria causado conseqüências para a torcida. Como última tentativa, a Roma subiu seu capital para 130 milhões de euros. A medida visa melhorar a situação financeira do clube e tentar atrair os russos de volta.

Ah, e mais uma coisa: o título desta matéria deveria ser “Os russos sumiram!”. Caso algum internauta letrado em russo ache alguma imperfeição na tradução (feita num tradutor automático), aguardamos correções.
Inter, o inimigo íntimo

A Inter é o clube que não precisa de inimigos. Ninguém sabe fazer mais mal à equipe de Via Durini do que ela mesma. Na derrota para o Brescia em Milão, de virada, ficou provada irrefutavelmente a fraqueza psicológica do elenco interista, somada a uma sensível lacuna técnica.

A crise interista é tão feia que já se considera certo que Alberto Zaccheroni não fica para a temporada que vem. Mais: novas derrotas podem fazer com que o técnico romagnolo perca o emprego ainda nesta ano. Zaccheroni deve acabar pagando o pato pelos eternos problemas do clube. Injustamente.

Sabe-se que a diretoria finalmente resolveu fazer um expurgo em junho, onde diversos nomes podem tomar o caminho da roça. Por hora, a medida adotada foi um retiro do elenco, que está em regime de concentração permanente, para treinos e lavagem de roupa suja ‘ad infinitum’.

Em campo, o grande drama da Inter segue sendo não ter um comandante no meio-campo. É incrível como a Inter consegue desnaturar jogadores comprovadamente bons, como Lamouchi ou Dejan Stankovic. O time não tem um jogador que consiga ordenar a manobra, e assim, depende de lampejos dos atacantes. E como a bola queima o pé dos meio-campistas, a defesa acaba sempre ficando no mano-a-mano, e sempre perdendo. Até Toldo, um dos três melhores goleiros do mundo, está jogando incrivelmente mal.

A saída de emergência parece improvável. O ideal seria umafaxina imediata, limando TODOS os jogadores que estejam fazendo parte da turma do chinelinho. Por sorte da Inter, nenhum dos outros aspirantes à quarta vaga para a Liga dos Campeões (Parma, Lazio, Udinese) venceu nesta rodada, mas este posto parece difícil, pois a Inter é o mais irregular dos quatro. Para pegar uma vaga-UEFA, a Inter não precisa de nenhum medalhão, e a mensagem estaria dada aos jogadores: o couro vai comer se ninguém se mexer.

Lecce turbo, rebaixamento duríssimo

O mês de fevereiro foi tudo o que o Lecce esperava. Um dos rebaixados virtuais na virada do ano, o time do Via Del Maré fez um mercado excelente e transformou-se na sensação do torneio. Basta dizer que nas últimas cinco partidas, o ‘giallorosso’ do Salento fez 13 pontos, concedendo somente um empate, contra o Milan.

E qual a varinha de condão usada? Nenhuma. O Lecce se reforçou nos setores certos. De maior relevância, a chegada do colombiano Bolaño no meio-campo, e a explosão da dupla Bojinov-Chevantón no ataque. O uruguaio marcou nas últimas cinco partidas e tem transferência garantida para o próximo campeonato.

Mas além da turbinada do Lecce, outros times que lutam contra o rebaixamento também reagiram. O Empoli já vem de uma melhoria desde a virada do ano, com a consolidação a dupla Rocchi-Tavano e a consistência dos meias Di Natale e Vannucchi. Esta coluna cravou que o Empoli já tinha reservado a vaga no rebaixamento, mas a reação surpreendente reabilita o time toscano para seguir sonhando. A vitória contra a excelente Udinese é prova disso.

Não é só. O Perugia finalmente conseguiu uma seqüência de duas vitórias, e ainda segue favorita para cair, mas voltou a ter chances de pensar em se manter (mesmo com chances reduzidíssimas). Reggina, Siena e Modena perderam terreno e já estão na área perigosa da tabela. Na verdade, nove pontos separam o 17º e o 10º colocados. O Ancona é o único que está irremediavelmente comprometido.

Curtas

Zambrotta fez, contra o Ancona, a sua 200ª partida pela Série A

O meio-campista fez 141 jogos pela Juventus e 59 pelo Bari

Aliás, o Ancona que perdeu para a Juve de Zambrotta, deve estabelecer um novo recorde negativo nesta temporada

Já são 17 derrotas até aqui

Frey (Parma) e Torrisi (Reggina), completaram 150 partidas na divisão máxima

Um jornal de Brescia ventilou que o Anderlecht quer Baggio para a Liga dos Campeões do ano que vem

O time belga, que nega o interesse, daria condições especiais de treino para o craque veterano, que jogaria somente a competição européia

E esta é a seleção Trivela do Italiano neste final de semana

Antonioli (Sampdoria); Mancini (Roma), Vargas (Empoli), Barzagli (Chievo) e Maldini (Milan);Seedorf (Milan), Codrea (Perugia), Emerson (Roma), Vannucchi (Empoli); Totti (Roma); Cassano (Roma)

O gigante bom

Numa semana que a Itália certamente vai preferir esquecer (exceto os milanistas), depois do trauma da perda de Marco Pantani, o torcedor novamente tira os lenços do bolso. No sábado, depois de uma longa luta contra um câncer e o Mal de Alzheimer, morreu John Charles, centroavante da Juventus na linha de ataque mais famosa da história do clube, junto com Giampiero Boniperti e Omar Sivori.

O leitor deve estar se perguntando se é pertinente tratar com tanto destaque assim de um jogador que atuou em meados dos anos 50, e que a grande maioria dos contemporâneos não viu jogar. Esta coluna acha que sim. O galês Charles foi chorado talvez com maior intensidade na Itália do que no Reino Unido, tal era a devoção dos peninsulares pelo mito.

Esse mito começa a sua história no Leeds United, nos difíceis anos do poá-guerra. Entre 1947 e 1957, John Charles marcou 154 gols em 316 jogos pelo time de Elland Road. Em 57, Umberto Agnelli, então o presidente mais jovem da história do clube, com 21 anos, gasta 105 milhões de liras para levar Charles para Turim. O esforço se explicava pela performance incolor da Juve, que tinha levantado o último troféu seis anos antes, e amargara, de fila, dois nonos e dois sétimos lugares.

A linha Sivori-Boniperti-Charles fez história, com 77 gols e um ‘scudetto’ já na primeira temporada. Além da capacidade monstruosa de marcar gols, Charles ganhou o apelido de “Gigante Buono”, porque passou toda a sua carreira sem levar uma advertência (os cartões amarelos só apareceriam na década seguinte) ou ser expulso. Em seus cinco anos de Juve, levantou três títulos nacionais (entre eles o de número 10, que deu a primeira estrela ao clube piemontês), uma Copa Itália, marcando 105 gols em 178 jogos.

O 1m86 de Charles hoje parecem comuns, mas cinqüenta anos atrás justificavam plenamente o apelido de gigante. Excelente no jogo aéreo, entrava na área sob marcação cerrada dos adversários, mas se recusava a abrir os braços para atingi-los. E ainda assim, ganhava a parada, na maioria das vezes. Vestiu a camisa de Gales em 38 partidas.

Charles passou mal antes de participar de um programa de TV na Itália, no mês passado. No hospital, teve sua situação estabilizada, mas sabia-se da gravidade de sua situação. A Juventus pagou um avião-hospital para leva-lo de volta à Leeds, onde acabou falecendo no último sábado, e fazendo a ‘Vecchia Signora’ jogar de luto nos braços, contra o Bologna.

A afeição extraordinária do torcedor italiano pelo “Gentle Giant” foi tão sólida que fez com que ele fosse eleito pelos torcedores como o maior estrangeiro a ter vestido a malha ‘bianconera’. Isso, tendo a concorrência respeitabilíssima de nomes como Michel Platini, Liam Brady, Omar Sivori, Zinedine Zidane, só para citar alguns. No Leeds, é considerado o maior jogador de todos os tempos. Mesmo com um dos derbys de Milão mais espetaculares de todos os tempos, a semana ficou em tons de cinza.

Berlusconi, polêmicas e eleições

Logo depois da fantástica virada do Milan sobre a Inter, por 3 a 2, no sábado, o premiê italiano (e presidente do Milan), Silvio Berlusconi, deu uma entrevista que caiu como gasolina na fogueira. “Mandarei uma carta ao técnico do Milan dizendo que não podemos absolutamente jogar com um atacante só”. O tom feliz se misturou com uma ameaça velada à italiana, e muitos já conseguiram ver no episódio uma ameaça ao cargo de Carlo Ancelotti.

Menos. Berlusconi, que é uma espécie de Maluf italiano, dado seu caráter populista, não deu ponto sem nó. Mais do que repreender Ancelotti, o político quis é colocar seu nome na mídia num momento em que as eleições se aproximam e que a briga com a esquerda italiana vive um momento sangrento. O caso ficou tão sério que a presidente da RAI, Lucia Annunziata, interviu na transmissão da “Domenica Sportiva”, para dizer publicamente que Berlusconi não tinha o direito de fazer um “spot eleitoral gratuito”.

Falsas polêmicas à parte, Berlusconi não pode estar falando sério, porque realmente conhece futebol. Seu Milan faz a melhor campanha da história da Série A até o momento, está classificado na Liga dos Campeões, e consegue fazer proezas como as de sábado. Um ou dois atacantes? Depende do adversário. E até aqui, a gestão do ataque por Ancelotti tem sido ótima.

O 4-5-1 do Milan é tão ofensivo quanto o do Real Madrid, porque quatro dos cinco meio-campistas podem chegar ao gol, confundindo a defesa adversária. Além do mais, Tomasson (o segundo atacante), age tão próximo do meio-campo que às vezes passa por meio-campista. O time só se assume como tendo dois atacantes mesmo quando Shevchenko e Inzaghi estão em campo.

Europa num momento difícil

O retorno às competições européias vem num momento bem duro paa a maioria dos clubes italianos. Por razões variadas, todos os clubes da Série A estão às voltas com algum tipo de dificuldade, e apreciariam bastante se pudessem aguardar mais quinze dias antes de disputar euro-decisões que significam receitas importantes.

Para começar pelo começo, o Milan e a Juventus, os dois italianos que sobreviveram à primeira fase da Liga dos Campeões, olham com preocupação para seus compromissos. O Milan deu uma prova indiscutível de força aovencer a Inter, é verdade, mas tem boa parte de seu time sob exaustão. Os próximos 30 dias têm muitos compromissos duros, e jogadores como Kaká, Cafú e Shevchenko vão precisar, uma hora ou outra, de uma pausa. A boa nova é que a enfermaria está quase vazia – exceção feita à Nesta.

Na Juve, o drama é maior. Com um elenco curto de 22 jogadores, o técnico Marcello Lippi precisa reencontrar o brilho perdido de outrora. Diante de um adversário incômodo como o Deportivo La Coruña, a missão é de alto risco. Del Piero é a aposta para a força extra, e o jovem Maresca, a esperança de substituição à visível flexão de performance de Nedved. Tudo, é claro, sem perder o Milan de vista no campeonato.

Os italianos da Copa UEFA têm situações diferentes. A Roma é a única que respora com alívio, atravessando uma fase em que tem forças suficientes para bater um rival abordável, o Gaziantepspor (TUR). Inter e Parma se batem com problemas de ordem diferente. A Inter enfrenta sua eterna crise endógena, cheia de grandes nomes e pequeno futebol; o Parma, dilacerado por uma crise financeira, tem entusiasmo de sobra, mas é certamente um time mais fraco do que o de dezembro passado. Já o Perugia, vive uma realidade esquizofrênica, onde está com as malas prontas para cair, mas ainda vai bem na competição.

Curtas

O atacante da Roma, Antonio Cassano, deu um passo importante para garantir sua vaga na Eurocopa

Com sua primeira “tripletta” na Série A, Cassano, já igualou a marca de 9 gols da temporada passada

O maior concorrente de Cassano pela vaga é o juventino Miccoli

Dois centroavantes em destaque entre as equipes provinciais

O primeiro é Dino Fava Pássaro, que completou seu 13o gol na temporada

Fava estava na Triestina até Muzzi ir para a Lazio

O outro é Ernesto Chevantón, do Lecce, que dificilmente não segue para uma “grande” no fim da temporada

“Cheva” marcou seu 12o gol nesta Série A

A imprensa italiana segue impressionada com a forma esferica que Jardel se apresenta

O atacante brasileiro ainda não marcou

Quando Roque Júnior chegou ao Siena, depois de ter sido “injustiçado” no Leeds, o clube tiscano estava na décima posição

Quatro rodadas (com quatro derrotas) depois da chegada do brasileiro, o Siena escorregou para uma perigosa 13a. posição

Roque Júnior é um daqueles fenômenos que conseguem se manter em grandes clubes e na seleção sem jamais jogar bem

Depois de sua saída do Palmeiras em 2000, o zagueiro jamais teve uma seqüência de jogos onde não patinasse

A seguir, a seleção Trivela do Italiano na última rodada

Frey (Parma); Iuliano (Juventus), Nesta (Milan), Samuel (Roma); De Rossi (Roma), Baronio (Chievo), Cassetti (Lecce), Pirlo (Milan); Totti (Roma), Cassano (Roma) Chevanton (Lecce).

Atrás das grades

Se alguém contasse esta estória há dois anos, seria chamado de louco, e provavelmente, ganharia um processo criminal daqueles bem carnicentos. Mas a verdade é que os dois maiores empresários do setor de laticínios na Itália até bem pouco tempo, Calisto Tanzi e Sergio Cragnotti, estão neste momento, atrás das grades.

Tanzi já está preso desde 18 de janeiro; Cragnotti foi encarcerado na semana passada, com direito a mãos algemadas e tudo mais. Na verdade, o crime de ambos é similar: acusação de bancarrota fraudulenta, ou seja, sumiço de dinheiro de uma empresa, com benefício de alguns credores em detrimento de outros.

A cadeia italiana não deve estar vazia, porque junto do ex-dono da Lazio, muitos outros executivos foram para o xilindró, todos no mesmo escândalo. Aliás, os dois casos são bastante interligados, porque a derrocada da Parmalat tem muito a ver com a queda da Círio (empresa de Cragnotti). Calisto Tanzi, semanas atrás, disse que a Parmalat se enterrou em dívidas após ser forçada a comprar várias fábricas da Círio a preços super-faturados, visando tirar a corda do pescoço dos credores daquela empresa.

A tramóia deve ser bem maior do que imaginamos nós, reles assalariados. Outra coincidência entre os dois casos, além das prisões, do ramo dos laticínios e dos clubes de futebol é que tanto Tanzi quanto Cragnotti viraram suas acusações para grandes bancos da Itália, especialmente a Capitalia, do poderoso Cesare Geronzi. Geronzi teria sido o pivô da quebra dos dois grupos, manipulando ativos e passivos com a força de quem é o maior credor de ambos. Ou melhor, era, porque os credores de Círio e Parmalat certamente não estão em situação tão vantajosa.

Para os gramados, a repercussão será menos aguda. A Lazio já teve sua situação crítica afastada (ainda que tenha recebido favores poçíticos para seguir em frente), e mesmo que não tenha o poder econômico de outrora, já caminha sozinha. O Parma ainda está no olho do furacão, mas dá sinais de ter passado o pior. Não deve cair para a Série B, e com alguma sorte, consegue vagas européias para bombar o cofre.

Pena que o rigor da Itália não se estenda até aqui. As cadeias não teriam mais vagas.

Sob o fantasma do doping

O leitor assíduo de Trivela há de estranhar, mas o fato mais importante desta semana é a morte de um ciclista. Sim, o site continua tratando do mesmo assunto, futebol, e não pretende alterar o seu foco. Mas o falecimento de Marco Pantani, talvez o maior ciclista italiano desde Fausto Coppi, tem tudo a ver com futebol.

A morte de Marco Pantani por “causas naturais” joga um galão de aguarrás na fogueira da discussão sobre o doping. “Il Pirata”, único ciclista italiano capaz de vencer o Giro D’Italia e o Tour de France (as duas provas mais importantes do ciclismo) na mesma temporada, desde o mítico Coppi (1949-1952), teve sua carreira destroçada após ter sido pego num exame anti-dopagem. Pantani teria usado eritropoietina, ou EPO, substância sintetizada pelo organismo, mas utilizada em larga escala por atletas de esportes de fundo, que precisam de resistência.

A perda do ídolo, mais a assustadora morte de Marc Vivien Foe, há menos de um ano, somada a de Miklos Feher há poucas semanas, nem mesmo o ‘establishment’ esportivo, voluntariamente cego, pode continuar a deixar de lado um fato: o esporte profissional, que todos os anos vende milhões de chuteiras, camisetas e bicicletas, está assassinando seus maiores protagonistas. Sob as vistas e com a conivência de todos.

O choque na Itália ainda não permitiu este tipo de reflexão, porque lá, Pantani é um astro de primeira grandeza. Contudo, o raciocínio óbvio é o de pensar aos inúmeros casos de doping no futebol, ao processo que a Juventus sofre em Turim (e que a incomoda barbaramente), às mortes contínuas de ex-jogadores nos últimos anos pelo Mal de Gehrig (uma espécie de esclerose que suspeita-se possa ter maior incidência pelo uso de ‘medicamentos’).

A complacência com que as autoridades futebolísticas (FIFA inclusa) têm com os casos de dopagem é não menos responsável do que o receituário das drogas por médicos inescrupulosos. Alguns esportes, como o próprio ciclismo, estão infestados até a alma pela praga, mas finge-se que se trata da minoria. E quando se arruma um bode expiatório como Pantani, dá-se lugar a uma inquisição mediática. O ciclista foi consumido por essa inquisição, e isolado como um Lázaro, foi dilacerado por uma depressão pavorosa.

Claro, outro motivo para relacionar a morte de Pantani com o futebol era a sua fé futebolística. Milanista “doc”, Pantani ia a jogos do clube sempre que possível, e o time jogou de luto no empate em Lecce. A Itália chora a morte de um ídolo, e vê na morte do ciclista, a agonia do futebol. Um jornalista italiano disse que foi a “crônica de uma morte anunciada”. Podemos colocar a frase no plural, pois a crônica continua.

Parma versão Ajax

As tetas da vaca da Parmalat estão mais secas do que o deserto de Góbi. Agora é a hora em que o Parma vai ter de mostrar se pode ou não pode seguir como protagonista. Sem dinheiro, a criatividade toma lugar. E o modelo a ser seguido, segundo o dirigente Luca Baraldi, é o dos holandeses do Ajax.

A teoria de Baraldi é a seguinte: grandes contratações não terão mais lugar no futebol contemporâneo, e especialmente, num clube com problemas financeiros como o Parma, sediado numa cidade de pouco mais de 170 mil habitantes. As divisões de base passam a ter então um papel vital, onde os jogadores são criados para ter uma identidade com o clube. A idéia é a de ser reconhecido como um clube onde surgem grandes jogadores.

Outra preocupação do clube é a de se colocar de acordo com as regras da UEFA para a temporada que vem, onde os débitos terão de estar obrigatoriamente adequados às despesa e não se serão admitidos salários atrasados nem dívidas com o fisco e previdência.

O Parma tem estrutura bastante adequada para se transformar num clube de ponta no segundo escalão da Europa, lutando por Copa UEFA e eventuais vagas na Liga dos Campeões, somente na base da boa gerência. O furacão empresarial que sacudiu o clube veio num momento em que a circunstância pôde ser administrada, e talvez esta tenha sido a grande sorte.

Trapattoni peita os grandes clubes

Giovanni Trapattoni resolveu dar um murro na mesa. Depois de semanas sendo “ameaçado” pelos técnicos dos grandes italianos (Milan, Roma, Juve, Inter e Lazio), o CT italiano contra-atacou, sem medo. Os técnicos reclamavam que não queriam ver seus maiores astros convocados para amistosos da “Azzurra”. Trapattoni deu de ombros.

Numa semana onde a Juve vai visitar um crescente Bologna, a Lazio viaja até Verona, para pegar o Chievo, a Roma hospeda o Siena e Milan e Inter se enfrentam num derby milanês, ‘Trap’ chamou simplesmente 15 atletas entre os 22 que jogam em um dos cinco. O recado de Trapattoni é claro: a seleção não é um ajuntado de quinta categoria e quem quiser ir para a Euro-2004 vai ter de ralar a bunda.

Tirando o duo de goleiros Buffon-Toldo, que só não vai para Portugal se estiver machucado, Trapattoni chamou somente três debutantes. Na defesa, Bettarini, da Sampdoria, 31 anos e nove clubes na carreira. A idéia é fechar um setor que tem opções satisfatórias, e onde Cannavaro não consta por contusão.

Os outros dois debutantes são no meio-campo. Volpi (Sampdoria) e Barone (Parma) tentarão convencer Trapattoni numa posição onde somente Perrotta convenceu. Trapattoni espera na recuperação de Cristiano Zanetti, mas o interista está numa espiral de contusões e o técnico não pode ter certeza que, depois de quase um ano de entra-e-sai na enfermaria, Zanetti estará bem para o Europeu.

Se optar por um 4-4-2, o ataque é Totti-Vieri, com certeza. Mas caso escolha o 3-4-1-2, sistema que deu as melhores respostas até agora, Totti deve figurar atrás de Del Piero-Vieri, com Cassano correndo por fora. Trap também deve acabar levando Filippo Inzaghi, se o milanista se recuperar da ciranda de lesões.

Eis os 22 convocados para a partida desta semana contra a República Tcheca de Pavel Nedved:

Goleiros: Buffon (Juve) e Toldo (Inter)

Defensores: Adani (Inter), Bettarini (Sampdoria), Ferrari (Parma), Legrottaglie (Juve), Nesta (Milan), Oddo (Lazio), Pancaro (Milan), Panucci (Roma)

Meio-campistas: Barone (Parma), Di Natale (Empoli), Fiore (Lazio), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo), Pirlo (Milan), Volpi (Samp)

Atacantes: Cassano e Totti (Roma), Corradi (Lazio), Del Piero (Juventus), Vieri (Inter).

Curtas

No domingo, faleceu mais um jogador, vítima do Mal de Gehrig

É o defensor Minghelli, do Arezzo, clube onde foi treinado pelo técnico Serse Cosmi

Minghelli tinha somente 31 anos

O artilheiro do campeonato, Andriy Shecchenko, fez contra o Lecce, a sua partida oficial de número 200 com a camisa do Milan

Shevchenko, curiosamente, também estreou pelo Milan contra o Lecce, no mesmo estádio Via Del Mare, também marcando um gol, e também num empate, mas pelo placar de 2 a 2

Fabio Pecchia, da Juventus, completou 300 jogos pela Série A, divididos em 6 equipes: Sampdoria, Juventus, Napoli, Como, Bologna e Torino

Daniele Adani (Inter) e Fernando Couto (Lazio), completaram 150 partidas na divisão máxima, enquanto Siviglia (Lecce) chegou à 100a

O Perugia não vence uma partida na Série A há 26 rodadas

A última foi contra a Atalanta, no campeonato passado, por 1 a 0

Esta rodada, a de número 21, foi a mais magra da temporada, com somente 18 gols em 9 jogos

Eis a seleção Trivela desta semana no campeonato Italiano

De Sanctis (Udinese); Natali (Bologna), Nesta (Milan) e Stam (Lazio) ; Pizarro (Udinese), Bolaño (Parma), Bresciano (Parma) e Doni (Sampdoria); Chevantón (Lecce), Amoruso (Modena) e Baggio (Brescia)

A vigésima maldita de Turim

Os 4 a 0 que a Juventus sofreu para o Parma na noite deste domingo em Roma remeteram imediatamente a uma outra derrota em que os piemonteses levaram quatro gols. O ano era 1999, a rodada, curiosamente, era a de número 20, o adversário era o Parma. Foi um 4 a 2 que forçou Marcello Lippi a pedir demissão, prontamente aceita.

Dos juventinos que estavam em campo na goleada do Olímpico, Montero, Tacchinardi, Tudor, Conte e Buffon (então no Parma) também testemunharam o desastre de 1999, E certamente devem se lembrar que uma derrota dessas proporções não passa incólume. Não na Juventus.

A Roma jogou um bom futebol, é verdade, mas a voracidade dos números se deve muito mais a uma flacidez inaceitável da Juve do que a um jogo espetacular da Roma. Totti e Cassano jogaram excepcionalmente, mas a defesa juventina era um espectro do setor impenetrável que há quatro temporadas é o melhor do torneio. Como disse o próprio Buffon, o desempenho do setor, ele incluso, “não é digno da Juventus”.

Marcello Lippi deu uma entrevista no pós-jogo bem mais serena do que a de 1999, onde sua cabeça estava colocada a prêmio, mas o abatimento era evidente. Na expulsão de Montero (15o cartão vermelho do uruguaio na Itália, recorde absoluto), Lippi meneou negativamente com a cabeça, jogando a toalha inconscientemente. E para o campeonato, não é muito diferente, embora o treinador insista no contrário.

A dificuldade a ser superada pela equipe de Turim não é nem tanto pelos oito pontos de distância do líder Milan, mas pela falta de recursos aparentes no atual elenco, curto de 22 jogadores, e sem nomes que possam, teoricamente, fazer a diferença nesta reta final de campeonato. Del Piero, há três meses machucado, é o único ‘bianconero’ capaz de injetar gás num time que parece sem disposição. É pouco.

Um exausto Nedved e um Trezeguet de contrato novo também soam como improváveis candidatos a carregar esta Juve nas costas, num momento em que o time parece necessitar de estrelas defensivas, exatamente como Davids (recém-partido para o Barcelona), ou Stam, cuja contratação junto à Lazio foi adiada para junho, já que o batavo não pode jogar na Liga dos Campeões.

Líquida e certa é uma reação por parte da diretoria e da comissão técnica. Com a Liga dos Campeões se aproximando, a Juve não pode nem pensar em falar de crise. Marcello Lippi já disse mais de uma vez que se aposenta se não vencer esta edição do torneio continental e a diretoria juventina não poderia admitir um ‘flop’ nas contas do clube, que tem ações na Bolsa de Valores.

Resta a pergunta: O que fazer? Lippi já tinha se decidido a encerrar o ‘rodízio’ de jogadores que visava dar uma folga para os craques mais importantes, mas talvez tenha de reconsiderar. Nedved perdeu o brilho de três meses atrás, visivelmente fatigado, Del Piero ainda não encontrou tal brilho, e a defesa, principalmente, precisa achar quem vai fazer o papel do Davids da vez. Para Appiah, pode ser um momento-chave: ou se revela um juventino, ou mostra que é um craque de início de campeonato. Detalhes disponíveis nas próximas semanas.

Vieri-Adriano: a Inter se inventa um novo problema

Incapaz de desfrutar alguns momentos de bem-estar, a Inter volta a exercitar a sua mania quase botafoguense de se auto-flagelar. Agora que conseguiu jogar bem duas partidas seguidas, a discussão que se avizinha a Appiano Gentile é sobre a impossibilidade de colocar Adriano e Vieri para jogarem juntos, ou seja, que Vieri está de saída.

O hábito não é recente, nem italiano, nem interista. Basta lembrar que Shevchenko não poderia jogar com Inzaghi no Milan, assim como Rui Costa não poderia jogar com ninguém (nem Albertini, nem Kaká, nem Rivaldo), Zidane não poderia jogar com Figo no Real Madrid, e Nedved não poderia jogar com Davids e Del Piero na Juventus.

Discussões como esta só deixam claro duas coisas: a primeira é que a mídia consegue inventar pelo em ovo para vender jornal; a segunda é que a Inter de Milão precisa, antes de qualquer outro craque, de se deitar urgentemente num divã de psicólogo, e recuperar o seu amor-próprio.

Alberto Zaccheroni, treinador do time Lombardo, tem a seu dispor, dois dos melhores atacantes do mundo. Se fossem dois cabeças-de-bagre da mesma posição, ou a Inter tivesse grandes craques em outras posições, até se colocaria a dúvida sobre as chances de sucesso de ambos. Não se trata de nenhum dos casos.

Este colunista tinha sim, uma dúvida sobre se Crespo (ótimo jogador, mas inferior a Adriano) poderia jogar com Vieri. Na prática, o argentino foi designado para atuar mais na área, enquanto Vieri voltava para buscar jogo. Deu certo. Não existe razão para achar que com Adriano os dois não possam se adaptar, até porque, além de goleadores, ambos são solícitos aos pedidos dos técnicos.

É bem verdade que o jeito dos dois jogarem é similar, mas também é indiscutível que há talento suficiente na dupla para uma adaptação. E como a Inter já está fora da corrida pelo título, os próximos quatro meses de torneio são uma ótima prova para ver o que ambos podem fazer.

Zaccheroni deverá questionar seu módulo 3-4-3. Para jogar com três atacantes, seria melhor usar somente um entre Vieri e Adriano, e dar os postos de atacantes laterais a jogadores com mais vocação para a linha de fundo. Só que seria um pecado deixar um dos dois no banco, sendo que se trata do que o elenco tem de melhor.

O bom senso sugere que ‘Zac’ monte uma linha de quatro na defesa, sólida e cautelosa, sirva o meio campo com dois alas (Van der Meyde e Kily Gonzalez, por exemplo), e dois centrais que façam a bola girar. Não coincidentemente, exatamente o esquema que Hector Cuper queria montar, mesmo com alguns ‘gênios’ chamando-o de burro.

Bologna: sem magias de início de campeonato

Quem assistiu a partida entre Udinese e Bologna, no último sábado, pode até ter tomado um susto. Como o Bologna tosco e pífio do início do campeonato tinha se tornado um time ágil, consciente e aplicado, a ponto de bater a Udinese (único time que venceu o Milan na Série A deste ano) em Udine?

A resposta está no banco de reservas. Carlo Mazzone, decano treinador italiano, finalmente está vendo os frutos de seu trabalho aparecerem. O Bologna comeu o pão que o diabo amassou no começo do torneio porque o planejamento do técnico era de longo prazo, e não visando ganhar duas ou três partidas de saída.

Mazzone e o ex-técnico do time, Francesco Guidolin, têm modos de jogar bem diferentes. Guidolin joga no contra-ataque, com um meio-campo colado à defesa, convidando o adversário a avançar; Mazzone impõe a seus comandados a posse de bola, marcação eficiente e, normalmente, o uso de uma ‘torre’ (Kenneth Andersson no Bologna, Amoruso no Perugia, Tare no Brescia e Bologna) entre os zagueiros rivais, para servir como pivô para a entrada dos meio-campistas. No sábado, não à toa, Nakata, Colucci e Locatelli anotaram gols para o Bologna. Todos meio-campistas.

Normalmente, partidas explosivas no início do campeonato. Em times pequenos, são resultado de uma preparação física que visa a obtenção de um ápice rapidamente. Como se atinge o ápice antes dos adversários, fica fácil ganhar as partidas no fôlego. Mas o preço vem com o passar do tempo, e rapidamente, o time pára de correr, com influência clara nos resultados. Este Bologna fez exatamente o oposto.

Parma sente o golpe do mercado

O Parma teve o melhor projeto de reestruturação das últimas temporadas, tem o melhor técnico da nova geração, tem (ou teve) o melhor elenco de promessas de jovens italianos, e outras coisas mais. Contudo, não é possível sofrer um baque de mercado como o do clube ‘gialloblú’ sem acusar o golpe.

O Parma cedeu Adriano à Inter, Júnior ao Siena, Nakata e Moretti ao Bologna, Bolaño e Sicignano ao Lecce. Além disso, perdeu Bonera com uma fratura no pé, Cardone com uma lesão no joelho e tem um clima péssimo sobre o clube, que não sabe se vai para o saco na manhã seguinte ou não. O resultado se vê em campo.

A partida entre Parma e Lazio era um clássico entre dois grandes compradores de mercado até outro dia. Hoje, é um jogo entre dois quatrocentões que perderam tudo. Em campo, a Lazio está mais acostumada com a nova situação, e tem mais elenco, já que se recupera há mais tempo do baque.

Sintomática para o Parma é o episódio onde a torcida do Parma aplaudiu e pediu a entrada de Degano e Potenza, dois jovens de vinte anos, dos quais esperava uma reação contra uma Lazio experiente, conduzida por um renascido Cláudio López. Ao técnico Prandelli resta a esperança de pensar numa vaga na Copa UEFA, já que é difícil acreditar que o Parma possa sonhar com um ‘spot’ na Liga dos Campeões.

Os jogadores Aimo Diana (Sampdoria) e Hidetoshi Nakata (Bologna) completaram 150 partidas na Série A neste final de semana

Nakata é uma das razões da subida de produção do Bologna

Igor Tudor (Juventus) e Alberto Gilardino (Parma) chegaram à marca de 100 jogos pela divisão máxima do futebol do país

Tanto que a diretoria do clube pensa em um ‘pool’ de empresas da cidade dpara ajudar o clube a comprar seu passe e pagar seu salário

Os dois gols de Vieri pela Inter fizeram com que ele atingisse a marca de uma lenda interista, Sandro Mazzola, filho do ainda mais lendário Valentino Mazzola

O zagueiro Dario Simic estendeu seu contrato com o Milan até 2007

Não é só no Brasil que algumas narrações acabam cômicas

A transmissão de Roma – Juve, pela RAI, normalmente vetusta, teve momentos impagáveis, proporcionados pelo narrador Amedeo Goria e pelo repórter Carlo Paris

Os dois torciam desenfreadamente pela Roma, e beiraram a histeria em alguns momentos

Pagliuca (Bologna); Cribari (Empoli), Nesta (Milan) e Ignoffo (Perugia); Nakata (Bologna), Colucci (Bologna), Dacourt (Roma) e Rui Costa (Milan); Cláudio López (Lazio), Vieri (Inter)e Totti (Roma)

Milan em disparada?

Se a 18a rodada do Italiano não foi perfeita para o Milan, foi quase. Além de se desvencilhar de um incômodo Bologna, em viagem, o time lombardo pôde respirar um pouco mais aliviado com uma derrota da Roma que, não somente aumenta a diferença entre os dois times para cinco pontos, como também é um claro indicador de que o time da capital enfrenta uma crise física e técnica.

A Roma teve um mês de janeiro absolutamente deprimente, colhendo seis pontos, e perdendo oito em relação ao Milan (que a bateu incontestavelmente em três confrontos diretos). O técnico Fabio Capello está preocupado porque o elenco caiu vistosamente de produção, Totti não é mais suficiente para fazer a diferença, e o calendário reserva justamente a Juventus na próxima rodada, numa partida em que a Roma tem, obrigatoriamente, de mostrar que a crise é passageira.

Ainda que lentamente, quem se arrasta para fora de uma outra crise é justamente a Juventus, que teve seu momento pior no fim de dezembro. O time de Turim não brilha, joga com dificuldade, e tem nomes-chave (Nedved, Trezeguet, Del Piero) fora da melhor forma. Mas este é o segredo da Juve: fazer pontos, mesmo jogando mal, como aconteceu contra o Chievo.

A vitória milanista veio num momento delicado. Revezando jogadores, Carlo Ancelotti conseguiu dar um descanso para todos os seus principais titulares (exceto Shevchenko), sem perder nenhum ponto, jogando duas vezes na mesma semana contra adversários hostis (Siena e Bologna). Fevereiro reserva um calendário pesado para os rubro-negros, e é o mês em que o time vai dar uma mostra de seu fôlego.

“Então quer dizer que o Milan é o favorito?”. Calma lá. O Milan é líder, é verdade, e tem uma consistente vantagem de cinco pontos. Mas hoje, assim como há um mês, quando a Roma liderava, o torneio está abertíssimo. A Roma tem chances sim de voltar à forma de quarenta dias atrás (embora seja uma missão difícil), e a Juventus deve, salvo acidentes, voltar à sua forma máxima em questão de algumas rodadas. Na verdade, vence o campeonato o time que ficar por menos tempo patinando nesta ‘crise de janeiro’, que atinge todos.

Mesmo com a parada completamente aberta, os milanistas têm razões para estarem esperançosos: dizimam recordes (em 18 rodadas, o desempenho do Milan é um dos melhores da história da Série A), dispõem de alternativas táticas diversas, e ainda têm jogadores que não atingiram seu ápice físico, como Filippo Inzaghi, Kaladze, Serginho e o próprio Cafu. Ancelotti conta com isso para sua cartada final, até porque sabe que Sheva e Kaká não devem manter o atual ritmo assombroso até maio. Se o fizerem, entram para a história, definitivamente.

Tomasson: o reserva de luxo

Se Jon Dahl Tomasson fosse analisado pela crônica brasileira, tiraria zero. Não é técnico como Kaká, não tem a velocidade de Ronaldo, não tem o controle de bola de Denílson ou Robinho, nem a improvisação de Alex ou Ronaldo Assis. E sem isso, no Brasil, se trata de um perna-de-pau.

Mas quem o viu jogar pelo menos uma vez, não fica com essa impressão. E certamente, Carlo Ancelotti, técnico do Milan, também não. Tomasson é, hoje, o jogador mais importante taticamente para o técnico de Reggiolo, pela sua versatilidade. Sem Tomasson, é provável que o Milan não estivesse na liderança.

O dinamarquês de Copenhague apareceu para o futebol na Holanda, jogando pelo Heerenveen. Depois de três temporadas e 37 gols, Tomasson foi contratado pelo Newcastle, onde fracassou retumbantemente. Mal escalado pelo então técnico dos “Magpies”, Kenny Dalglish (hoje, não coincidentemente, desempregado), Tomasson jogava como centroavante puro, ao lado de Asprilla e Ketsbaia. Sem força física nem velocidade para tanto, foi considerado a pior contratação do ano, e re-expedido para a Holanda, só que para Rotterdam, onde aportou no Feyenoord.

Lá, deixou claro que o problema não era ele. Em quatro temporadas, levantou um título de campeão holandês e uma Copa da UEFA, na qual desclassificou a Inter de Milão na semifinal e foi o melhor em campo na final contra o Borussia Dortmund, sempre jogando como pivô para o centroavante Van Hooijdonk. Depois disso, a transferência a custo zero para o Milan.

No Milan, Ancelotti o utilizou a conta-gotas na temporada passada. Durante o ano, concluiu que “Tommy” não deveria jogar como homem de área, e sim como segundo homem, dando referência para um centroavante (Sheva ou Inzaghi), propiciando tabelas, e dando assistências. Exatamente como joga na seleção dinamarquesa (com Ebbe Sand).

Se Tomasson não tem um controle de bola excelente, nem uma técnica refinada, sabe tocar a bola de primeira, o que lhe dá grande vantagem quando recebe-e-toca para a infiltração do atacante. Maior fisicamente, protege bem a bola. E tem seu forte na inteligência tática, capaz de se agregar ao meio-campo quando o time está sem a bola, reforçando a marcação.

Nesta temporada, Tomasson já fez 12 gols, mas quase todas entrando como substituto. Com o dinamarquês no elenco, as opções táticas para o ataque se multiplicam. É um jogador e tanto, ainda que não tenha a habilidade de um Robinho. Quando nós, brasileiros, conseguimos compreender que há muitas maneiras de se jogar bem futebol, talvez as derrotas que sofremos não precisem tanto de bodes expiatórios. Elas fazem parte do jogo.

Lazio, ave César

Ninguém presta atenção porque a Lazio não tem uma campanha onipotente como a do Milan. Mas o time de Formello tem no brasileiro César, cada vez mais, um jogador indispensável. Nestes dias de marketing, onde qualquer um pode valer trinta milhões porque tem um bom agente, César é a grata exceção.

Confesso que não pus muita fé em César quando ele deixou o São Caetano. Como lateral bem à brasileira, a noção de marcação de César é a mesma de Robinho. Ou quase isso. E seguramente, numa linha defensiva de quatro jogadores, o paulistano que tem uma estória de vida bem emocionante (já cumpriu pena), fracassaria.

A sorte de César é que Roberto Mancini viu o óbvio: seu lugar não era defendendo, mas como cursor esquerdo para as ações ofensivas da Lazio. Na gestão Mancini, César jogou a primeira temporada no meio-campo e foi um dos pontos fortes do time que se classificou para a Liga dos Campeões. Neste ano, César até melhorou a marcação e começou a atuar na defesa, mas se contundiu e ficou vários meses parado.

Quando perdeu César, o técnico Mancini pôs as mãos na cabeça, porque sabia que não tinha alternativas. Para a defesa, até tinha. Embora tivesse perdido Pancaro para o Milan, a Lazio conta com Massimo Oddo, marcador discretamente eficiente. Mas o meio-campo e as jogadas de linha de fundo pela esquerda estavam encerradas.

No período sem o brasileiro, a Lazio fez bem pouco além de patinar e, de vez em quando, aprontar alguma surpresa (como para cima da Inter). Mesmo sem os elogios dos profetas do óbvio da imprensa brasileira, César faz por merecer melhor sorte na Itália. Ganhou em consciência tática, marcação e disciplina, mas não perdeu sua habilidade. É um jogador que pode fazer carreira em Roma, se não der ouvidos a propostas mirabolantes de empresários.

Juventus faz manobra arriscada

Mesmo com as apresentações opacas das últimas semanas, a renovação de contrato do centroavante Trezeguet (praticamente fechada) selou a última possibilidade de novas contratações. O técnico Marcello Lippi decidiu que, mesmo tendo cedido quatro atletas na abertura da janela de transferências, vai até maio com o grupo que tem.

Lippi é competentíssimo, não resta dúvida, mas fez uma aposta arriscada. O atual elenco da Juve tem 22 atletas, inclusos os três goleiros. O número está no limite do suficiente para um grupo que terá compromissos de campeonato, Liga dos Campeões e Copa Itália.

Além da quantidade, Lippi perdeu também qualidade. É verdade que Davids não jogava com freqüência, em função de seu braço-de-ferro com a diretoria, para não renovar o seu contrato. Mas o fato é que Davids é, simplesmente, o melhor do mundo sem sua posição, e esta perda é sensível.

No campo “quantidade”, Lippi perdeu o zagueiro Fresi (foi para o Perugia), o meia Olivera (Atlético Madrid) e Zalayeta (Perugia). Ok, nenhum desses nomes deve ganhar a Bola de Ouro em dezembro, mas certamente davam um respiro ao técnico quando seus titulares se machucavam. Um exemplo? Pela LC, contra O Manchester, no ano passado (também em fevereiro), Lippi perdeu 11 jogadores derrubados por um vírus gripal. Uma repetição deste episódio poderia ter conseqüências desastrosas com um elenco tão curto.

Na verdade, Lippi teve uma boa campanha de reforços em junho e não é técnico de sair pedindo contratações. Precisa recuperar a boa forma de Legrottaglie (que sofre há meses com uma pubalgia), Del Piero (opaco desde sua contusão muscular em outubro), Tudor (contundido há anos, sempre se recuperando mal). Resolver esta temporada complicada sem choramingar por reforços é questão de honra para Lippi. É mesmo uma missão duríssima, que precisa de competência e sorte.

A média de gols por minuto de Tomasson nesta temporada é excelente

1 gol a cada 134 minutos jogados

O zagueiro Valério Bertotto completou 250 partidas com a camisa da Udinese pela Série A

Bertotto já é o recordista em participações na divisão máxima pelo clube do Friuli

Apesar de não ter tantos gols quanto Shevchenko, o brasileiro Adriano tem média gols/partida melhor do que a do ucraniano

0,91 tentos por partida

O zagueiro interista, Marco Materazzi, deu um murro na cara do senese Bruno Cirillo dentro do túnel que leva ao campo, na saída de Inter 4 x 0 Siena

O novo presidente da Inter, Giacinto Facchetti, já anunciou “punição severa”

Esta é a seleção Trivela desta semana

Sicignano (Lecce); Nesta (Milan), Stam (Lazio) e Cristiano Zenoni (Sampdoria); Pecchia (Bologna), Pirlo (Milan), Di Biagio (Brescia), Camoranesi (Juventus) e Kaká (Milan); Recoba (Inter) e Gilardino (Parma)

Uma Inter órfã de Moratti

“Algumas pessoas estão sujeitas à delicadeza da paixão; que as faz extremamente sensíveis a todos os acidentes da vida, e dão-lhes uma alegria vívida a cada evento próspero, da mesma maneira que uma dor insuportável quando elas se deparam com as agruras da vida”. Esta frase é da obra “Ensaios morais, políticos e literários”, do filósofo inglês David Hume, mas poderia, com precisão, descrever a personalidade do presidente demissionário da Inter, Massimo Moratti.

Moratti é um homem em extinção, pelo menos do que se sabe de sua vida pública. Correto e gentil ao extremo, colocou sua paixão pela Inter de Milão diante de tudo nos nove anos em que a dirigiu, e talvez este tenha sido seu maior erro, que o entorpecia de felicidade a cada vitória do time interista e que o dilacerava nas incontáveis crises to time ‘nerazzurro’.

Hume era um que via a humanidade com um ceticismo bem acentuado, acreditando pouco na bondade humana e vendo o homem de uma maneira não muito nobre. A saída de Moratti da Inter só faz dar razão ao pensador inglês. O futebol, como toda a sociedade, está repleto de pilantras, traidores, mentirosos, velhacos e toda sorte de golpista. O cavalheiresco Moratti descobriu isso na pele, e sentiu a dor insuportável em mais de uma ocasião.

A saída do dirigente, no entanto, foi tardia. Sua paixão desenfreada pelo clube o fez muito suscetível e permissivo, justamente numa entidade marcada pela caótica política interna, onde privilégios são defendidos a ferro e fogo, mesmo com um preço a ser pago pelo time, em campo.

Ao mesmo tempo em que comprou, com dinheiro do seu bolso, dezenas de jogadores para a Inter, Moratti prejudicou a gestão interista. Não foi duro quando precisava ser; confiou quando não podia confiar; acreditou quando não deveria acreditar; disse a verdade quando teria de ter mentido. Mas, pelo que dizem os mais próximos a ele, se trata de sua natureza.

O clube agora passa às mãos de Giacinto Facchetti, lenda interista dos anos 60, e dirigente há alguns anos. Facchetti, junto com Oriali, tem uma gestão desastrosa em suas mãos, mas sempre teve o álibi de ser tolhido pela magnanimidade de Moratti. Para dar um jeito na Inter, Facchetti tem de impingir uma política de punho de ferro. Precisa fazer uma limpeza em todo ambiente, especialmente no elenco. Este campeonato já está perdido, e a vaga na Liga dos Campeões que vem, em risco. Os próximos seis meses dirão se Facchetti é a solução ou a causa dos problemas de Appiano Gentile.

O fantasma da grande Inter

Massimo Moratti sempre teve sobre si um fantasma: a sombra de uma Inter vitoriosíssima nos anos 60, conduzida pelo seu pai, Ângelo, e pelo técnico Helenio Herrera, uma lenda no clube. Herrera era argentino, e esta foi uma das razões que fez Massimo contratar Hector Cúper, a sua decisão mais acertada nos últimos anos, mas que não teve a força necessária para vencer os vícios do clube.

Moratti assumiu a Inter num momento difícil, em 1995. Comprou as ações do ex-presidente Pellegrini. Sua idéia era retornar o clube ao lugar vitorioso. Todos viam nele o herdeiro ideal de seu pai, e num momento em que o Milan entrava num momento ascendente depois da rebordosa de conquistas, a impressão era que finalmente as glórias voltariam.

Contudo, somente uma Copa UEFA e dois vice-campeonatos chegaram ao colo do presidente Massimo, mesmo com as dezenas de milhões de dólares despejados anualmente nas contratações de mega-astros como Ronaldo, Seedorf, Roberto Carlos, Paul Ince, Vieri, e de outras dezenas de jogadores menos famosos. O problema sempre esteve na política do clube.

Quando contratou Marcello Lippi para a Inter, Moratti fez de tudo para levar também o DG da Juventus, Luciano Moggi. Era a cartada certa. Político hábil, cruel quando necessário, Moggi era a pessoa mais indicada para acabar com os grupelhos no clube. Mas a Juve ofereceu sociedade acionária e Moggi ficou em Turim. Lippi fracassou retumbantemente na Inter.

Três anos atrás, Moratti, seduzido pelo estilo duro de Hector Cúper, e pela mística de ter novamente um argentino no banco da Inter, decidiu uma refundação. Cúper acabara de levar o inexpressivo Valencia a duas finais de Liga dos Campeões, seguidas. O que não poderia fazer com os craques e o dinheiro da Inter?

Deu poder absoluto a Cúper, mas as contratações ainda passavam pelas suas mãos. Cúper geriu a Inter com mão de ferro, e arranjou inimizades com Ronaldo, Di Biagio, além do ódio da cartolagem que tinha sido colocada para escanteio. Seu primeiro ano na Inter foi irrepreensível, mas um desastre na última partida tirou o título tão sonhado por Moratti. Um desastre onde os grandes culpados foram os jogadores, e não o técnico.

A história de lá para cá, todos já sabem. Cúper foi perdendo força até ser despedido. E o sonho de glória de Moratti desvaneceu. Teve de dar lugar à realpolitik que governa o mundo desde sempre. O presidente se deu conta que as coisas tinham de tomar um rumo diferente. Sua gestão foi falimentar como dirigente, mas o cavalheiro Moratti continua encantando.

Defesa juventina em alerta vermelho

Uma perigosa combinação de contusões, rodízio, falta de entrosamento e concentração fez com que Marcello Lippi acionasse o alarme. Nas suas próprias palavras, a defesa juventina está em crise. O técnico de Viarreggio, no entanto, assegurou: a Juve não contrata ninguém. A pergunta é se deveria ou não faze-lo.

Pela primeira vez em muitos anos, a Juventus entra no returno tendo sofrido 21 gols. Excessivos para os 18 primeiro jogos. O ataque segue forte, com 41 tentos marcados até aqui, mas o segredo das conquistas juventinas é a defesa impenetrável, e os números são fiéis para tal retrato.

Na temporada passada, a Juventus sofreu, em 34 partidas, somente 29 gols; na temporada anterior, menos ainda: 23 gols. Nem mesmo nos dois anos de vice-campeonatos seguidos (perdendo para Roma e Lazio), a Juve tinha a defesa tão vulnerável. Foram 27 em 2001 e incríveis 20 em 2000.

Marcello Lippi está com dores de cabeça porque Nicola Legrottaglie não manteve o ritmo do início do campeonato. O jogador parecia ter se encontrado rapidamente, mas o crescimento físico dos adversários e uma pubalgia diminuíram o seu rendimento. O croata Igor Tudor não consegue se recuperar de lesões seguidas há duas temporadas (deve ser vendido no fim deste torneio), e a defesa acaba se segurando nos veteranos Montero e Ferrara. O problema é que Ferrara também está fora de combate (assim como o lateral Birindelli), e as escolhas estão zeradas. Queira Lippi ou não, a defesa do próximo jogo será composta por Iuliano-Montero.

Não é só a zaga que tem culpa. A saída de Davids, claro, deixou marcas. O holandês é um gigante na guarnição da retaguarda, e Appiah, mesmo promissor, é inferior. Thuram também rende abaixo do esperado, e Zambrotta, por ser um meia de origem, naturalmente expõe um pouco mais a primeira linha.

Perspectivas: se a Juventus tiver preparado seu condicionamento físico para atingir os píncaros na época da final de Liga dos Campeões (bastante possível), tudo OK. O time deve subir de produção em breve e, para variar, veremos uma arrancada ‘bianconera’ na reta final, com ênfase na Europa. Se não. Lippi está mesmo em apuros, especialmente se mais algum de seus homens chave entregar os pontos.

A culpa era do técnico?

Dificilmente um clube reverte uma má série de resultados demitindo um treinador. Normalmente, a série negativa reflete uma campanha de contratações errada, uma má preparação física, um mau ambiente entre treinador e jogadores. Isso não é uma opinião, é fato. A maioria esmagadora dos clubes que caem para a segunda divisão trocam de técnico durante a temporada.

Esta coluna cravou, semanas atrás, que Empoli e Ancona já tinham feito “votos de rebaixamento”. Sem nenhum previsionismo mágico. A equação que soma rabeira da tabela com troca de treinador é forte demais para ser vencida. Mas um clube toscano está querendo contrariar a regra.

O Empoli, sociedade que tem a sua história marcada por sobes-e-desces, trocou de técnico na quinta rodada. Mandou embora o ex-jogador Daniele Baldini e contratou Attilio Perotti. Parecia somente mais uma troca de nomes, mas pode ter sido engano. O Empoli está mostrando uma virada que pode salvar sua pele.

Há três rodadas que o clube vizinho da Fiorentina faz pontos. E diga-se de passagem, que em duas das partidas, visitou a Inter em San Siro e recebeu a Juventus, granjeando quatro pontos com uma vitória externa e um empate caseiro. Na terceira partida em questão, bateu o Ancona, que parece irremediavelmente perdido. A reação empolese é tão boa que o time já saiu da zona de rebaixamento, deixando Lecce, Perugia e Ancona para trás.

Segredos? Provavelmente se trata é de trabalho de um treinador acostumado a esta situação. Perotti teve reforços, é verdade, como o firme zagueiro Vargas, contratado junto à Reggina (e que faz falta em Reggio Calábria), e Vannucchi, que voltou do Catania. Mas no geral o time é o mesmo do ano passado. Como contraste, o Perugia fez quase dez contratações, que têm se mostrado inúteis.

O treinador do Empoli recuperou a auto-estima do grupo, acertou o meio-campo, com dois volantes (Lucchini e Grella, um jogador a ser acompanhado) e três armadores suportando o avante Rocchi, quatro gols nos últimos dois jogos, e performances que certamente o habilitam para times maiores.

“Então o Empoli não cai?” Devagar com o andor porque o santo é de barro. A luta contra o rebaixamento na Série A é a mais atroz das grandes ligas da Europa, e outros ameaçados como Modena, Lecce e Reggina também têm condições técnicas de evolução. O Ancona é o único que parece sepultado, enquanto o Perugia já começa a vagar pela tabela como um zumbi.

Curtas

Os atletas do Milan fizeram grande festa pelo gol de Rui Costa, contra o Ancona

O português não assinalava um tento no campeonato italiano há 1.031 dias, quando ainda vestia a camisa da Fiorentina, numa partida contra o Vicenza

Paolo Maldini quebrou mais uma marca

Completou sua 519a partida de campeonato coma malha milanista, igualando o interista Giuseppe Bergomi

Bernardo Corradi, centroavante da Lazio, chegou à sua 100a partida de Série A, sendo 48 delas vestindo a malha ‘biancoceleste’ do clube de Formello

O Ancona pode bater uma marca negativa, caso continue com o ataque que tem

O clube marchegiano tem somente 7 gols em 18 partidas

O recorde negativo, de 1989, é do Pisa, com 16 tentos nas 34 rodadas

E esta é a seleção Trivela da semana no campeonato italiano

Pagliuca (Bologna); César (Lazio), Ferrari (Parma), Natali (Bologna) e Stam (Lazio); Santana (Chievo), Di Natale (Empoli), Kaká (Milan); Rocchi (Empoli), Trezeguet (Juventus) e Bazzani (Sampdoria).

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