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A Terra da Pizza Eterna (não, não é o Brasil)

Finalmente!

Nunca, em toda a sua história secular, o futebol italiano teve um campeonato tão enterrado em acusações, falcatruas, denúncias e mutretas como neste tórrido verão europeu. Tudo fazia crer que um atraso no pontapé inicial, a exemplo do que aconteceu na temporada passada, era uma simples questão de tempo.

Felizmente a bola rolou. E como rolou. Foram 30 gols em oito jogos de excelente nível técnico. E já na primeira rodada, a Juventus mostrou que vai defender o ‘scudetto’ com uma fúria inaudita. Na vitória em casa sobre o Empoli, por 5 a 1, o time de Marcello Lippi foi quase perfeito, estreou bem os novatos Miccoli e Legrottaglie e ainda viu Del Piero iniciar, como nos últimos dois anos (que acabaram ‘bianconeros’), fazendo dois gols no adversário.

Mas não foi só: Roma e Lazio também começaram mostrando as garras. A estréia de Demetrio Albertini na Lazio foi coroada com um gol e com uma apresentação espetacular de um reencontrado Fiore; em Udine, a Roma defenestrou o difícil campo da Udinese mostrando uma excelente dupla de ataque (Cassano e Montella), e ainda sem contar com os reforços Chivu e John Carew. Mais do que nunca, dois candidatos correndo por fora.

E como era de se esperar, a Inter mostrou um jogo enrolado, modorrento e indeciso, precisando de Christian Vieri para resolver a parada a quatro minutos do apito final de Massimo Saccani. Naturalmente que Hector Cuper não se apresentaria com um time perfeito tendo inserido cinco novas peças (Lamouchi, Martins, Van Der Meyde, Luciano e Kily Gonzalez) há tão pouco tempo.

No andar de baixo, ótimos também os times montados por equipes menores, como Reggina, Sampdoria, Perugia e Parma, já deixaram claro que os pequenos não vão ser moleza, especialmente quando jogarem em casa. Em suma: o campeonato, dentro de campo, vai ser o de sempre. Pena que fora dele não seja bem assim…

‘Calcio Caos’ ainda não acabou

Mas não é porque o campeonato da Série A começou que devemos nos crer livres do circo fedorento da cartolagem. O campeonato da Série B foi adiado para 7/9, mas pode sofrer novos atrasos e talvez nem começar. Motivo? Virada de mesa, trapaças e mutretas.

Como o leitor da TRIVELA já sabe, o braço-de-ferro na segunda divisão se dá entre o presidente da Federcalcio, Franco Carraro, e os clubes, que não querem aceitar o inchaço do torneio para 24 clubes, com a inclusão dos rebaixados e da Fiorentina, num verdadeiro trem da alegria, vazando lama para todos os lados.

Carraro parece ter vencido o primeiro round, curiosamente aliado aos seus maiores inimigos, os Gaucci, donos do Catania, que queria uma virada de mesa para compensar um rebaixamento merecido em campo. O ‘capo’ da Federcalcio garantiu o aumento da segundona italiana através de um decreto governamental, cujo anulamento é legalmente dificílimo.

Praticamente derrotados, os dezenove clubes da Série B que são contrários à virada de mesa, concordaram, a contragosto, com a tramóia, mas sob uma condição: que Franco Carraro se demita da federação. Para dar uma idéia, é como se, numa situação similar no Brasil, os clubes da Série B pedissem a cabeça de Ricardo Teixeira para aceitar uma virada de mesa.

O impasse, que parecia ter sido resolvido à força, voltou a colocar em risco a realização do torneio. Os clubes da Série B dizem que o futebol não vai começar no dia previsto, domingo próximo, e que não vão arredar pé de suas posições. Carraro, ainda apoiado pelos grandes clubes, diz que não se demite.

Prognósticos são praticamente impossíveis. Isso porque a solução da questão não tem nada a ver com a lógica, e atende somente a critérios políticos. Logo, quem tiver mais força nos bastidores, vai ganhar a parada. O perdedor, contudo, já está definido. É o torcedor.

Roma arriscou até o último minuto

Na sexta-feira, parecia que a Roma iria sair de vez da luta pelo título. É que o Ajax pediu a volta de seu defensor Christian Chivu, por não ter recebido garantias bancárias que assegurassem o pagamento da Roma. E sem Chivu, o time de Capello perderia qualquer possibilidade de lutar por postos mais importantes.

Numa reação rápida e espetacular, o clube de Trigoria costurou uma resolução política para seus problemas, resolvendo o problema de aval na transferência do romeno, mas não só. Conseguiu também o empréstimo do atacante norueguês John Carew, que chega do Valencia.

A Roma foi habilíssima na manobra. Manteve o romeno, que dá o salto de qualidade da defesa e trouxe um jogador com presença de área, característica que nenhum outro atacante romanista tem desde a saída de Gabriel Batistuta.

Embalada pela manobra, a equipe entrou em campo em Udine bastante inspirada. E assistiu um trio de atacantes, Delvecchio-Montella-Cassano, com grande performance. Isso tudo sem Francesco Totti, machucado e de for a até a próxima rodada, no final de semana do dia 13/9.

Fabio Capello deu o primeiro sinal de que conseguiu cobrir a ausência de Cafu em seu time, usando uma maior movimentação do trio de homens de frente, mais o apoio do lateral Candela. Com a entrada de Chivu, o técnico ainda deve poder optar por uma defesa a três, liberando um homem a mais no meio-campo (provavelmente Candela).

‘Azzurra’ perde Totti e recupera milanistas

Semana mais que decisiva para a seleção italiana rumo à Eurocopa 2004. No dia 6, Trapattoni e companhia disputam o jogo-chave, contra a seleção de Gales, em Milão, onde precisam ganhar a qualquer custo para poderem voltar à liderança; quatro dias depois, em Belgrado, são hóspedes da Sérvia e Montenegro

O grande temor dos italianos é a ausência de Francesco Totti, meia da Roma que está machucado. Também for a de combate está o atacante juventino Fabrizio Miccoli, operado às pressas com uma apendicite.

A maior novidade é a volta de dois milanistas. O volante Gennaro Gattuso e o atacante Filippo Inzaghi estiveram de relações abaladas com o técnico nacional nos últimos meses, e a convocação deve apaziguar os ânimos, mesmo que os dois desembarquem em ‘Azzurro’ tendo de batalhar por uma vaga de titular.

A escalação da seleção ainda é uma incógnita no geral. Alguns nomes são certos, como o goleiro Buffon, os zagueiros Cannavaro e Legrottaglie, os meias Fiore, Zambrotta e Camoranesi e os atacantes Del Piero e Vieri.

Esta lista sugere um time perto de um 4-4-2, formação predileta quando Totti não está disponível. Ficam em aberto as laterais da defesa e um posto no meio-campo, que são mais ou menos rotativas, ou seja, não têm titulares tão absolutos como Vieri ou Buffon, por exemplo.

Goleiros: Abbiati (Milan), Buffon (Juventus), Toldo (Inter);

Defensores: Birindelli (Juventus), Cannavaro (Inter), Ferrari (Parma), Legrottaglie (Juventus), Nesta (Milan), Oddo (Lazio), Panucci (Roma);

Meio-campistas: Ambrosini (Milan), Camoranesi (Juventus), Fiore (Lazio), Gattuso (Milan), Perrotta (Chievo Verona), Tacchinardi (Juventus), Zambrotta (Juventus), Zanetti (Inter);

Atacantes: Corradi (Lazio), Delvecchio (Roma), Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan), Vieri (Inter).

Mercado se fechou sem nenhuma nova bomba

E a janela de transferências se foi na semana passada. Com ela, a sanha de empresários e jornalistas para se vender e comprar jogadores, que agora terá de ficar represada, ao menos, até janeiro, quando a UEFA volta a registrar alterações.

O maior acordo dos últimos momentos de mercado foi a transação que levou o argentino Julio Cruz a sair do Bologna e ir para a Inter, orfã de Hernan Crespo. O clube de Milão sobe assim, se número de atacantes para seis, acreditando que a longa temporada exige uma grande gama de possibilidades.

Outro negócio que chamou a atenção foi a passagem de Roberto Muzzi para a Lazio, proveniente da Udinese. Muzzi, 31 anos, esteve cotado para ir jogar em Formello nos últimos vinte e quatro meses, finalmente se acertou com o time de Roberto Mancini. O clube do Friuli o substituiu com Dino Fava, atacante revelação da última Série B, que estava na Triestina.

Se fosse necessário eleger o time campeão do mercado, certamente seria a Juventus, que com uma quantia de dinheiro razoável (menos de US$ 20 milhões), reforçou seu time nas áreas menos fortes e agora tem um grupo muito, mas muito regular. Não à toa, é o clube com o melhor resultado da Itália, tanto esportivo quanto financeiro.

Segue a luta entre a Juventus e o volante Edgar Davids

Davids não foi relacionado nem para o banco para a partida contra o Empoli

O recado da Juve é claro: Davids tem de se enquadrar

Mas a estória tem tudo para seguir adiante

O Ajax aceitou deixar Chivu com a Roma até janeiro

Mas somente por empréstimo, com a promessa de receber a garantia bancária brevemente

A federação holandesa teve de intervir para evitar que o negócio fosse cancelado, garantindo ao Ajax que o pagamento seria feito em dia

A saída de Francesco Guidolin do Bologna teve vários elementos, entre eles, a venda de Julio Cruz para a Inter

Mas o fato é que o técnico já não era tão querido assim na cidade

E desta forma, o Italiano conseguiu bater um recorde: demitiu um treinador antes da temporada começar

De qualquer forma, a substituição por Mazzone foi feita a tempo de evitar prejuízos, e o veterano ex-treinador do Brescia tem tudo para fazer um bom trabalho

Os italianos aguardam a estréia de Kaká numa partida oficial com bastante ansiedade

O brasileiro joga pela primeira vez uma partida para valer nesta segunda, contra o Ancona

Materazzi, zagueiro da Inter de Milão, está arrumando inimigos variados

Nas últimas três partidas, o defensor saiu de campo sob as acusações dos adversários de que estaria sendo desleal

Ele diz que está só jogando com ‘virilidade’

Que ninguém estranhe se ele acabar sendo atingido por uma pancada mais forte qualquer dia desses

Clube da Semana – Ajax

Poucos clubes no mundo são tão representativos do futebol de um país como o Ajax em relação à Holanda. O time de Amsterdam é a lembrança imediata da maioria dos amantes de futebol quando se pensa na Holanda. Também, pudera. Os maiores nomes da história do futebol holandês (como Cruyff e Van Basten) vieram do clube; os maiores times (como o tricampeão europeu no início da década de 70), idem. Mesmo o torcedor mais fanático de Feyenoord e PSV deve admitir que, para o mundo, nada é igual ao Ajax.

Mais do que um celeiro de craques, o time nascido na Kalverstraat, rua do centro de Amsterdam, o Ajax moldou o estilo de jogar do futebol holandês, com a ocupação de espaços no campo, pressão total e um estilo que explica com perfeição o ideal batavo de jogo: o “totalvoetbal”.

A história do Ajax é mais longa do que a maioria das pessoas imagina (o clube já tem mais de 100 anos), e nem sempre o clube foi uma potência no futebol europeu, primazia que foi levada ao mítico estádio De Meer por dois gênios: Johan Cruyff e o técnico Rinus Mitchels.

As origens semitas? Mentira…

O Ajax surgiu no ano de 1900, por iniciativa de Floris Stempel, o primeiro presidente, que estava querendo fazer ressurgir um antigo clube com o mesmo nome, oriundo do nome de um guerreiro grego da mitologia, somente menor que Aquiles. Naquela década, como no Brasil, o futebol se disseminava rapidamente, e novos clubes apareciam todos os dias. O primeiro jogo seria disputado ainda naquele ano, no IJ, então o campo do clube, contra o DOSB. A primeira temporada seria lucrativa, rendendo aos cofres do Ajax quase cinco florins, a moeda local…

Muita gente acha que o Ajax é um clube fundado pela colônia judaica, tal a identificação da torcida com elementos semitas (os hooligans do Ajax usam a estrela de David como seu símbolo), mas é um erro. Apesar da identidade existir, as raízes do Ajax não são mais judias do que as de qualquer outro time holandês. Ninguém afirma categoricamente por que razão o clube ganhou a fama, mas sabe-se que alguns fatos colaboraram, como a proxinidade do De Meer com o bairro judeu de Amsterdam, a presença de vários judeus no time da década de 60 e a formação de um ambiente amigável à colônia naquela mesma época.

O primeiro estádio, Middenweg, comportava 10 mil espectadores, na primeira década do século XX. Em 1911, o atual uniforme foi adotado, permanecendo por quase todo o século. Quatro anos depois, o clube receberia aquele que seria o nome mais importante de sua existência pré-Cruyff. Em 1915, o inglês Jack Reynolds foi nomeado treinador e venceria seu primeiro título nacional em três temporadas. Reynolds ficou no clube por 33 anos, contando os cinco anos que passou num campo de concentração nazista, durante a II Guerra.

Jack Reynolds: o Ajax muda de nível

Reynolds fazia o tipo militar, durão e disciplinador, e mudou o status do clube, passando o Ajax para um dos maiores times do país. Seu estilo inspirou o legendário Rinus Mitchels, arquiteto do ‘totalvoetbal’ e do Ajax de ouro das décadas de 60 e 70. Com o inglês, começava a se delinear a filosofia mega-ofensiva e com avanços pelas laterais que se tornaria sua marca registrada até bem depois de sua morte, em 1962.

Infelizmente para sua torcida, a carreira internacional do clube não foi exatamente um sucesso de imediato. Em 1930, o time batavo foi à Áustria para tomar uma piaba histórica do Rapid Vienna pelo placar de 16 x 2 (também a maior vitória do clube vienense). O esporte ainda era amador no país, status que manteria até 1957, quando foi organizada a primeira Eredivisie, a atual liga holandesa. O torneio foi vencido pelo Ajax (seu nono título), que estreou outro nome que marcaria época: Sjaak Swart, o jogador recordista de partidas com a camisa vermelha e branca do clube. Foram 603 jogos e 228 gols. No ano seguinte, a estréia do clube da Copa dos Campeões, onde não passou da segunda rodada.

Os anos seguintes foram duros para o clube, que quase caiu em 1964. Mas naquele ano, estreou no time principal, com 17 anos, Johan Cruyff. O jovem vivia nas redondezas, e foi lançado pelo técnico Vic Buckingham. A saída do inglês deu lugar para um ex-atleta do clube, Rinus Michels. Era o início de tempos inesquecíveis.

Cruijff, Michels e o ‘totalvoetbal’

Cruiff era o gênio, mas outros craques nasceram naquele time jovem do Ajax de 1965. Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, sem esquecer Sjaak Swart. O Ajax criava um novo estilo de futebol que faria seu debut internacional numa partida contra o Liverpool, pela Copa dos Campeões, em 1966. Os meninos de Mitchels devastaram o poderosíssimo Liverpool de Bill Shankly em Amsterdam, 5 x 1, e asseguraram a passagem de fase.

Este time se lapidaria nos anos seguintes e conquistaria a mesma Copa dos Campeões três vezes em seguida, de 1971 a 1973, sempre capitaneados por Cruijff. Depois disso, o astro se desentendeu com o resto da equipe e foi para o Barcelona. O Ajax sentiu o golpe e passou o resto daquela década vivendo das glórias passadas. O clube conviveria com este problema – perder jogadores para grandes clubes europeus – pelo resto de sua existência.

Cruijff voltaria a jogar no Ajax em 1981, mas rapidamente (embora tenha podido levantar mais um troféu nacional). Sua passagem marcante, contudo, seria como técnico, na metade daquela década, onde revelaria outra safra de jogadores espetaculares. Van Basten, Rijkaard, Koeman encantaram a Europa novamente. Todos iriam jogar for a do país, e Cruijff também repetiria a trajetória de 15 anos antes, indo treinar o Barcelona.

O final da década de 80 foi mesmo ruim. Rijkaard e Van Basten saíram por uma ninharia, e os jovens nomes do clube ainda eram inexperientes (o hoje veterano Bergkamp era um deles). Uma séria crise financeira se abateu no De Meer, e a solução foi chamar de volta um nome famoso da administração do Ajax. Michael Van Praag foi o terceiro Van Praag a comandar o Ajax, e juntos os três ficaram quase três décadas.

Van Praag e Van Gaal reerguem o mito

Em 1991, outro nome famoso do banco do Ajax chegava para fazer história. O então desconhecido Louis Van Gaal já tinha o temperamento autoritário de sempre, e seu ‘feeling’ não foi imediato, sempre com o fantasma de Johan Cruijff sobre si.

Mas Van Gaal ajudaria a revelar mais uma safra das divisões de base, com os já estabelecidos Bergkamp e Jonk, mas adicionando nomes como Davids, Kluivert, Overmars, Frank e Ronald De Boer, Jari Litmanen e Clarence Seedorf. O clube voltou à ribalta vencendo a Copa dos Campeões diante do Milan de Fabio Capello e o Mundial Intercubes em cima do Grêmio. Seu reinado durou de 1991 até 1997. Quase na sua saída, o Ajax mudou de casa, deixando o legendário De Meer para trás, e indo para a futurista ArenA, no subúrbio da capital.

Outro herói como jogador, Ronald Koeman, voltou ao clube para a atual fase do time. Koeman comanda uma renovação que pretende fortalecer o time tecnicamente, mas também deixar o clube financeiramente forte para poder vencer na Europa. As quartas-de-finais da Liga dos Campeões de 2003 são um indício de que os bons tempos podem estar voltando, e pela priemria vez longe do De Meer.

Amsterdamsche Football Club Ajax

Ano de fundação: 1900

Cidade: Amsterdam, na Holanda

Endereço:  Arena Boulevard, 29

Estádio: Amsterdam ArenA

Capacidade:  51.589

Principais conquistas:

4 títulos da Copa dos Campeões em 1971, 72, 73 e 1995

Título da Recopa em 1986

Título da Copa UEFA em 1992

28 títulos nacionais: 1918, 19, 31, 32, 34, 37, 39, 47, 58, 60, 66, 67, 68, 70, 72, 73, 77, 79, 80, 82, 83, 85, 90, 94, 95, 96, 98 e 2002

15 Copas da Holanda: 1917, 43, 61, 67, 70, 71, 72, 79, 83, 86, 87, 93, 98, 99 e 2002.

Principais jogadores:  Johan Cruyff, Marco Van Basten, Wim Anderiesen, Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, Johnny Rep, Sjaak Swart, Ronald Koeman

Site oficial:

www.ajax.nl

Clube da Semana – Dom Pernil

O último da UEFA

No próximo dia 14 de agosto, Andorra deve parar. Deve parar porque certamente acompanhará seus guerreiros que estarão em Esbjerg, na Dinamarca, disputando a primeira rodada da Copa UEFA. Será o début da temporada européia do glorioso Don Pernil Santa Coloma, o atual campeão andorrano. Sim, Andorra, aquele que o Brasil enfrentou num amistoso antes da Copa da França, em 1998.

Andorra é um pedacinho de terra encravado entre a França e a Espanha, com 450 km², onde a língua mais popular é o catalão. Cerca de 20 mil dos seus 65 mil habitantes vivem na capital, Andorra La Vella, cidade onde o Don Pernil está sediado, e também local que abriga o seu estádio, o minúsculo Estadio Comunal de Andorra la Vella, que quando está absolutamente tomado, suporta 900 espectadores.

Pode parecer piada, mas não é: enquanto clubes tradicionais como o Atlético Madrid, Bologna e West Ham amargarão uma temporada sem futebol europeu, o Don Pernil Santa Coloma conseguiu a sua vaga na primeira fase da competição, num ano onde venceu campeonato e copa nacionais, desbancando os dois maiores times do principado, o Principat e o Encamp.

E qual o motivo para o foco no Santa Coloma? Quero dizer, Don Pernil Santa Coloma? É que o clube andorrano, ao lado do sanmarinese Domagnano, é o pior time da UEFA, com um coeficiente 0,0000 no ranking que qualifica as equipes dentro dos torneios da entidade. Mas fica dede já um aviso: para quem pensa que o DP está estreando em torneios internacionais, se engana, porque na última edição da Copa UEFA, o clube andorrano pegou o Partizan Belgrado.

Apesar dos 8 a 2 que o DP sofreu no placar agregado diante do clube da Sérvia e Montenegro, os dois embates continentais são a maior glória da curta estória da agremiação, que completa 17 anos em 2003. E com toda a animação do mundo, o Don Pernil se prepara para enfrentar o Esbjerg confiante num grande resultado, que transformaria a capital numa grande festa. Ou nem tanto…

Se houver comemoração, já se sabe onde ela acontecerá. O clube, na verdade, é o time de um bar existente em Andorra La Vella, chamado Don Pernil. Os freqüentadores do boteco é que se cotizaram há 17 anos e criaram o clube, que hoje arrebanha 95 sócios, e leva o glorioso nome do estabelecimento nas camisas, para orgulho do país.

O Don Pernil também tem o seu David Beckham, que é Juan Julian Lucendo, jogador que, segundo consta, chegou a atuar pelo Barcelona, quando este ainda era comandado por Johan Cruyff. Porém, últimas notícias dão conta de que Lucendo não estaria mais no quadro de atletas do clube.

O pitoresco clube, que figurará numa competição onde as fases finais costumam valer grandes somas, tem um orçamento annual bem baixo, cerca de 36 mil euros, ou a décima parte do que Ronaldo Nazário recebe por mês do Real Madrid. Nada incomum para uma equipe que recebe, em média 150 espectadores por partida.

Na última temporada, o Don Pernil enfrentou um problema sério. Seu goleiro tomou uma suspensão de 24 partidas depois de ameaçar de morte o juiz num programa de TV, além de disparar impropéries contra o presidente da federação andorrana de futebol, o mesmo que agendou o amistoso com o Brasil.

Em seu website, o Don Pernil Santa Coloma se intitula “FC Santa Coloma”, uma vez que um clube, ainda que tenha tido a origem que teve o DP, não pode figurar no futebol internacional com um nome que suscite piadinhas engraçadalhas. Mas há quem diga que o DP prepara seu crescimento. Quem sabe, dentro de alguns anos, nós não presenciemos uma final de Liga dos Campeões entre Real Madrid e Santa Coloma, com o patrocínio de Don Pernil?

Dom Pernil Santa Coloma (FC Santa Coloma)

Ano de fundação: 1986

Cidade: Andorra La Vella, Andorra

Endereço: Avda. Salou nº 22 de Andorra la Vella

Estádio: Estadio Comunal de Andorra la Vella, Andorra

Capacidade: 900

Principais conquistas:

– Campeão Andorrano em 1996, 2001 e 2003

– Campeão da Copa de Andorra em 1991, 2001 e 2003

Principais jogadores: Jesus Julian Lucendo

Site oficial:

http://www.fcsantacoloma.com

Roma x Juve: é guerra!

Uma das rivalidades mais quentes da Série A é aquelea que envolve Roma e Juventus. Nos últimos vinte anos, os dois clube acirraram a disputa política com acusações, farpas, xingamentos, e não raro, baixarias. E a coisa só piorou nos últimos três anos, desde que a Roma, turbinada por sua entrada no mercado de ações, passou a tentar competir com a Juventus em pé de igualdade. Pois a Juventus está retrucando.

O clube da capital italiana tinha se decidido por três reforços como sendo os vitais para sua campanha de contratações. O primeiro era o defensor Nicola Legrottaglie, do Chievo, o segundo era o meio-campista Stephan Appiah, do Parma (que teve uma temporada excelente no Brescia, emprestado) e o atacante Zlatan Ibrahimovic, do Ajax.

Dos três negócios da Roma, a Juventus já arruinou dois. O time bicampeão italiano ultrapassou a Roma na compra de Legrottaglie, e na última sexta, se assegurou também o volante Appiah. De quebra, ainda interferiu na negociação da Roma com a segunda opção à Legrottaglie, o brasileiro Lucio, do Bayer Leverkusen, e assim, o zagueiro campeão mundial não só não foi para Roma como também desceu a boca no clube de Totti e Emerson.

O golpe da Juventus foi magistral. Conseguiu impedir o reforço da adversária, melhorou o próprio elenco e ainda expôs a nítida diminuição de poder econômico da Roma, que voltou a ter os recursos de um time médio. O abatimento não será só esportivo, mas também psicológico, uma vez que o capitão Francesco Totti e o técnico Fabio Capello devem ter ficado profundamente frustrados.

Apesar de Capello ter contrato até 2005, não se exclui a possibilidade de que o técnico troque de time. Numa bate-boca via jornais com o presidente da Roma, Franco Sensi, Capello acabou ouvindo que o clube daria graças a Deus se o técnico resolvesse trocar de emprego. Por mais estapafúrdia que pareça a declaração, explica-se: o salário do técnico é nababesco, e só perde para os vencimentos de Totti. Assim, sem Capello, a crise financeira teria um ingrediente complicador a menos.

A manobra juventina foi tão azeitada que o elenco romanista acabou perdendo a paciência e ameaçando colocar a Roma na justiça para obter seus salários atrasados. E se isso acontecesse, o clube não poderia se inscrever no campeonato. No entanto, esta hipótese catastrófica ainda parece consideravelmente distante.

O detalhe aqui é que a Série A desta temporada já começou. A luta entre Roma e Juve deve ser a mais vigorosa deste verão europeu. Os clubes lutam por reforços e para evitar que os adversários se reforcem de maneira melhor. Se o atual panorama se mantiver, uma coisa fica clara: a Roma estará definitivamente fora pela luta pelo título, e provavelmente, até mesmo fora da luta por espaço na Liga dos Campeões. Aguardemos, porque esta novela ainda tem muito chão pela frente.

Cuper pede, Moratti atende

É provável que o presidente da Inter, Massimo Moratti, tenha se tocado que acabou a um passo do título nas duas últimas temporadas em decorrência de sua teimosia, e assim, resolveu atender os pedidos do técnico Hector Cúper para os reforços desta temporada. E por incrível que pareça, a Inter começou bem.

O maior problema da Inter há anos é o da lateral-esquerda. Francesco Coco, trocado por Seedorf com o Milan, era a esperança interista para acabar com a “maldição de Roberto Carlos” (depois que o brasileiro saiu do clube, em 1996, nunca mais a Inter fixou alguém por ali). Neste ano, caso Coco não se livre de suas contusões, os alvos da Inter serão o brasileiro César, da Lazio, e Zauri, da Atalanta.

Mas o grande drama enfrentado por Cúper foi a falta de alas em seu 4-4-2 pragmático. Sem a resposta vindo das faixas laterais do campo, os gols da Inter só saíam em lances individuais do trio Vieri-Crespo-Recoba. Até que a Inter marcou bastante no último torneio (foram 64 gols), mas a falta de fluência era evidente.

A primeira contratação foi o ala Luciano, do Chievo, aquele que se chamava Eriberto e jogou no Palmeiras. Luciano teve uma temporada atormentada pelos sete meses de suspensão causados pelo imbróglio da sua documentação falsa, mas duas temporadas atrás, teve um rendimento espantoso. Luciano é o melhor da sua posição  na Itália, e caso a mídia e a comissão técnica tenham maior atenção, podem encontrar ali o substituto de Cafu, procurado, em vão, há anos.

Outro negócio já fechado é a contratação de Sabri Lamouchi, volante francês do Parma, que deve ocupar o miolo do meio-campo ‘nerazzurro’ juntamente com Cristiano Zanetti. Lamouchi deve dar ao setor uma maior cadência, indicando que Luigi Di Biagio deve passar o ano na reserva ou até ser vendido. Cuper já tinha pedido a contratação de Lamouchi no ano passado, mas a teimosia interista venceu a razão, com conseqüências ruins para o clube.

Para fechar o grupo, Cuper ainda precisa de um ala esquerda. Três são os nomes que a imprensa vem apontando insistentemente. O primeiro é Andy Van Der Meyde, jovem promessa do Ajax, que tem um preço tratável (US$ 8 mi) para a Inter. O segundo é o de Kily González, do Valencia, que já trabalhou com o treinador na Espanha; o último é o do sueco Fredrik Ljunberg, sueco do Arsenal, mas que está cansado de não poder lutar pela Liga dos Campeões, e por isso, estaria disposto a abandonar os “gunners”. Ryan Giggs, do Manchester, é sempre mencionado, mas é um caminho remotíssimo.

Para a posição, a situação é a seguinte: O nome ideal é Ljunberg, mais jovem que Kily e mais experiente que Van der Meyde, mas a negociação é complicada (só sai se o Arsenal aceitar Dalmat ou Recoba na troca). Kily González garante fácil adaptação, mas não é um jogador para se abrir um ciclo, já que tem 31 anos. Van der Meyde é uma excelente aposta. Se der certo, garante ao clube pelo menos cinco anos de bom futebol, e ainda pode ser vendido no futuro, por um preço interessante. Mas existe a chance de não vingar. Um palpite? Hoje, Kily González parece a alternativa mais viável.

Semana de altos e baixos para a Lazio

A semana que passou começou muito bem para a Lazio. O clube de Roma, que quase faliu na temporada passada, assegurou um aumento de capital junto aos seus bancos credores, o que permitiu um novo aporte de dinheiro para novas contratações e impedir que jogadores importantes saíssem do elenco.

Assim, a Lazio praticamente garantiu que o meio-campista sérvio Dejan Stankovic e o zagueiro central Jaap Stam permanecerão mais uma temporada no clube. Stankovic e Stam são os jogadores que fazem com que o elenco da Lazio se mantenha entre a elite do futebol italiano. Sem eles, o técnico Roberto Mancini teria de se contentar com uma participação de figurante.

O aumento de capital também fez com que a Lazio pudesse realizar duas importantes negociações. O clube ‘biancoceleste’ contratou o meia chileno David Pizarro e o ala-esquerdo Martin Jorgensen, ambos da Udinese. O time de Udine recebeu, em troca, os passes do armador Fabio Liverani, o ala Lucas Castromán mais US$ 8 milhões.

Mancini está rindo à toa com os dois novos jogadores. Pizarro deve formar com Fiore a dupla de meio-campistas, enquanto Jorgensen deve completar o setor com Stankovic. No papel, um dos melhores meio-campos da Itália. Pizarro é um regista de fina técnica, e Jorgensen um nome que impõe pressão ao jogo pelas laterais. Sob o ponto de vista técnico, uma consolidação importante. Contudo, uma oposição de Liverani à Udinese poderia anular a passagem de Pizarro à Lazio, e a Juventus voltaria a ser rival de mercado. Mas isso é outra história…

No âmbito financeiro, porém, as novidades não foram todas positivas. O atacante Cláudio López estava acertado com o Valencia. A transação era excelente para a Lazio, porque tiraria um grande peso de sua folha salarial (López ganha cerca de US$ 210 mil mensais) e também conseguiria um pesado abatimento na dívida junto ao Valencia, referente ao pagamento pelo meio-campista Mendieta. O problema é que Cláudio López não aceitou e o negócio foi cancelado.

O resultado é que o mercado da Lazio deve se interromper. Mancini pediu, como substituto de López, o romeno Mutu, que foi muito bem no Parma na última temporada. Só que se o argentino não for para a Espanha, as chances da negociação andar são nulas. Contudo, para quem quase faliu há um ano, o panorama de hoje é pura festa.

O Milan tem um atacante que tem um currículo único, pronto para ser vendido

Jon Dahl Tomasson, atacante que chegou ao clube a custo zero, foi o único jogador a ter vencido a Copa da UEFA com o Feyenoord, em 2002, e a Liga dos Campeões, em 2003

Pelos cálculos do clube de Milão, vale US$ 15 milhões

Depois dos fracassos nas contratações de Legrottaglie e Lúcio, a Roam anuncia que seu novo alvo é Metzelder, do Borussia Dortmund

Seco: a Roma não tem caixa para levar Metzelder a Trigoria

O Perugia não quer parar na contratação de “Ghedaffinho”

Sonda também Sottil e Warley, junto à Udinese

Ritual de passagem

Nem mesmo todo o rancor espanhol e toda a bobagem “defensivista” que se disse sobre o futebol italiano nos últimos dias puderam diminuir a alegria de Carlo Ancelotti. O técnico de Reggiolo foi a figura mais importante na conquista européia do Milan, em Manchester, apesar das três defesas de Dida na disputa de pênaltis.

Para começar, Ancelotti livrou-se do rótulo de “perdedor”, uma bobagem que se repete com seu colega da Inter, Hector Cúper. O treinador já tinha chegado ao vice-campeonato italiano em três oportunidades (duas com a Juventus e uma com o Parma), o que fazia grande parte da crítica italiana menosprezar seu trato afável com os jogadores e uma eventual incapacidade de segurar a barra em momentos decisivos.

Ancelotti fez a bobagem cair por terra com uma campanha ímpar na competição, vencendo todos os jogos que importavam. Antes da semi-final contra os arqui-rivais da Inter, o Milan só não fez três pontos nas partidas onde já estava classificado, além do empate em 0 a 0 em Masterdam, contra o Ajax. Por isso, o argumento das estatísticas negativas que mostravam um mau poderio ofensivo do time prova-se falacioso, pois o time jogou quatro jogos com times mistos. O Milan fez Real Madrid, Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Deportivo La Coruña ajoelharem-se. Não é pouco.

Outro feito do ex-companheiro de Falcão foi o de ter posto em prática a sua tese de formatura na escola de treinadores, validando um esquema que não é o seu predileto (o 4-3-1-2), com apenas um homem de marcação, Gennaro Gattuso. Na prática, ‘Carletto’ fez cair outra falácia: a de que um bom meio-campo precisa de vários volantes. Precisa sim, é de marcação implacável de todos, atacantes inclusos.

Mas a grande vitória pessoal de Ancelotti se deu com o sucesso diante da Juventus. O time de Turim o demitiu no início da temporada 2001-2002 porque o considerou incapaz de levar a Juventus aos títulos. Ao bater a Juventus de seu sucessor, Marcello Lippi, Ancelotti aplicou um duro golpe na “Vecchia Signora”, que tinha no troféu europeu a sua prioridade absoluta.

Terceiro homem a conseguir vencer a Liga dos Campeões como jogador e técnico (os outros foram Miguel Muñoz, do Real Madrid, e Johann Cruyff, do Ajax/Barcelona), Ancelotti levantou seu terceiro troféu numa celebração do futebol italiano. A final, como 90% das finais, não foi bonita (não vamos confundir final emocionante com final de qualidade, pois na várzea, vários jogos são emocionantes). Ou melhor, não foi bonita para alguns. Para Ancelotti, foi linda de morrer.

Clube da Semana – Ajax

Poucos clubes no mundo são tão representativos do futebol de um país como o Ajax em relação à Holanda. O time de Amsterdam é a lembrança imediata da maioria dos amantes de futebol quando se pensa na Holanda. Também, pudera. Os maiores nomes da história do futebol holandês (como Cruyff e Van Basten) vieram do clube; os maiores times (como o tricampeão europeu no início da década de 70), idem. Mesmo o torcedor mais fanático de Feyenoord e PSV deve admitir que, para o mundo, nada é igual ao Ajax.

 

Mais do que um celeiro de craques, o time nascido na Kalverstraat, rua do centro de Amsterdam, o Ajax moldou o estilo de jogar do futebol holandês, com a ocupação de espaços no campo, pressão total e um estilo que explica com perfeição o ideal batavo de jogo: o “totalvoetbal”.

A história do Ajax é mais longa do que a maioria das pessoas imagina (o clube já tem mais de 100 anos), e nem sempre o clube foi uma potência no futebol europeu, primazia que foi levada ao mítico estádio De Meer por dois gênios: Johan Cruyff e o técnico Rinus Mitchels.

As origens semitas? Mentira…

O Ajax surgiu no ano de 1900, por iniciativa de Floris Stempel, o primeiro presidente, que estava querendo fazer ressurgir um antigo clube com o mesmo nome, oriundo do nome de um guerreiro grego da mitologia, somente menor que Aquiles. Naquela década, como no Brasil, o futebol se disseminava rapidamente, e novos clubes apareciam todos os dias. O primeiro jogo seria disputado ainda naquele ano, no IJ, então o campo do clube, contra o DOSB. A primeira temporada seria lucrativa, rendendo aos cofres do Ajax quase cinco florins, a moeda local…

Muita gente acha que o Ajax é um clube fundado pela colônia judaica, tal a identificação da torcida com elementos semitas (os hooligans do Ajax usam a estrela de David como seu símbolo), mas é um erro. Apesar da identidade existir, as raízes do Ajax não são mais judias do que as de qualquer outro time holandês. Ninguém afirma categoricamente por que razão o clube ganhou a fama, mas sabe-se que alguns fatos colaboraram, como a proxinidade do De Meer com o bairro judeu de Amsterdam, a presença de vários judeus no time da década de 60 e a formação de um ambiente amigável à colônia naquela mesma época.

O primeiro estádio, Middenweg, comportava 10 mil espectadores, na primeira década do século XX. Em 1911, o atual uniforme foi adotado, permanecendo por quase todo o século. Quatro anos depois, o clube receberia aquele que seria o nome mais importante de sua existência pré-Cruyff. Em 1915, o inglês Jack Reynolds foi nomeado treinador e venceria seu primeiro título nacional em três temporadas. Reynolds ficou no clube por 33 anos, contando os cinco anos que passou num campo de concentração nazista, durante a II Guerra.

Jack Reynolds: o Ajax muda de nível

Reynolds fazia o tipo militar, durão e disciplinador, e mudou o status do clube, passando o Ajax para um dos maiores times do país. Seu estilo inspirou o legendário Rinus Mitchels, arquiteto do ‘totalvoetbal’ e do Ajax de ouro das décadas de 60 e 70. Com o inglês, começava a se delinear a filosofia mega-ofensiva e com avanços pelas laterais que se tornaria sua marca registrada até bem depois de sua morte, em 1962.

Infelizmente para sua torcida, a carreira internacional do clube não foi exatamente um sucesso de imediato. Em 1930, o time batavo foi à Áustria para tomar uma piaba histórica do Rapid Vienna pelo placar de 16 x 2 (também a maior vitória do clube vienense). O esporte ainda era amador no país, status que manteria até 1957, quando foi organizada a primeira Eredivisie, a atual liga holandesa. O torneio foi vencido pelo Ajax (seu nono título), que estreou outro nome que marcaria época: Sjaak Swart, o jogador recordista de partidas com a camisa vermelha e branca do clube. Foram 603 jogos e 228 gols. No ano seguinte, a estréia do clube da Copa dos Campeões, onde não passou da segunda rodada.

Os anos seguintes foram duros para o clube, que quase caiu em 1964. Mas naquele ano, estreou no time principal, com 17 anos, Johan Cruyff. O jovem vivia nas redondezas, e foi lançado pelo técnico Vic Buckingham. A saída do inglês deu lugar para um ex-atleta do clube, Rinus Michels. Era o início de tempos inesquecíveis.

Cruijff, Michels e o ‘totalvoetbal

Cruiff era o gênio, mas outros craques nasceram naquele time jovem do Ajax de 1965. Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, sem esquecer Sjaak Swart. O Ajax criava um novo estilo de futebol que faria seu debut internacional numa partida contra o Liverpool, pela Copa dos Campeões, em 1966. Os meninos de Mitchels devastaram o poderosíssimo Liverpool de Bill Shankly em Amsterdam, 5 x 1, e asseguraram a passagem de fase.

Este time se lapidaria nos anos seguintes e conquistaria a mesma Copa dos Campeões três vezes em seguida, de 1971 a 1973, sempre capitaneados por Cruijff. Depois disso, o astro se desentendeu com o resto da equipe e foi para o Barcelona. O Ajax sentiu o golpe e passou o resto daquela década vivendo das glórias passadas. O clube conviveria com este problema – perder jogadores para grandes clubes europeus – pelo resto de sua existência.

Cruijff voltaria a jogar no Ajax em 1981, mas rapidamente (embora tenha podido levantar mais um troféu nacional). Sua passagem marcante, contudo, seria como técnico, na metade daquela década, onde revelaria outra safra de jogadores espetaculares. Van Basten, Rijkaard, Koeman encantaram a Europa novamente. Todos iriam jogar for a do país, e Cruijff também repetiria a trajetória de 15 anos antes, indo treinar o Barcelona.

O final da década de 80 foi mesmo ruim. Rijkaard e Van Basten saíram por uma ninharia, e os jovens nomes do clube ainda eram inexperientes (o hoje veterano Bergkamp era um deles). Uma séria crise financeira se abateu no De Meer, e a solução foi chamar de volta um nome famoso da administração do Ajax. Michael Van Praag foi o terceiro Van Praag a comandar o Ajax, e juntos os três ficaram quase três décadas.

Van Praag e Van Gaal reerguem o mito

Em 1991, outro nome famoso do banco do Ajax chegava para fazer história. O então desconhecido Louis Van Gaal já tinha o temperamento autoritário de sempre, e seu ‘feeling’ não foi imediato, sempre com o fantasma de Johan Cruijff sobre si.

Mas Van Gaal ajudaria a revelar mais uma safra das divisões de base, com os já estabelecidos Bergkamp e Jonk, mas adicionando nomes como Davids, Kluivert, Overmars, Frank e Ronald De Boer, Jari Litmanen e Clarence Seedorf. O clube voltou à ribalta vencendo a Copa dos Campeões diante do Milan de Fabio Capello e o Mundial Intercubes em cima do Grêmio. Seu reinado durou de 1991 até 1997. Quase na sua saída, o Ajax mudou de casa, deixando o legendário De Meer para trás, e indo para a futurista ArenA, no subúrbio da capital.

Outro herói como jogador, Ronald Koeman, voltou ao clube para a atual fase do time. Koeman comanda uma renovação que pretende fortalecer o time tecnicamente, mas também deixar o clube financeiramente forte para poder vencer na Europa. As quartas-de-finais da Liga dos Campeões de 2003 são um indício de que os bons tempos podem estar voltando, e pela priemria vez longe do De Meer.

Amsterdamsche Football Club Ajax

Ano de fundação: 1900
Cidade: Amsterdam, na Holanda
Endereço:  Arena Boulevard, 29
Estádio: Amsterdam ArenA
Capacidade:  51.589
Principais conquistas:

–        4 títulos da Copa dos Campeões em 1971, 72, 73 e 1995

–        Título da Recopa em 1986

–        Título da Copa UEFA em 1992

–        28 títulos nacionais: 1918, 19, 31, 32, 34, 37, 39, 47, 58, 60, 66, 67, 68, 70, 72, 73, 77, 79, 80, 82, 83, 85, 90, 94, 95, 96, 98 e 2002

–        15 Copas da Holanda: 1917, 43, 61, 67, 70, 71, 72, 79, 83, 86, 87, 93, 98, 99 e 2002.

Principais jogadores:  Johan Cruyff, Marco Van Basten, Wim Anderiesen, Piet Keizer, Barry Hullshoff, Ruud Krol, Wim Suurbier, Johnny Rep, Sjaak Swart, Ronald Koeman

 

Site oficial:

www.ajax.nl

Clube da Semana – Sampdoria

Uma grande está voltando

Para felicidade geral do futebol italiano, a promoção da Série B desta temporada finalmente deve levar de volta á divisão máxima uma das equipes mais importantes do esporte no país. Se trata da Sampdoria, clube genovês que caiu há quatro temporadas e deixou a Série A um pouco mais órfã de grandes equipes.

Genova é uma das cidades onde praticamente nasceu o capitalismo. Na idade média, o porto da Ligúria era, junto com Veneza, o entreposto mais movimentado da Europa, e por onde chegavam ao Velho Continente, as especiarias vindas dos países árabes. O acúmulo de riquezas advindas deste negócio possibilitaram a formação das primeiras empresas de crédito (que viriam a dar origem aos bancos), não só na Ligúria, mas também na Toscana, regiões que têm bancos que datam dos séculos XV e XVI.

Não é preciso dizer que Genova é uma cidade muito rica. Com cerca de 60 mil habitantes (número que chega a 100 mil, contando coma  área metropolitana), a cidade ligure vive basicamente da indústria e da atividade portuária, ainda central na economia. Mas não é só. Em 2004, Genova, que tem um sítio histórico espetacular (com os belíssimos palácios Ducale, Rosso e Tursi), será a capital européia da cultura. Além disso, Genova tem um aquário famoso em toda a Europa, considerado o maior do mundo.

A Sampdoria temn em Genova, um rival famoso no futebol, que é o time do Genoa, o primeiro campeão italiano. O clube genoano é o que conta com mais torcida entre os habitantes mais velhos da cidade. Entretanto, vive uma decadência constante, há cerca de duas décadas. Enquanto isso, a Samp prepara seu novo vôo.

Um clube novo

A Sampdoria é um clube “júnior” em termos de idade. Surgiu somente em 1946, com a fusão do Andrea Doria e do Sampierdarenese. A união dos nomes dos dois clubes extintos deu origem ao nome atual. Logo em 1946, foi inscrita na Série A. O país estava saindo da guerra e antes que você se pergunte, não, não houve virada de mesa. A Sampierdarenese e o Andrea Doria eram, os dois, da Série A. Com o nome de Sampdoria, a primeira partida veio disputada no torneio 1946/47, contra a Roma, onde o time da capital venceu por 3 a 1. O primeiro gol “blucerchiato” foi anotado por um jogador chamado Adriano Bassetto.

A Samp manteve-se sempre na metade da tabela nos anos seguintes. A cidade não era grande, apesar de rica, e não tinha como competir com os gigantes Inter, Milan e Juventus. Em 1949, a melhor colocação deste perídio inicial: um quinto lugar. A boa campanha da Samp valeu a convocação para a seleção italiana, a primeira de um jogador sampdoriano.

A história da Samp não decola durante os anos 60 e 70. O clube mantém-se como uma força na sua região, mas jamais postula lugares mais altos. Neste período, o clube cai para a Série B duas vezes, o mais longo, de dez anos, nos anos 70. No fim da década, a Samp consegue o retorno à Série A, depois de um empate com o Rimini. Mas não sabia que as grandes alegrias estavam ainda por vir.

A Era Mancini

No começo na década de 80, a Samp era dirigida por um presidente que marcou época no clube: Paolo Mantovani. Em 1982, Mantovani faria a contratação mais valiosa de sua carreira, mesmo que não estivesse plenamente consciente disso. Tirou do Bologna um jovem de 18 anos. Era Roberto Mancini, que bateria o recorde de presenças na Série A com o clube (424 partidas, com 132 gols). Mancini, hoje, é técnico da Lazio, clube onde encerrou sua carreira.

Em 1985, a Samp consegue sua primeira conquista relevante, a Copa Itália, batendo o Milan na final. Os gols da final foram de Mancini, já uma bandeira do clube, e de Gianluca Vialli, outro atacante que fez época em Genova. Vialli tinha sido contratado junto à Cremonese um ano antes.

Três temporadas depois, a Samp levantaria outra Copa Itália, desta vez, batendo o Torino na final e em 1989, mais uma vez, sagra-se campeã da competição nacional, agora vencendo o Napoli de Maradona. O sucesso diante do Napoli de Maradona abriria caminho para a primeira glória européia, a Recopa Européia de 1990, onde o clube genovês venceu o Anderlecht na final, com dois tentos de Luca Vialli.

O time estava pronto para pensar num objetivo maior: o título nacional, o ‘scudetto’. À classe da dupla Mancini-Vialli, tinham se juntado a experiência do brasileiro Toninho Cerezo. O goleiro era Gianluca Pagliuca. E lá estavam também campeões como Pietro Vierchowod e Attilio Lombardo. Finalmente, em 19 de maio de 1991, a Sampdoria conseguiu bater o Lecce em casa por 3 a 0 e garantiu matematicamente o título daquele ano, levando Genova à loucura. Toninho Cerezo tingiu os cabelos de amarelo para comemorar a conquista. Ainda na gloriosa temporada de 1991, a Samp quase conseguiu vencer a Copa Itália, perdendo para a Roma na final, no saldo de gols.

Decadência e Série B de novo

A Samp ainda conseguiu disputar uma final de Copa dos Campeões com o vitorioso time do ‘scudetto’, mas não soube parar o Barcelona de Koeman e Cruyff, em 1992. Os anos 90 foram marcados pela presidência do filho de Paolo Mantovani, Enrico, que dilapidou o time, vendendo seus craques. Vialli, em 1992, Vierchowod, em 1995, Mancini, em 1997.

Em 1998, com um time desfigurado (que tinha acabado de ceder os argentinos Verón e Ortega e o eslavo Mihajlovic), o técnico Spaletti acabou demitido. A solução dada por Mantovani foi patética: David Platt, um ex-jogador inglês que estudava para virar treinador. Platt fracassou retumbantemente. Spaletti foi chamado de volta, mas não deu. Série B na cabeça.

Em 2001, a Samp correu risco até mesmo de cair para a Série C, dada a gestão desastrosa de Enrico Mantovani. Foi quando Enrico largou o osso e vendeu o clube para Garrone, o novo presidente. Garrone chamou Luigi Marotta, experiente diretor da Atalanta, para ser seu diretor de futebol. Marotta deu um jeito no clube. Vendeu jogadores sem futuro, contratou jovens e chamou Walter Novellino para técnico. Resultado: Sampdoria encaminhadíssima para a Série A. E a Itália toda comemora. Menos, os torcedores do Genoa.

Unione Calcio Sampdoria

Ano de fundação: 1946

Cidade: Genova, na Itália

Endereço: Piazza Borgo Pila, 39 – 16129 5° Piano – Torre B

Estádio: Luigi Ferraris, em Genova

Capacidade: 40.117

Principais conquistas:

– Campeã italiana em 1991

– Campeã da Recopa Européia em 1990

– Campeã da Copa Itália em 1985, 1988, 1989 e 1994

Principais jogadores: Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Toninho Cerezo, Pietro Vierchowod

Site oficial:

www.sampdoria.soccerage.com

Me engana que eu gosto

Pouco mais de um ano atrás, a Itália conquistou uma vitória diante da forte seleção inglesa, no estádio de Elland Road, em Leeds. Os 2 a 1 do time de Trappatoni que rumava para a Coréia do Sul foram conseguidos no segundo tempo, quando a Inglaterra colocou onze reservas em campo, poupando os jogadores mais importantes, todos envolvidos em disputas cruciais para seus clubes.

O jogo foi ruim, e não é necessário dizer que a Inglaterra do segundo tempo foi um fantasma. Mesmo assim, Giovanni Trapattoni deu uma entrevista na sala de imprensa de Elland Road como se tivesse batido o Ajax de Cruyff. “È duríssimo vencer aqui e isso nos enche de orgulho”. Começava ali o fiasco italiano na Copa, que, é verdade, foi causado por uma série de problemas, mas nenhum tão grave como a arrogância da Itália, que acreditava ter em Totti e Vieri, dois monstros do futebol mundial. Deu no que deu.

Parece que a lição de nada serviu. Depois da vitória de 2 a 0 sobre a Finlândia, em Palermo, no último sábado, a imprensa italiana alçou a seleção ‘azzurra’ aos céus, e colocou Totti e Vieri na condição de deuses inatacáveis. É bem verdade que a Itália jogou bem e que o resultado coloca os italianos no páreo novamente para lutar por uma vaga na Eurocopa, mas a Finlândia, por mais que tenha evoluído, ainda é uma força menor do futebol europeu.

Totti é incensado como se fosse um mágico, uma espécie de Zidane, enquanto Vieri é tratado como se fosse um Gerd Muller, um atacante impossível de ser marcado. Mesmo sendo ótimos jogadores, seria conveniente que a Itália abaixasse a bola, e só comemorasse depois de uma lição de futebol num jogo importante contra um selecionado realmente forte. Caso contrário, passará novos vexames, como aquele da Ásia.

O fato mais importante a ser comemorado é o de que a Itália encontrou opções de jogo pelas alas. O ítalo-argentino Mauro Camoranesi, da Juventus, junto com Marco Delvecchio, da Roma, finalmente abriram o leque de possibilidades do ataque italiano, agregando velocidade e profundidade ao jogo italiano, antes dependente das jogadas de bola parada.

Outra boa nova foi mais uma prestação satisfatória de Gianluca Zambrotta como ‘terzino sinistro’, nome dado na Itália ao nosso lateral-esquerdo (mas que lá tem funções defensivas). Zambrotta pode se consolidar na posição que foi de Paolo Maldini, comprovando uma grande versatilidade, já que pode cobrir todas as funções de meio-campo, além das laterais da defesa.

Trapattoni deu uma boa golfada de ar ao vencer a Finlândia, pois ainda pode chegar à Euro 2004, mesmo que não vença o grupo 9, liderado pelo País de Gales, com 12 pontos, cinco a mais que a Itália. Numa eventual repescagem (não inédita para os italianos), a vaga estaria ao alcance das mãos. Tudo possível, desde que ‘Trap’ e seu grupo se dêem conta de que têm limites.

Del Piero é um problema. De novo

A relação de Alessandro Del Piero com a seleção italiana é bastante conflituosa. Em 1998, ‘Ale’ era o titular do time, mas a torcida pedia enlouquecidamente Baggio, Del Piero minguou, e junto com ele, o futebol da ‘Azzurra’, batida pela França nos pênaltis. Em 2000, fragilizado pela doença terminal de seu pai, jogou um Europeu pífio, e foi culpado por outra derrota, desta vez na final, onde perdeu um gol incrível segundos antes do empate da França.

Na Copa de 2002, fechou o pau com o técnico Giovanni Trapattoni porque não aceitou ser reserva de Francesco Totti, como meia-atacante atrás dos atacantes. “Sou um segundo atacante”, disse Del Piero, consciente de que jamais seria titular no banco de Totti, mas poderia morder a vaga de Inzaghi ou Montella e fazer dupla com Vieri. Sem Del Piero, mais uma vez, a Itália soçobrou, e nem sua boa participação contra Portugal pôde salvar o time da tragédia coreana.

Seguindo a linha dos que não aprendem jamais, novamente Alessandro Del Piero é colocado como um problema para a seleção. “Mas vamos tirar quem?”, pergunta-se Trapattoni, que indubiamente não quer mexer na sua defesa a quatro, ainda que improvisada.

A Itália venceu a Finlândia com um 4-4-2 clássico, onde Panucci e Zambrotta eram os defensores externos, Cannavaro e Nesta os centrais, Delvecchio e Camoranesi os alas, Perrotta e Zanetti os volantes e Totti e Vieri os atacantes. Levando-se em conta que Vieri e Totti são intocáveis, neste módulo, definitivamente não há espaço para Del Piero.

Contudo, a lógica pede que a defesa jogue com três homens (Cannavaro, Nesta e Bonera, por exemplo), e o meio-campo mantenha Perrotta (ou Fiore) e Zanetti como volantes, Zambrotta e Camoranesi alas, e Totti atrás de Vieri e Del Piero atacantes. O módulo é mais frágil na defesa e obrigaria um esforço de Del Piero e Totti na marcação.

Assim, a Itália não se privaria de seu jogador mais talentoso. Pode-se dizer que Totti seja mais badalado, mas Del Piero tem sido determinante para a Juventus e para a Itália, enquanto Totti brilha, mas não carrega seu time consigo. Tratar Del Piero como problema é burrice pura. Ele é um problema sim, mas para os adversários.

Inter enfrenta Real Madrid por Beckham

Configura-se no horizonte uma briga de titãs monetários. Real Madrid e Inter de Milão devem travar, no próximo verão europeu, uma luta para arrancar David Beckham do Manchester United. O valor de largada é US$ 45 milhões, cifra fixada pelo clube de Old Trafford para liberar seu jogador mais prestigioso.

O divórcio inglês parece certo, ainda mais depois do incidente do vestiário do Manchester, quando o técnico Ferguson acertou uma chuteirada na cara de Beckham (sem querer), e não pediu desculpas. A fixação do valor de venda é um sinal inequívoco disto. Mas a saída ou não de Beckham do Manchester é assunto para Tomaz Alves.

Como se sabe, na lista de compradores, o Real Madrid está na primeira fila, como sempre. Não que Beckham seja o mlehor do mundo, mas certamente é o jogador mais famoso do mundo fora do Real Madrid. Logo, é alvo de mercado do clube ‘blanco’. Se uma banqueta fosse o jogador mais famoso do mundo fora do Real Madrid, o clube espanhol estaria atrás da banqueta.

Porém, o Real Madrid não vai ter a moleza do ano passado, onde aliciou Ronaldo sem concorrência. A Inter de Milão quer Beckham, e se o Real Madrid é rico, o petroleiro Massimo Moratti, dono do clube de Appiano Gentile, é mais. Logo, dinheiro não vai faltar na horta do Manchester United.

A favor da Inter está o fato de que diz-se que Beckham gostaria de ir jogar em Milão, para agradar sua esposa Victoria Adams, que adora o cenário da moda milanesa. Entre os dois clubes, empatados, ‘Becksie’ iria para a Lombardia. O que emperra a assinatura do contrato é o valor do salário do inglês, US$ 7 milhões anuais, o que forçaria reajustes nos salários de Vieri e Crespo, e explodiria a folha salarial da Inter.

O Milan também gostaria de ter Beckham, mas mais por um luxo de Silvio Berlusconi, admirador do inglês. Berlusconi gostaria também de usar Beckham e sua mulher como garotos-propaganda. Mas o salário é impagável para o rígido ‘salary cap’ milanista, onde o maior salário é de ‘somente’ US$ 4,5 milhões anuais.

Mezzogiorno afundando de vez

Uma rápida olhada na tabela da Série B explica tudo sem mais detalhes. Os cinco últimos times da Série B italiana são da região sul da Itália, o ‘Mezzogiorno’, revelando a falência completa do futebol da região, onde os clubes estão enterrados em dívidas e com seus clubes aos pedaços.

Napoli, Catania, Cosenza, Salernitana e Bari são os cinco últimos da tabela, e três deles (Napoli, Salernitana e Bari) passaram pela Série A pelo menos há três temporadas. Uma lástima, já que a torcida do sul da Itália é fervorosíssima, e sente a derrocada de seus times como uma verdadeira ópera.

Na ponta da tabela, a tendência é a mesma. Dos cinco líderes, somente o Lecce se infiltra como clube meridional, no desafio por uma vaga na divisão máxima do futebol italiano. Sampdoria, Siena, Ancona, Lecce e Triestina são os favoritos para as quatro vagas, com Vicenza e Ternana ainda vivos, mas por aparelhos. Fato curioso: a Ternana foi rebaixada à Série C na última temporada, e só está na Série B graças à falência da Fiorentina, que caiu da Série B para a série C2A por problemas financeiros, deixando uma vaga na Série B aberta, e que o regulamento deu ao clube de Terni.

Mais um ponto a ser notado é o do fracasso de times tradicionais da Série A em voltar ao ‘top flight’ do futebol peninsular. Entre Bari, Napoli, Genoa, Verona, Vicenza e Sampdoria, somente a Samp parece ter a sua vaga garantida para o ano que vem, comandada pelo promissor técnico Walter Novellino.

A única novidade boa da semana foi a vitória do Napoli por 2 a 1, nesta segunda-feira, sopbre o Vicenza. Pela primeira vez desde o início da temporada, o clube campano saiu da área de rebaixamento, e ao que tudo indica, o elenco, junto com o técnico Franco Colomba (que foi demitido e recontratado), vão manter a vaga na base da garra. Bem como a torcida da cidade gosta.

Rivaldo está ainda mais melancólico do que sempre esteve

Se divorciou da mulher, e seu astral está a zero

Maldini renovou seu contrato com o Milan até 2005

Se jogar até lá, deixará o clube com 37 anos, após 21 temporadas com a malha milanista

Tudo certo: Fabrizio Miccoli, revelação italiana da temporada, jogará na Juventus no ano que vem

O clube de Turim é dono de seu passe

Marca histórica nesta semana

O legendário “Domenica Sportiva”, esportivo dominical da RAI italiana, completou a sua edição de número 2500!

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