É começou, e agora quem pode manda, quem tem juízo obedece

O Melhor do Mundo

É começou, e agora quem pode manda, quem tem juízo obedece. Na Itália se iniciou aquele que promete ser um dos melhores campeonatos de todos os tempos. Investimentos inacreditáveis (a Lazio gastou incontáveis US$ 120 milhões) para vencer o campeonato mais difícil e de melhor nível técnico do planeta. Não há comparações. O Italiano bate todos os outros certames do globo. E apenas os campeonatos alemão e inglês se aproximam.
Neste ano, como já escrevi aqui, os favoritos, antes de começar a temporada, eram Juventus, Parma, Lazio e Internazionale, não necessariamente nesta ordem. E seguindo-os de perto, Milan, Roma e Fiorentina, também com bons times. Só que a primeira rodada não mostrou tanto favoritismo assim para os quatro primeiros. Pior: revelou que os times menores vieram para vender caro as derrotas que se imaginavam fáceis.

Udinese 2 X 2 Sampdoria

Confesso que não fiquei um pouco decepcionado quando vi que a RAI italiana transmitiria esse jogo na rodada antecipada de Sábado. Que grata surpresa! Um jo-ga-ço! Com dois times muito bem armados, e com alto nível técnico. A Udinese, mesmo sem Bierhoff e Helveg esteve excelente, com destaques para Navas (este suprindo a ausência de Helveg) , Jorgensen no meio-campo, e a grande atuação de Amoroso (ex-Guarani), fazendo um belo gol.  Pela Samp (que admito ter pensado até ser candidata ao rebaixamento), um excelente time. A estréia de Ortega (o argentino ex-Valencia) foi ótima, e junto com o oportunista Montella pode produzir muito neste ano. Ainda acho o elenco mediano, mas o jovem treinador Spaletti parece ser dos melhores. E sem a pose do nosso Luxa.

Fiorentina 2 X 0 Empoli

No Stadio Artemio Franchi, em Firenze, bom início de temporada para o time florentino. Estreando o treinador Trapattoni, a time de Batistuta bateu um valente Empoli, que muito valorizou a vitória . Rui Costa foi o autor do primeiro gol do campeonato, jogando  bem, assistindo um ataque de três jogadores (Oliveira-Batistuta-Edmundo). Este último foi expulso pela 765ª vez, afirmando sua personalidade doentia. Mesmo sem um futebol maravilhoso (que ninguém apresentou na primeira rodada), os pontos farão muita diferença.

Roma 3 X 1 Salernitana

A equipe mais brasileira da Itália (Aldair, Antônio Carlos, Cafú e Paulo Sérgio) estreou em casa, no Stadio Olimpico, esperando moleza, frente à recém promovida Salernitana. E só não levou um ferro porque o time visitante teve um jogador expulso no fim do primeiro tempo (o defensor Fusco, e não Di Fusco, como noticiou a “Folha” neste Domingo). Com um homem a mais, a Roma fez valer o maior nível de seu elenco, e Paulo Sérgio fez dois gols. Ma o destaque do jogo foi o jovem italiano Totti, que fez um gol e jogou muito. Logo estará na ‘azzurra’, e já fez parte das seleções jovens da Itália.

Milan 3 X 0 Bologna

Meio desacreditado pelas duas más temporadas, o Milan estreou na Série A sob expectativa. Estreavam com a camisa ‘rossonera’ os defensores Ayala e N’Gotty, o meia Helveg, e o centroavante Bierhoff, além do treinador Zaccheroni. Do outro lado, um Bologna bastante desfalcado, sem nomes vitais para o time como os suecos Ingesson  e Andersson, e o defensor Paramatti. Melhor para o Milan, que mesmo sem uma grande atuação, faturou três pontos sobre um bom time. Bierhoff, bem ao  seu estilo, fez um gol de oportunismo, fez outro de pênalti e deu um passe açucarado para o brazuca Leonardo deixar o seu. No meio, Helveg e Ba foram responsáveis por um detalhe tático importante, trocando constantemente de lado para confundir a defesa bolonhesa. O trio de frente Weah-Bierhoff-Ganz mostrou-se eficiente, e com um pouco de entrosamento  deve se consolidar.  Em tempo: Bierhoff foi escolhido pela revista alemã Kicker como o melhor jogador alemão do ano passado.

Parma 0 X 0 Vicenza

Com chuva, o Parma acabou decepcionando a torcida, já que é um dos favoritos. Com chuva, recebeu o Vicenza que mesmo modesto já deixou claro que é um elenco respeitável. O Parma , num 3-5-2, e com um meio-campo de respeito (Fuser, Dino Baggio, Benarrivo, Boghossian e Verón) tentava quebrar a retranca vicentina, de 4-5-1. Mas não deu não. O treinador do Vicenza, Colomba sabia o quanto seria importante um empate fora de casa, contra um time tão forte. E ficou no 0x0, mesmo com uma bola de Dino Baggio no travessão, no final do jogo.

Cagliari 2 X 2 Internazionale

Imaginando enfrentar uma facilidade total, uma desfalcada Internazionale foi à Sardenha para pegar o time da ilha, que não perde em casa desde maio de 1997. Com um meio-campo pobre e sem criatividade. Winter, Simeone, Zanetti e Djorkaeff mostraram que é aí o maior problema do elenco. Diga-se de passagem , o técnico Simoni é chegado numa retranca. Baggio e Zamorano mofaram sem receber bola nenhuma. E o ótimo Cagliari, pegou forte na marcação e saía no contra-ataque. Assim quase matou a Inter, chegando a vencer por 2 x 0. Graças à entrada de dois garotos, Ventola e Pirlo, a Inter não perdeu. Ventola, muito bom, fez dois gols e Pirlo melhorou o meio. Destaque para o ótimo arqueiro Scarpi, do Cagliari, uma parede.

Lazio 1 X 1 Piacenza

O elenco de US$ 120 milhões não foi suficiente para vencer o Piacenza, cujo elenco deve custar uns sete reais (brincadeira!). O desentrosamento era claríssimo e nada dava certo. A entrada de Mancini melhorou um pouco a Lazio no segundo tempo, mas o Piacenza sempre manteve o jogo equilibrado. Stankovic fez um belo gol pela Lazio, e quem empatou foi o irmão de Filippo Inzaghi da Juve, o jovem Simone. Muita festa para o pequeno Piacenza.

Perugia 3 X 4 Juventus

Um belíssimo jogo no qual estreou o japonês Nakata, pelo Perugia, sob os aplausos de milhares de conterrâneos seus. Mais outro favorito que estreou achando que era sopa no mel. Nada disso. Nakata parece mesmo ser um excelente jogador, e fez dois gols, quase conduzindo o Perugia a uma vitória histórica. Por muito pouco a “Vecchia Signora” não volta a Torino com uma lambada. Perda sensível para a Juve do defensor Iuliano, que saiu contundido.

Bari 1 X 0 Venezia

O jogo mais simplório da estréia, com dois times pequenos. Melhor para o Bari, que venceu com um gol de Zambrotta, e podem crer que estes três pontos serão importantes no fim do torneio. Nem mesmo o bom Maniero (ex-Milan) salvou o Venezia. Curioso notar que dois times pequenos levaram cerca de quinze mil pessoas a um jogo cujas cidades são distantes (Bari é no Sul, e Veneza fica próxima da divisa Norte da Itália). E tem mais: quase dez mil, desses quinze mil, são torcedores que já tinham carnê para toda a temporada. Que inveja…

Do que falaremos

Esta página se propõe a falar sobre a primeira divisão do campeonato italiano. Mas o Italiano é tão difícil, que vale um comentário até para a Segunda divisão. Este ano, especialmente difícil, tal é o número de equipes tradicionais que disputam a série B. Nada mais nada menos do que sete times são ‘habituées’ da série A .Napoli, Torino, Atalanta, Brescia, Genoa Verona e Lecce, lutarão arduamente neste ano por uma das duas vagas (eram quatro) para a divisão de elite.

Inúmeros treinadores e jogadores que poderiam tranqüilamente participar da Série A estão na Segunda divisão, como Shalimov, Bellucci, Crippa, Scienza Lentini e Hubner. A luta será acirrada, mas antes do campeonato começar, Napoli, Torino, Atalanta e Brescia surgem como favoritos para disputar as duas vagas.

A grande diferença entre o Brasil e a Itália começa aí. Como o regulamento é sério, os times nem cogitam mudanças de última hora. Assim, são capazes de fazer uma Segunda divisão interessante, que é exibida na TV, com muitos jogadores famosos e públicos razoáveis. Criam uma expectativa em cima de uma coisa ‘negativa’, que é o rebaixamento. Enquanto não se fizer o mesmo aqui, estamos condenados às falcatruas de doenças como Eurico Miranda.

A Itália segue em sua expectativa sobre a sua ‘nova’ seleção, sob o comando de Dino Zoff. O treinador, que foi escolhido porque o preferido da Itália, Marcello Lippi, tem um contrato de um ano a cumprir com a Juventus de Turim. Zoff foi protagonista do “desastre do Sarriá”, na Copa da Espanha quando a Itália desclassificou o Brasil de Zico e Sócrates com três gols de Paolo Rossi. Seu currículo como técnico é bom, e ele tem o respeito dos jogadores.
Zoff afirma que deve adotar um 4-4-2, com marcação por zona, de início(para não enfraquecer a defesa) Mas deixa claro que pode mudar o esquema com o entrosamento que virá com o tempo. Como técnico, costuma aproveitar os talentos dos jogadores, e não adaptá-los a esquemas.
Uma das tarefas de Dino será restituir a confiança a Del Piero, fragilizado pelo apático desempenho na Copa, e pelas acusações recentes de doping. Ele deverá fazer a dupla de ataque com Vieri, artilheiro nato, rompedor e muito forte fisicamente. Terá no banco o talento esplendoroso do rejuvenescido Roberto Baggio e do jovem Filippo Inzaghi. Dificilmente o treinador atenderá os pedidos da Itália, para escalar um trio Del Piero – Vieri e Baggio, pelo menos não no início de seus trabalhos.

Entre os ausentes, Pagliuca e Costacurta podem ter deixado a ‘maglia’ azul. Mas creio Ter sido uma decisão acertada. Costacurta não é mais o mesmo zagueiro de outros tempos, e Pagliuca já é razoavelmente idoso para ser reserva. Porque o titular absoluto é Peruzzi, da Juve, fantástico.

O meio campo deve ser mais versátil do que o de Maldini, com jogadores mais hábeis. Albertini, Di Francesco, Fuser…nomes excelentes não faltam. E a defesa, normalmente bem servida de nomes, mantém a tradição. Zoff trouxe de volta o bom lateral-direito Panucci, do Real Madrid, que saiu da seleção pela miopia dos dois últimos treinadores. Na zaga, Cannavaro e Iuliano devem ser os titulares do primeiro jogo (contra Gales), porque quando estiverem recuperados de confusão, a maior probabilidade recai sobre Nesta (Lazio) e Ferrara (Juve). A mesma coisa na lateral, que não terá Paolo Maldini (titular absoluto) por problemas físicos. O nome deve ser Michele Serena. Outro fator importante da convocação é a renovação. Seis nomes (Bachini, Di Francesco, Fresi, Giannicheda, Iuliano e Serena) nunca tinham sido convocados. Boa para o futebol essa renovação

E no último Sábado, essa renovada Itália acima enfrentou o País de Gales em seu primeiro jogo pelas eliminatórias da Eurocopa 2000, que acontecerá na Holanda e na Bélgica. Um adversário fraco, é verdade, mas o fato de jogar com o apoio de sua torcida, mesmo sendo o jogo realizado em Liverpool, mais uma disposição imensa e alguns bons jogadores (como Ryan Giggs, do Manchester United), fizeram de Gales um time ‘hard to beat’.
De fato, o jogo não foi bonito, pois Gales visivelmente queria um empate, e se armou com um 5-4-1. A Itália, apesar de ter bons jogadores em profusão, ainda foi um time desentrosado. As surpresas da escalação ficaram por conta de Pessotto no lugar que seria de Serena, e Di Francesco no lugar de Di Biagio. E este último acabaria sendo um dos destaques da partida, com muita consciência tática e determinação. Além dele, Roberto Baggio, que entrou com 25 min do segundo tempo, mostrou que é um monstro. Em sua primeira jogada, deixou Vieri na boca da área, para fazer ainda um lindo drible antes de marcar um golaço e fechar o placar em 2×0. Negativamente, achei más as atuações de Pessotto (improvisado na esquerda); Iuliano (cometendo muitas faltas) e Del Piero, nitidamente intranquilo.
A Itália mostra ainda um futebol muito burocrático, típico de um início de trabalho. Se fazem urgentes as voltas de Maldini (no lugar de Pessotto) e Ferrara (no lugar de Iuliano). Cannavaro se saiu impecável substituindo Nesta, e Roberto Baggio cada vez mais empurra Del Piero para o banco.

Ainda sobre a novela do doping na Itália

Após vários e vários interrogatórios, algumas ações mais incisivas foram realizadas. Por exemplo: o elenco da Lazio foi submetido a um exame anti-doping de surpresa. Já com a Juventus de Turim, vários documentos foram arrestados contra a vontade do clube, para apurar uma eventual conivência do clube com o doping de alguns atletas.
O que começou a se discutir foi o doping que não pode ser detectado em exames após as partidas. O “doping habitual”, que por exemplo aumenta a massa muscular dos atletas é que deve sofrer mais marcação cerrada a partir de agora. De qualquer maneira, parece que a primeira vista, não devem ocorrer punições , já que nenhum doping foi provado. Mas na Itália, que não tem um tribunal sob o controle da federação, e sim sob a tutela de uma entidade independente, provavelmente o doping será duramente combatido neste campeonato, com o apoio da maioria de seus participantes.

Dino Zoff iniciou sua fase à frente da seleção Italiana. O goleiro, um dos principais responsáveis pela conquista do último título mundial da Itália vai Ter a dura missão de devolver o orgulho à “Azzurra”, que tem visto fracassos retumbantes em suas competições internacionais.
Em seu processo de renovação, Zoff deixou de convocar alguns titulares absolutos do time de seu antecessor, Cesare Maldini. Costacurta, Pagliuca e Paolo Maldini são as ausências mais sentidas na lista dos convocados para o amistoso contra o País de Gales. Paolo, o lateral do Milan e filho do ex-técnico, ainda deve ser convocado (ficou de fora por um problema intestinal. Já Costacurta e Pagluica podem ter dado adeus à camisa azul da esquadra peninsular. Costacurta reclamou de sua ausência, mas Pagliuca bateu duro: “Não é justo, ainda mais após o Mundial que eu fiz. Mais do que a desilusão, fica a raiva…”
Quanto à convocação, Zoff foi privado de nomes certos no seu time, como Ferrara (zagueiro da Juventus), Nesta (Lazio) e o já citado Maldini. Outros que foram limados da seleção são Moriero, Di Matteo, Di Livio e Cois.
Os goleiros serão os já conhecidos Peruzzi e Buffon; a zaga também tem muitas opções , com destaque para a primeira convocação de Iuliano (substituto de Ferrara na Juve) e para o companehiro de Juninho no Atl[etico Madrid, Michele Serena.
No meio, as duas novidades são da Udinese, provando que o time friuliano é bem consistente. Bachini e Giannicheda fizeram um excelente campeonato italiano e têm chances de se fixarem. Falando em Udinese, o time alvinegro poderia ter tido mais um convocado, o bom atacante Locatelli. Só não teve porque a disputa na frente é árdua. Os quatro escolhidos são os esperados: Inzaghi, Del Piero, Roberto Baggio e Vieri, e os titulares devem ser provavelmente Del Piero e Vieri. Mas se Zoff ouvir a voz da Itália, escalará também Roberto Baggio.
Provavelmente a Itália, como o Brasil (assim espero), começou a se livrar dos trastes na seleção.

No Milan, o fim de uma novela que se arrasta por quase seis meses. Finalmente Patrick Kluivert foi vendido para o Barcelona, por cerca de US$ 17 milhões. Kluivert, que teve uma temporada sofrível no ano passado, brigou com os dirigentes milanistas, e já tinha jurado não pisar mais em Milão. O paciente novo treinador Zaccheroni gastou muita saliva para convencê-lo a ficar, imaginando formar um ataque Weah-Bierhoff-Kluivert. Patrick aceitou, mas as idéias de Zaccheroni foram por água abaixo com os amistosos de pré-temporada. Kluivert teria de disputar com Bierhoff o lugar no time, já que tem uma característica de finalização, e não de sair fora da área para assistir a seus colegas. E como o alemão é muito mais eficiente, Zaccheroni autorizou a venda.
Para o clube foi um bom negócio, pois vendeu por quase o dobro do que pagou ao Ajax no ano passado, e para Kluivert também, pois vai para o campeonato espanhol, que tem as piores defesas da Europa. O clube ‘rossonero’agora vai tentar comprar o russo Shevcenko, do Dinamo Kiev, dando a impressão de que Zaccheroni não vê em Ganz, o melhor nome para jogar com Weah e Bierhoff

A Lazio provou que não está para brincadeiras: depois de Salas, De La Peña, Sérgio Conceição e Mihajlovic, o clube romano compra agora o atacante Christian Vieri, por US$ 28 milhões, junto ao Atlético de Madrid. Os gastos do time de Sérgio Cragnotti já gastou quase US$ 100 milhões para esta temporada, e agora supre a última possível lacuna em seu elenco. Vieri é o homem de presença na área que faltava para o treinador Eriksson, pois Boksic ainda se recupera de contusão.

A contratação de Vieri já mete medo até na poderosíssima Juventus. Del Piero , o ‘star’ do time piemontês declarou : “achava que ele viesse para cá, e não para a Lazio”. E o treinador Lippi: ”Não é possível que ele tenha ido para um time já tão forte”. Lippi tem razão. A Lazio é favoritíssima!

Pano para manga com Zeman e Juve

Ainda  estão dando (e vão dar muito mais) pano pra manga as acusações do treinador da Roma, Zdenek Zeman, sobre doping no campeonato Italiano. Os depoimentos já começaram, e Zeman e Del Piero deram suas versões. Até agora, nenhuma surpresa, já que Alex Del Piero negou as acusações, e disse que no máximo tomava aminoácidos prescritos pelo clube. Surgiram em meio às investigações os nomes de Dino Baggio e Enrico Chiesa, mas ainda não como suspeitos.

A Inter enfrentou pelas eliminatórias da Champions League o Skonto Riga, da Letônia, na casa do visitante. O time báltico tomou um passeio de 4 x 0 da ‘nerazzurra’ mas principalmente viu uma soberba apresentação de Roberto Baggio. O italiano simplesmente deu a assistência para três dos quatro gols (Zamorano, Simeone e o jovem ‘neoaquisto’ Nicola Ventola), e ainda fez o seu. Milão se rende definitivamente ao craque. E muito provavelmente, deverá fazer com Ronaldo, a dupla de ataque mais arrasadora dos últimos anos na Internazionale. Tomara!

Outro jogador que vem se apresentando bem na pré-temporada é Oliver Bierhoff, do Milan, e vindo da Udinese. O tedesco de 30 anos deve finalmente encerrar a inconsistência dos últimos ataques da equipe, favorecido pelo esquema 3-4-3 do treinador Zaccheroni, que deu muito certo no ano passado no time de Udine.

A Lazio, um dos times que melhor se reforçou, está mostrando que tem uma boa temporada pela frente. No entanto, luta para recuperar o avante Boksic de uma contusão no tornozelo que já o tirou da Copa do Mundo. Sem ele, apesar de um meio-campo consistente, falta incisividade. Questiona-se a venda de Casiraghi, mas eu discordo. Não se sentirá a falta do burocrático atacante, agora enturmado no londrino Chelsea.

Por falar no Chelsea, o clube de Stamford Bridge se transformou em um nicho penisular na capital inglesa. O clube que já tinha o treinador-jogador Gianluca Vialli e os meias Roberto Di Matteo e Gianfranco Zola, trouxe Marco Branca (ex-Inter) e Stefano Casiraghi (ex-Lazio)

Estrangeiros na Itália

Estrangeiros

O assunto que muito se comenta na Itália (e não apenas lá) é sobre as conseqüências que a presença maciça de estrangeiros tem feito  no futebol europeu. Pode parecer uma posição preconceituosa, mas os argumentos dos que vêem na Lei Bosman um mal para o futebol são bem fortes.

Quem levantou a bola do assunto na Itália foi o presidente do Comitê Olímpico. Argumentava que, dado o grande número de estrangeiros, os jovens italianos  que poderiam aflorar como bons jogadores ficam restritos às equipes menores,  e em muitos casos, acabam nem levando a carreira à frente.

Cita como exemplo dois nomes. Um é o companheiro de Ronaldo na Internazionale, Moriero. O italiano surgiu com força apenas no ano passado, e acabou indo à Copa. Francesco Moriero tem hoje 29 anos, e dificilmente disputará outra Copa.
Outro nome é o de Carmine Esposito. O jogador do Empoli foi considerado a revelação italiana da temporada passada, já que nunca tinha-se prestado atenção nele, pois não fez parte de seleções juvenis, a exemplo de Totti, da Roma ou Cannavaro, do Parma. Ou seja: a revelação do campeonato tem…28 anos! Nada adolescente.
Sem nenhum tipo de racismo, ou outra coisa que possa dar aos ‘fornecedores’ de jogadores, uma conotação negativa. Mas o futebol europeu está definhando. Jogadores vindos das colônias e de países mais pobres estão cada vez mais comuns, e a revelações escasseiam, ferrando com as seleções.
Basta ver a seleção alemã. O treinador Vogts simplesmente não teve opção se não chamar jogadores mais velhos como Klinsmann e Matthäus, longe de suas melhores formas. Na Espanha então…jogadores como Alkorta e Etxeberria não seriam titulares no nosso Santos ou no Guarani (com todo o respeito, duas equipes que estão longe de Ter um elenco estelar).
Começa a se imaginar na Itália uma forma de se limitar por algum outro meio o número de estrangeiros. Equipes tradicionais como Milan e Inter tem um terço do elenco vindo de fora do país. Os meninos da península não se estimulam a jogar bola, sabedores das dificuldades que enfrentarão para viverem como jogadores. E assim, nós ficamos sem os nossos craques aqui, e eles ficam sem seleção lá. Realmente não está bom pra ninguém. Aguardem mudanças nos próximos anos. É ver para crer.

O Milan entrou em acordo com Kluivert e vai ficar com o holandês por esta temporada. Não é tarefa fácil, mas se o treinador Zaccheroni conseguir por os pingos nos is e montar um ataque com Bierhoff, Weah e Kluivert, sai de baixo…

Ronaldinho ligou para para patrão e afirmou que está louco para voltar a treinar. Sem trimiliques.

Bologna quase na Copa UEFA. Venceu a Samp em casa, com um golaço do defensor Paramatti,

Esta semana teremos mais o perfil de quatro outras equipes: Parma, Sampdoria, Vicenza e Bologna. E o da Inter ficará disponível até o fim da temporada, para você dispor . Um abraço!

Devagar e Sempre

Como esta semana não houve rodada nos campeonatos europeus, em decorrência das eliminatórias da Eurocopa, todas as atenções da Itália ficaram sobre a “azzurra”. E Dino Zoff, o treinador da Itália deve estar se regozijando. Afinal, mesmo que não tenha apresentado um futebol maravilhoso, o ‘allenatore’ conseguiu duas vitórias consecutivas e colocou a gloriosa “azzurra” na liderança de seu grupo das eliminatórias da Eurocopa. Uma vitória contra a modesta seleção de Gales, uma outra, mais significativa, contra a competente equipe da Suiça.

As dúvidas sobre o time italiano estavam principalmente no ataque. Christian Vieri, o rebelde atacante (leia abaixo) se contundiu no joelho, estava fora. Del Piero ainda não tinha mostrado toda a sua categoria. Teve um início de temporada conturbado pelas denúncias de que teria se dopado. Como se apresentaria o ataque da Itália, com a dupla da Juventus Del Piero – Inzaghi ? Molto bene, Grazie.

Del Piero fez dois gols, um em cada tempo e confirmou que é um dos titulares da Itália, sem contestações. Municiado por um meio – campo extremamente consistente (Fuser, Baggio, Albertini e Di Francesco), o ataque fez o suficiente para arrecadar importantes pontos.

Na minha opinião, os homens de criação italianos são ótimos, mas creio que Zoff é um pouco prudente demais. Falta um jogador mais leve que vá um pouco mais à frente, mas nada que possa comprometer. Fosse eu, escalaria Roberto Baggio como terceiro atacante, e encarregado de armar jogadas, tal a clarividência que tem.

E a defesa, como é tradicional na Itália, fortíssima. Desta vez, Pannucci, Cannavaro, Torriccelli e Maldini não deram chances ao ataque helvético. E pelo que tem jogado, acredito na volta de Costacurta em breve. E quando se recuperarem, Nesta e Ferrara são nomes certos. Sem nada para se preocupar quanto a este setor. Vaga certa na Eurocopa.

O Doping, ainda dando o que falar

Um verdadeiro carnaval o que acontece na Itália. Parece que as acusações não acabam mais. Nesta semana, o destaque ficou por conta do fechamento do laboratório Acquacetosa, que fazia os exames antidoping na Itália. E além disso, o atacante Del Piero confirmou que está processando o treinador Zeman.

Mas o que parece realmente grande é uma greve, ainda em estágio embrionário. Acredite se quiser, mas os jogadores ameaçaram paralisar o campeonato indefinidamente, caso não haja mudanças na conduta das investigações. Os atletas se queixam de que seus nomes estão sendo envolvidos nas manchetes sem que hajam acusações, e isso é verdade. Mas não sei porque, tenho a impressão de que muitos medalhões surpreenderão com envolvimento com doping. É ver para crer.

Vieri, Rebeldia a toda prova.

Ao contrário do que sua carinha de anjo possa sugerir, Vieri não é um exemplo de profissionalismo. Que o moço joga muito, não há dúvidas. Mas que ele deixa um rastro de controvérsias, também é ponto pacífico.

Vieri, de apenas 24 anos já passou por nada mais nada menos do que nove clubes em sua carreira. E a sua última transferência, do Atlético Madrid para a Lazio ao que parece, se deveu mais “ao orgulho do que ao dinheiro”, segundo o jornalista Keir Radnedge, da revista World Soccer.

O atacante peninsular brigou com o treinador do Atlético Madrid no ano passado, Radomir Antic (aliás, Juninho também brigou), e neste ano andou se desentendendo com torcedores madrilenhos. E dizem as más línguas que o italiano teria perdido o interesse no futebol espanhol. Não pelas dificuldades, mas por ter se enrolado com uma beldade italiana. O dono do clube, Jesus Gil estaria de saco cheio do italiano, e teria aproveitado a oportunidade da oferta da Lazio.

Christian Vieri ainda não marcou neste campeonato, e está ameaçado de sofrer até mesmo uma cirurgia no joelho. Poderíamos dizer que o atleta é uma versão civilizada de Edmundo. Mas absolutamente inofensivo fora do campo, já que não quebra câmeras (aliás até odeia dar entrevistas), não bate carros, e nada de incivilizado. E não treme em decisões. Pelo menos não tremeu até agora

Simeone, voltando para a Espanha

De última hora, uma notícia que pode alterar alguns rumos. O meio – campista argentino Simeone, hoje na Internazionale de Milão, declarou que gostaria de voltar ao seu antigo clube, o Atlético Madrid. E conhecendo o ardor dos torcedores interistas, é provável que ainda em Dezembro o botineiro argentino volte ao fácil campeonato ibérico.