Categoria: Enchendo o Pé (Page 65 of 65)

Como é que é?

Então peraí: o juiz da partida mais importante do campeonato é sacado porque “interceptou-se” um envelope de dinheiro que ia para o árbitro Wagner Tardelli e fica por isso mesmo? E como fica essa história de Ricardo Teixeira saber de tudo e dizer que só vai revelar na segunda-feira? É isso? E nada mais vai acontecer?

Quem é que está por trás disso? Grêmio, São Paulo, a CBF ou quem?

Bezerrão, o maior do país


Qual o maior estádio do país? O Maracanã? O Morumbi? O Mineirão? A Kyocera Arena? Não. Pela agenda, o maior e mais importante estádio do país é o Bezerrão o Walmir Campelo Bezerra de Brasília. Duas semanas depois de receber Brasil x Portugal, terá no seu gramado a decisão do Campeonato Brasileiro.

A cidade-satélite do Gama tem 5% de seus habitantes com nível superior de educação. No Distrito Federal (incluindo Brasília, porque o IBGE não tem dados exclusivos da cidade satélite), a oferta de atendimentos na saúde pública é 10 vezes menor do que a privada (no Brasil, a média de atendimentos privados é de 41%, números do IBGE). Há somente dois hospitais públicos. Mesmo assim, o governo estadual investiu quase R$ 50 milhões (o Orçamento DF para a Região Administrativa II – Gama é de R$ 77 milhões) para reformar o Bezerrão. Daí, a importância rapidamente adquirida pelo estádio.

Segundo o site do Gama (clube que recentemente esteve “de mal” da CBF por causa do imbróglio que levou à disputa da Copa João Havelange), a reforma foi “acelerada” pelo pedido do então deputado Agrício Braga Filho, curiosamente, o maior distribuidor de revistas do DF, até premiado pela distribuidora da Editora Abril. Fica fácil entender o corre-corre para colocar o Bezerrão no mapa – ainda mais com Brasília se candidatando a ser cidade-sede na Copa de 2014.

O Distrito Federal não existe no cenário futebolístico brasileiro e a quantidade de jogos relevantes que mereçam estádios modernos por lá é igual a zero. Mesmo assim, um governo intimamente ligado à CBF não se acanhou em enterrar um valor que representa mais da metade do orçamento dedicado a esporte e lazer em todo o DF para erigir um elefante branco. Um futebol forte em Brasília seria fantástico, mas antes, questões como saúde e educação têm de vir – mesmo que o povo queira pão e circo (ou só circo).

A CBF diz que o critério da escolha é técnico e que os torcedores do Goiás têm de ter seu interesse tutelado. Mas não são justamente os torcedores que têm de ser punidos pelos incidentes na partida com o Cruzeiro? E se não é o caso, porque não cancelar a suspensão e simplesmente deixar o jogo em Goiânia, num estádio maior e muito mais tradicional?

O futebol no Brasil deu largos passos na sua organização nos últimos anos. Estabelecimento de um formato que não atende só ao interesse da detentora dos direitos de transmissão, obrigação de anúncio do calendário com antecedência, controle mais rígido de públicos e rendas e afins. O resultado é visível: o nível técnico ainda está muito aquém do possível, mas o interesse pelo torneio aumentou radicalmente. Mas a mãozinha da CBF está voltando a aparecer, fortalecida pelo cacife político da Copa de 2014. Mesmo clubes e políticos que faziam oposição a Ricardo Teixeira agora abaixam o tom esperando por “presentes” do cartola na decisão das cidades-sede.

Os riscos são claros. Voltar a ter um campeonato propositalmente bagunçado (e assim, mais manipulável pelos detentores do poder) e uma lista de elefantes brancos como o Engenhão e o Bezerrão, com o nosso dinheiro. E se você acha que o problema não é seu, esconda a cauda e as orelhas em algum lugar, para evitar problemas.

A carniça peruana

A decadência e caos do futebol peruano (que na verdade já está extinto desde a década de 70) trouxe ao ar do mundo do futebol um cheiro se sangue que só ensandece as hienas. Se a federação do país ficar “de mal” com a Fifa mesmo e perder as suas vagas na Libertadores, a luta pela carniça dos peruanos será intensa. E malcheirosa.

Os primeiros boatos dão conta de que o Internacional se mexe para conseguir que o campeão da Sul-Americana deste ano ganhe uma vaga na Libertadores. Sim, é verdade que uma vaga na Libertadores para o campeão da nossa Copa Uefa seria um excelente modo de transformar o torneio em uma competição de verdade. Mas para 2009. Para esta edição, seria de um oportunismo nojento, uma politicagem absurda e que já deixaria a Libertadores 2009 exalar um olor antes mesmo de começar.

Na verdade, rumores sobre manobras do Internacional para conseguir uma vaga na Libertadores no ano de seu centenário já vêm de longe. O clube, que se auto-proclama “o melhor elenco do Brasil”, me lembra muito o “Real Madrid do Morumbi” da época de Oswaldo de Oliveira. No papel, só craques. Em campo, irregularidade e muitas justificativas pelos resultados que não vinham.

Sim, o Inter tem todo o direito de querer fazer bonito em seu centenário. Aliás, a obrigação. Para isso, o primeiro passo é abrir mão do oportunismo barato, tentar conquistar tudo o que puder em 2009 (Gauchão, Copa do Brasil e Brasileiro) e chegar a mais um Mundial – limpo e imaculado – em 2010. Não importa que com 101 anos ao invés de 100.

Mas certamente mais abutres tentarão arrancar um naco de uma possível carniça peruana. Um entre Flamengo e Palmeiras ficará sem vaga na Libertadores . Caso uma vaga fosse designada ao Brasil, aliás, esta seria a possibilidade mais justa e o que aconteceria em qualquer liga séria: o melhor colocado do campeonato nacional que não tivesse lugar na Libertadores. Mas tem mais: o Fluminense, com a sofrível justificativa de ser o atual vice-campeão da Libertadores, postula a vaga. Logo, o Corinthians pedirá a vaga pelo título da Série B, Felipe Massa pelo vice na F1 e O Zé Costela pelo título do Campeonato de Bocha da Vila Ré. Uma série de justificativas à altura do STJD.

Ronaldogate

Nos últimos dias, o MilanLab, que normalmente é tido como um ponto de referência em tratamento médico e preparação física de atletas de futebol, foi envolvido numa lambança que poderia perfeitamente ter ocorrido na Federação Mineira de Futebol ou no Tribunal de Justiça Desportiva da CBF.

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Superdefesa e superataque

Meses antes do último campeonato terminar, na Itália já se sabia que o Milan teria, na temporada 2004/05, um trunfo: uma defesa impenetrável. Não era segredo para ninguém que o holandês Jaap Stam tinha assinado contrato com o time de Via Turati, e que se agregaria a um setor que já dispunha de Maldini, Nesta e Cafu (além dos “reservas” Pancaro e Kaladze).

Com Stam, Carlo Ancelotti poderia até mesmo se dar ao luxo de montar uma defesa a três, com Maldini e Nesta. ‘Carletto’, no entanto, já avisou que sua defesa seguirá com quatro jogadores, onde muito provavelmente Stam será deslocado para a direita, com Maldini e Nesta formando a dupla de zaga. E as opções são muitas, com Cafu, Pancaro e Kaladze como alternativas quase titulares de tão seguras.

O que ninguém poderia imaginar é mais uma chegada de peso no ataque do Milan. O nome cotado de mais peso era o de Bernardo Corradi, ex-Lazio, que acabou indo para o Valencia. Outros nomes mencionados eram Jimmy Floyd Hasselbaink (ex-Chelsea, agora no Celtic) e até Jan Koller, do Dortmund.

Só que o quarto nome do atacque milanista é simplesmente Hernán Crespo, argentino pelo qual o Chelsea pagou € 35 milhões na temporada passada. Crespo vai passar um ano no Milan por empréstimo gratuito, aceitando reduzir seu salário, numa porcentagem não revelada.

Assim, o Milan passa a ter um ataque que nada deve ao do Real Madrid, considerado o mais famoso do mundo. Se o Real tem Ronaldo, Figo, Raúl e Portillo, o Milan tem Shevchenko, Inzaghi, Tomasson e Crespo. “Com quatro atacantes desses eu não tenho mais como escalar só um atacante”, disse Ancelotti, brincando com o “pedido-exigência” de Silvio Berlusconi, feito no fim do último campeonato, para que o Milan jogasse sempre com dois na frente.

Crespo foi revelado na Itália exatamente por Ancelotti, e não foi fácil. O argentino era xingado pesadamente em todos os jogos, quando cjhegou ao Parma, em 1997. “Quanto mais o xingarem, mais o escalarei como titular”, defendia Ancelotti. O tempo deu razão ao treinador milanista. Crespo deixou o clube, em 2000, como o maior artilheiro do clube na Série A.

E o clima no vestiário?

Agregar Crespo a um ataque tão rico tem um risco natural: a de criarem-se atritos na briga por posições. Tecnicamente, os titulares são Shevchenko e Inzaghi, mas como é possível chamar Crespo e Tomasson (especialmente depois da excelente Euro 2004) de reservas?

O vice-presidente do Milan disse à imprensa que só concordou em levar Crespo ao Milan porque Ancelotti o conhece muito bem e é íntimo do atleta. “Se Carlo me pedisse para trazer um jogador que ele não conhecesse, eu não o faria, porque quatro jogadores desse nível no mesmo time são difíceis de gerenciar”. É isso.

Ancelotti quer ter cartuchos suficientes para poder jogar campeonato e Liga dos Campeões com um ataque devastador. Neste ano, o terá. A imprensa italiana comenta que a única combinação menos favorável é com Crespo e Inzaghi juntos, mas Crespo já jogou com Vieri e com Chiesa, dois jogadores que não são menos “de área” do que Superpippo.

Com um ataque onde três dos quatro jogadores já foram artilheiros da Série A pelo menos uma vez (só Tomasson não o foi), o Milan se credencia fortemente a lutar para manter o ‘scudetto’ e tentar reconquistar a Liga dos Campeões. Adversário principal? Juventus. A “Vecchia Signora”, Capello e uma defesa rejuvenescida vão fazer o Milan suar sangue.

A Inter deve ter uma boa temporada, mas como tem um time praticamente novo, é pouco provável que engate logo de cara (ainda que possibilidades existam, como o Milan campeão de Zaccheroni, em 1999); a Roma deve se ressentir das saídas de Samuel, Zebina, e talvez Emerson. Mas está muito longe de estar fora do páreo.

Lazio com dono novo. E salva

Dois anos de imbróglio, pavor, medo, incerteza e confusão depois, e a Lazio parece que, finalmente, está salva do risco de falência. Um empresário da região de Roma, Claudio Lotito, conseguiu finalmente tomar o controle acionário do clube, depois de adquirir cerca de 30% das ações ‘biancocelesti’, despendendo uma soma de € 21 milhões. Lotito estava disputando com Piero Tulli, que já é presidente da Lodigiani, a compra das ações. O acordo pendeu para Lotito.

“Bom, e o que muda?”, poe perguntar o internauta. Basicamente, muda muito e nada ao mesmo tempo. Muda muito porque a Lazio deixa de ser um clube com risco de falir, e logo, as ações devem subir de preço, os credores devem ficar menos ansiosos, e nenhum outro jogador de peso deve deixar o elenco do time.

Não muda naada no sentido em que a Lazio deve disputar uma temporada modesta, apesar da entrada de um ricaço no seu comando. A diretriz principal é a de reorganizar as finanças do clube, que estavam desgraçadamente confusas desde a saída de Sergio Cragnotti, ex-dono da Lazio e do grupo Cirio.

A maior prova desta falta de pujança é a lista de contratações da Lazio até agora. Apesar de já ter vendido Stam, Fiore, Corradi, Favalli e Collonese, o único novo jogador em Formello é o atacante macedônio Pandev. Dino Baggio e Christian Manfredini também são rostos novos em relação ao ano passado, mas voltam de empréstimo.

Além disso, a Lazio não sabe quem será o seu treinador. Os nomes cotados não são muito entusiasmantes. Se fala em Dino Zoff, Gianluca Vialli e Adamo Gregucci. Nomes de baixo custo, e que não vão exigir contratações. Das três, a menos pior parece ser Zoff, que, ao menos, já tem familiaridade com a casa.

Curtas

Embora com ainda mais uma semana de prazo, Siena, Napoli, Reggina, Torino e Ancona não conseguiram as suas inscrições em decorrência de problemas financeiros

Exceção feita ao Napoli, os presidentes dos outros clubes garantem que foram somente problemas burocráticos

Baggio se aposentou, como se sabe

Mas o técnico do Bologna, Carlo Mazzonne, está falando diariamente com o atleta para tentar convencê-lo a jogar mais uma temporada no seu time

Pirlo conseguiu convencer o treinador do Milan, Carlo Ancelotti, a deixá-lo participar dos Jogos Olímpicos, como um dos três jogadores com mais de 23 anos

Ancelotti tem duas opções para o seu lugar

A primeira é Ambrosini; a segunda é o recém contratado Dhorasoo

Durante a primeira semana de treinamentos, o novo nome que mais se destacou na Juventus foi o de Olivier Kapo, ex-Auxerre, contratado a custo zero

A Juve ainda quer mais um zagueiro para fechar seu elenco

Cannavaro (Inter) e Ujfalusi (Hamburgo) encabeçam a lista.

Mais Juventus, mais Capello

Estupefata. Assim amanheceu a metade ‘giallorossa’ de Roma na manhã de quinta-feira, quando chegaram os primeiros rumores de que Fabio Capello estaria deixando o clube para ir para a arqui-rival Juventus. A mesma Juventus para a qual Capello jurara jamais retornar, resquício da mágoa pela maneira como foi dispensado, ainda jogador.

Capello venceu três ‘scudetti’ em Turim, como jogador. E a menos que algo inesperado aconteça, deve vencer mais do que isso nessa sua nova empreitada. O acerto entre Juve e Capello tem uma mira bem precisa. A Juve tem de voltar a ser Juve – ou seja – voltar a vencer muito, e rápido. Capello também quer retomar o cetro de melhor técnico do mundo. E sabe que em Turim, terá mais condições para isso do que em qualquer outro lugar.

Ambos arriscam muito na jogada. Capello sabe que o clube exige sucessos imediatos, e além disso, deixou uma legião de inimigos em Roma, depois de sua “traição”. E a Juventus resolveu bancar o técnico mais caro possível para fugir de apostas. Um trato bem maquiavélico, italiano. Um acordo entre dois gigantes.

Tanto pior para a concorrência. A especialidade de Capello é a de fazer defesas impenetráveis, exatamente o ponto fraco do time ‘bianconero’ nesta temporada. ‘Don Fabio’ já deu suas indicações para a diretoria. Já contratado o zagueiro Zebina, e acertados os retornos de Blasi e Brighi para o meio-campo, o técnico quer um homem para a parte direita da defesa (Thuram jogará como central).

Se a Juventus conseguir o brasileiro Emerson, prioridade total de Capello (mas que parece destinado ao Real Madrid), fica apenas a dúvida sobre quem será companheiro de ataque de Del Piero, já que a ruptura entre Trezeguet e o clube parece irreversível. Esquema? Quase certamente um 4-4-2, onde Nedved volta a jogar como ala-esquerda, Camoranesi na direita, e Appiah tenta tirar a vaga de Tacchinardi.

Em tudo há risco, e, mesmo numa união aparentemente impossível de dar errado, as duas partes podem se dar mal. Mas é difícil. É duro imaginar que uma dupla de jogadores tão habituados à vitória como Juve e Capello acabem em outra coisa que não um novo ciclo de sucessos. A Juventus já é favorita para a próxima temporada. Dependendo de como for o seu mercado de reforços, pode virar até uma aposta certa.

Sinais de vida inteligente na “Azzurra”

A Itália estava um pouco apreensiva com o amistoso contra a Tunísia. Muitos jogadores contundidos, alguns extenuados pelo campeonato, outros ainda em postos em que pairavam dúvidas, com a número um atendendo pelo nome de Alessandro Del Piero, que é sempre contestado quando veste a camisa italiana.

É certo que a Tunísia campeã africana jogou desfalcada, mas o 4 a 0 da Itália sobre a equipe de Roger Lemerre, o último técnico campeão europeu, mostraram que os italianos têm todas as condições de fazer um torneio buscando o título.

A defesa italiana comprovou sua eficiência com a dupla Nesta-Cannavaro, eximindo este último de suspeitas, devido à sua temporada irregular. Zambrotta, como lateral-esquerdo, apoiou o quanto pôde, e Buffon, salvo este colunista se engane, estará no gol da Itália na Euro, como titular.

O técnico Trappatoni começou com sua dupla de volantes Perrotta-Zanetti, que até não foi mal, mas o duo milanista Gattuso-Pirlo surpreendeu e criou uma bela dúvida na cabeça do técnico. Pelo que Pirlo joga, não pode ficar fora do time; se ele joga, precisa de Gattuso como seu escudeiro, pois nem Perrotta nem Zanetti são tão fortes na defesa.

O ataque tem já escalados Totti como armador e Vieri como centroavante. E o segundo atacante? A vaga oscila entre Del Piero e Cassano, já que Corradi é considerado opção à Vieri. Cassano jogou melhor do que Del Piero neste domingo, e o jogo pode induzir ‘Trap’ à dúvida.

É certo que Cassano seja um grande jogador e que mereça sua vaga no grupo. Mas abrir mão de Del Piero seria burrice, a menos que ele esteja caindo pelas tabelas. ‘Ale’ é o parceiro ideal para Vieri, tem técnica e muito mais experiência do que Cassano.

A nova espera de Trappatoni agora é para começar o Mundial sem contundidos, fato quase impossível, uma vez que historicamente, nunca a primeira lista vai completa para o torneio. Espaço para surpresas? Difícil. O técnico é teimoso como uma mula e se alguém sair, deve preferir um coadjuvante a uma nova estrela que possa romper o equilíbrio do grupo.

Roma, na mosca: é Prandelli

De todas as possibilidades que a Roma tinha para substituir Fabio Capello, nenhuma era melhor do que a que foi adotada. Com um orçamento mais curto, sem Capello nem Samuel (já vendido ao Real Madrid), o clube da capital optou por fechar com Cesare Prandelli, treinador que segurou a barra de um Parma devastado nesta temporada.

Prandelli não pede jogadores renomados, trabalha excepcionalmente bem com jovens, e monta times de verdade, preparados para jogar impondo o seu ritmo. Fez isso no Parma deste ano, reforçando o nome de uma baciada de novatos, entre eles, alguns que podem segui-lo para a própria Roma, como o atacante Alberto Gilardino, o meio-campista Simone Barone e o zagueiro Matteo Ferrari.

Ferrari, aliás, é o predileto para ocupar a vaga de Samuel, que foi embora deixando US$ 30 milhões nos cofres do clube. A maior parte vai para pagamento de dívidas, mas ainda sobra o suficiente para uma reposição à altura do que Prandelli exige. Se também sair Emerson, outro caminhão de verbas diminui o déficit romanista, e chega outro reforço, onde os mais indicados são Simone Perrotta (Chievo) e Pizarro (Udinese).

Sob o comando de Prandelli, prepare-se para ver o brasileiro Mancini jogando no meio-campo, quase como ponta, ao lado de Totti e Cassano. O centroavante? Como Montella não dá segurança na parte física, é possível que a Roma faça outra aquisição importante. Os nomes em voga são os de Caracciolo (Brescia), Morientes (Real Madrid) e Hossam “Mido” Hassam, do Olympique Marselha. Destes, o único viável financeiramente é Caracciolo, ainda uma incógnita para um time de Liga dos Campeões.

Mais “Mezzogiorno” na Série A

O último final de semana definiu três participantes da “Coppa Giovanni Havelange”, ou Série B, que vão jogar a primeira versão da Série A com 20 clubes, depois que o torneio em dois grupos foi abolido, no fim da década de 20. O Palermo de Francesco Guidolin, o Livorno de Silvano Bini, e o Cagliari de Edoardo Reja já garantiram as suas vagas.

A festa em Palermo foi como uma final de Copa do Mundo. O time calabrês volta à Série A depois de 30 anos, para uma platéia fanática, como a do estádio Renzo Barbera, ou “La Favorita”. O clube trocou de treinador durante a competição e foi uma das raríssimas exceções onde a mexida deu certo.

Nos últimos torneios a região do “Mezzogiorno”, o sul da Itália, estava quase que completamente alijado da competição. Duas temporadas atrás, chegou-se ao ponto de Roma e Lazio serem as duas equipes mais ao sul da Série A. Agora, com a volta de Palermo e Cagliari (e provavelmente, também o Messina), o sul volta a ter representatividade, fazendo um grande bem ao tão maltratado (pelos dirigentes) ‘calcio’.

Pelas outras duas vagas de promoção direta, lutam Atalanta e Messina (com 73 pontos a duas rodadas do fim do torneio), e a Fiorentina, com 70. O Piacenza, com 67, tem chances matemáticas, mas são basicamente estatísticas. A verdadeira luta do time piacentino será com a Fiorentina, pela sexta posição, que dará uma vaga num playoff contra o Perugia. Para este posto, a Ternana também ainda tem chances (65 pontos), mas só é beneficiada pela matemática.

A Série B deste ano tem de tudo para ser esquecida. Começou com uma virada de mesa sórdida, teve confrontos entre polícia e torcida durante toda a temporada, e até um morto no jogo Avellino – Napoli. É muito bom que clubes importantes como Palermo e Atalanta voltem à Série A, mas além deles, bem pouca gente vai se lembrar desta temporada com boas memórias.

O bom atacante Luca Toni, com 28 gols, é o novo recordista de gols numa única temporada pelo Palermo

É bastante provável que Toni seja sondado por times da Série A, tal a sua performance na série ‘cadetta’

A Juventus estava acertando a compra de Chevantón, do Lecce, por € 8 milhões, mas o insolente Palermo ofereceu € 9 mi, num leilão meio irreal

Sem Chevantón, a Juve trabalha com os nomes de Vieri (Inter), Gilardino (Parma), ou Ibrahimovic (Ajax), claro que, todos, com perfis bem diversos

Praticamente certa a contratação de Zdenek Zeman pelo Lecce

Uma boa nova para a Série A

Se a Juve fizer uma proposta por Vieri, deve colocar Di Vaio como forma de torna-la mais interessante

Vale recordar que Di Vaio interessava à Inter há dois anos, quando a Juventus se antecipou, obrigando a Inter a pegar Hernán Crespo

O Milan está bastante imóvel neste início de mercado

Além de Stam e Dhorasoo, já contratados, o nome do clube de Via Turati só é mencionado quando se fala de Corradi, da Lazio

Segundo um agente do Real Madrid, Roma e os “Merengues” já se acordaram pelo passe de Emerson

Claro que, usualmente, declarações de empresários são tão confiáveis quanto um castelo de cartas

A Copa Itália teve na semana passada

Copa Itália

A Copa Itália teve na semana passada a rodada de retorno da 1ª fase. De uma maneira geral, deu a lógica, e os grandes times passaram à fase seguinte. Como ‘surpresas’, as desclassificações de Piacenza, Salernitana e Empoli respectivamente por Lecce, Atalanta e Castel di Sangro (times que não estão na série A). O maior destaque foca por conta do Milan, que perdeu para o Torino na partida de ida, por 2×0, na casa do adversário. Em casa, prevaleceu o nível do elenco milanês, e deu Milan 3×0, com um gol de Bierhoff a quatro minutos do fim. Cabe lembrar que o Torino teve três jogadores expulsos. Os resultados:

Vicenza* 3 x 0 Brescia
Juventus* 4 x 0 Ravenna
Venezia* 2 x 1 Cagliari
Bologna* 3 x 0 Reggina
Verona 1 x 0 Sampdoria*
Piacenza 2 x 3 Lecce*
Fiorentina* 2 x 0 Padova
Empoli 0 x 0 Atalanta*
Udinese* 4 x 0 Gualdo
Bari* 2 x 0 Lucchese
Milan* 3 x 0 Torino
Genoa 0 x 1 Parma*
Cosenza 0 x 2 Lazio*
Salernitana 0 x 2 Castel di Sangro*
*Classificados para as oitavas-de-final

A Rodada

Bari 0 X 0 Bologna
O time do Bologna foi a Bari para enfrentar o modesto time local, mas que faz uma campanha surpreendente, com cinco pontos em três rodadas, estando a um ponto de Milan e Juventus. O placar não revela a partida disputada que aconteceu, com os dois times buscando o gol, naturalmente com uma maior iniciativa do time da casa. Fato que se confirma quando observamos os destaques do jogo: os atacantes Masinga e Osmanovski, do Bari, e o goleiro Antonioli, do Bologna. E como detalhe final, não foi desta vez que o avante Beppe Signori se apresentou bem.

Milan 1 X 3 Fiorentina

Quem esperava ver Bierhoff, viu Batistuta dar um show, e bater seu recorde de gols em um jogo em Milão. Batigol, um dos três melhores do mundo, na minha opinião (junto com Ronaldo e Del Piero) fez três gols, e deixou a Fiorentina de Cláudio Carsughi na liderança isolada  do campeonato, favorecido pelas derrotas de Milan e Juventus. Bierhoff até deixou o seu (até agora, só não marcou em um jogo pela Copa Itália; fez em todos os outros), mas a partida perfeita da Fiorentina, que se aproveitou do contra-ataque e matou o Milan, com o talento do atacante argentino. Ao Milan resta o consolo de não ter jogado propriamente mal, mas sim ter tido o azar de encontrar o adversário inspirado.

Parma 1 X 0 Juventus

O Parma torrou uma boa grana para este ano, mas o time ainda não se encontrou. Esta vitória, ainda que num jogo feio, com chuva, e num gol chorado, pode dar uma tranqüilidade para o time parmesão (que ainda não tinha vencido). Dino Baggio foi o autor do gol, contra uma Juventus também pouco inspirada, e prejudicada por muitas alterações em sua defesa.

Roma 2 X 0 Venezia

Uma defesa brasileira, com Cafú, Antonio Carlos, e Aldair (mais o francês Candela) viu o italiano DelVecchio dar a vitória à Roma, com dois gols seus. A Roma bateu o simplório Venezia com um time ofensivo (no meio campo, apenas um homem de marcação, Tommasi), e com boas atuações de Di Biagio e Alenichev. Mesmo tendo chutado 14 vezes contra o gol romano, o Venezia pouco ameaçou os anfitriões, que seguem em boa campanha.

Udinese 2 X 0 Salernitana

Outra vez o time de Udine deu graças a Deus por Ter em campo o brasileiro Amoroso. O atacante já fez cinco gols em três rodadas (marcou em todas) e tem sido o fator de desequilíbrio do time friuliano. Pior para a Salernitana, que não é um mau time, mas já perdeu as três partidas iniciais, e pode estar dando sinais de que volta para a série B ano que vem. É verdade que muita água vai rolar, mas o Italiano não é como o brasileiro, que os times têm campanhas irregulares, possibilitando reações. Amoroso tem de ser chamado por Luxemburgo já!

Empoli 1 X 2 Internazionale

Gigi Simone não perde a mão, e mais uma vez armou uma retranquinha malandra. Sem Ronaldo, ainda estropiado pela seleção de Zagallo, e sem Baggio nem Zamorano, também machucados, o ataque ficou na mão do burocrático Djorkaeff e do jovem e promissor Ventola. Resultado: o Empoli saiu na frente, e a Inter teve de correr atrás da recuperação. Bergomi, o símbolo da Inter empatou, e Ventola virou ainda no primeiro tempo. Ainda bem para a Inter, pois o segundo tempo foi embaixo de um dilúvio que transformou o campo em um aquário. Um jogo horroroso.

Piacenza 2 X 0 Vicenza

Um bom jogo que colocou o Piacenza em boa situação na tabela, e mostrou mais uma vez como mesmo os times mais modestos tem esquadras convincentes. Jogando em casa, e pela primeira vez podendo utilizar todos os titulares, o anfitrião deixou a educação de lado e papou os três pontos. Para isso segurou um incisivo Vicenza que vendeu caro a derrota. O Piacenza surpreende na temporada. Eu mesmo pensava que fosse candidato sério ao rebaixamento.

Perugia 2 X 2 Lazio

Quebra – quebra na bela Perugia. Os torcedores da Lazio não se conformam em ter um timaço só no papel. Vendo o modesto Perugia parar um elenco milionário, os torcedores romanos fecharam um cacete épico no Estádio do Perugia. Polícia, cachorros, gás lacrimogêneo…Só não teve futebol. Aliás, a Lazio não perdeu graças a uma falta batida por Mihajlovic.

Cagliari 5 X 0 Sampdoria

A maior humilhação do campeonato até agora. O elenco da Samp é modesto, é verdade. Mas tomar de cinco de um time vindo da série B foi demais. Um show de bola do time sardo, que se aproveitou do primeiro gol para aplicar uma sonora goleada. Dominou o tempo todo o time genovês. E vamos e venhamos. Um time que contrata Catê (é, aquele do São Paulo) é porque não está no caminho certo…

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