Vamos imaginar que saia Villa. Vamos pensar também na possibilidade de que deixem o Nou Camp Sanchez, Victor Valdés, Puyol (aposentando-se), Adriano e Abidal. Ainda assim, o Barcelona teria o elenco mais talentoso da Europa. Falar em queda barcelonista agora é obra de profeta do acontecido. O caminho da dominação catalã ainda está todo pavimentado na Europa. Depois de 7 a 0 no passivo, nem é anormal imaginar que o Barcelona fosse contestado, mas seria bom um pouco de razoabilidade. Continue reading
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Wembley alemã – ato II: Neue Regel.
“I can hear the chimes
Ringing for you for me
I can see your eyes
Your hands joining with me
I can feel it’s time
It’s time for the world to hear
Neue Regel is here”
(Neue Regel – QUEENSRYCHE)
Na quarta-feira, ontem em Camp Nou não houve milagres. Na semana anterior o FC Bayern fez o que se esperava diante de um Barcelona com Messi sem totais condições físicas para disputar uma partida. O Bayern chamou a atenção do mundo ao impôr categóricos 4×0 em cima do melhor Barcelona de todos os tempos, em Munique. Na partida de volta, valida pelas semifinais da Champions League, na Catalunha, Messi não foi escalado. E viu do banco de reservas a dificuldade que sua equipe enfrentou. A lesão física de Messi, na coxa direita foi apenas um indício do que estava acontecendo com o Barcelona. Se você leitor voltar no tempo quatro anos, se recordará de um massacre catalão imposto sobre este Bayern dentro do Camp Nou, pelas quartas de final da CL. Era a temporada 2008/2009, em que os bávaros sucumbiram por 4×0 diante de um Barcelona que começava a deixar irradiar o fator Messi.
Foi aquela partida em que Eto’o ao comemorar um dos gols blaugrenas bateu continência sorridente para Thierry Henry. Mark Van Bommel, então ex-Barça e capitão bávaro, o primeiro não alemão da história do clube, era focalizado com o rosto incrédulo. Incapaz de fazer algo para mudar a situação. Era um Bayern movido apenas a poderio financeiro, que já tinha Ribery, contava com Klose e Luca Toni, além da contratação equivocada chamada Breno. Naquela temporada o Barça acabaria campeão da CL em cima do Man. United tinhamos em campo Valdez, Daniel Alves, Puyol, Piqué, Xavi, Iniesta e Messi, só para citar alguns dos principais atlétas que já faziam parte do grupo. É mais do que natural que em algum momento, o condicionamento físico destes atlétas alcançasse um limite.
As canteras catalãs não conseguem revelar atlétas num número tão grande quanto o atual futebol alemão neste momento parece poder oferecer. O Bayern que venceu o Barcelona por mais 3×0 na partida de volta, tem jogadores atuando juntos não apenas em seu clube, mas também enquanto protagonistas do nationalelf. Somado ao seu poderio administrativo/financeiro, o FC Bayern pode estar dando o primeiro passo de um período de glórias que pode perdurar por mais vindouras temporadas. E essa caminhada não começou ontem. No dia 25/05 o Bayern estará disputando sua segunda final de CL consecutiva, terceira em quatro temporadas. Os bávaros foram derrotados pela Inter de Mourinho na final de 2010 e pelo Chelsea na temporada passada.
O modelo catalão não está errado. Porém, se é dificil o Barcelona revelar nas canteras uma quantidade de atlétas que possam repor com qualidade, mais ainda será revelar técnicos geniais com frequência. Como todos sabemos, Josep Guardiola já está contratado pelo próprio FC Bayern. Este que vos escreve, discorda do editor deste site que há alguns posts atrás viu uma crise existêncial no Barcelona. O problema não é psicológico e sim de esgotamento físico, que num dado momento iria acontecer.
Na próxima temporada Messi pode voltar fisicamente pleno. Com Messi inteiro e Tito Vilanova (que nunca será gênio) é um Barça que impõe 4×0 no Milan e com “meio” Messi, não perde para o PSG, em duas partidas. Por outro lado, gerenciar jogadores supervalorizados como Villa e Fábregas, para que fiquem na Catalunha, possa ser um problema para o Barça. Além de encontrar pelo menos dois sucessores nas canteras. Um para Puyol e outro para Xavi, cujas idades já se estendem em demasiado.
Eis a nova ordem.
Wembley alemã – ato I: E agora, José?
“E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?”
(Carlos Drummond de Andrade)
E as semifinais da UEFA Champions League se encerraram. Dentro do território espanhol a noite é silenciosa. Dois dos maiores clubes do mundo, sediados dentro dos dominios espanhóis caíram nas semifinais da UEFA Champions League. O Real Madrid não vencerá seu décimo título da competição nesta temporada. O catalão Barcelona, viu interrompido o ciclo esplendoroso, de sua melhor equipe de todos os tempos.
Na terça-feira o Santiago Bernabeu recebeu a partida entre Real Madrid 2×0 Borussia Dortmund, após os aurinegros aplicarem estrondosos 4×1 em cima dos blancos, no Signal Iduna Park. Lewandowski sozinho anotou os quatro gols da partida de ida. José Mourinho afirmou na vespera do confronto de volta que se tratava do jogo mais importante dos últimos dez anos em Chamartin. Os blancos até conseguiram impor jogo no primeiro tempo, com o Dortmund nitidamente esperando para sair em contra-ataques. No segundo tempo, quando Kaká veio a campo aplaudido pela torcida blanca, uma injeção de equilibrio psicológico parece ter sido injetada no time. Dos pés de Kaká saiu a jogada do primeiro gol blanco. O camisa oito avançou pelo meio, como um trequartista em seus tempos de Milan, tocando para Özil que recebe na direita e cruza. Benzema completa para o gol aos 35 min.
A pressão blanca cresceu. Jürgen Klopp tinha substituido Götze (que inclusive pode ficar fora da final por lesão), praticamente abdicando de atacar. Após suscessivas jogadas de escanteio, Sergio Ramos consegue o segundo gol, aos 42 min. Não foi o suficiente pois eram precisos três gols. José Mourinho não conseguiu conter a tensão que ele mesmo criou nos vestiarios do Bernabeu. Tentou sufocar ídolos como Casillas ou jogadores de renome como Kaká. Nem parecia aquele José Mourinho que gerenciava egos como os de Terry, Drogba ou Ibrahimović. E como há muito tempo não se via, “Mou” cometeu erros táticos. Postou o time de forma ofensiva no Signal Iduna Park onde tomou quatro gols. “Mou” que com a Internazionale, montou um ferrolho capaz de derrotar o Barcelona em 2010. Errou no planejamento, pois não contratou nenhum zagueiro de alto nível.
O Real Madrid se viu nesta fase decisiva de CL, contando com o rookie Varane no miolo de zaga, cercado por um revezamento entre Pepe, Serigo Ramos e Albiol. Mourinho caiu no erro da “primeira era galactica” de Florentino Pérez, o equívoco desmedido de esnobar volantes e zagueiros duros. Quando postou seu pupilo Michel Essien na partida de volta contra o Dortmund, já era tarde. A proteção na cabeça de área era necessária no jogo de ida.
“Mou” chegou onde chegou pela sorte que os blancos levaram nas oitavas de final quando perdiam para o Manchester United, e se viram com um a mais após a expulsão de Nani, conseguindo virar para 2×1 aquela partida de volta. O bicampeão da CL, Mourinho perdeu a décima Champions League madridista sozinho. Vítima de sua própria autosuficiencia. E agora, José?
Semifinais da Champions League 2012/2013: ida!
FC Bayern x Barcelona – nesta terça, no Allianz Arena em Munique (Alemanha): o Bayern recebe o Barcelona em Munique, podendo nesta temporada vencer a triplice coroa, por já ser campeão alemão há pelo menos duas semanas. E por ser finalista da Copa da Alemanha após esmagar o Wolfsburg semana passada por um placar de…6×1! Bayern x Barcelona é um confronto que este que vos escreve gostaria de ter visto na temporada passada, quando o clube bávaro acabou como (convencido) finalista vencido.
O melhor Barcelona de todos os tempos que será visto amanhã padece de compreensível desgaste físico. Apenas Piqué pode ser considerado um defensor em plenas condições de atuar no miolo de zaga blaugrená. Além da dúvida chamada Lionel Messi. Como muitos analistas tem observado, o Barcelona perde objetividade sem o melhor jogador do mundo em campo. O Bayern e seus atlétas que servem a seleção alemã precisam mostrar colhões, pois é o favorito. Em campo são oito títulos da CL, quatro para cada lado. Palpite de chances de classificação deste que vos escreve: FC Bayern 60% x 40% Barcelona.
Borussia Dortmund x Real Madrid – na quarta-feira, no Signal Iduna Park em Dortmund (Alemanha): este que vos escreve tem escrito neste blog desde a fase de grupos que o Dortmund chegaria pelo menos às semifinais desta competição. Tanto chega quanto é o único ainda invicto no torneio. Os colhões procurados pela torcida alemã talvez se revelaram em meio ao time aurinegro, na virada absurda do jogo de volta pelas quartas de final. O Dortmund virou um jogo perdido (3×2) para o Málaga aos 48 do segundo tempo. O curioso é que tal gol foi marcado pelo brasileiro Felipe Santana, e dentre os atlétas de frente, o polonês Robert Lewandovski tem sido o mais efetivo em momentos decisivos. Na estatistica a vantagem é do Borussia sobre o Real Madrid, pois ambos se enfrentaram na primeira fase pelo grupo D. 2×1 para os aurinegros em casa e 1×1 no Santiago Bernabeu. O Dortmund despachou o badalado Manchester City…
O Real Madrid vem com sua sina. Sua obsessão pelo décimo título da CL. Sua sorte nas oitavas de final ao conseguir virar um jogo perdido (2×1) em Old Trafford, após o United ter Nani expulso. Com os mandos e desmandos de José Mourinho há quase três temporadas que põe Casillas e Kaká na geladeira, ao passo que promove Casemiro ao grupo principal. A tradição pende absurdamente a favor dos blancos, 9 títulos, contra apenas um do Dortmund. Mas os alemães parecem mais serenos neste momento. A bonita festa sempre proporcionada pela torcida do Dortmund poderia ser recompensada pelos deuses do futebol. Palpite de chances de classificação deste que vos escreve: Borussia Dortmund 65% x 35% Real Madrid.