Tite na Inter de Milão?

A nota ecoou no início desta semana. O técnico Tite estaria sendo sondado pela Internazionale de Milão. A diretoria do Corinthians se apressou a dizer que o treinador tem contrato até 31 de dezembro, além de afirmar que pensa em estendê-lo. Mas sendo verdade a aproximação, Tite deveria ir? Na humilde opinião deste que vos escreve, sim Tite deveria ir. A Inter amarga uma zona intermediária da tabela da Série A italiana, neste momento encontrando-se em sétimo lugar e eliminada da atual Europe League. Nas últimas temporadas perdeu espaço para Udinese, Lazio e Napoli. Massimo Moratti já ordenou o inicio da construção de um novo estádio, o que obrigará ao clube de Appiano Gentile a apertar um pouco mais os cintos no que diz respeito aos gastos. O clube livrou-se dos altos salários de Maicon, Julio Cesar e Sneijder, bastiões envelhecidos remanescentes da última conquista da triplice coroa na temporada 2009/2010. A Inter ainda vendeu na última janela a promessa brasileira Phillipe Coutinho para o Liverpool, para fazer caixa.

Diferente da perspectiva que Vanderlei Luxemburgo se submeteu ao ir para o Real Madrid em 2005 e da perspectiva assumida por Felipão ao assumir o Chelsea após a EURO 2008, Tite pegaria uma Inter sem a obrigação de vencer. Um clube tradicional, numa liga européia neste momento mediana se comparada a Premier League ou a Bundesliga. Tite terá tempo para trabalhar podendo almejar participação numa Champions League. E, em caso de realmente assumir a Inter no começo da próxima temporada poderá até estar disputando uma Europe League. O que é muito. O estilo de jogo implementado por Tite no atual Corinthians é bastante análogo ao estilo de jogo naturalmente defensivo na Itália. Um sistema defensivo sólido, disciplinado em termos de marcação, apto a sair em contra-ataques. Não, não é garantia de que Tite vencerá a Série A na primeira temporada que disputa-la.

Tite iria. Se der errado, não será o primeiro. Se der certo, talvez os europeus passem a fazer menos chacota do futebol brasileiro, como Paul Brainer corentemente o fez, na reverberada entrevista concedida a ESPN semana passada. Por “dar certo” entenda-se cumprir seu contrato até 0 fim sem necessáriamente ser campeão e/ou cumprir as metas estabelecidas (possivelmente, classificar-se pra CL após sua primeira temporada) . E uma vez lá, talvez influencie as tevês abertas brasileiras a transmitirem a Série A. Aqueles que acompanham a competição se vêem órfãos do torneio na tv aberta, nesta temporada que se aproxima do fim.

Adeus a Zeman e a Roma está mais pobre

Não era difícil imaginar que quando Zdenek Zeman colocou o Capitan Futuro Daniele De Rossi no banco, estava selando seu destino. Assim como o clube de Trigoria passou mais de uma década refém de Totti, agora mantém-se aprisionada pela autoridade de um jogador que é o único de seu elenco realmente cobiçado pela elite do futebol europeu. A demissão de Zeman não foi só um golpe de Estado dentro da hierarquia romanista, mas também uma exibição de força dos senadores do vestiário, aliados a um establishment não anunciado que envolve jornalistas, dirigentes e torcidas organizadas. Dificilmente a Roma conseguirá ter na sua história um outro técnico com uma proposta tão agressiva quando o tcheco. Continue reading

Sem hecatombes, a Juve já é bicampeã

Hoje , a combalida Gazzetta Dello Sport traz uma nota que diz: de Moratti a Petkovic, ninguém segura esta Juve. É uma análise seca e clara do atual italiano. Esta Juventus recuperou o seu DNA e, não fosse pela enésima pisada de bola em proteger com unhas e dentes um cara envolvido em mais um escândalo (o ótimo técnico Conte), mereceria mais destaques. Esta Juve joga mais do que pode, como a Juventus sempre fez (aliás, como um alvinegro de outro país também costuma fazer). Não serão uma Lazio e uma Roma em construção (em ótimo caminho, mas em construção) nem duas milanistas decadentes, ou um Napoli Cavani-dependente que poderão estancar a sangria que ela deixa. Este Italiano só sai de Turim por motivos  de força maior. Continue reading

Vitória merecida com pênalti que não existiu

Numa temporada claramente ruim, o Milan venceu a Juventus com méritos e não só – demonstrou capacidade de expandir seu quociente técnico ao longo da temporada. Mais: Max Allegri, que já vive um espírito de demissão antecipada, criou mais um esquema remendado que deu certo, com um volante na lateral esquerda (Constant) e outro de centroavante (Boateng). Sim, é verdade, a vitória veio com um pênalti inexistente, mas o Milan mandou no jogo, ainda que fazendo o resultado na base da determinação, muito mais do que na técnica.

Falando em Constant, foram as laterais que garantiram o resultado do Milan. O jovem De Sciglio teve uma atuação perfeita, que faz imaginar futuras convocações para a seleção, enquanto Constant, ajudado por um El Shaarawy definitivamente amadurecido, bloquearam qualquer apoio dos flancos aos isolados Vucinic  e Quagliarella.

Deixando de lado as invenções malucas de Allegri, como a de Boateng externo de meio-campo (contra a Sampdoria) ou Emanuelson na ponta, o elenco milanista tem toda condição de lutar por uma vaga europeia (com sorte, até na Liga dos Campeões). E o máximo que um time que perdeu seus dois pilares e apostou em uma serie de jovens (El Shaarawy, Bojan, De Sciglio) e tem seu jogador mais valioso (Pato) em estado de nulidade pode almejar.

De positivo, o Milan pode contar com o fato de ter pelo menos dois zagueiros de qualidade (Zapata e Mexés), um regente capaz de dar ordem ao meio-campo (Montolivo) e os jovens ja citados para a chegada de um  novo treinador (que certamente não será Allegri). Classificação à parte, o maior problema milanista é a recuperação de Pato, hoje, digno de um décimo de seue valor de mercado.

No ano que vem, mais uma leva de estorvos deve deixar Milanello (Bonera, Flamini, Yepes, Abbiati e o capitão Ambrosini) e abrir outra boa folga no orçamento. A questão é saber como esses vazios serão preenchidos. De Traorés e Taiwos, já ficou a lição que craque bom e barato não existe. Ou se aposta em jovens – para o futuro – ou se torra dinheiro trazendo craques. E dinheiro, parece que não há, ao menos enquanto Berlusconi for protagonista em Via Turati.