Enquanto protestos aconteciam e com a partida iniciada após o povão vaiar a presidente da república, o Brasil fez o esperado contra um Japão lúcido. Não, aqui não vamos incensar ainda mais Neymar, que depois de seis meses e uma transferência para o Barcelona, acertou um chute que justifique a badalação em torno de si mesmo. Para vencer um Japão que sofre com falta de poderio ofensivo, basta um superestimado Neymar em péssima fase. O catenaccio nipônico do italiano Alberto Zanccheroni mostrou-se bem personificado. Linhas organizadas, jogo pelas extremidades do campo. Se falta aos japoneses vocação ofensiva, organização coletiva por outro lado, é uma virtude. E os japas ainda aprenderam a “bater”, cometendo faltas oportunas no campo de ataque. Continue reading
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Postagens sobre a Seleção Brasileira de futebol
E então, Felipão?
O Brasil fez dois amistosos, empatou em 2×2 contra a Itália na última quinta feira e empatou em 1×1 contra a Russia nesta segunda. Já há respeitáveis jornalistas que não gostam do Dunga, comparando esta gestão Felipão a bons momentos da “era Dunga” pré Mundial de 2010. Não, não faremos chover no molhado, dizendo que falta planejamento, que outras seleções fazem diferente e blablabla. Felipão fez o óbvio desde a convocação, cavou Fernando do Grêmio portoalegrense, volante de contenção tipico que desarma sem fazer muitas faltas e toca para o lado com eficiencia. O Grêmio de Felipão assim o era com Dinho, a seleção penta de Felipão assim o era com Gilberto Silva, o Palmeiras da primeira “era Felipão” assim o era com Galeano e a seleção portuguesa de Felipão assim o foi com Costinha. Há proteção a linha defensiva que provavelmente terá a frente do goleiro Julio Cesar o quarteto Daniel Alves/Thiago Silva/David Luiz/Marcelo.
Ao lado de Fernando, gravitam Luiz Gustavo do FC Bayern habituado a jogar pelo lado esquerdo, Paulinho ou Ramires para saída de jogo em velocidade e Hernanes para a necessidade de melhor qualidade na saída de bola. A seleção brasileira possui um sistema defensivo ou esboço dele. Mesmo com Kaká em campo, o que preocupa é o ataque demasiado ingênuo. No primeiro tempo da partida contra a Russia foi nítida a chamada de Kaká direcionada a Neymar que recebeu sua bola e insistiu em driblar o marcador. Kaká passou em velocidade para receber e Neymar foi previsivelmente cercado por mais dois marcadores russos, perdendo a bola.
Uma formação com Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Oscar precisa ser observada. A questão ofensiva não carece exatamente da suposta qualidade/talento creditada a Neymar e sim da tarimba e aptidão em enfrentar defensores europeus de alto nível. Lucas e Hulk parecem melhores adequados a proposta ou até mesmo Pato, que já atuou na Europa. No primeiro gol brasileiro na partida contra a Itália, Neymar fez boa jogada em lance em que surgiu centralizado, culminando no passe para o gol de Fred. Foi um lance que talvez justifique 1% do que se alardeia em relação ao atacante do Santos. Porém atuando pelo lado esquerdo como de praxe, Neymar é improdutivo, passando longe até do que o enganador Robinho apresentava e apresentou na “era Dunga”, sobretudo na Copa América de 2007.
Não haverá um salvador da pátria como Romário ou Ronaldo “fenômeno”. Disso podemos ter certeza.
Felipão, e agora?
Um ninho de ratos nunca deixa de ser um ninho de ratos. A escolha do novo treinador da Seleção Brasileira não teve nada a ver com futebol e tudo a ver com política. O clamor popular só é envolvido nos discursos porque a massa gosta de pão e circo. Vibrei com a ida de Scolari em 2002, mas não estou certo de que em 2014 ele terá um caminho mais sereno. Apesar de ser um técnico com pedigree (em itálico, porque ele não é um cão), Scolari acabou tendo a pior campanha da sua vida premiada com a Seleção. Imagine se Ronaldinho Gaúcho, o das festas, baladas e noites em claro, no pior de sua forma, ganhasse convocação para a Copa como voto de confiança na recuperação de seu melhor futebol. A escolha de Felipão é, tecnicamente, mais ou menos a mesma coisa. Continue reading
A volta de Felipão
Dez anos depois, Felipão volta à Seleção Brasileira. Foi um avanço em relação a Mano Menezes – até porque muitos outros nomes seriam – mas certamente não é garantia de tranquilidade. Felipão não consegue realizar um bom trabalho desde que saiu de Portugal e, tanto Chelsea quanto Palmeiras tiveram na sua insistência no mesmo grupo de colaboradores o seu maior inimigo. Scolari sabe que lealdade é decisiva num mundo onde os ratos campeiam (tanto no gramado como atrás dos microfones), mas seu grupo de assistentes, que há uma década foi eficiente, hoje não é o que existe de melhor. Além de ter de rever velhas escolhas baseadas na amizade, Scolari, que é indiscutivelmente experiente e disciplinador o suficiente para o cargo, agora precisará conseguir mais que resultados imediatos – precisará conquistar o apoio popular. A Copa será aqui e uma Seleção sem o apoio do torcedor não poderá embarcar num confortável vôo para a Ásia para escapar da pressão. O gaúcho já enfrentou muita pressão, mas nem em seus sonhos mais delirantes pode ter imaginado a pressão que enfrentará agora – a da obrigatoriedade de tirar do Brasil um trauma de 64 anos e que a maioria das pessoas nem sabe que tem. Scolari, boa sorte. Todos nós vamos precisar muito. Ainda que a CBF seja ocupada pelo mesmo tipo de insetos de sempre, ao menos Andrés Sanches agora terá de viver de favores de seus colegas do governo (ao que tudo indica, nós paulistanos teremos um secretário de esportes que não só não sabe chutar uma bola como não consegue falar português direito). Mas, afinal, se sustentamos tantos Sarneys, o que é um Andrés a mais?

