Autor: Cassiano Gobbet (Page 2 of 165)

Depois da terra arrasada

Tragédias são progenitoras de revoluções. Raramente há um momento melhor para se fazer transformações profundas do que depois de um incidente cujas proporções mudam o horizonte visível. No que diz respeito à Seleção, dificilmente seria possível desenhar um evento mais apocalíptico do que o ‘Mineirazo’ da Copa. A liberdade pós-apocalíptica é a única licença poética que faz com que a convocação de Dunga não seja bizarra, para dizer o mínimo.

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A vitória da vocação para a derrota

O desastre brasileiro no Mineirão já vai longe – mais de duas semanas – mas ainda é tempo de se falar dele. Na verdade, apesar da maioria das pessoas não se dar conta, o jogo dos 7 a 1 é um evento histórico que gerará documentários, dissertações, livros e outras abordagens. Raramente as testemunhas de um evento histórico se dão conta de sua relevância na mesma hora. A história se consolida somente quando se transforma em passado e pode ser vislumbrada com um certo desprendimento.

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O milésimo sinal de alerta veio num Panzer

…e o Brasil perdeu. Não foi somente uma derrota – foi uma sentença. Desde que a Fifa decidiu que a Copa seria no Brasil, a CBF e a Rede Globo colocaram o país de quatro e chantagearam tudo o que podiam. Obrigaram governos (em todos os níveis) a atender suas exigências para que esses pudessem ter a sua casquinha – e os governos cederam – todos. A chacina alemã, certamente a maior humilhação da história do esporte mundial, sentenciou a sequência de erros que CBF e Globo engendraram com a ajuda de Scolari, ao maior desastre esportivo possível (porque o desastre político, orquestrado por políticos de vários partidos, será muito pior). Delenda Est Brasilis foi a sentença brilhantemente executada pelos alemães. O Brasil precisa se desapegar de suas paixões e começar a enxergar a realidade fora da Matrix. Tudo está errado há muito tempo, mas a maioria de nós não quis ver.

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Milan, Ano Zero…ainda não mas quase

Sprovveduto. O termo, equivalente em italiano para “incapaz”, foi o usado por Silvio Berlusconi na sua mansão em Arcore, província de Monza, na discussão com Adriano Galliani para se referir a Massimiliano Allegri, então ainda técnico do Milan, na noite de domingo. O destino de Allegri foi antecipado na mesma reunião e Barbara, a caçula de Berlusconi, a encarregada de noticiar à ANSA que o 4 a 3 forçava reformulações. Salvo uma surpresa muito, mas muito grande, colocou o ciclo do político no comando do Milan em sua reta final. Incapaz ou não, Allegri certamente não é mais incapaz do que o status quo berlusconiano de lidar com a situação e todos os envolvidos parecem ainda mais sprovveduti para mudar radicalmente o curso da situação.

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Poder de verdade têm de ser arrancado…

“Il Milan non spende poco. Il Milan spende male” (“O Milan não gasta pouco. O Milan gasta mal”). A análise de meia linha da Gazzetta é a a mais bem acabada definição de por que o clube se acostumou há anos com listas de reforços cheias de Bakayés Traoré, Dominic Adiyah, Oguchi Onyewus e similares. Tudo que você ouviu nas últimas semanas em termos de vaticínios sobre a saída ou não do eterno direttore generale Adriano Galliani é orelhada. Nada está definido. Como afirma o poster do filme “O Poderoso Chefão III“, poder de verdade não pode ser dado – precisa ser arrancado. No clube, tem lugar a maior batalha política desde a compra do clube pelo cleptopolítico Silvio Berlusconi nos anos 80.

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Mediocridade atleticana estava óbvia para quem quisesse ver

Quando o Atlético-MG venceu a Libertadores, numa dos maiores seqüências de sorte da história da competição, minha impressão era a óbvia – era um time medíocre. “Você está louco! É um baita time”, ouvi da maioria esmagadora de amigos e colegas. A derrota no Marrocos não é nenhuma zebra. O Galo é simplesmente um time medíocre, que teve a sorte de times ainda mais medíocres atravessarem seu caminho na competição sulamericana que venceu neste ano. Para a assessoria de imprensa que apostava num grande papel dos mineiros na África, ficou a enésima prova de incompetência. O Galo consegue ser quase tão incompetente quanto a mídia esportiva que o analisa.

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Barcelona não trucidou somente o Santos

O Santos estendido ao chão no Nou Camp é um time medíocre. Se era preciso uma prova, o saco dado pelo Barcelona deve ter servido, sendo que metade da surra foi dada pelo Barcelona “B” (Pinto; Montoya, Bartra, Bagnack e Adriano; Song, Sergi e Fábregas; Neymar, Dani Nieto e Dongou). A mídia mostrou-se estupefata e os rivais aproveitaram para celebrar, mas não deviam. Corinthians, Cruzeiro, Botafogo e outros “grandes” não têm times muito menos medíocres. A combinação de uma audiência acostumada a pão e circo e uma mídia esquecida de sua obrigação de informar, mais que entreter, levaram ao choque catalão. Os 8 a 0 chocaram, mas não deviam. Nosso futebol indigente é ruim e vai piorar. E não, o “seu” time não é muito melhor que o Santos.

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As culpas evidentes e advogados insuspeitos

Acabo de ler, com surpresa, a defesa de Adalberto Batista por Juca Kfouri, via blog do Victor Birner. Surpresa porque se é evidente que Batista não é o centro do descompasso tricolor, a defesa dele, sob qualquer medida, não cai bem. Ainda que respeite o trabalho tanto do veterano Juca quanto do colega Birner, me sinto numa posição diametralmente oposta em relação ao ex-diretor de futebol do São Paulo. Juvenal morrerá sozinho no naufrágio tricolor porque os culpados menores deixarão o barco antes, exatamente como fez Batista.

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