Na última terça-feira (22 de outubro) a italiana Juventus recebeu o russo Lokomotiv Moskow em Turim (Itália), para partida válida pela terceira rodada da fase de grupos da Champions League. A vecchia signora foi surpreendida com os russos abrindo o placar ainda na primeira etapa. Porém graças a Paulo Dybala, a Juve empatou e virou a partida.

O feito manteve a Juventus com uma das duas vagas para o mata-mata ainda em mãos. A equipe bianconera lidera o grupo D no critério de desempate, uma vez que o vice-líder Atlético Madrid tem os mesmos 7 pontos que a equipe italiana. No 3º posto o Lokomotiv (3 pontos) vê um caminho pavimentado para a Europa League, mas ainda detendo esperança pela segunda vaga do grupo. Já o lanterna Bayer Leverkusen ainda não pontou.

Juventus

O técnico Maurizio Sarri alinhou inicialmente com Szczesny, Cuadrado, Bonucci, de Ligt e Alex Sandro. Khedira, Pjanić e Matuidi. Bentancur, Dybala e Cristiano Ronaldo. Sarri propõe variações em 3-4-3, 3-4-1-2 ou 4-3-3, valendo ressaltar que Juan Cuadrado flutua como lateral ou meia externo direito. É o colombiano quem possibilita 3 ou 4 homens na linha defensiva.

Cuadrado vem em boa fase e realiza algo que fez no passado quando ainda jogava pela Fiorentina. Sarri não está inventando nada. No meio-campo há uma “concha” blindando Miralen Pjanić com os veteranos Khedira e Matuidi, outrora vigorosos meio-campistas box-to-box, agora adaptados ao calcio italiano, mais fixos ao círculo central.

Na variação 3-4-1-2 três sul-americanos podem ser o “1” da formação. O uruguaio Bentancur, o argentino Dybala ou o próprio Cuadrado, caso seja obrigado a centralizar. Em relação ao que vem sendo usado na Série A, Sarri surpreendeu ao optar por Bentancur ao invés de um atacante de área (Higuaín), para o time que entrou em campo contra o Lokomotiv.

O objetivo de Sarri acabou obnubilado pelo gol do Lokomotiv, que abriu o placar no minuto 30. Os russos surpreenderam a Juve num contra-ataque. João Mario chutou forte a queima roupa obrigando Szczesny a realizar grande defesa. A bola porém sobrou para Miranchuk finalizar e fazer 1×0 para o Lokomotiv.

Retornando do intervalo Sarri sacou Khedira para a entrada de Higuaín no minuto 48, colocando ainda o francês Adrién Rabiot no lugar de seu compatriota Matuidi, a 65 minutos. A equipe se tornou um 3-4-1-2 pleno. Bentancur e Rabiot, mais jovens e mais rápidos que a dupla Khedira/Matuidi ficavam ao redor de Pjanić. Dybala postou-se como “enganche” tipicamente argentino (o “1”). A frente tinha-se Cristiano Ronaldo ora aberto pela esquerda, ora revezando com Higuaín a área adversária.

Dybala podia trocar passes com um lado direto sul-americano Bentancur/Cuadrado. Tocando com Cuadrado aberto pela direita, Dybala confundiu a marcação russa e bateu a média distância, passos antes da meia-lua da área adversária, empatando para a Juventus no minuto 77. Três minutos depois, o mesmo Dybala aproveitou bola rebatida pelo goleiro Guilherme, que por sua vez fez grande defesa em chute de Alex Sandro, para fazer 2×1.

Paulo Dybala ainda não é protagonista pleno, mas é um atleta que desequilibra e que faz os adversários europeus o temerem. Nas quartas de final (volta) da última Champions League, a Juventus tinha partida empatada em 1×1 contra o Ajax, dentro do Juventus Stadium (19 de abril – semestre passado). Toda defesa do Ajax parecia mobilizada em encurtar espaços quando Dybala, atuando centralizado, tinha a posse de bola. Na volta do intervalo o então técnico Massimiliano Allegri trocou Dybala por Moise Kean, que por sua vez atuou aberto pelo flanco. Sem precisar se preocupar com Dybala “quebrando as linhas” o Ajax foi a frente, obteve o 2×1 e se classificou com agregado de 3×2.

Dybala no lance do primeiro gol da Juve (Foto: Reuters)

Dybala no lance do primeiro gol da Juve (Foto: Reuters)

Maurizio Sarri ainda não é um treinador fora de série como Jürgen Klopp ou Pep Guaridola, mas é um engenheiro futebolístico, apresentando sagacidade ímpar ao alterar peças e mudar a proposta com jogo decorrendo. Sobretudo, Sarri não é um covarde, principalmente quando tira volantes veteranos campeões do mundo (Khedira/Matuidi) em nome de meio-campistas que saem para o jogo, tendo a desvantagem no placar.

A equipe de Sarri finalizou 28 vezes (contra apenas 5 do adversário). Dos 28 chutes a gol do time bianconeri, 10 foram para fora, 11 foram interceptados e 7 foram em gol (2 tentos convertidos), segundo as estatísticas oficiais da UEFA. Acima de tudo vimos uma Juventus mentalmente forte, lúcida para manter-se atenta na defesa e resolver o jogo, quando lhe foi possível.

Lokomotiv

Tradicional Lokomotiv Moskow vem em grande fase na Rússia, tendo vencido a Premier League russa na temporada 17/18 e tendo sido vice-campeão na edição seguinte. A equipe tem o goleiro brasileiro naturalizado russo Guilherme Marinato e veteranos como os portugueses Éder e João Mario (emprestado pela Internazionale), o peruano Farfán e o defensor Höwedes, campeão mundial com a Alemanha, em 2014.

O técnico Yuri Syomin alinhou inicialmente com Guilherme, Ignatyev, Murilo, Coruka, Höwedes e Idowu. Krychowiak, Barinov e João Mario. Miranchuk e Éder. A equipe se postou num 5-3-2, ostentando franca proposta de se defender e se possível, jogar por “uma bola”. A princípio, com o gol de Miranchuk no minuto 30, um êxito na casa do adversário quase foi possível.

O Lokomotiv receberá a Juventus em Moscou (Rússia) em 06 de novembro, para partida da quarta-rodada da fase de grupos, da Champions League.

Imagem de Dybala no destaque: Reuters