Nesta sexta-feira 28/06 a seleção francesa entrará em campo pelas quartas de final da Copa do Mundo de futebol feminino realizada em território francês. A equipe adversária das bleus será a seleção dos EUA, atual campeã mundial. Em certa medida não é exagero tomar o embate entre francesas e ianques enquanto uma final antecipada.

A campanha bleu neste Mundial é convincente, sendo que dentro da França existe alguma cobrança sobre a equipe. Antes do Mundial começar, Noël Le Graët, presidente da Federação Francesa de Futebol afirmou publicamente que um resultado que não apresente as bleus na condição de finalista, será considerado abaixo da meta.

Embora a França nunca tenha vencido a Copa do Mundo feminina realizada regularmente desde 1995, há sim motivos para que se cobrem as bleus. A Division 1 Féminine é uma das ligas nacionais de futebol mais fortes da Europa (ao lado das ligas alemã, sueca, norueguesa e inglesa).

Dentre os clubes o Lyon feminino, além de ser time base da própria França, é atual tetracampeão consecutivo da Women Champions League, sendo quatro de um total de seis títulos europeus.

A campanha até o momento

Antes da vitória contra o Brasil nas oitavas de final no domingo passado, a França encerrou sua participação da primeira fase do Mundial em primeiro lugar do grupo A com 9 pontos e 100% de aproveitamento, ostentando vitórias sobre Coréia do Sul (4×0), Noruega (2×1) e Nigéria (1×0). 7 gols anotados e apenas 1 sofrido, este contra a adversária mais dura, as norueguesas.

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A trilha da equipe da treinadora Corinne Diacre não foi composta por adversárias de menor expressão sendo que a Noruega, também classificada para as quartas de final, é candidata ao título. Mais além apesar da seleção do Brasil ter se apresentado com as principais peças em decrepitude física (Marta, Cristiane, Formiga), as brasileiras representaram nível alto de competitividade dado o quesito experiência.

A proposta de jogo de Diacre foi quase que similar diante de Noruega e Brasil. Perante as norueguesas as bleus sofreram com um ferrolho nórdico, uma vez que a equipe escandinava optou por jogo fechado, entregando posse de bola a adversária.

Contra o Brasil o técnico Vadão foi obrigado a mexer no time devido a lesões físicas de suas atletas. A formação utilizada acabou por anular algumas virtudes da equipe bleu.

A proposta tática

Na véspera da partida contra a Noruega a técnica Corinne Diacre disse em coletiva que tinha três formas de jogar. Diacre se expressa com uma ironia fina. Ao ser perguntada sobre Ada Hergerberg, principal jogadora da Noruega (e detentora do Ballon D’Or 2018) que optou por boicotar o Mundial, a treinadora afirmou “se Ada quiser jogar sozinha contra nós, ok, vamos lá”.

Diacre organiza a equipe nas formações 4-3-3, 3-4-3 e 4-4-1-1. Num vislumbre mais ofensivo, a equipe se desenha em 4-2-3-1, tal qual se viu na estreia contra a frágil Coréia do Sul. Nesta formação ofensiva Diacre utiliza Casacarino aberta pelo flanco direito (na linha dos 3 meias ofensivos), em alinhamento que pode não utilizar a atacante Gauvin.

Disposição com quatro defensoras - Majri na lateral esquerda

Disposição com quatro defensoras – Majri na lateral esquerda

Em todas as possibilidades é Amel Majri quem determina se a linha defensiva tem quatro ou três defensoras. Majri é alinhada inicialmente na lateral-esquerda, apresentando desenvoltura pelo lado esquerdo e direito do campo. Majri pode ser a externa esquerda completando a quarta peça no 3-4-3 ou mesmo se infiltrar aberta pela esquerda como terceira atacante.

Disposição em 3-4-3 com Majri pelo lado esquerdo do meio-campo e Cascarino a frente no flanco direito

Disposição em 3-4-3 com Majri pelo lado esquerdo do meio-campo e Cascarino a frente no flanco direito

Gauvin anotou gols contra Noruega e contra o Brasil. A ideia de Diacre ao utiliza-la aponta para a necessidade de ter-se duas atacantes de área, a própria Gauvin mais a artilheira Eugénie Le Sommer. Uma vez que ambas possuem menor compleição física, as permutas entre as duas nas funções de centroavante e segunda-atacante são constantes.

Contra o Brasil

Após primeira fase truncada, marcada pela inconstância física de Marta e Formiga, Vadão acabou por achar o time na vitória contra a Itália, na última rodada da fase de grupos. Contra a França Vadão propôs 4-5-1 convencional, abrindo mão de uma meia-armadora (Andressinha) para ter uma peça a mais de vigor físico.

Ludimila havia sido titular contra a Itália dado corte repentino de Andressa Alves, mas Formiga suspensa/lesionada não atuou. Contra a França, Vadão propôs meio-campo marcador (Formiga/Thaisa/Marta) com Debinha e Ludimila pelos flancos. Dado o vigor físico, Ludimila na ponta direita acabou por obrigar Majri a pouco se desprender da linha defensiva bleu.

Gauvin (de branco) no lance do primeiro gol contra o Brasil (Foto: fanpage oficial da Copa do Mundo feminina FIFA)

Gauvin (de branco) no lance do primeiro gol contra o Brasil (Foto: fanpage oficial da Copa do Mundo feminina FIFA)

A seleção francesa se viu obrigada a atuar de forma pragmática basicamente em 4-4-1-1, resultando no jogo de muitas bolas alçadas na área. O gol anulado de Gauvin na primeira etapa surgiu desta forma tal qual o gol da vitória na prorrogação, após lançamento magistral de Majri em cobrança de falta que culminou na finalização de Amandine Henry, para fazer o 2×1.

Outro detalhe que condenou a seleção brasileira foi a apresentação ruim da lateral-esquerda Tamires, que sofreu com os avanços de Kadidiatou Diani, criadora das jogadas dos dois gols de Gauvin (o anulado pelo VAR e o que abriu o placar). Os três lances que culminaram nos gols franceses se originaram do setor esquerdo da defesa brasileira.

Veja os melhores momentos de França 2×1 Brasil

França x EUA

Única seleção não europeia nas quartas de final, a seleção dos EUA classificou-se sem muitos problemas no grupo F, onde a tradicional Suécia avançou no segundo posto. As ianques também elencaram 9 pontos com 100% de aproveitamento, além do assombroso saldo de 18 gols (zero sofrido) alavancado pela goleada de 13×0 sobre a frágil Tailândia.

Na última segunda-feira a equipe norte-americana fez duelo equilibrado diante da Espanha, vencendo a versão feminina da fúria por 2×1, na partida válida pelas oitavas de final. No quesito tradição o histórico dos EUA é inquestionável: três vezes campeãs mundiais e medalha de ouro Olímpico em quatro ocasiões.

França x EUA entrarão em campo as 16 hr (horário de Brasília) no Parc des Princes (Paris/França) nesta sexta-feira. Sportv e Band devem transmitir o confronto na tv brasileira.

Imagens: fanpage oficial da Copa do Mundo feminina FIFA no Facebook

Sortie de but

– As quartas de final tem início nesta quinta-feira as 16 hr com a partida entre Noruega x Inglaterra. As norueguesas já venceram a Copa do Mundo em sua edição de 1995.

– A citada norueguesa Ada Hergerberg decidiu não disputar o Mundial 2019 em protesto pela igualdade de gêneros no futebol de seu país. Ao passo que a FIFA deu a Bola de Ouro 2018 para a brasileira Marta, a premiação da France Football concedeu o Ballon D’Or 2018 para Ada, atual tetracampeã da Women Champions League pelo francês Lyon.

– Os outros confrontos das quartas de final da Copa feminina são Itália x Holanda e Alemanha x Suécia. As partidas acontecerão neste sábado 29/06.

– A Copa do Mundo feminina já foi realizada em seis ocasiões desde 1999. Porém a FIFA propôs duas edições experimentais do torneio em 1988 e 1991, ambas na China. O caráter definitivo se deu a partir de 1995 quando o torneio foi realizado na Suécia e vencido pela Noruega.

– A Noruega venceu a edição experimental de 1988 em final contra a Suécia, sendo que o Brasil ficou em terceiro lugar (geração de atletas como Fanta, Michael Jackson e Pelezinha). O título edição 1991 vencido pelos EUA é computado oficialmente pela FIFA.