Na última terça-feira o inglês Tottenham Hotspur recebeu o holandês Ajax em Londres (Inglaterra) em partida de ida válida pelas semifinais da Champions League. Os spurs londrinos acabaram derrotados em casa por 1×0 para os holandeses.

A vantagem não é absurda mas dá ao Ajax a possibilidade de se classificar com um empate sem gols na partida de volta, a ocorrer em Amsterdã (Holanda) já na próxima semana.

O que pode definir o confronto são sprint físico e nível de stress mental. O Tottenham tem situação encaminhada na Premier League (3ª colocação) podendo poupar atletas no fim de semana. O Ajax por sua vez tem final de KNVB Beker (Copa da Holanda) contra o Willem II no próximo domingo.

Tottenham Hotspur

O treinador argentino Maurício Pochettino mandou a campo os spurs com Lloris, Alderweireld, Davinson Sánchez e Vertonghen. Wanyama. Trippier, Rose, Eriksen, Delle Ali. Llorente e Lucas Moura.

Alinhamento inicial

O desenho tático era em 3-5-2 ou algo como 3-1-4-2 sem força máxima disponível dados os desfalques de Kane (problema físico) e Son Heung (suspenso).

Os primeiros 15 minutos deixaram claros que Pochettino optou por alinhamento inicial equivocado. A opção por três defensores deu espaço para o Ajax atacar pelos flancos, tanto que o brasileiro David Neres se projetou pelo setor de Alderweireld, à direita da defesa dos spurs, no lance que culminou no gol do Ajax.

O queniano Victor Wanyama não se mostrou muito efetivo fixo a cabeça de área o que obrigava o colombiano Davinson Sánchez sair para dar o primeiro combate em muitas ocasiões durante a primeira etapa.

No minuto 39 o belga Jan Vertonghen deixou o campo após choque na cabeça que ocasionou corte no rosto. Pochettino não optou por outro zagueiro, postando o meia francês Moussa Sissoko. A partir de então o Tottenham conseguiu controlar as ações do Ajax.

Formação com Sissoko no lugar de Vertonghen

Sem Vertonghen a linha defensiva tinha Alderweireld/Sánchez no miolo de zaga e a saída do belga obrigou Trippier a recuar para a lateral-direita com Danny Rose se deslocando para a lateral-esquerda. Sissoko desempenhou função de low playmaker de forma mais efetiva que Wanyama.

Segundo as estatísticas levantadas pelo The Guardian o Tottenham criou 11 ocasiões de gol (4 a mais que o Ajax), com 4 finalizações de fato em gol. O índice de posse de bola dos spurs de 48% dá entender que a estratégia (nada covarde) de Pochettino era de dar a bola aos adversários pra sair em contra-ataque.

No entanto, sem a dupla Kane/Son a equipe inglesa não consegue ter êxito em finalizações certas.

Ajax

O treinador Erik ten Hag alinhou inicialmente o Ajax com Onana, Veltman, de Ligt, Daley Blind e Tagliafico. Schöne, Frenkie de Jong, Ziyech, van De Beek e David Neres. Tadić. O desenho tático foi um 4-2-3-1.

O gol holandês saiu após David Neres se projetar pelo flanco esquerdo de seu ataque, mas recuando a bola para seus companheiros pelo centro, na sequência. O movimento fez com que a linha defensiva do Tottenham se adiantasse. Na meia-lua da área adversária Schöne tocou para Ziyech, que por sua vez encontrou van De Beek saindo do impedimento, para ficar cara a cara com Lloris e fazer 1×0.

Não há virtuosismo desmedido nessa equipe do Ajax que impressiona 1) pelo conjunto e 2) pela baixa faixa etária de seus atletas. Os jogadores cumprem seus papéis sem afobação porque tem-se certeza absoluta de que nenhuma peça é mais importante que a outra, ninguém detém a obrigação de garantir resultado sozinho.

O trabalho mental realizado pela base do Ajax deve ser algo diferenciado. David Neres nem de longe parece o atleta subvalorizado do São Paulo. Avança quando pode, recua para a recomposição e nunca dá um drible a mais. Antevê o companheiro antes do passe e realiza o passe com precisão.

Detendo 52% da posse de bola, o Ajax finalizou 7 vezes, das quais 4 bolas foram em gol (1 efetiva).

Imagem de Lucas Moura do Tottenham cercado por defensores do Ajax: Tom Jenkins/Guardian