No último sábado Arsenal e Chelsea fizeram duelo tradicional no Emirates Stadium de Londres (Inglaterra), valendo pela rodada 23 da Premier League. Os gunners realizaram boa partida, batendo os blues por 2×0, com gols dos franceses Alexandre Lacazette e Laurent Koscielny.

O resultado deixou o Chelsea na quarta colocação na tabela (47 pontos) e o Arsenal na quinta colocação, numericamente empatado com o sexto colocado Manchester United (ambos 44 pontos).

Arsenal

O técnico Unai Emery alinhou inicialmente os gunners com Leno, Bellerin, Sokratis, Koscielny e Kolasinac. Xhaka, Torreira e Guendouzi. Ramsey, Lacazette e Aubameyang. O desenho tático minimamente curioso variava 4-3-1-2 e 4-4-2 com os meio-campistas dispostos em losango, num estilo próximo ao utilizado por times italianos na década passada.

Os gunners precisaram de 39 minutos seguidos para fazer 2×0. Os dois gols saíram em jogadas dos flancos (direito e esquerdo consecutivamente) para o centro da área dos blues, em lances de “semi-bola parada” (se é que é possível dizer isso).

Lance do gol de Lacazette (Imagem: site da Premier League)

Lance do gol de Lacazette (Imagem: site da Premier League)

Lacazette abriu o placar com belo gol no minuto 14, em lance onde o francês se viu cercado à direita da pequena área blue por Alonso e Pedro, um lateral que avança e um atacante. No gol de Koscielny, a orientação de Emery parecia a de alçar a bola na área para que esta fosse finalizada na segunda ou terceira bolas. No lance iniciado pela esquerda com participação dos dois zagueiros gunners, Sokratis alçou bola para Koscielny desviar de ombro, entre os dois zagueiros blues.

Antevendo uso de três defensores por parte do Chelsea, Emery ordenou que seus jogadores de lado pressionassem os blues pelos flancos. O imponderável foi a má atuação de David Luiz no miolo de zaga blue, inoperante nos dois gols anotados pelo Arsenal. Ademais Granit Xhaka atuou como baricentro, um low playmaker em estilo italiano de fato organizando o jogo a sua frente e mantendo sua própria linha defensiva atrás de si.

Aaron Ramsey não é exatamente um camisa 10 clássico, mas foi o “trequartista” atrás de Lacazette e Aubameyang. Diante de um treinador italiano (Maurizio Sarri) e um time habituado a comandantes oriundos do Calcio, Unai Emery parece ter optado pela estratégia correta.

Segundo estatísticas oficiais da Premier League, o Arsenal deteve apenas 35% de posse de bola, entregando de fato a posse ao adversário, para sair em contra-ataques quando recuperava o esférico. A equipe chutou 13 vezes em gol (Chelsea idem), obtendo 5 ocasiões de gol (Chelsea apenas uma).

Chelsea

Sentindo alguma pressão por não fazer a equipe se manter no topo da tabela, o técnico italiano Maurizio Sarri alinhou os blues com Kepa, Azpilucueta, Rüdiger, David Luiz e Alonso. Jorginho, Kanté e Kovacić. Pedro, Hazard e Willian. A formação tática era um falso 4-3-3, com desenho em 3-4-3 quando Marco Alonso avançava.

Sarri ordenou que o ítalo-brasileiro Jorginho atuasse centralizado. Com N’Golo Kanté deslocado pelo lado esquerdo a linha defensiva ficou exposta, sobretudo quando Alonso também ia a frente como (no termo dos italianos) “fluidificante”.

Sem um centroavante de área (Morata/Giroud), Sarri pareceu antever possibilidade de conter posse de bola utilizando Willian/Pedro e Hazard na área. De fato o técnico conseguiu 64% de posse de bola inútil durante toda a partida.

A adaptação de Maurizio Sarri à Premier League não está sendo imediata. No futebol pós- Barcelona de Guardiola, quando se detém a posse de bola, um time atua no campo do adversário. Usar três zagueiros sem interditor centralizado dá margem a avanço pelos flancos por parte dos alas adversários. Foi que aconteceu com o Chelsea, que ainda sofreu com a má atuação de David Luiz no miolo de zaga.

Sarri já desmontou o Chelsea de Antonio Conte, só com a utilização de Jorginho. O ex-meia do Napoli não é Matić nem Fàbregas. Na Inglaterra muitos já se referem a Jorginho enquanto “jogador que só toca para os lados”. Não há mais o 3-4-1-2 onde Alonso era “o secretário de lateral” de Hazard.

A equipe podia atuar sem atacante fixo (quando o tinha, era Diego Costa), com Hazard à frente orientado a correr em transição pelos lados. O Chelsea de Conte era muito similar ao Milan de Carlo Ancelotti 2006/2007. Kaká atuava à frente tal qual Hazard.

Imagem de Koscielny: site oficial da Premier League