O PSG se vê em meio a disputa da seção asiática da International Champions Cup, torneio de pré-temporada que já se tornou tradicional no calendário futebolístico europeu, lembrando que também há partidas sendo disputadas nos EUA, referentes à mesma competição.

Sob comando do novo treinador, o alemão Thomas Tuchel, o PSG contabiliza exatamente duas derrotas em dois jogos na ICC 2018, para FC Bayern e Arsenal, a última ocorrida neste último sábado.

Com plantel formado por 90% de atletas da base, Tuchel viu sua equipe ser derrotada por 3×1 para os bávaros alemães, além do 5×1 vistoso imposto pelos gunners ingleses.

Bem me quer…

Thomas Tuchel é um sopro de realismo áspero em Paris, algo que não foi milimetricamente planejado pelo xeique Nasser Al-Khelaifi. Cogitaram-se mil nomes sem linha de coerência para substituir Unai Emery, algo que perpassou rumores de Tite (seleção brasileira) e muitos meses atrás, Joachin Löw (seleção alemã).

Tuchel foi confirmado antes da copa 2018, e via-se em ano sabático após deixar o alemão Borussia Dortmund em 2017. O treinador ganhou respaldo por ter sucedido o atual vice-campeão da Champions League, Jürgen Klopp (Liverpool). Em duas temporadas no Dortmund, Tuchel obteve apenas a Copa da Alemanha 16/17, mas valendo-se de plantel inferior ao que proporcionou façanhas aurinegras a Klopp, entre 2011 e 2013.

Quando assumiu o Dortmund, um dito de Tuchel foi bastante reverberado, aquele que afirmava que para evoluir, o futebol deveria voltar ao básico. Tudo deveria se iniciar do fundamento que propõe um goleiro, quatro defensores (entre zagueiros e laterais) e um volante.

A julgar pelas formações utilizadas na ICC, Tuchel propôs módulo tático em 3-5-2/3-4-3. Usou três defensores nas duas oportunidades. Se tomou oito gols em dois jogos (fez apenas dois), é porque o plantel levado para a Ásia tem apenas cinco jogadores que podem ser considerados titulares: Rabiot (cogitado no Barcelona), Lassana Diarra, Lo Celso e os goleiros Trapp mais o recém anunciado Gianluigi Buffon.

Tuchel parece estar habituando os juvenis à mentalidade defensiva, além de acenar para uso de atletas da base, prática que vai na contramão das contratações desvairadas do xeique Nasser. Mais além, o volante Lass Diarra foi titular como zagueiro central, nos dois últimos confrontos.

Para além da idade avançada do zagueiro Thiago Silva (33 anos), Tuchel já percebeu duas deficiências chave no PSG da última temporada: vulnerabilidade nas costas dos laterais (Daniel Alves e Kurzawa), além da desproteção na cabeça de área, minimizada quando Lass Diarra atua. O uso de atletas da base na pré-temporada, parece sinalizar alguma cautela em relação a contratações, dado fair play financeiro que causa problemas ao PSG para contratar.

Mkhitaryan do Arsenal cercado por Lass Diarra (Foto: Lionel Nig/Getty)

Mkhitaryan do Arsenal cercado por Lass Diarra (Foto: Lionel Nig/Getty)

Na semana que se encerrou, na França, o L’Équipe descartou a possibilidade do PSG adquirir os zagueiros Jerome Boateng (29 anos, Bayern) e Leonardo Bonucci (31 anos, Milan). Os valores envolvidos extrapolariam gastos e não parece fazer sentido adquirir defensor na faixa dos 30 anos, como peça de reposição a Thiago Silva.

Fora isso o agora campeão mundial Kylian Mbappé tinha vínculo de empréstimo por um ano, cedido pelo Monaco até o fim de junho último. O contrato previa cláusula de compra avaliada em cerca de 120 milhões de euros. O PSG exerceu seu direito de compra do atacante francês no início de julho. O xeique Nasser de fato não pode despender quantias absurdas por um defensor.

…mal me quer!

Apesar do placar elástico, o PSG não se portou mal por cerca de 60 minutos contra o Arsenal, que abriu o placar com 13 minutos com gol de Mesut Özil. Os parisienses empataram com Christopher Nkunku de pênalti no minuto 60. A oscilação começou após as substituições no decorrer da segunda etapa. Rabiot, Buffon (substituído pelo jovem Sébastien Cibois) e Diarra deixaram o campo no decorrer dos minutos posteriores ao gol de empate.

Porém do outro lado havia boost emocional impulsionando o Arsenal, agora treinado pelo espanhol Unai Emery, que deixou o PSG ao fim da última temporada. Isso além dos dois gols do francês Alexandre Lacazette, ex-jogador do rival Lyon. Emery tem um perfil gestor, mas nunca foi babá de atleta celebridade mimado (leia-se Neymar).

A impressão ruim de Emery descrita no Brasil é verborragia covarde por parte da imprensa brasileira, que pintou seu retrato no pré-copa 2018 de forma favorável a Neymar. Nenhum treinador faz um time espanhol médio (Sevilla) ser tricampeão consecutivo de Europa League. Emery o fez, valendo de política de contratações andaluzes pautadas pelo “bom e barato”, à sua época administrada por Monchi (hoje na Roma).

Para o Arsenal, que encerrou ciclo de mais de 20 anos de Arséne Wenger, Emery é um nome mais do que interessante, curiosamente comandando dois atletas importantes que atuaram no Borussia Dortmund, sob comando de Thomas Tuchel: Aubameyang e Mkhitaryan. Para Emery vencer o PSG era obrigação, mesmo numa pré-temporada. Vale lembrar ainda que tão logo o Arsenal confirmou saída de Wenger, a imprensa francesa o cogitou no PSG.

Voltando ao PSG

O desafio de Tuchel nos vestiários parisienses ainda não começou. Os atletas presentes nas fases finais da Copa 2018, ainda não retornaram de férias. Os conflitos de egos ainda não tem previsão de ocorrer. Há ainda outra grande incógnita que apenas cessará quando a janela de transferências se fechar. Jogadores podem sair.

O xeique Nasser parece querer de um treinador, alguém que conte histórias das mil e uma noites em que hajam troféus de Champions League. Em todo caso, Thomas Tuchel não é uma Sherazade.

O PSG volta a campo nesta segunda-feira às 8:35 horas (horário de Brasília), para enfrentar o Atlético Madrid em Singapura, pela International Champions Cup. O torneio está sendo transmitido na tv brasileira pela Fox Sports e Record News.

Confira os gols de Arsenal 5×1 PSG

Imagem de Thomas Tuchel: Getty Images