Menos de 20 mil pagantes vão ao estádio Azzurri D’Italia a cada rodada que tem a Atalanta como mandante. Ainda assim, o clube gerou mais de €80 milhões de receita em seu último ano contábil fechado (2016). Para se ter uma idéia do que isso representa, basta dizer que no primeiro ano deste século, o clube embolsava somente €17 milhões por ano. Boa gestão financeira, uma divisão de base prolífica e um setor técnico extremamente capaz colocaram os bergamascos na Europa pela segunda temporada seguida (e só não foi à LC passada por conta da deterioração da série A que resultou num “encolhimento” da quantidade de vagas de 4 para 3. Tudo indica que o clube continuará na cola da elite do futebol italiano, gostem os tradicionalistas ou não.

O que a Atalanta fez para a mudança de curso? Primeiro, otimizou a busca de novos patrocínios; segundo, melhorou as condições segundo as quais vende os jogadores de suas divisões de base (que figuram entre as melhores da Europa e finalista do Italiano italiano sub-17). Terceiro, adotou uma postura na sua direção técnica com a manutenção da mesma comissão técnica pela terceira temporada consecutiva. Por fim, uma grande eficiência nas contratações, gastando menos que os adversários maiores (particularmente os também lombardos Inter e Milan). Mas atenção à “superatividade” nas transferências. Elas indicam um potencial de maracutaia de empresários que já vitimou vários clubes (como o recém-promovido Parma).

Como de hábito, as contratações atalantinas são low-profile. Depois de ter cedido por €80 milhões ao todo os meio-campistas Kessié e Cristante a Milan e Roma (com um lucro na casa dos €55 milhões), o club voltou a buscar jogadores sem muita fama, mas com estatísticas muito precisas. O croata Pasalic chega do Chelsea para ocupar o espaço de Cristante, e indica a manutenção de um perfil conhecido do técnico Gianpiero Gasperini: jogadores técnicos, que correm muito durante o jogo todo e capazes de assumir a função de criação de jogadas se preciso. Raramente os meio-campistas dos times de Gasperini têm um percentual menor que 75% de acerto de passe e Pasalic deve manter a cifra. No ataque, o colombiano nômade Duvan Zapata chega ao seu quarto clube em seis temporadas. Penalizado pelas transferências, Zapata é melhor do que a reputação apresenta. Outra contratação no ataque, o siciliano Marco Tumminelo, merece atenção. Ele tem grande expectativa da Roma e vai a Bérgamo disputar uma vaga de titular. Ambos preenchem as saídas de Paloschi e Petagna, que tiveram a destinação de Ferrara, na Spal. No ataque, a estrela do time: o argentino Alejandro Gomez, provavelmente o jogador mais injustiçado do país. Seu futebol mereceria uma vaga disputando o título, mas já com 3o anos, é possível que ele permaneça em palcos menos nobres.

O ponto crucial da temporada Atalanta é na defesa. Sem Caldara (zagueiro comprado pela Juventus há duas temporadas e mantido por empréstimo), Gasperini não deve ter retoques no setor. Sua defesa a tries exige grande esforço dos externos de meio-campo, onde outro empréstimo encerrado, o de Spinazzola, pode fazer falta, especialmente levando-se em conta que o clube terá novamente uma agenda européia. O veredito final é positivo – todos os pressupostos para uma temporada tranquila estão no lugar. Com um pouco de sorte, desempenho bom dos jovens promovidos, não é impossível imaginar outra vaga europeia para Bérgamo.

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