No último sábado tivemos a final da Champions League 2017/2018, merecidamente vencida pelo espanhol Real Madrid, recordista supremo de títulos do torneio (13 conquistas). Do outro lado o finalista vencido Liverpool, suscitou as mais diversas reações, seja de seus torcedores, seja do grande público, por tudo que os reds passaram em 90 minutos.

Num todo o contexto da derrota do Liverpool sofrida em Kiev (Ucrânia), vai um pouco além da lesão no ombro/clavícula sofrida por seu principal atleta, Mohamed Salah. Mas impreterivelmente tem enquanto epicentro chave, as falhas do jovem goleiro Loris Karius, de apenas 24 anos.

No comando técnico do clube red desde o fim de 2015, o alemão Jürgen Klopp continua sendo um treinador relevante da nova geração. Não há indícios de demissão abrupta de Klopp, uma vez que esse tipo de reação intempestiva, não é habitual em agremiações da elite do futebol inglês/europeu.

Em contraparte, Klopp carrega sim, responsabilidade ímpar pela derrota.

Além do alcance de Jürgen

A dita escassez de opções no banco do Liverpool perpassa a última janela de transferências, em janeiro. O Liverpool não pretendia se desfazer do meia-atacante brasileiro Philippe Coutinho, que há semestres via-se desesperado por transferência para o Barcelona, que por fim ocorreu no início de 2017.

Coutinho era tido enquanto atleta importante no plantel e ele sim, forçou sua saída. Paralelamente, o inglês Daniel Sturridge foi cedido por empréstimo para o West Bromwich, intencionando mais minutos em campo para poder servir a Inglaterra na copa. O atacante iniciou temporada 17/18 com problemas físicos.

No entanto longe de ser craque, Sturridge seria opção válida em caso de lesão de Salah. A última final européia disputada pelo Liverpool foi na temporada 15/16, já sob comando de Klopp, quando os reds foram derrotados de virada pelo espanhol Sevilla por 3×1, na final da Europa League.

Sturridge fez o gol red naquela ocasião e merecia algum crédito. No fim das contas clube e atleta saíram perdendo. O Liverpool poderia ter contado com ele na final da UCL e o atacante não conseguiu vaga no grupo inglês que vai à Rússia.

Além dos negociados, problemas físicos afetaram três peças importantes do elenco red. O camaronês Joel Matip (zagueiro) recupera-se de problema muscular sofrido em abril. Matip era titular na linha defensiva red (35 partidas na temporada).

O volante Emre Can, atleta de seleção alemã, sofreu problema nas costas em março. Voltou a tempo de ser relacionado e até entrou no decorrer da final. Can contabiliza 38 partidas na temporada recém encerrada (6 gols). Era titular absoluto.

Por fim, o meia inglês Alex Oxlade-Chamberlain sofreu lesão num dos joelhos, na partida de volta das semifinais da UCL, contra a Roma. Outro que não é craque nem de longe, mas que tinha condição de titular absoluto de Klopp (46 partidas).

Em suma, o que alguns comentaristas brasileiros afirmaram acerca de “falta de opções” no banco do Liverpool, é uma falácia. A equipe jogou a final sem três titulares importantes, que sofreram problemas físicos na reta final da temporada. Frente a isso, Klopp não tinha de onde tirar.

O quadro seria equivalente ao Real Madrid ter de disputar a final com Varane, Casemiro e Isco vetados pelo departamento médico.

O que Jürgen poderia ter evitado

Para além da lesão de Salah após falta minimamente desleal do capitão merengue Sérgio Ramos, o fator irremediável da derrota do Liverpool, foi com certeza a má exibição do goleiro Karius. O atleta falhou em dois dos três gols merengues. O arqueiro foi adquirido pelo clube red em 2016, vindo do modesto clube alemão Mainz 05.

Karius (ao fundo) no último sábado na final da UCL disputada em Kiev (Ucrânia) (Foto: Tom Jenkins/The Guardian)

Karius (ao fundo) no último sábado na final da UCL disputada em Kiev (Ucrânia) (Foto: Tom Jenkins/The Guardian)

Karius chegou tendo currículo que inclui passagem pelas categorias de base do inglês Manchester City. Porém é impossível compreender por que Klopp optou pelo arqueiro de 24 anos, para as partidas da Champions League. A edição 17/18 foi a primeira disputada por Karius, que assumiu titularidade total a partir de dezembro de 2017.

No banco Simon Mignolet, atleta de seleção da Bélgica, teria serenidade suficiente para atuar numa decisão européia, com seus 30 anos, 202 partidas jogadas pelo Liverpool e 21 partidas pela Bélgica, grupo no qual é reserva de Thibaut Courtois (Chelsea).

Jürgen Klopp elencou seu terceiro vice-campeonato europeu, somadas as condições de finalista vencido na Champions League 12/13 (ainda pelo alemão Borussia Dortmund) e a citada ocasião da final da Europa League 15/16. Karius é iniciante no futebol. Klopp não.

Dados estatísticos: Transfermarkt.com

Imagem de Klopp: Tom Jenkins/The Guardian