Music For You Eyes: Converge “A Single Tear”

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“The Dusk in Us” novo registro de estúdio do respeitado Converge, sai nesta sexta-feira 03 de novembro no mercado internacional, via Epitaph Records/Deathwish Inc. O conjunto liberou um impactante vídeo de divulgação para “A Single Tear”, faixa que abrirá o tracklist do novo álbum.

Bem mais abstrato que o vídeo clipe da também nova “I Can Tell You About Pain”, “A Single Tear” surge com advertência notificando que os flashes e efeitos visuais podem causar mal estar a portadores de epilepsia. “A Single Tear” teve direção do videomaker Max Moore da Max Moore films, que já produziu videos para Of Mice & Man, New Found Glory e o Stone Sour de Corey Taylor (Slipknot).

A sequência visual de “A Single Tear” evoca um casal protagonista e insights a respeito de nascimento e concepção vital, contrapondo imagens de um pássaro tentando se livrar da casca do ovo, ao amarelo da gema de um ovo partido que escorre das mãos do homem e da mulher.

Veja o vídeo de A Single Tear

A “escuridão em nós” (“the dusk in us”) do título do novo álbum também é representada com o manto negro que cobre algo, visto na capa do álbum, sendo caracterizado no vídeo. No vídeo clipe o manto é removido revelando o representante masculino do casal, a carregar um bebê.

O teórico da arte americano Arthur Danto (1924-2013) observou no início de sua carreira que não havia um “estilo contemporâneo” de arte, ao passo que a contemporaneidade abrigava em si um entropia de estilos de épocas históricas antecessoras. Isso em meio a hoje antigas discussões acadêmicas sobre a possibilidade de uma pós-modernidade.

Dito representante do post hardcore (ou “pós hardcore”) o Converge tal qual outras bandas também relacionadas ao termo post hardcore, destila as mais diversas influências do metal extremo ouvidas desde o fim dos anos 1970, desde o punk, passando pelo hardcore, grindcore, death e thrash metal.

Capa de "The Dusk in Us"

Capa de “The Dusk in Us”

Relacionado ao hardcore norte-americano dos anos 1980 tem-se o termo “emo” mal apropriado por bandas pop no início dos anos 2000. Dizia-se “emocore” bandas de hardcore (como Dag Nasty, Rites of Spring) que traziam menos politização nas letras e mais aspectos emocionais/”emotional” (dos mais diversos e livres pontos de vista) em suas canções.

Amor, ódio, fúria, dor podem ser encarados como emoções. A angústia da existência a partir do nascimento também pode ser qualificada enquanto emoção. A angústia da simples lágrima (“a single tear”) da canção do Converge.

Art pour l’art enaltecia Charles Baudelaire. Politização não é condição sine qua non para música boa. Emoção sim.

Imagem: divulgação