Champions League: Manchester City 2×1 Napoli – o duelo tático

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Na última terça-feira o Manchester City recebeu o Napoli em Manchester (Inglaterra), pela terceira rodada da fase de grupos da Champions League. Os citzens venceram pelo placar de 2×1, contagem que parece não traduzir o domínio pleno da equipe azul, comandada por Pep Guardiola.

O resultado deixou os citzens muito à frente na primeira colocação do grupo F, ostentando 9 pontos, 3 a mais que o vice-líder e ucraniano Shakhtar Donestk. O Napoli se vê na terceira colocação, no momento não mostrando indice para avançar ao mata-mata da UCL.

Manchester City

O City que atualmente lidera a Premier League inglesa se revelou contra um adversário que naturalmente pode se portar de forma defensiva, por vir da Itália. Entretanto não foram necessários mais do que 13 minutos para Sterling abrir o placar (aos 9 min) e Gabriel Jesus ampliar no décimo terceiro minuto.

No primeiro gol citzen Kyle Walker e Raheem Sterling se movimentavam na área napolitana, sem muitos problemas. A jogada se iniciou nas costas do setor direito da defesa do Napoli, em lance entre Sané e David Silva. No segundo gol, De Bruyne cruzou do setor esquerdo da defesa adversária para Gabriel Jesus ampliar.

O que mudou do City de Guardiola 16/17 para o atual é a utilização de zagueiros de origem na zaga central (Stones/Otamendi), e uso de lateral-direito (Walker) que realmente sabe se defender em estilo full back britânico. À frente da zaga Guardiola segue desprezando volantes “brucutus”, postando Fernandinho, atleta físico mas bom na saída de bola, na cabeça de área. Não há segredo e sim utilização de peças que garantem equilíbrio defensivo.

Comparado ao Barcelona campeão europeu em 2009 e 2011, Fernandinho cumpre a função de Busquets. Na época Guardiola ainda utilizava defensores natos na defesa (Abidal, Piqué, Puyol) sem insistir em utilizar laterais ou volantes recuados (no máximo Mascherano) no miolo de zaga. Na última temporada Kolarov (lateral-esquerdo) foi utilizado a esmo na quarta zaga do City.

Com o trio Walker/Stones/Otamendi o City pode se desenhar 3-4-3, algo que o Barça de Pep também possibilitava. A invencionice de Guardiola no City atual é o ato de recuar um envelhecido David Silva mais o belga Kevin De Bruyne, transformando-os em low playmakers. Sem uma dupla Xavi/Iniesta é o melhor que Pep pode fazer. E tem funcionado.

Os números do City foram muito superiores aos do Napoli. Foram 55% de posse de bola, com 14 finalizações (10 a mais que o adversário). Das 14 finalizações o City mandou 10 em gol (dados segundo o Guardian).

Napoli

No Brasil alguns comentaristas tentaram descrever o Napoli enquanto qualificado antagonista do City, na “aula de futebol”. O time finalizou 10 vezes a menos que o adversário, das quais 3 foram em gol além de ter obtido dois pênaltis a favor, dos quais concretizou apenas 1 em gol (Diawara). O Napoli deve ser o pior aluno da sala.

Os partenopei lideram a Série A italiana neste momento, mas encontram-se no contexto decrépito do futebol italiano recente. Maurizio Sarri é um treinador a ser enaltecido, mas só está fazendo “mais com menos”, no mesmo nível que Jürgen Klopp (Borussia Dortmund) e Diego Simeone (Atlético Madrid) fizeram nas UCL 2013 e 2014 respectivamente.

Este é o mesmo Napoli eliminado pelo Real Madrid nas oitavas de final da UCL 16/17, com placar agregado de 6×2. Os partenopei padeceram de um nó tático nos 13 primeiros minutos da partida, com seus fluidificantes direito e esquerdo (Hysaj/Ghoulam) falhando miseravelmente na parte defensiva, nos dois gols dos citzens.

O Napoli de Sarri é ofensivo, abdicando da ideia italiana de atuar com três zagueiros natos. Mas diante do City de Guardiola mostrou-se desprovido também da virtude defensiva das raízes do calcio. O Napoli não ilustra mais do que a falta de identidade do recente futebol italiano.

Imagem de Gabriel Jesus no lance do gol: Stu Forster/Getty