Champions League – final : Real Madrid e alguns méritos inquestionáveis

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Escreverei sobre o Real Madrid em primeira pessoa, algo que não costumo fazer. Não tenho nada contra o Barcelona e geralmente fico longe da discussão idiota entre “quem é melhor – Cristiano Ronaldo x Messi?”.

Tenho mais de 30 anos, então descobri o futebol europeu na metade dos anos 1990. Com certeza prefiro o Real Madrid porque no fim dos 1990 os blancos eram muito maiores que o Barcelona, que se tornou um gigante europeu de fato, na segunda metade dos anos 2000.

Minha geração descobriu o Real Madrid no instante anterior à “I era galáctica” de Florentino Pérez, com o time de 1998 que trazia Redondo, Seedorf, Mijatović e o jovem Raul, o qual venceu o Vasco na final do Mundial de Clubes (ainda Taça Intercontinental) em 1998.

Por ter acompanhado o grande período da primeira gestão de Florentino Pérez, na virada dos anos 1990 para os anos 2000, sempre vi uma aura sacra em Zinedine Zidane. Logo vê-lo como treinador desde o início de 2016 é algo incomodo. Se Zizou perder uma decisão de Champions League, irá de bestial a besta em 90 minutos.

O comando de Zizou

A temporada 2016/2017 com o Real Madrid obtendo êxito em La Liga e Champions League, pela primeira vez em sua história, passa por Zidane. Ele não é um estrategista genial e talvez nem se torne um. Por outro lado mostrou comando nos vestiários personificando aquilo que os espanhóis chamam de “gestor”.

Para os ibéricos o “gestor” gerencia elencos e geralmente vence copas, ao passo que o “treinador” é “dúctil” (rígido) e vence ligas. Um exemplo de “gestor” para os espanhóis é Carlo Ancelotti. Um exemplo de treinador “dúctil” para eles é José Mourinho.

Curiosamente Zidane venceu liga/CL mas para mim ainda impera algo que disseram na temporada 15/16, que ele Zizou faz o Real Madrid funcionar dadas as peças que tem. Entretanto se lhe derem o Atlético de Madrid, Zizou não consegue evitar a queda para a segunda divisão.

Neste último sábado o Real Madrid de Zizou realizou em Cardiff (País de Gales) uma final muito mais convincente goleando a Juventus (4×1), do que aquela disputada na edição 15/16 frente ao rival Atlético de Madrid. Em números os colchoneros conseguiram ser superiores aos blancos, que naquela ocasião venceram apenas nos pênaltis.

O comando de Zizou passou pela 1) habilidade de convencer CR7 a não entrar em campo quando necessário, 2) preservar Gareth Bale até que ele estivesse em totais condições físicas e 3) bancar a titularidade de Isco mesmo com Bale recuperado a tempo da final da CL.

No caso de CR7 se observados os minutos em campo pela liga espanhola nas temporadas 14/15 e 15/16, o português computou mais de 3 mil minutos tanto numa quanto noutra temporada. Na presente temporada que se encerra, CR7 esteve em campo em pouco mais de 2500 minutos por La Liga.

CR7

Seria natural que Cristiano Ronaldo iniciasse a temporada “no estaleiro”, uma vez que saiu de campo no início da final da última EURO em junho de 2016, ao sofrer entrada dura do francês Payet, enquanto jogava por Portugal. Aos 32 anos sua recuperação física não é mais a mesma.

Na temporada que se encerra CR7 só surgiu em campo na terceira rodada de La Liga, em setembro de 2016. Foi poupado na decisão da Supercopa da Europa, esteve ausente em 8 das 38 rodadas de La Liga e só foi relacionado na Copa Del Rey, nas quartas de final.

O planejamento médico foi benéfico para o português realizar sua melhor final de Champions League diante da Juve, dentre as quatro que disputou até hoje. Foi a primeira decisão em que CR7 conseguiu fazer 2 gols, sendo protagonista da vitória de sua equipe sobre o bianconero italiano.

Na edição 07/08 da CL o português anotou o gol do Manchester United (1×1 contra o Chelsea com bola rolando), que venceu nos pênaltis e na edição 13/14, fez o quarto gol do Real Madrid (4×1 sobre o Atlético).

No quesito clube CR7 e Messi estão empatados com quatro conquistas de Champions League cada e 3 de Mundial de Clubes, cada. Mas é preciso ressaltar que no título da CL 05/06, Messi ainda não era frequente no time principal do Barcelona. Na edição 07/08 Cristiano Ronaldo já era titular absoluto no Manchester United de Alex Ferguson.

Imagem de Cristiano Ronaldo: Glyn Kirk/AFP