Champions League – final : Juventus e o lamento dos derrotados

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O contexto no futebol italiano ao redor da Juventus, bicampeã da Champions League, era propício à renascimentos na véspera da final da edição 2016/2017 do torneio. O clube bianconero decidiria o título enquanto os times de Milão, Milan e Internazionale, antigos vencedores de CL, se reestruturam financeiramente.

Se a Juventus vencesse a final em Cardiff (Páis de Gales) teria-se a luz no fim do túnel 10 anos após o último título de CL obtido por um clube italiano (a 7ª conquista do Milan), e 10 após a própria Juve ter sido obrigada a disputar a Série B, enquanto punição de escândalos de corrupção de arbitragem e contratações irregulares de atletas, protagonizadas pela agremiação de Turim.

Seria mais do que justo que esta Juventus bem administrada e adequada ao panorama atual do futebol, se apresentasse como a salvadora do Calcio italiano. A vecchia signora porém não conseguiu sê-lo. Acabou derrotada por 4×1 pelo Real Madrid.

No gramado de Cardiff

A equipe de Massimiliano Allegri se portou muito bem diante do Real Madrid, nos primeiros 45 min. Tomava a iniciativa. Saiu atrás no placar devido uma fatalidade, valendo ressaltar que a bola chutada a longa distância por Cristiano Ronaldo (aos 20 min), desviou em Leonardo Bonucci.

A Juve se recolocou em jogo com o golaço de Mandzukić, sete minutos após os blancos abrirem o placar. O croata fez a melhor temporada de sua carreira, atuando aberto pelo lado esquerdo e refutando a babaquice de Pep Guardiola, que o dispensou ao fim de sua primeira temporada no alemão FC Bayern.

Porém na segunda etapa a Juve recuou intencionando sair em contra-golpes. Em 2015 Allegri afirmou que pecou por “acreditar que poderia vencer”, no início da segunda etapa, na final da CL 14/15 perdida para o Barcelona. A partida também se via empatada em 1×1. A Juve de Allegri foi a frente e sofreu o segundo gol culé.

Desta vez Allegri ordenou o contrário, o que foi um grande equívoco. Nas oitavas de final o também italiano Napoli falhou miseravelmente, ao tentar propôr o mesmo modus operandi. Postado na defesa na partida de ida em 15 de fevereiro, o Napoli que tinha o jogo em 1×1 sofreu gols protagonizados pelos meias madridistas que surgem de trás, Kroos e Casemiro.

Com a Juve fechada no início do segundo tempo da final em Cardiff, Kroos, Modrić e Casemiro passaram a avançar e/ou chutar de longe. Casemiro desempatou aos 61 minutos, chutando bola longa que trouxe outra fatalidade, também desviando em defensor bianconero. O terceiro gol de CR7, três minutos depois foi o golpe fatal na Juve, que ainda tomou o quarto gol.

Alinhada inicialmente com o trio Bonucci/Barzagli/Chiellini na defesa, mais Khedira postado como interditor a frente da linha defensiva, a Juventus tinha um sistema defensivo sólido e seguro.

O que poderia ter sido

Allegri poderia ter ordenado o recuo, mas com a partida apagada de Gonzalo Higuaín, deveria ter sacado o argentino colocando Juan Cuadrado em seu lugar no início do segundo tempo. Mandzukić poderia ser deslocado para a área e a dupla Daniel Alves/Cuadrado incisiva pela ponta direita, poderia ter encontrado algo nas costas de Marcelo, o ponto vulnerável da defesa do Real Madrid.

Entretanto Cuadrado só surgiu em campo aos 67 min, com a equipe perdendo por 3×1. Allegri percebeu tardiamente que o recuo foi um malefício, sacando o zagueiro Andrea Barzagli para dispôr o colombiano, que ainda conseguiu ser expulso 17 minutos depois de surgir em campo.

É possível atuar de forma defensiva dentro do estilo do catenaccio italiano, mas buscando verticalidade. Vide do Chelsea de Antonio Conte, campeão inglês 2016/2017.

Epílogo

No momento em que coube à Juventus ser grande em âmbito continental, a agremiação falhou miseravelmente. Continuou sendo menor do que Internazionale e Milan, que apesar dos 10 títulos continentais somados, vivem fase medíocre há mais de cinco temporadas.

A Juve deve continuar em disputas regulares da CL, avançando mata-matas. Num dado momento o clube poderá chegar à final novamente, pois disputou duas finais nas últimas três temporadas.

Porém o Milan comemorou acesso à Europa League na temporada que se encerrou, um absurdo negativo para um heptacampeão europeu. A Internazionale tricampeã europeia, nem isso.

As duas equipes milanesas se gabam de aporte financeiro recente de investidores chineses, mas isso não mudará seus panoramas tão rápido. Grandes atletas não as observam enquanto vitrines interessantes. O futebol italiano continua no limbo.

Imagem de Bonucci e Buffon: Tom Jenkins/Guardian