Music For Your Eyes: Life of Agony “World Gone Mad”

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Na última sexta-feira o norte-americano Life of Agony lançou seu novo álbum “A Place Where There’s No More Pain”, via Napalm Records para o mercado internacional. No Brasil o registro ainda não se vê disponível em versão física, mas pode ser ouvido em plataformas digitais como Spotify.

Uma semana antes do lançamento o conjunto liberou vídeo de divulgação para a acelerada e implacável “World Gone Mad”, cujo áudio já havia sido liberado previamente. Para a surpresa (ou decepção) de muitos, a vocalista Mina Caputo protagoniza o vídeo sozinha amalgamada à escuridão, ostentando seu próprio corpo coberto de tinta negra.

A imprensa internacional já enfoca a transição de gêneros pela qual Caputo passou, sendo que o novo álbum é o primeiro em que ela não assina enquanto “Keith Caputo”. Por outro lado o Life of Agony carrega a característica da anti-imagem, algo comum a bandas underground da cena punk/metal de Nova York. A música sempre é maior que o visual.

Veja o vídeo de “World Gone Mad”

Mina procurava a si mesmo (parecendo ter se encontrado) e não está em busca auto-exposição gratuita, em nome de gênero “x” ou “y”. A música do Life of Agony fala por si. As manchetes da imprensa internacional especializada em rock pesado, afirmando que temos o melhor álbum desde “Ugly” (1995) e talvez o único equiparável a “River Runs Red” (1991), não são exagerados.

“A Place Where There’s No More Pain” trás algumas angustiantes canções cadenciadas e arrastadas, trazendo a mente algo do melhor Alice in Chains, com Layne Staley ainda vivo. Nos momentos mais intensos e rápidos, o registro é um prosseguimento natural do bom e pouco lembrado “Broken Valley” (2005).

Os riffs de Joey Z estão excelentes e o timbre de guitarras utilizado, talvez seja o seu melhor. Em algumas entrevistas os integrantes da banda falaram em propôr letras mais “universais”, menos subjetivas. A angustia, o incerto, a incompletude e a incompreensão a ser sentida, são sentimentos universais.

Voltando ao aspecto visual, a Rolling Stone americana (leia bem: a americana) destacou a transição de Mina Caputo, outrora a frente de uma banda “metal macho alfa”, agora tornada “modelo trans”. No punk e na cena musical novaiorquinos, a androginia não é e nunca foi novidade.

Entretanto no metal supostamente machista, há discretíssimos casos de transgêneros além de um respeitadíssimo “metal god” homossexual assumido (Rob Halford). “A Place Where There’s No More Pain” revela Mina Caputo, a primeira frontwoman transexual mulher do estilo. É o Life of Agony em seu design definitivo.

Imagem: Michael Loccisano/Getty