Champions League – quartas de final: Juventus 3×0 Barcelona – o duelo tático

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Na última terça-feira a italiana Juventus bateu o Barcelona por 3×0, em partida de ida válida pelas quartas de final da Champions League 2016/2017, ocorrida em Turim (Itália). O confronto demonstrou coesão da equipe bianconeri em detrimento da revelação de algo incerto, nas entrelinhas do time do Barcelona.

O resultado obriga os culés a mais uma vez reverterem vantagem ampla, na partida de volta que acontecerá no Camp Nou (Catalunha/Espanha). Contra o Paris Saint-Germain nas oitavas de final, os blaugrena reverteram uma derrota por 4×0. Agora vão necessitar superar vantagem de três gols.

Juventus

O treinador Massimiliano Allegri alinhou a equipe com Buffon, Daniel Alves, Bonucci, Chiellini e Alex Sandro. Khedira e Pjanić. Cuadrado, Dybala e Mandzukić. Higuaín. A disposição permitia variações táticas em 4-2-3-1, 4-3-1-2, 4-3-3 e até 3-4-3.

A maneira da Juve de Allegri jogar porém não é vistosa, sem empreender posse de bola ampla e transição com as linhas por entre as linhas do adversário. Seu modus operandi é tipicamente italiano, solidificado por força defensiva, ofensivamente baseado em contra-ataques e ocupação de espaços pelos lados do campo.

A Juve abriu o placar aos 7 min com Daniel Alves avançando pela ponta direita e cruzando para Paulo Dybala invadir a área catalã, fazendo 1×0. Aos 22 min, Mario Mandzukić aberto na ponta esquerda avançou e passou para Dybala, mais uma vez invadindo a área adversária sem muitos problemas, ampliar e fazer 2×0.

Com o placar amplo os italianos fecharam-se em postura defensiva característica, buscando jogo apenas em contra-ataques. O terceiro gol surgiu na segunda etapa, com Chiellini aproveitando de cabeça cobrança de escanteio feita por Pjanić, aos 55 min. O total de posse de bola em 90 min apontou apenas 34% de posse, para a Juve.

Imaginava-se que a atual Juventus sem Pirlo, Pogba, Tévez e Arturo Vidal fosse inferior àquela que foi derrotada exatamente pelo Barça, na final da CL 2014/2015. Paulo Dybala se vê em grande forma sendo o único argentino a atuar centralizado, como o mais perfeito “enganche” sul-americano. Nem Messi, nem Di María o fazem.

O expediente ofensivo gravita em torno de Dybala, com os desenhos 4-3-1-2 e 4-2-3-1 sendo possíveis. Dybala é o “1” do primeiro módulo ou o meia centralizado junto aos 3 meias ofensivos, do segundo. Se o argentino se movimenta pelos lados, o colombiano Juan Cuadrado também pode designar esta função pelo centro.

Mais além impressiona a reinvenção do croata Mandzukić, outrora um atacante de área caracterizado pela estatura e força física, atuando aberto pelo lado esquerdo. É o mesmo Mandzukić que foi desprezado por Pep Guardiola no FC Bayern.

Ainda vale ressaltar que a precisão de finalizações da Juve foi maior que do Barça. O italianos finalizaram 14 vezes (1 a menos que o adversário), com 8 chutes de fato em gol, contra apenas 3 finalizações certas dos culés. Dados segundo levantamento oficial da UEFA.

Barcelona

Pelo lado catalão Luís Enrique mandou a campo Ter Stegen, Sergi Roberto, Piqué, Umtiti e Mathieu. Mascherano, Rakitić e Iniesta. Messi, Suárez e Neymar. Enrique não teve Sérgio Busquets suspenso, adiantando Javier Mascherano enquanto primeiro homem de meio-campo.

O desenho tático não se alterou em 3-4-3, onde Sergi Roberto via-se mais sobressalente à direita compondo o meio-campo. Curiosamente Mascherano não funcionou como volante (sua posição original). A linha defensiva não tinha proteção e a movimentação entre Dybala e Cuadrado mostrou-se efetiva e letal.

O primeiro gol da Juve surgiu nas costas do lento Jéremy Mathieu, postado na lateral esquerda. O segundo gol bianconeri se deu oriundo da incapacidade defensiva de Sergi Roberto, valendo ressaltar que ele preenche a lacuna do titular lesionado Aleix Vidal. Já perdendo por 2×0 Luís Enrique sacou Mathieu recolocando Mascherano na zaga, assim dispondo André Gomes no meio.

Além de não ter seu melhor marcador no meio-campo (Busquets), Luís Enrique precisou administrar a ausência também por lesão de Arda Turan, seu meia mais físico que sim, poderia ter concedido o equilíbrio necessário ao setor.

Barcelona e Juventus farão a partida de volta das quartas de final da CL, na próxima quarta-feira.

Imagem de Dybala (ao centro) e Messi: Giuseppe Cacace