“James Hetfield – O lobo à frente do Metallica” (Mark Eglinton – 2010)

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Publicado no Brasil em 2014, “James Hetfield – O lobo à frente do Metallica” é a segunda biografia de um integrante do Metallica disponibilizada pela Gutemberg. Além da obra sobre o vocalista/guitarrista da banda norte-americana, a editora já lançou “Cliff Burton” de Joel McIver, biografia do falecido baixista do conjunto.

O Metallica está prestes a lançar “Hardwired…to Self-Destruct”, novo registro que sairá no próximo mês de novembro. O álbum será o sucessor de “Death Magnetic” lançado em 2008, último período observado pelo autor Mark Eglinton em seu livro sobre Hetfield. Eglinton até menciona a criação de “Lulu” (2011), álbum colaborativo do Metallica com o falecido Lou Reed, mas seu livro foi lançado antes.

(reprodução)

(reprodução)

Em alguns aspectos uma biografia tanto de James Hetfield quanto uma eventual biografia do baterista Lars Ulrich, ambos líderes do Metallica, acabará involuntariamente se tornando uma biografia do Metallica, algo já feito de forma ampla. É a armadilha da qual Eglinton não conseguiu se desvencilhar, em seu livro sobre sobre o frontman da banda.

O autor consegue perceber uma sobressalência artística de Hetfield, eclodindo em “…And Justice For All” (1988), e se expandindo a partir do black album “Metallica” (1991). Eglinton até dimensiona a maturidade e dores interiores de Hetfield reveladas nas letras expressas nos criticados ‘Load” e “Reload”. Noutras palavras ele parece ciente da transformação da música da banda, numa extensão estética do intimo do próprio James Hetfield. Porém o autor apenas descreve, fazendo-o sem grande profundidade.

Este período tardio do Metallica iniciado no decorrer dos anos 90, é apresentado de forma respeitosa ao biografado. Mas acaba descrito de maneira que coloca os últimos anos do conjunto em desvantagem para com sua fase inicial, quando viviam sob a condição de heróis do metal underground. Relatos desta época juvenil, são o se que tem de mais abundante.

É bem verdade que o período em que o Metallica escancarou sua intimidade ao público através do documentário “Some Kind of Monster” (2004), torna desnecessária qualquer narrativa sobre aquilo que James Hetfield viveu nos últimos 15 anos. Trata-se do período em que o conjunto quase encerrou suas atividades, e que Hetfield viveu momentos decisivos em sua própria vida.

Escrever uma biografia sobre James Hetfield acaba sendo um desafio enorme, que ainda não se cumpriu de forma efetiva. Por outro lado, a apresentação proporcionada pela Gutemberg, bem como o trabalho de tradução, mostram-se acima da média.

Dados da obra: EGLINTON, Mark: “James Hetfield – O lobo à frente do Metallica”. São Paulo. Editora Gutemberg, 2014.

Imagem de James Hetfield: Marc Paschke