A final da Champions League 2015/2016 aconteceu no último sábado em Milão (Itália). Real Madrid e Atlético de Madrid empataram em 1×1 no tempo normal e prorrogação, com os merengues conseguindo obter seu décimo primeiro título de CL, na disputa de penaltis.

A final não teve índice técnico acima da média. O Real Madrid valeu-se de um aglomerado de talentos individuais, ofensivos e defensivos, diante do Atlético em sua postura tática rígida. O treinador merengue Zinedine Zidane cometeu diversos erros, em substituições e decisões errôneas.

Por outro lado, o técnico colchonero Diego Simeone comandou uma equipe que errou pouco. O Atlético fez uma campanha honrosa e atuou melhor, a não ser pelo aspecto mental de alguns atletas ainda jovens. Tais quais Antoine Griezmann (25 anos) e o meia Saúl (21 anos), destaques da temporada que sentiram o peso da decisão.

O jogo

Zidane alinhou o Real Madrid com Navas, Carvajal, Pepe, Ramos e Marcelo. Casemiro, Modrić e Kroos. Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo. Os blancos buscaram jogo e chegaram ao gol com 14 min, em lance de bola parada aproveitado de cabeça por Sérgio Ramos, em impedimento.

No aspecto mental o “Atléti” se manteve intacto, porém algumas peças mostravam insegurança. Destaque blanco, Cristiano Ronaldo viu-se nitidamente sem condições físicas totais de jogo. CR7 dedicou-se ao aspecto defensivo, jogando de forma nada incisiva. Ele e Marcelo anularam o colchonero Saúl, no campo direito ofensivo do Atlético.

Simeone mandou a campo Oblak, Juanfran, Savić, Godín e Filipe Luís. Gabi, Augusto, Koke e Saúl. Griezmann e Fernando Torres. Com o time tendo que correr atrás da igualdade a partir dos 14 min, a escalação incial de Simeone teve de ser alterada. O decorrer do primeiro tempo porém, transcorreu em equilíbrio.

Detalhes táticos

No segundo tempo, Simeone sacou Augusto para dispor Yannick Carrasco, vertendo assim o 4-2-3-1 para o 4-3-3, desde que a equipe tivesse a posse de bola. Aos 2 min da etapa complementar, o árbitro apitou penalti duvidoso de Pepe em Fernando Torres. Griezmann bateu e mandou a bola no travessão.

Jogadores do Real Madrid celebrando a conquista da Champions League 2015/2016. (Stefano Rellandini - Reuters)

Jogadores do Real Madrid celebrando a conquista da Champions League 2015/2016. (Stefano Rellandini – Reuters)

Pouco depois, o lateral blanco Carvajal saiu sentido lesão e foi substituído pelo brasileiro Danilo, mais frágil no aspecto defensivo. A partida não estava definida e Zidane começou a promover equivocadas mudanças entre 65, 70 min de partida. Zizou sacou Toni Kroos, um dos melhores em campo para dispôr Isco.

Em grande partida, Casemiro passou a ficar mais sobrecarregado e sem Carvajal, o lado direito da defesa blanca demonstrava fragilidade. Saúl foi deslocado da direita para a esquerda do ataque colchonero, obtendo pelo menos duas finalizações. A princípio avançado mais pela esquerda, Koke passou a jogar pela direita.

Aos 77 min, o “Atléti” iniciou boa jogada. Juanfran cruzou da direita, para Carrasco surgir pela esquerda, nas costas do blanco Danilo. O meia belga do “Atléti” finalizou e empatou o jogo em 1×1.

O confronto seguiu equilibrado com Zidane queimando a segunda substituição ao trocar Benzema por Lucas Vasquez. Simeone prosseguiu sem alterar o time até o início do segundo tempo, da acirrada prorrogação. O Atlético se mostrou fisicamente melhor e mentalmente concentrado na partida.

O Real Madrid não tinha alternativas. Priorizado por Zidane, Modrić via-se esgotado em campo, durante a prorrogação. O meia-atacante colombiano James Rodríguez, não saiu do banco de reservas merengue durante os 120 minutos de bola em jogo. Isso com a equipe precisando da vitória.

Na disputa de penaltis, Juanfran o quarto batedor do Atlético perdeu sua cobrança, cabendo a Cristiano Ronaldo bater o último penalti do Real Madrid. A contagem de 5×3 para os blancos, deu aos merengues sua décima primeira taça da CL.

Saldo final

Segundo dados estatísticos levantados pelo jornal espanhol El País, o Atlético terminou os 120 minutos de bola em jogo ostentando 54,2% da posse de bola, contra 45,8% da posse de bola do Real Madrid.

O número é incomum, pois o “Atléti” venceu Barcelona e FC Bayern nas quartas de final e semi-fianis, ostentando muito menos tempo de posse de bola do que ambos os adversários.

Habituado a jogar ostentando a posse, o Real Madrid trocou 635 passes contra 713 passes do Atlético, outro número incomum uma vez que Simeone prefere entregar a bola ao adversário para roubá-la, e sair em contragolpe.

Zidane e o Real Madrid tiveram uma sorte que times tradicionais como Milan e FC Bayern, vice-campeões das edições da CL 2004/2005 e 2011/2012 respectivamente, não tiveram.

Imagem de Fernando Torres se lamentando e Sérgio Ramos (à direita), comemorando seu gol: Alejandro Ruesga