“Cliff Burton” (Joel McIver – 2009)

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O mês de março iniciou-se com a celebração dos 30 anos de lançamento do álbum “Master of Puppets”, clássico do metal creditado ao norte-americano Metallica. O disco lançado em 03/03/1986, foi o último registro de estúdio da banda contando com o baixista Clifford Lee Burton (1962 -1986). Burton faleceu em setembro de 86, após acidente durante a tour europeia de divulgação próprio “Master of Puppets”.

“Cliff Burton – A vida e a morte do baixista do Metalica” foi editado originalmente em 2009, escrito pelo jornalista inglês Joel McIver, enaltecido nos últimos anos por escrever biografias confiáveis de Slayer, Motörhead e também Metallica. A edição brasileira de “Cliff Burton” só saiu em 2014, pela editora Gutemberg.

O enfoque de McIver obviamente se restringe à figura do baixista que entraria para o line up da banda, pouco antes do lançamento do debut “Kill Em’ All”, lançado em 1983. Até então o Metallica que se resumia a James Hetfield (guitarra/voz) e Lars Ulrich (bateria), havia tido dois baixistas anteriores, Lloyd Grant e Ron McGovern. A própria banda muda-se para San Francisco (EUA), para ter Cliff em seu line up.

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McIver enfatiza as origens de Cliff em San Francisco, cuja região da Bay Area se tornaria o celeiro das bandas de thrash metal, no decorrer dos anos 1980. A amizade de Cliff com o guitarrista Jim Martin é bastante mencionada, sendo este o próprio Jim Martin que faria parte do Faith No More.

Muitos detalhes do processo de criação de “Kill Em’ All”, “Ride The Lightning” (1984) e “Master of Puppets” são colocados em debate, bem como a preponderância de Cliff no desenvolvimento destes registros. A parte mais dolorosa com certeza se dá no desfecho, onde McIver reconstitui na medida do possível, o acidente com o ônibus da banda que vitimou fatalmente o baixista na Suécia, à setembro de 1986.

McIver trás palavras dos integrantes do Metallica, de outros músicos influenciados por Cliff, além de familiares do baixista e da namorada à época Corinne Lynn. Na conclusão o jornalista é coerentemente ousado, vislumbrando que o Metallica teria tomado os rumos mainstream dos anos 1990, mesmo se Burton estivesse vivo.

Os indícios para tal são presumidos a partir de declarações de Corinne Lynn, (dentre outros aspectos), afirmando que Cliff escolhera a vocação musical como tributo ao irmão mais velho Scott, que viu falecer ainda na juventude. Scott apresentara a Cliff artistas como Lynyrd Skynyrd e Ted Nugent, não exatamente representantes do metal, e também idolatrados por James Hetfield.

O título original da obra é “To Live is To Die – The Life and Death of Metallica’s Cliff Burton”. “To Live is To Die” é o título da canção registrada pelo Metallica em “…And Justice For All” (1988), composição instrumental que ainda trazia partes desenvolvidas por Burton. O prefácio foi escrito pelo guitarrista da banda, Kirk Hammett.

Dados da obra

McIVER, Joel: “Cliff Burton – A vida e a morte do baixista do Metallica”. São Paulo, editora Gutemberg. 2014.