“O Outsider” (Colin Wilson – 1956)

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“O Outsider – O drama moderno da alienação e da criação” talvez seja a obra mais lembrada do escritor britânico Colin Wilson. O autor é relacionado ao movimento britânico dos “angry young men” (algo como jovens homens raivosos), e “O Outsider” é o primeiro livro de sua extensa bibliografia. A edição brasileira se vê fora de catálogo, tendo sido editada em nosso país pela Martins Fontes.

Nesta obra originalmente publicada em 1956, Colin Wilson ensaia acerca do conceito de “outsider”, um tanto quanto difícil de ser traduzido para o português brasileiro. Tanto é que a tradução resolveu manter o título no original, e cujo significado remente a algo como “propositadamente ou conscientemente auto-excluído”, do convívio social.

Na prática, Wilson ensaia sobre personagens “outsiders” sugeridos por obras literárias criadas por autores clássicos como Ernest Hemingway, Herman Hesse, T. E. Lawrence, ou autores existencialistas como Jean Paul Sartre e Albert Camus. Obviamente, Wilson se detém em personagens que se caracterizam enquanto “outsiders”.

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Aos ensaios abordando personagens ficcionais criados por estes autores, soma-se observações de textos biográficos de “outsiders” como o pintor Vincent Van Gogh, ou o bailarino russo Vaslav Nijinsky. Alguns filósofos que se enquadram ao perfil, previsivelmente não fogem do escopo proposto pela análise de Wilson, caso do alemão Friedrich Niezsche.

Nas suas entrelinhas, Wilson deixa sobressair uma formação filosófica. Ao seu redor, no período de edificação da obra, o citado existencialismo francês se via em alta nos círculos intelectuais. Tal qual os estudos iniciais da fenomenologia, corrente filosófica da qual o alemão Martin Heidegger é o expoente maior.

O que positivamente chama a atenção, é uma abordagem analítica menos acadêmica e mais instintiva. Colin Wilson é oriundo da Inglaterra, berço da filosofia racional empírica de Francis Bacon e David Hume, algo um tanto quanto antagônico a projetos filosóficos contemporâneos de Nietzsche ou Heidegger, por exemplo.

A proposta trás algum dano colateral que se personifica através contradições reveladas ao longo da análise, equívocos geralmente comuns em tratados da análise literária (principalmente daquelas feitas no Brasil). Porém, por ser também um criador de obras ficcionais, Wilson parece ter uma ótica passível de se mover em 360 graus.

Isso permite que ele analise tanto da perspectiva do espectador, quando da perspectiva de alguém que também cria personagens. No âmbito da análise estética na filosofia, a interpretação sugerida pela perspectiva daquele que cria uma obra, é algo relativamente recente.

Uma definição plena do “outsider” acaba sendo uma pretensão demasiado ousada. “O Outsider” permite diversas respostas e uma analise fenomenológica incompleta, do conceito de “outsider”. Talvez as definições mais convincentes se deixam ressaltar quando as biografias de Van Gogh e Nijinsky, são relatadas.

Ao “outsider” cabe uma inaudita necessidade de auto-expressão artístico-criativa, algo tornado plástico e palpável através das telas de Van Gogh ou da dança de Nijinsky.

Dados da obra: WILSON, Colin “O Outsider – O drama moderno da alienação e da criação”. São Paulo. Martins Fontes, 1985