Nesta segunda-feira 04/01, o clube espanhol Real Madrid oficializou a demissão do treinador Rafael Benítez, contratado no início da atual temporada 2015/2016. Benítez mal completou sete meses à frente do cargo e será substituído pelo antigo ídolo e postulante à categoria de treinador profissional, Zinedine Zidane.

Antes de mais nada, Benítez não é um imbecil futebolístico tendo trabalhado no Valencia, Liverpool, Internazionale, Chelsea e Napoli. Obteve títulos expressivos por onde passou, conquistando duas ligas espanholas com o Valencia, Mundial de Clubes com a Inter, Europa League com o Chelsea e Coppa Itália com o Napoli. Isso sem contar a improvável Champions League 2004/2005, à frente do Liverpool

A suposta “crise” em Chamatín começou após a derrota por 4×0 para o Barcelona, na edição de “el clásico” válida pelo primeiro turno da atual La Liga. No último fim de semana, “el Madrid” empatou em 2×2 com o Valencia, e se vê em terceiro lugar na tabela da liga espanhola. Entretanto, alguns dos problemas com os quais Benítez vinha lidando, fugiam ao seu controle.

Desde o início da temporada, a imprensa espanhola vinha mencionando as causas dos problemas musculares que afligiam o elenco merengue. Em parte muitos destes problemas foram herdados da “gestão” Carlo Ancelotti, criticado pelo próprio departamento médico blanco, que responsabilizava métodos antiquados de preparação física utilizados por Carletto. As lesões atingiram peças importantes como Pepe, James Rodríguez, Gareth Bale e Modrić.

Fora isso, a harmonia do trio ofensivo BBC (Benzema, Bale, Cristiano Ronaldo) via-se afetada pelos problemas pessoais de cunho jurídico, com os quais o atacante francês Karim Benzema tem lidado nos últimos meses. E além dos gramados, o Real Madrid ainda lida com a estapafúrdia eliminação da Copa Del Rey, por escalação irregular do meia Cheryshev. A organização do torneio eliminatório espanhol tem como imutável a situação, embora “el Madrid” siga recorrendo no intento de reverter a situação.

Em suma, Benítez não é responsável pela delinquência de Benzema, nem pela checagem de dados e documentos de atletas (Cheryshev), que estavam emprestados a outro clube. Nem pela pressão desmedida inventada pela imprensa espanhola, chamando-o “tosco” e “prosaico”.

Zidane e o triturador.

O presidente merengue Florentino Pérez parece ter voltado a trocar os pés pelas mãos. Tão logo anunciou a saída de Benítez, que vinha negando pessoalmente, há pelo menos dois meses, efetivou o antigo ídolo Zinedine Zidane, no comando técnico do time. Pérez que vinha priorizando seus treinadores desde que voltou a presidência do clube em 2009, parece ter voltado a ser o Florentino da primeira gestão.

Entre 2000 e 2006 Pérez teve seis treinadores, incluindo-se aí tampões semi-anônimos como Mariano Garcia Remón e Juan Ramón Lopez Caro, ou apostas insanas como Wanderley Luxemburgo entre 2004 e 2005. O presidente já havia triturado um mito neste processo, o ex-jogador blanco José Antonio Camacho, que durou apenas três partidas, em 2004.

Depois de voltar ao poder em 2009, Pérez teve em Rafa Benítez seu quarto treinador, lembrando que antes dele Manuel Pellegrini (atual Manchester City), havia sido o que permanecera por menos tempo (1 temporada). A imprensa espanhola chama o banco do Real Madrid de “triturador de treinadores”, cuja intensidade de trituração havia sim diminuído.

A carreira de Zidane em Madrid é inquestionável, mas sua experiência como treinador é nula. O francês vinha se dedicando ao comando técnico do Real Madrid Castilla (ou Real Madrid B), e passava por situações impensáveis. Zidane foi punido em 2014 com suspensão de três meses imposta pela Real Federación Española de Fútbol, por treinar o Madrid B, sem ter os três níveis completos da preparação de técnicos.

Zidane detinha apenas o nível 2 e completou o nível 3 da formação apenas no último mês de maio. Além disso, Zizou sequer comparecia a pronunciamentos públicos à frente do Madrid B, algo no mínimo bizarro, porém análogo à sua personalidade retraída fora de campo, desde os tempos de atleta. Uma outra queixa vinha sendo uma inaptidão no trato com o meia norueguês Ødegaard, promessa mantida na base blanca.

Para estar “pronto” Zizou precisava de no mínimo uma ou duas temporadas, comandando um time pequeno/médio, numa grande liga nacional europeia. Sua aura de mito não conterá uma eventual eliminação de Champions League, nem outra goleada que pode ser imposta pelo Barcelona.

Num comparativo, a situação de Zidane não é diferente das de Clarence Seedorf ou Pippo Inzaghi, ídolos atirados recentemente por Silvio Berlusconi, ao moedouro do Milan. Seedorf mal chegou a seis meses no comando do Milan em 2014. Já Inzaghi completou a temporada 2014/2015, sem deixar o Milan na zona de classificação para torneios continentais.

Imagem de Zidane e Florentino Pérez: Kike Para.