No último fim de semana na Espanha, todos os holofotes enfatizaram a presença de Zinedine Zidane, no banco do Real Madrid. Ao redor, havia o burburinho a respeito dos indicados à Bola de Ouro FIFA que ocorreu na última segunda-feira, premiação em que Lionel Messi (Barcelona), superou Neymar e Cristiano Ronaldo. No entanto, quem acabou com o simbólico título de “campeão de inverno”, foi o Atlético de Madrid.

No último domingo os colchoneros fecharam a décima-nona rodada de La Liga vencendo o Celta de Vigo em Balaídos, por 2×0. Os autores dos gols foram Anotine Griezmann, completando seu décimo tento anotado no torneio nesta temporada, e o meia belga Carrasco, uma das bem aventuradas aquisições “low profile” do Atlético.

O time do treinador Diego Simeone ostenta 44 pontos estabelecendo-se na liderança do campeonato espanhol, ao findar do seu primeiro turno. Há de se ressaltar a partida a menos que o vice-líder Barcelona (42 pontos) ainda precisa disputar contra o Sporting Gijón, adiada em virtude da disputa do Mundial de Clubes. Este jogo só ocorrerá em fevereiro.

Mas em campo e na tabela, o Atlético surpreende ao manter a previsível filosofia de “cholo” Simeone, a qual determina a paciência do “jogo a jogo”, “partida a partida”.

O que mudou?

O periódico espanhol El País ressalta a recuperação da consistência defensiva, característica forte do Atlético campeão espanhol 2013/2014. Na atual edição da Liga, o time sofreu apenas oito gols. O goleiro Oblak mantém a média de recepção de menos uma finalização adversária, por partida (o número exato é de 0,7).

Essa consistência passa pelo empossamento certeiro do uruguaio Giménez no miolo de zaga junto a Diego Godín, Gimenéz que na última temporada mostrava-se mais confiável do que Miranda (cedido à Internazionale). Isso além do retorno de Filipe Luís na lateral-esquerda, lacuna que Simeone não conseguiu re-preencher na última temporada em que o próprio Filipe foi para o Cheslea.

No meio-campo a debandada de Arda Turan para o Barcelona parecia o prelúdio de incertezas. Inicialmente Simeone alternou um 4-1-4-1, que se vertia sem problemas para um surpreendente 4-3-3, funcional até o português Tiago se lesionar ainda na reta inicial da temporada.

Ex-Monaco, o meia Yannick Ferreira Carrasco tem se destacado, concedendo boa transição vertical. A priori, foi a peça de reposição para Turan tendo custado apenas 20 milhões de Euros. Após a lesão de Tiago, as peças a disposição de Simeone se tornaram um caleidoscópio com Saúl, Koke e Gabi a princípio titulares.

O caleidoscópio se completou com ascensões inesperadas de Angél Correa, Thomas Partney e principalmente Óliver Torres (os dois últimos oriundos das categorias de base colchoneras). Thomas e Óliver não tinham certeza de que prosseguiriam durante a pré-temporada. Segundo o El País, um dos principais objetivos da comissão técnica colchonera, é o aprimoramento da precisão nos passes. Algo que torna o expediente de defesa e meio-campo muito mais confiáveis.

No ataque

O ataque que até agora proporcionou 27 gols em La Liga, dos quais 10 são de Griezmann, tem no próprio francês sua referência maior. Griezmann tem sido o “homem a mais” colchonero sem ser exatamente um centroavante fixo. Premissa que proporciona uma permuta na posição de homem referência na área adversária, seja na formação 4-3-3 ou no 4-1-4-1.

Não a toa o francês tem se entendido melhor com argentino Luciano Vietto, atacante de velocidade, que chegou sem fazer muito alarde no início da temporada. Vietto era do Villarreal (custou 20 milhões de Euros), mas foi revelado no Racing argentino pelo próprio Simeone. O ídolo Fernando Torres e o vigoroso Jackson Martínez, este a principio principal reforço para a temporada, são opções. Ambos, centroavantes fixos.

O Atlético vitorioso em 2014, possuía um tipo de jogo mais voluntarioso e menos propício a uma ofensividade vistosa. Jogava feio e não tinha vergonha disto. Simeone tem mostrado evolução na forma de pensar o jogo vertical e proporcionar um jogo defensivo, mas detendo a posse de bola.

Imagem de Vietto, Griezmann e Koke contra o Celta: Miguel Vidal – Reuters