Na última terça-feira foi repercutida a confirmação de que o argentino Jorge Sampaoli, não é mais técnico da seleção do Chile. Boa parte do não prosseguimento no comando técnico da seleção chilena, se vê entrelaçado aos problemas que a ANFP (Associação Nacional de Futebol Profissional) mantém, conjugados às prisões de dirigentes da Conmebol.

O contrato de Sampaoli havia sido renovado há cerca de dois meses, segundo informou o periódico espanhol El País. O valor salarial se dava em torno de 6 milhões de dólares anuais, o que incluía pagamento de férias, indenizações legais e premiações condicionais. O valor da multa havia sido reduzido e o vínculo se estenderia até 2018, num planejamento que visava a classificação para o próximo Mundial.

Sampaoli falou ao próprio El País, em entrevista publicada no último domingo, revelando incertezas em relação à ANFP tanto de si mesmo, quanto de membros da comissão técnica chilena. O treinador se incomodou com a divulgação do fato de que uma empresa firmada em paraíso fiscal, seria a responsável pelo pagamento dos seus vencimentos.

A notícia quebrava uma cláusula de confidencialidade do contrato de Sampaoli, e sua decisão de deixar a seleção chilena apenas se consumou. Fora isso, Sergio Jadue, o último presidente da ANFP, é réu confesso no que diz respeito a delitos de corrupção, em meio às investigações nos EUA, acerca de dirigentes ligados à FIFA.

Sucessores.

Jorge Sampaoli desenvolveu trajetória acima da média comandando a seleção do Chile. Assumiu o time após o também argentino Marcelo Bielsa comandar “la roja” durante o ciclo que englobou o Mundial de 2010, torneio em que o Chile foi destaque. O Chile de Sampaoli obteve uma eliminação nas oitavas de final do Mundial 2014 e um título inédito da Copa América 2015, a pouco menos de um ano.

A equipe liderada por Sampaoli ajudou valorizou atletas como o goleiro Claudio Bravo (Barcelona/Espanha), o meio-campista Arturo Vidal (FC Bayern/Alemanha) e os atacantes Alexis Sánchez (Arsenal/Inglaterra) e Eduardo Vargas (Hoffenheim/Alemanha).

Agora sem Sampaoli, o desafio do Chile é se classificar para o Mundial 2018, que ocorrerá na Rússia. O treinador deixa o time na quinta colocação das Eliminatórias Sul-Americanas, ostentando 7 pontos mas empatado com Paraguai (quarto lugar) e Brasil (terceiro lugar).

O El País cogita um interesse da ANFP num retorno de Marcelo Bielsea, que se demitiu do francês Olympique Marseille, tão logo a temporada 2015/2016 se iniciou. Ex-auxiliar de Bielsea, Eduardo Berizzo (técnico do espanhol Celta de Vigo), também interessaria, tal qual o chileno Manuel Pellegrini, que não terá seu vínculo renovado com o inglês Manchester City.

Pellegrini no entanto já teria afirmado publicamente que não pretende treinar a seleção chilena, não pelo menos pelos próximos quatro anos. Uma saída de Sampaoli devido as inconstâncias dos gestores chilenos, já era subentendida pela imprensa há alguns meses.

Na véspera do último Natal, já se especulava na Inglaterra a presença do treinador argentino no comando técnico do Chelsea, a partir da metade de 2016.

Imagem de Sampaoli: Natacha Pisarenko – AP