“Scorpions” (Herman Rarebell e Michael Krikorian – 2012)

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Lançado em 2012, “Scorpions – minha história em uma das maiores bandas de todos os tempos” (Panda Books) é a autobiografia do baterista alemão Herman Rarebell, co-escrita por Michael Krikorian. Rarebell, que na verdade se chama Herman Erbel, integrou a banda alemã Scorpions no ponto em que a mesma partiu e se estabeleceu, no mainstream rock mundial.

Atualmente o Scorpions é um tanto quanto marginalizado, podendo ser descrito enquanto “banda decadente” (mas de grande popularidade no Brasil). Seus méritos ainda são evocados pelo público do heavy metal, sobretudo porque a banda possivelmente foi a primeira a sair da Alemanha, para conquistar o mercado americano, nos anos 1980.

O país germânico é um mercado essencial para o metal mundial, e o Scorpions contribuiu para com o crescimento da cena do rock local. Herman Rarebell entra para o conjunto na metade da década de 70. O baterista era um imigrante alemão em Londres (Inglaterra), trabalhando como músico de estúdio e procurando por uma oportunidade, junto a alguma banda de hard rock.

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Curiosamente Rarebell obtém sua oportunidade junto a uma banda alemã por intermédio de Michael Schenker, irmão mais novo de Rudolf, por sua vez um dos líderes do Scorpions. Herói da guitarra alemã, Michael integrou o Scorpions mas acabou aceitando uma oferta do britânico UFO, que já ostentava uma reputação maior.

Ao passar por Londres para algumas apresentações, ainda sem status de grande banda, o Scorpions que vinha tendo problemas com a manutenção de bateristas no line up, chega à Herman através de Michael. Herman faz sua estreia em estúdio no álbum “Taken By Force” (1977), com o Scorpions contando com o guitarrista Uli Jon Roth, além dos líderes Rudolf Schenker (guitarra) e Klaus Meine (voz) formando o núcleo criativo.

O intento da maioria, já escoltada pelo produtor Dieter Dierks, era de fazer do conjunto uma banda de hard rock sim, mas viável no mainstream. O plano se consolida ao passo que Uli Roth deixa o conjunto, em nome de uma carreira-solo desvinculada de preocupações comerciais.

Com Rudolf, Klaus, Herman, Francis Bucholz (baixo) e Matthias Jabs (guitarra), o Scorpions troca a gravadora RCA pela Mercury, com maior representatividade no mercado yankee. A disposição para se manter em longas turnês foi outro fator preponderante para o êxito.

Don’t stop at the top

A narrativa de Herman é bastante engraçada, com o baterista se “auto-sacaneando” o tempo todo e desmistificando o assédio de groupies, que se prolifera com a chegada ao estrelado. O baterista descreve a relação com as mesmas de forma pouco glamorosa, num assédio frequente que claro, aconteceu em grandes quantidades.

O Scorpions se tornou notório pelas capas “apelativas” (algumas produzidas pela renomada empresa de design Hypgnosis), e por popularizar as “power ballads”. Herman reivindica o mérito do Scorpions ter criado baladas que se tornaram hits, como “Still Loving You”, “Holiday” ou a aclamada “Wind of Change”. Isso antes do Whitesnake se lançar no mercado americano, ou antes do surgimento de Bon Jovi ou Skid Row.

A citada “Wind of Change” (do álbum “Crazy World”/1990), foi lançada no período em que a Alemanha e o mundo assistiram a queda do muro de Berlim. A letra escrita por Klaus Meine, relatava as reminiscências da tour que o Scorpions havia realizado em território russo, quando o lugar se via sob regime comunista. Abraçada e cantada pela juventude alemã de seu tempo, “Wind of Change” se tornou o momento verdadeiramente memorável da carreira da banda.

Dentre outros aspectos, Herman dá a entender que o desvínculo para com Dieter Dierks iniciou o processo de decadência do conjunto. “Crazy World” bom álbum que obteve grande respaldo comercial foi produzido por Keith Olsen, mas deixa-se subentender que este fora o último registro relevante da banda.

A partir dele o Scorpions passou a contar com compositores contratados, junto ao núcleo criativo. O expediente funcionou no álbum de 1990, que teve canções co-escritas pelo canadense Jim Vallance, mas contribuiu para uma descaracterização plena, nos álbuns subsequentes.

Herman Rarebell se vê em carreira-solo desde a metade dos anos 1990, quando deixou o Scorpions. A banda ainda realiza turnês e segue ativa, sem o brilho do passado. Em seu apogeu o Scorpions se equiparou a mitos do metal europeu, lado a lado dos britânicos (e ainda relevantes) Judas Priest e Iron Maiden.

Imagem de Herman Rarebell: Nico Mass.