A derrota para um rival num derby, geralmente dá margem para para reações parecidas da parte de torcida ou imprensa, ao redor de qualquer grande time do mundo. O Real Madrid protagonizou mais uma semana sendo alvo de “cornetagem”, proporcionada por torcida e imprensa espanhola.

Na última segunda-feira, o presidente Florentino Pérez veio a público reafirmar a confiança no técnico Rafa Benítez, isso após a goleada sofrida diante do Barcelona (4×0), pelo compromisso de La Liga, no último sábado. O revés imposto pelos culés dentro do próprio Santiago Bernabéu, já foi cerceado por pedidos de que Florentino se demita.

O mandatário merengue afirmou aos jornalistas na segunda-feira que os pedidos vinham de ex-membros da controversa Ultra Sur, torcida organizada já banida do convívio do Bernabéu, e opositora histórica de Florentino. Há ainda uma entrelinha política que gera alguma fagulha, uma vez que 15 sócios do clube movem uma ação judicial contra uma reforma estatutária promovida dentro do clube.

Florentino ressaltou que cabe a justiça espanhola avaliar a situação, a qual pretende redefinir normas que habilitem os sócios a se candidatarem à presidente do clube nas próximas eleições. Segundo o El País estes devem ostentar pelo menos 20 anos enquanto sócios do Club de Fútbol Real Madrid e devem se submeter a uma avaliação patrimonial, certificada por um banco espanhol.

Se confirmada a redefinição estatutária, o sócio só poderá se candidatar à presidência blanca se deter um valor de patrimônio pessoal, minimamente equivalente a 15% do valor total do plantel de atletas (cerca de 90 milhões de Euros).

Dentro de campo…

A imprensa espanhola se apega a fatos da temporada passada, para tentar interpretar o que acontece atualmente. A defesa pública de Benítez por Florentino é segundo o El País, algo similar a defesa pública de Carlo Ancelotti, feita no último mês de março. Lembrando que Carletto foi demitido ao fim da temporada 2014/2015.

Por outro lado nada realmente verossímil aponta uma saída de Benítez e a culpa dos problemas físicos que fustigam o plantel blanco, são atribuídas publicamente aos métodos de preparação física antiquadas de Carletto. Métodos os quais proporcionavam lesões musculares a longo prazo, diagnóstico percebido em 95% dos 15 lesionados do plantel blanco, desde que a atual temporada se iniciou.

No aspecto tático, Benítez preferiu poupar Casemiro contra o Barcelona, possivelmente em virtude da partida da Champions League no meio da semana. Os problemas defensivos contra os culés começaram aí, ao passo que Modrić, James Rodríguez, Gareth Bale e Benzema praticamente ressurgiram como titulares, recém-recuperados dos problemas físicos, que os afetaram tão logo a temporada iniciou.

O sistema defensivo do Real Madrid de Benítez está sendo caracterizado ao redor de Casemiro, postado como primeiro homem de meio-campo. Em Casemiro reside a peça de reposição para Xabi Alonso (FC Bayern) e Benítez sabe disso, uma vez que foi ele mesmo que levou Alonso para o Liverpool, na metade da década passada.

Após a partida contra o Barça, a imprensa declarou a implosão do 4-3-3 a lá Ancelotti, utilizado por Benítez, que não funcionaria perfeitamente com os principais jogadores readquirindo ritmo físico. Ao mesmo tempo a imprensa relembrava de forma sublime, o 3×1 imposto pelos blancos sobre o Barcelona, no “el clásico” do primeiro turno de La Liga 2014/2015.

Algo absurdo e incoerente uma vez que naquela oportunidade James, Kroos, Modrić e Isco possibilitaram um “jogar sem volantes”, que só foi efetivo porque o Barcelona, ainda se ajustava em início de temporada. Naquele 3×1 Xavi possivelmente disputou seu primeiro “clásico” na condição de ex-jogador em atividade, Rakitić ainda não era titular e entrou no decorrer da partida.

Luis Suárez fazia sua estreia retornando da suspensão, sofrida durante o Mundial 2014. Ainda não era o Barcelona que terminaria a temporada campeão da tríplice corôa europeia. Aquele resultado talvez tenha sido obtido “por acaso”. O recente 4×0 foi imposto por um Barcelona pronto, sobre um elenco merengue fisicamente inapto. Nomes numa escalação são similares, mas os contextos ao redor nunca são os mesmos.

Após a vitória por 4×3 contra o Shakhtar Donetsk pela Champions League, Benítez elogiou publicamente seus jogadores “não midiáticos”, se referindo a Pepe, Carvajal, Modrić e Casemiro. Imprensa e torcida precisam se recordar é da escalação do time blanco, na reta final da temporada 2013/2014. “El Madrid” venceu a décima CL, com Pepe soberano no miolo de zaga, e Carvajal, titularíssimo como lateral-direito.

Imprensa e torcedores deliram com retornos de Carlo Ancelotti ou José Mourinho, retornos que não devem acontecer. O Real Madrid volta à campo visitando o Eibar, no domingo, pela décima terceira rodada de La Liga.

Imagem de Carvajal e Benítez contra o Shakhtar: S. Dolzhenko – EFE