O prelúdio era o mais histérico possível em Madrid (Espanha), ao passo que o Real Madrid embarcou pra Ucrânia depois do último fim de semana. Os blancos venceram o Shakhtar Donestk por 4×3, em partida válida pela quinta rodada da fase de grupos da Champions League, na última quarta-feira.

Os merengues já estavam classificados matematicamente, mas uma crise mínima havia se instalado. No fim de semana, os blancos foram goleados pelo Barcelona por 4×0 pela liga espanhola, com o presidente Florentino Pérez sendo vaiado pela torcida, a qual consequentemente pediu a saída do treinador Rafa Benítez.

Benítez foi respaldado publicamente por Florentino na véspera do confronto em Lviv (Ucrânia). O técnico seguiu normalmente seu planejamento, e novamente lançou expediente dos titulares que voltaram recuperados de lesão. Contra o Shakhtar, Benítez escalou Kiko Casilla, Carvajal, Pepe, Varane e Nacho. Casemiro, Modrić, Kovăcić e Isco. Gareth Bale e Cristiano Ronaldo.

Casemiro, Modrić, Kovăcić e Isco

Destes onze Carvajal, Pepe, Modrić e Bale estão em processo de readquirir ritmo de jogo. O time se portou numa variação do 4-3-3 para o 4-4-2 convencional, e em alguns momentos possibilitando ainda um 4-3-1-2, com Isco atuando como “enganche” (o “1”), na ligação entre meio-campo e ataque. Em 60, 70 minutos de partida, o time funcionou normalmente.

Cristiano Ronaldo abriu o placar aos 18 min e os blancos chegavam a ostentar até 91% de passes certos, durante a primeira etapa. Casemiro (ausente contra o Barcelona) fazia a proteção à frente da zaga com Modrić, Kovăcić e Isco possibilitando o Real Madrid se defender usufruindo da posse de bola.

Os problemas físicos voltaram a aparecer com a lesão de Varane, que deixou o campo aos 31 min devido a novo problema muscular. Foi substituído por um improvisado Danilo, deslocado para a zaga. Os blancos ampliaram na segunda etapa com Modrić, Carvajal (que fez um golaço) e novamente CR7.

Porém, quando Modrić deixou o campo aos 61 min para a entrada de Kroos, a reação do Shakhtar se iniciou. Com o meia croata que pode avançar e centralizar como um camisa 10, a movimentação de Isco mostra-se letal, uma vez que o espanhol meia-atacante por vocação, pode abrir pelos lados do campo.

Ainda jovem, Kovăcić (21 anos) pelo lado esquerdo, está habituado a jogar com Modrić na seleção croata, tendo uma mobilidade superior à do corpulento Toni Kroos.

Reação ucraniana.

Sem Modrić, principal artífice na manutenção da posse de bola no campo de ataque, os problemas defensivos ocasionados pela saída de Varane, se sobressaíram. O Shakhtar começou a descontar com Alex Teixeira cobrando pênalti, seguindo-se dos gols de Dentinho e outro tento de Teixeira.

O treinador Mircea Lucescu percebeu a saída de Modrić, e ainda se aproveitou da inconsistência defensiva blanca no miolo de zaga. Lucescu abriu o time em 3-5-2, sacando o lateral Marcio Azevedo, para abrir Dentinho na esquerda e dispondo o argentino Facundo Ferreyra, no lugar de Gladky.

O sufoco no fim da partida, com certeza não passará despercebido pela imprensa e torcida madridista. Rafa Benítez porém, se vê muito lúcido e lidando com lesões físicas que fogem ao seu controle.

Na coletiva pós-jogo, Benítez elogiou seus “operários”, deixando subentender os não midiáticos Pepe, Carvajal, Casemiro e Modrić, enquanto três ou quatro de quem injustamente “se fala menos”.

Imagem de Varane (a frente) em lance contra o brasileiro Marlos, do Shakhtar: Efren Lukatsky – AP