Seleção brasileira: o ressurgimento de Ricardo Oliveira.

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A inesperada novidade da convocação da seleção brasileira para o início das Eliminatórias para o Mundial 2018, surgiu após a convocação oficial. Com o corte de Roberto Firmino (do Liverpool) por lesão, o veteraníssimo Ricardo Oliveira, atualmente no Santos, voltou a ser lembrado por Dunga.

Ao contrário do que a mídia esportiva brasileira possa vir a fazer enaltecendo o atacante em demasia, a promoção do retorno de um veterano de 35 anos escancara a real falta de opções que possibilitem formar um bom elenco da seleção. Em contraparte, atletas como RO ou Kaká (outro convocado às pressas em nome de corte) em vida útil mesmo após os 30 anos, são uma antítese dos “jogadores-celebridade”.

Na metade da década passada, Ricardo Oliveira era a última opção de ataque para a seleção que disputou o ciclo pré-Mundial de 2006. Ainda assim RO, fez parte dos grupos vitoriosos na Copa América 2004 e Copa das Confederações 2005. Oliveira vinha depois de Ronaldo “fenômeno” (acima do peso), Adriano “imperador”, Ronaldinho Gaúcho e Robinho. Os três últimos sucumbiram antes dos 30 anos, à condição de “jogador-celebridade”.

Naquele período, Ricardo Oliveira teve uma carreira prolífica na Europa, passando pelo futebol espanhol onde atuou por Valencia, Real Betis e Real Zaragoza, entre 2003 e 2009. No Valencia integrou o grupo campeão de La Liga e Taça UEFA (hoje Europa League) 2003/2004.

Sua melhor temporada foi em 2004/2005, quando disputou 37 partidas e anotou 22 gols em La Liga, pelo Real Betis. A mesma culminou com a conquista do título da Copa Del Rey. Naquela época, o Betis conseguia obter indices para participar da Champions League e tinha em seu elenco outros brasileiros de destaque, como Marcos Assunção e Denilson (hoje comentarista da Band).

Por volta de 2006, Ricardo Oliveira chegou a ser cogitado no Real Madrid mas acabou no italiano Milan, integrando o grupo campeão da Champions League 2006/2007.

Voltando para o presente.

Após seis temporadas no futebol árabe (contabilizando breve passagem por empréstimo ao São Paulo, em 2010), Oliveira retornou ao Brasil contratado pelo Santos, no início de 2015. A desconfiança era enorme a ponto do clube alvinegro oferecer um contrato de apenas 3 meses. O vínculo foi prolongado após o atacante mostrar-se em forma, em meio a campanha vitoriosa no Paulistão.

Rapidamente, Ricardo Oliveira se agrupou ao nicho de atletas supostamente em fim de carreira jogando de forma exemplar no futebol brasileiro, mesmo tendo avançado os 30 anos de idade. Nicho este onde se incluem Zé Roberto (Palmeiras, ex-FC Bayern) ou Nenê (Vasco da Gama, ex-PSG).

Na seleção de Dunga, Ricardo Oliveira chega como opção de centroavante de área, num esquema tático que não tem privilegiado este tipo de atleta. O desenho em 4-2-3-1 de Dunga, tem tido Hulk como “homem referência”. A seleção não tem um bom atacante de área titularíssimo, desde que Ronaldo “fenômeno” se aposentou.

Se for levado em conta a trajetória na Europa jogando em alto-nível, Ricardo Oliveira ainda que atuando no futebol árabe, poderia ter sido uma aposta de maior desenvoltura física do que Fred, titular de Felipão no Mundial 2014. Fred jogou no francês Lyon entre 2005 e 2009, sem obter grande projeção e dotado de histórico infindável de problemas físicos.

A seleção estreia nas Eliminatórias visitando o Chile, nesta quinta-feira às 20:30 hr (horário de Brasília). No Brasil, Globo e Sportv exibem o confronto.

Imagem de Ricardo Oliveira nos tempos de Real Betis: AFP