Camille Paglia no Roda Viva (parte II): a decadência de Madonna.

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Tal qual Nietzsche, Camille Paglia ganhou projeção intelectual interpretando a obra de um ícone musical de seu tempo (Nietzsche enalteceu Richard Wagner no século XIX). Quando questionada sobre Madonna, a ensaísta confirma que a obra atual da cantora não lhe soa relevante.

Em contraparte, Paglia afirma que canções e videoclipes da cantora, produzidos até a primeira metade dos anos 1990, são “obras de arte”. Paglia sublinha a conversão de Madonna à religião da cabala enquanto ponto crucial, que transformou o caráter transgressor de seu projeto audiovisual.

Deslocada do invólucro judaico/cristão de sua formação familiar, Madonna teve enfraquecido o caráter contestador/anti-dogmas de sua obra inicial. Abriu mão do alvo onde atirava. Em seu tempo, Nietzsche condenou Wagner, quando o compositor passou a privilegiar temas vinculados à inclinações cristãs.

O fim da era das “grandes obras”.

Entre os convidados do Roda Viva (tv Cultura) da última quinta-feira, o jornalista Carlos Graieb (Veja), perguntou a Paglia o que ela tinha a dizer sobre Taylor Swift ou Myley Cirus. A ensaista deu a entender que ambas são o pior da produção musical atual.

Para a escritora, Taylor Swift representa a imagem da “menina ingênua” dos anos 1950, que a geração feminista dos anos 1960, tratou de extinguir. De fato Swift, iniciou a carreira como cantora vinculada à country music. Sua imagem de diva pop é fenômeno recente. Graieb pecou por não perguntar à Paglia, se Lady Gaga poderia ser equiparável à jovem Madonna.

Paglia foi além sublinhando que muitas “divas” da música atual ainda são derivadas da própria Madonna, citando como exemplo nominal, Beyoncé. A ensaísta disse que como professora se preocupa com a geração atual que não viu “grandes obras”, seja da alta cultura, seja da cultura popular.

Camille Paglia afirmou que a era das “grandes obras” já se foi e enalteceu ícones femininos da música de sua geração. A saber: Janis Joplin, Aretha Franklin e Chrissie Hynde (The Pretenders).

Veja na íntegra a participação de Camille Paglia no Roda Viva.