Neste sábado a seleção feminina de futebol venceu a final do Pan Americano de Toronto (Canadá), disputada diante da seleção da Colômbia. Vice-campeãs no Pan 2011, a seleção feminina voltou a ser medalha de ouro, a terceira se contados os êxitos nos jogos Pan Americanos de 2003 e 2007.

A partida que iniciou-se de forma equilibrada, se desenvolveu com o Brasil feminino demonstrando superioridade e obtendo o elástico placar final de 4×0. A seleção feminina terminou a competição invicta com 5 vitórias em 5 partidas. Anotou vinte gols e sofreu apenas três.

Diante da Colômbia, o técnico Oswaldo “Vadão” promoveu substituições. A goleira Luciana foi barrada devido às falhas nos dois gols sofridos contra o México, na semifinal. Acabou substituída por Bárbara. A regularíssima zagueira Mônica foi vetada pelo departamento médico, muito provavelmente em virtude das consequências de um choque com adversária, sofrido no fim da partida contra as mexicanas.

O Brasil feminino foi a campo com Bárbara, Fabiana, Erika, Rafaelle e Tamires. Formiga, Thaisa, Andressinha e Raquel Fernandes. Andressa Alves e Cristiane. O primeiro gol brasileiro foi anotado com menos de 10 minutos de partida. Após bola alçada na área, Formiga abriu o placar de cabeça, anotando seu segundo tento na competição.

Controle do jogo e a goleada.

A equipe colombiana mostrou um bom jogo coletivo, ostentando marcação alta, porém carecendo de objetividade nas jogadas ofensivas. A equipe não possui uma atleta que sirva de referência técnica. As colombianas conseguiam conter as ações das brasileiras, mas pouco ameaçavam.

Entre os 35 e 37 min, a goleira colombiana Sepulveda protagonizou dois lances estranhos, chocando-se respectivamente com Cristiane e Andressa Alves, em menos de 2 minutos. O primeiro lance rendeu injusto cartão amarelo para Cristiane e o segundo lance poderia ter rendido um penalti a favor do Brasil, uma vez que Sepulveda derrubou Andressa Alves em sua própria área. Sepulveda acabou substituída.

Na segunda etapa Vadão substituiu Raquel Fernandes por Gabi, que pode atuar mais centralizada, como uma meia-atacante. O desenho tático variável do 4-4-2/4-3-3 poderia se verter para o 4-3-1-2 com Gabi sendo a “enganche”, o 1 deste desenho tático. O controle de posse de bola tornou-se superior, tal qual a ocupação de espaços no meio campo.

O Brasil criava muitas chances de gol e finalizava em muitas oportunidades a longa distância. O segundo gol saiu aos 74 min, com Maurine a substituir Andressinha que por sua vez, deixou o campo após uma finalização que exigiu defesa difícil da goleira Forero. Em seu primeiro lance, Maurine cobrou escanteio e obteve um gol olímpico espetacular. A Colômbia se via entregue.

O terceiro gol foi anotado por Andressa Alves aos 86 min e o quarto por Fabiana, que deslocada pelo lado esquerdo finalizou a longa distância. A medalha de ouro é brasileira!

Reflexão final.

Prosseguindo o planejamento da CBF que mantém todo o elenco contratado permanentemente (a exceção das que atuam profissionalmente no exterior), o próximo grande desafio da seleção feminina são os jogos Olímpicos 2016, a serem realizados no Rio de Janeiro/RJ. Sim a CBF faz, mas não faz mais do que a obrigação.

Entretanto, é preciso parabenizar a comissão técnica, enaltecer a forma como o grupo foi construído e tem sido mantido. A disciplina tática da equipe e a gestão do elenco que oferece variação de peças sem perder a qualidade, faz inveja a muitas equipes profissionais do futebol masculino brasileiro.

A equipe venceu um Pan Americano sem ter Marta, sua principal atleta não cedida para a competição por seu clube, o Rosengaard. Num todo, o “pacote” mantido pela CBF, mensalmente deve custar muito menos que orçamentos dos falidos clubes da primeira divisão profissional do futebol nacional.

Um único atleta de renome do futebol masculino pode custar R$ 300 a 500 mil mensais a um clube. Um clube pequeno de futebol profissional masculino de interior, que joga apenas campeonato regional, pode ostentar folha salarial entre R$ 100 e 200 mil mensais. O custo deste time feminino à CBF não deve diferir tanto.

Mais além, muitas críticas “machistas” foram endereçadas a seleção feminina nos últimos 15 anos, nas ocasiões em que o time obteve vice-campeonatos mundiais ou medalhas de prata, seja em Olimpíadas, seja em Pan Americanos. Chacotas do tipo “não pode tremer em decisão” ou “não pode amarelar”.

Este time jogou um Mundial e um Pan Americano nos últimos dois meses. Nenhuma atleta foi vista chorando incapaz de bater um penalti. Em nenhum momento o time sofreu “pane” tática/técnica, nem perdeu de 7×1…

Imagem de Andressinha enfrentando a marcação colombiana: R7