Neste sábado, a seleção feminina brasileira de futebol disputa a final da modalidade nos jogos Pan Americanos que estão sendo disputados no Canadá. A equipe comandada pelo técnico Oswaldo “Vadão” Alvarez, segue um planejamento iniciado para a disputa da Copa do Mundo feminina, que ocorreu em junho.

O Mundial também disputado no Canadá, foi vencido pelos EUA. O Brasil foi eliminado pela Austrália, nas oitavas de final. No Pan o Brasil feminino conta com exatamente o mesmo grupo que disputou o Mundial, à exceção das reservas Rafaela (do Boston Breakers) e Beatriz (do Hyundai Red Angels), além da titular Marta.

Rafaela atua na liga norte-americana, Beatriz na liga coreana e Marta no sueco Rosengaard. Como o Pan Americano não é reconhecido pelo calendário FIFA, os times não tem obrigação de liberar as atletas para as suas seleções.

A campanha

A trajetória brasileira foi acima da média com quatro vitórias em quatro partidas. A fórmula de disputa do Pan, prevê fase de grupos com quatro equipes divididas entre os grupos. A fase de mata-mata posterior inicia-se já nas semifinais. O Brasil terminou a fase de grupos líder do grupo B.

Bateu Costa Rica na estreia por 3×0, impôs homéricos 7×1 sobre o Equador, com cinco gols de Cristiane e encerrou a primeira fase impondo 2×0 sobre as donas da casa, da seleção do Canadá. Na última quarta-feira, a equipe brasileira fez uma partida movimentada contra o México, já pela semifinal, obtendo a vaga para a decisão ao vencer as mexicanas por 4×2.

(Foto: Peter Power – AP)

A artilheira Cristiane (a esquerda) contra o Canadá. (Foto: Peter Power – AP)

Na ocasião, Vadão mandou a campo uma formação com Luciana, Fabiana, Mônica, Rafaelle e Tamiris. Formiga, Thaísa, Andressinha e Raquel Fernandes. Andressa Alves e Cristiane. O desenho tático não se diferencia muito daquele visto na Copa do Mundo, tendo Marta entre as titulares.

Raquel Fernandes preenche a lacuna de Marta, mas aberta pelo lado esquerdo, sendo Raquel única e exclusivamente uma externa de lado de campo. A modificação adianta Andressinha que sem Marta, assume a camisa 10. Andressinha tem mais liberdade para chegar à frente.

O módulo se dá num 4-4-2 convencional, por vezes vertendo para um 4-3-3. Na segunda possibilidade, Raquel Fernandes forma o tridente ofensivo pela esquerda, com Cristiane aberta pelos lados e Andressa Alves como referência na área. Sem Marta os desenhos táticos do 4-2-3-1 e 4-3-1-2, se tornam praticamente impossíveis. As lideranças técnica/psicológica são Cristiane (artilheira com 7 gols) e Formiga.

Contra o México o Brasil foi superior mas pecou em falhas defensivas, que resultaram nos 2 gols impostos pelas mexicanas. As “chicanas” porém não conseguiam conter a posse de bola no meio-campo, consequentemente não conseguindo controlar as ações e pouco ameaçando o gol de Luciana. Só levavam perigo em jogadas de bola parada.

O México feminino tinha na atacante Ocampo sua referência técnica, mas seu conjunto era inferior. O Brasil saiu na frente aos 3 minutos com Cristiane e sofreu o empate minutos depois. Ao fim do primeiro tempo, obteve o 2×1 com a zagueira Rafaelle aproveitando bola alçada na área em cobrança de falta.

No início da segunda etapa, o Brasil ampliou para 3×1, dando-se ao luxo de apenas controlar a partida. A defensora Rafaelle ainda conseguiu obter seu segundo tento na partida, o quarto gol brasileiro.

O nível técnico do Pan é bastante inferior ao daquele observado no Mundial. Porém é preciso colocar em relevância o prosseguimento do planejamento feito para a seleção feminina, que sim está mantendo uma campanha regular. Uma medalha na categoria o Brasil feminino já garantiu.

O Brasil disputa a final contra a seleção da Colômbia neste sábado às 19:30 hr (horário de Brasília). A modalidade está sendo exibida na tv brasileira pela Record e pelo Sportv.

Imagem das brasileiras comemorando o terceiro gol contra o México: Omar Torres – AFP