Basquete brasileiro: a crise infinita e o ídolo de latão.

basquete1

A recém encerrada disputa dos jogos Pan Americanos de Toronto (Canadá), trouxe uma inusitada medalha de ouro, obtida pela seleção brasileira de basquete. O Brasil bateu o Canadá no último sábado, pelo placar de 86 a 71, na final disputada na Universidade de Ryerson.

A modalidade carece de tradição em nosso país e como muitas outras modalidades olímpicas, anseia desesperadamente por melhor estrutura. Isso a menos de um ano da disputa das Olimpíadas no Rio de Janeiro (RJ). Não é segredo que gestões e manutenções de ligas e categorias de base de diversos esportes diferentes, engatinham em nosso país.

Algumas modalidades conseguem se sobressair, outras geralmente representando esportes coletivos, movem-se de maneira dificultosa em direção a um horizonte inglório. A seleção de basquete na grande maioria das oportunidades, não conta com atletas brasileiros que cumprem vínculos trabalhistas regulares, em times da National Basketball Association (ou simplesmente NBA) norte-americana.

Raramente uma seleção, seja lá de que modalidade for, banca os salários e vínculos trabalhistas regulares de seus atletas. Como muitos outros esportes brasileiros, o basquete tem uma liga profissional nacional pouco rentável e a seleção do nosso país, ainda lida com vetos às convocações dos atletas que atuam na NBA.

Os clubes da liga yankee, em alguns casos podem até liberar jogadores mediante pagamento de seguro, que venha a ressarcir o clube em caso de eventual lesão sofrida por um jogador. Obviamente uma federação nacional sem estrutura, não terá verba para cumprir este tipo de exigência.

A crise infinita.

No passado o Brasil teve atletas de renome no basquete masculino como Guerrinha ou Oscar Schimidt, entre os anos 1980 e início dos anos 1990. O maior feito desta geração possivelmente foi uma conquista de Pan Americano em 1987, em que o Brasil bateu a seleção dos EUA, na final do torneio disputado em Indianápolis (EUA).

É inglório o fato de que a medalha obtida pelo time do Pan 2015, jamais será comparada pelo feito do time de 1987. E injustamente. Fora isso, o Brasil pode ficar fora da disputa das próprias Olimpíadas de 2016. A Confederação Brasileira de Basquete precisou pagar para obter uma vaga no Mundial da categoria disputado em 2014, uma vez que não conseguiu se classificar via Eliminatórias.

O torneio garantia índice classificatório pré-Olímpico mas o Brasil não obteve êxito. O valor de US$ 1 milhão teve quitado apenas 20% de seu total num prazo já expirado. A Federação Internacional de Basquete (FIBA), levou o caso ao comitê central intitulado Board e uma decisão deve ser divulgada no Japão, no próximo mês. Segundo o globoesporte.com os patrocinadores Nike e Bradesco, devem arcar com os US$ 800 mil restantes, se a FIBA aceitar.

Caso haja um acordo, as seleções masculina e feminina do Brasil serão obrigadas a disputar um tipo de pré-Olímpico-repescagem que para o time masculino, acontece entre agosto e setembro no México. Com o imbrólio, o basquete brasileiro chegou ao cúmulo de ter destituídas as vagas de país-sede dos jogos olímpicos, para a modalidade.
O ídolo de latão.

Aposentado há quase duas décadas, Oscar Schmidt é figura frequente na mídia esportiva e nos últimos anos, tem se feito notar por críticas duras ao treinador do basquete masculino brasileiro, Ruben Magnano. O técnico a frente do time que obteve o ouro neste Pan 2015, é argentino e comandou a seleção de seu país na conquista da medalha de ouro nas Olímpiadas de Atenas (Grécia) em 2004.

Críticas ao técnico a parte, Oscar também costumar verbalizar “chacotas” arrogantes direcionadas a atletas como Nenê, Leandrinho, Anderson Varejão e Tiago Splitter, que atuam na NBA yankee. Trata-os como “desertores”, não patriotas. Os mesmos volte e meia convivem com os vetos de seus clubes em relação a convocações, para jogos da seleção do Brasil.

Oscar deveria utilizar sua condição de ídolo de forma mais produtiva, ao invés de jogar o público brasileiro contra os atletas que cumprem determinações dos clubes yankees, que pagam seus salários. Com tanta propaganda negativa proferida por um ídolo caduco da modalidade, os brasileiros da NBA com certeza devem ter motivações mínimas para jogar pelo Brasil.

O próprio Oscar já citou em diversas ocasiões que recusou ofertas para jogar nos EUA nos anos 1980, uma vez que na época, a liga yankee era mais rígida proibindo seus atletas de atuar por seleções incluindo-se a norte-americana. Mas sua “chacota” em relação aos brasileiros profissionais da NBA, soa como desdém “de quem queria comprar”.

Retrato de um ídolo medíocre que teme novas conquistas que ofusquem seus pouquíssimos feitos de um passado já esquecido. Ídolos medíocres não são exclusividade apenas do futebol brasileiro.

Imagem dos atletas após conquista da medalha de ouro: Usman Khan – AFP