Moonspell: until we are no more!

Moonspell - Extinct (2)

Como temos mencionado neste site, a banda lusitana Moonspell maior nome do heavy metal lusitano, disponibilizou no último mês de março seu mais recente álbum “Extinct”. O conjunto português se vê na ativa há mais de vinte anos de carreira. A banda ainda mantém praticamente intacto o seu núcleo criativo original.

O Moonspell é liderado pelo vocalista, compositor e escritor Fernando Ribeiro que tem junto a si o guitarrista Ricardo Amorim, o baixista Aires Pereira, o tecladista Pedro Paixão e o baterista Miguel “Mike” Gaspar. “Wolfheart”, álbum de estreia do conjunto lançado originalmente em 1995 completou exatos 20 anos de lançamento, em agora em abril. Porém o “boost” na carreira se deu no lançamento seguinte, “Irreligious” de 1996.

Na metade dos anos 90, o conjunto se tornou uma resposta europeia no terreno do gothic metal, ao norte-americano Type O Negative liderado pelo já falecido baixista/vocalista Peter Steele (ex-Carnivore). Apesar das raízes ligadas ao death/black metal, o Moonspell moldou seu som de forma acessível, ampliando sua sonoridade oriunda das influencias do gothic e pós punk.

Tornou-se um trunfo da gravadora Century Media europeia e consequentemente uma banda bem sucedida também em termos comerciais, num periodo que correspondeu aos álbuns “Sin/Pecado” (1998) e “The Butterfly Effect” (1999). O retorno à sonoridade sombria e pesada se deu em “Darkness & Hope” (2001), álbum bastante celebrado pelos fãs. Neste período a banda teve consigo o baixista brasileiro Sergio Crestana.

A fase madura.

Com uma carreira estabilizada, o Moonspell re-moldou o seu som já bastante peculiar norteado por um direcionamento mais agressivo. “The Antidote” (2003), “Memorial” (2006) e “Night Eternal” (2008), talvez sejam os álbuns mais maduros e pesados de sua discografia. Ostentam uma linha que fica entre o meio termo entre o death e o doom metal.

“The Antidote” em especial foi um lançamento multifacetado incluindo uma coletânea de contos intitulada “O Antídoto”, de autoria do escritor português José Luis Peixoto (ex-colaborador da revista brasileira Bravo!). O álbum físico foi lançado junto ao livro em Portugal e algumas edições europeias também acompanharam a publicação, traduzida para o inglês.

No Brasil apenas o álbum “The Antidote” foi lançado oficialmente e o livro respectivo segue inédito. O vocalista Fernando Ribeiro em especial costuma se aventurar por devaneios literários, já tendo publicado “Como Escavar um Abismo” (compendio de poemas/2001), dentre outras publicações.

Extinct

A velha face musical que amalgamava influencias do pós-punk e gothic voltou a florescer no projeto artístico do Moonspell, no álbum duplo “Alpha Noir”/”Omega White” de 2012. O registro iniciou um vinculo com a ascendente gravadora austríaca Napalm Records, que parece ter o conjunto enquanto prioridade.

Moonspell - Extinct (2015)

A musicalidade do Moonspell segue apurada, valendo-se de expediente que demanda grandes produções de estúdio e campanha de divulgação. O novo “Extinct” mescla sua face acessível aliada à partes extremas, que surgem naturalmente nas composições da banda. A faixa-título que é também o primeiro single, impressiona musical e visualmente, devido ao ótimo videoclipe de divulgação concedido à canção

Todos os elementos díspares da carreira do Moonspell convivem harmonicamente no vídeo de “Extinct”. Desde as modelos sensuais até as extravagantes maquiagens estilo corpse paint do black metal norueguês, estampadas no rosto dos integrantes. As vocalizações limpas de Fernando Ribeiro alternam naturalmente para o gutural, mutação que por sua vez convive pacificamente com arranjos apurados dos sintetizadores.

Ouça Breathe (Until We Are No More).

“Breathe (Until We Are No More)”, a avassaladora faixa de abertura alterna o pesado e o acessível e eclodindo em agressiva intensidade durante o refrão. A rápida, intensa e exótica “Medusalem”, divulgada previamente é outro grande destaque. “Extinct” passa a impressão de que disposto em lp, o álbum se compreende num “lado a” mais agressivo e um “lado b” mais suave.

A face melodiosa da musicalidade dos lusitanos surge em “Domina” e “The Last of Us”, por exemplo, onde o Moonspell parece homenagear grandes nomes que se caracterizaram por trafegar entre o gothic e o rock. Nomes estes como Sisters of Mercy, Bauhaus e principalmente, o inglês The Cult, que agradava a góticos mas sempre se caracterizou pela “pegada” rock.

Ouça Medusalem.

O uso dos sintetizadores instrumento maldito no rock e no metal, outrora prezado por nomes do pós punk como Depeche Mode ou New Order, é explorado de forma bombástica em “Malignia” ou “The Future is Dark”. A banda parece re-editar e re-atualizar os experimentos com sintetizadores.

Experiencias anteriormente feitas de forma ímpar em “Sin/Pecado” (1998) e que ecoam sobretudo em “The Future is Dark”, dotada de letra que evoca a escuridão adornada por uma sonoridade etérea.

Costumamos enfatizar aqui que o heavy metal não se limita a extremismos puros e simples. O heavy metal inclui o uso harmônico de caracteristicas dispares dentro de uma canção. O pesado e o acústico, a vocalização limpa e a vocalização gutural, o tempo de execução veloz e o tempo de execução cadenciado.

Mais além, o Moonspell parece conduzir de forma magistral dentro de sua música linguagens diferentes não apenas do metal, mas também do rock. É a maior banda do metal português e “Extinct” é um dos melhores álbuns do ano!