Hulk: Mark Ruffalo, o dr. Banner definitivo.

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A edição de maio da revista Rolling Stone brasileira estampou em sua capa o personagem Hulk, da Marvel, visto no filme “Os Vingadores 2 – A Era de Ultron”. A matéria não é exatamente sobre o personagem Hulk, mas sim uma tradução de matéria feita pela matriz norte-americana, retratando o ator Mark Ruffalo.

O ator na realidade personifica o doutor Bruce Banner, alter ego do gigante verde. Ruffalo em especifico se tornou um ator badalado nos últimos anos. Participou do recente filme “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”, que recebeu indicações ao Oscar. Dentre os personagens que integram os Vingadores, o Hulk é uma espécie de “azarão” em termos de popularidade, tal qual a aclamação de Ruffalo no papel do doutor Banner.

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Mark Ruffalo como dr. Banner. (Imagem: divulgação)

Hulk é um dos mais antigos personagens da Marvel a ter ganho projeção nas mídias audiovisuais, ainda nos anos 1970 com a antiga série “O Incrivel Hulk”, exibida com sucesso inclusive no Brasil. Naquela série clássica o ator Bill Bixby vivia o doutor Banner, com o fisiculturista Lou Ferrigno caracterizando o Hulk transformado, devidamente pintado de verde num tempo anterior a computação gráfica.

Surgido nos anos 1960 nos quadrinhos, criado por Stan Lee e pelo falecido ilustrador Jack Kirby, o Hulk era o resultado de um acidente nuclear, do qual o doutor Bruce Banner foi vítima. Ao realizar testes com a bomba gama, Banner foi contaminado pela radiação. Como consequência, se transforma num gigante verde de força descomunal, toda vez que perde o controle de sua raiva.

“Hulk” era a forma como os soldados do exército norte-americano passaram a chamá-lo, toda vez que eram solicitados para conter o lado maligno de Banner desperto. O contexto sócio-político da época remetia a paranóia nuclear yankee, em razão do auge da Guerra Fria. Arquetipicamente, a dualidade Banner/Hulk evoca a figura do médico e do monstro da literatura de R. L. Stevenson, na obra “Dr. Jackyll & Mr. Hyde”.

No cinema, mas antes de Os Vingadores.

Antes da fundação do Marvel Studios na segunda metade da década passada, a Marvel Entretainment já havia testado o chamado “golias verde”, numa adaptação cinematográfica. “The Hulk” lançado em 2003 evitou inclusive o título pelo qual o personagem é conhecido nas hq’s, “The Incredible Hulk” (ou “o incrível” Hulk).

A adaptação teve grande respaldo midiático, contando com uma canção do Velvet Revolver na trilha sonora, banda formada por ex-membros do Guns n’ Roses. O elenco trazia Eric Banna no papel de dr. Banner mais Jennifer Conely e Nick Nolte, todos sob direção de Ang Lee (“O Tigre e o Dragão”). A recepção dos fãs das hq’s porém foi morna, apesar de alguma fidelidade às hq’s. O filme não tem conexão alguma com os filmes recentes que retratam o personagem.

Em 2008, já sob o invólucro do Marvel Studios, “O Incrivel Hulk” foi lançado mas acabou ofuscado em termos de popularidade, pela mega repercussão do primeiro filme do Homem de Ferro. Este filme do Hulk de 2008 trazendo Edward Norton (“Clube da Luta”, “Dragão Vermelho”) no papel de doutor Banner, é o “marco zero” da atual caracterização do Hulk nas produções da Marvel Studios. E resultado final foi sim acima do aceitável.

A origem da transformação de Banner em Hulk no roteiro é amparada por uma origem recontada pela linha editorial “Ultimate” da Marvel Comics, que propunha tramas verossímeis nas hq’s, obviamente visando as adaptações no cinema. Liv Tyler tem grande participação como Betty Ross, par romântico de Banner, que por sua vez surge em auto-exílio na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

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Betty Ross (Liv Tyler) e o general Ross (William Hurt) em O Incrível Hulk de 2008. (Imagem: divulgação)

Betty é filha do tinhoso general “Thunderbolt” Ross, vivido pelo veterano ator William Hurt. O general Ross é o responsável do governo americano por lidar com os danos patrimoniais que Hulk geralmente causa e está à procura do paradeiro de Banner. Ross acredita que Hulk pode ser uma arma a ser usada pelo exército yankee. O filme de 2008, também trazia os famigerados epílogos pós créditos antecipando as tramas subsequentes, neste caso contando com a participação de Tony Stark/Robert Downley Jr. Vale ressaltar que o general Ross já foi confirmado pela Marvel para reaparecer no filme “Capitão América 3 – Guerra Civil”, que estreia em 2016. William Hurt volta ao papel.

Com o Marvel Studios ainda sem o respaldo atual, o roteiro do filme de 2008 escrito por Zak Penn necessitou ser re-escrito às pressas pelo próprio Edward Norton, que infelizmente não prosseguiu no projeto. A caracterização de Norton parecia rememorar algo do dr. Banner da série clássica dos anos 70. O aspecto visual da sequencia inicial do filme mostrando a primeira transformação de Banner, lembra muito a série.

Este aspecto foi assumidamente assimilado por Mark Ruffalo, quando este assumiu o personagem em “Os Vingadores” de 2012 e foi devidamente aclamado pelos fãs. Voltando a citada matéria de Brian Hiatt para a Rolling Stone, Ruffalo inclusive ressalta que acredita ser parecido com Bill Bixby.

O Hulk atual do cinema criado em computação gráfica, tem sua expressão facial desenvolvida a partir dos traços do rosto de Ruffalo. Atualmente o personagem surge intitulado como “The Indestructible Hulk” (ou “o indestrutivel Hulk”), nos quadrinhos.