Pátria educadora, pátria achacadora.

cid-gomes1

A semana que se encerrou, iniciou-se com um verbete incomum propagado em âmbito político. O agora ex-ministro da educação Cid Gomes (Pros) externou ser vítima de “achacamento”, referindo-se a parlamentares diversos e ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). A explosão verbal de Gomes culminou em seu pedido de demissão junto à presidente Dilma Rousseff.

“Achacar” pode significar no português brasileiro algo como “moléstia física” ou “extorsão financeira”. O mais interessante é deixar à livre interpretação de quem lê ou ouve o termo. A questão do “achaque” já havia sido externada por Gomes junto à classe universitária paranaense.

A classe da educação estatal do estado do Paraná (ensino fundamental/médio/superior) proporcionou a primeira mobilização nacional de greve, deste ano entre os meses de janeiro e fevereiro. No momento a classe similar dos estados de São Paulo e Pará, também o fazem. Pragmaticamente, Gomes não assumiria as limitações do Ministério da Educação diante ninguém, fosse quem fosse.

Só um ingênuo não direcionaria os problemas da educação brasileira a “outros” interesses que fogem à sua compreensão, consciência e controle próprios. Oportunamente, o lema furado do Governo Federal a estampar seu novo mandato enquanto “Brasil pátria educadora”, tem como intuito tirar o foco dos problemas múltiplos que triplicam a cada dia. Com o problema direcionado à educação, azar é do responsável pelo Ministério da Educação.

Democracia enquanto arma dos medíocres.

Claro que um eventual leitor dotado de mentalidade “esquerdista loser”, tipo de crença que abunda o setor educacional estatal brasileiro, pode nos acusar de “defensores de políticos”, o que não é o caso. A despolitização da classe educacional estatal brasileira passa pelo seu intento inquisidor de “demonizar” todo e qualquer político. Com este intento propagado, chefe de estado algum se habilitará a se sentar e negociar, seja lá o que for, seja lá com quem for.

Muitos funcionários da educação estatal brasileira acreditam piamente que fazer greve e receber por dias NÃO trabalhados é legítimo. No entanto, o dinheiro que paga os vencimentos deles é oriundo de uma verba tão pública quanto aquela que pagou estádios da copa, ou que alguns políticos desviam quando possível. Manipular uma massa de alunos a seu favor é fácil. Até Adolf Hitler fez algo parecido.

Cabe aos pais de alunos e aos próprios não cair nesta conversa furada. O dinheiro do contribuinte é o que paga os vencimentos dos trabalhadores da educação pública. Uma movimento grevista pode ser uma “chantagem” camuflada. Neste entorno o mundo é capitalista e impera a lei da oferta e da procura. Docentes podem trabalhar em instituições privadas seja de ensino básico, fundamental, médio ou superior. Docentes estatais não foram coagidos a fazê-lo. Prestaram concursos públicos porque quiseram ou porque eram incompetentes para fazê-lo em instituições privadas.

Mais além.

Ainda no âmbito daquilo que diz respeito ao Ministério da Educação, em entrevista para a rádio CBN no início de janeiro, o senador Cristovam Buarque (PDT) criticou duramente as promessas que enalteciam a educação superior. Estas foram propagadas pela campanha da atual presidente re-eleita.

Buarque foi ministro da educação no governo Lula, tem conhecimento de causa e tem tido cada vez menos visibilidade, possivelmente porque fala a verdade. Segundo este senador na citada entrevista, promessas de candidatos que enaltecem o ensino superior, angariam votos. Promessas que enaltecem o ensino básico, fundamental e médio, NÃO angariam votos.

Com o início do ano letivo de 2015 os financiamentos como FIES sofreram remodificações em seus regulamentos. Somado a demanda de alunos que o requisitavam, as alternativas de financiamento de estudos em instituições de ensino superior particulares oferecidas pelo Governo Federal, colapsaram.

O enaltecimento do ensino superior da campanha da presidente era um sofisma que resultou numa trágica falácia.

Foto de Cid Gomes: veja.abril.com.br