‘Juridiquês’, ‘politiquês’, delitos e iletrados.

Renan-beijinho

Não, não vamos começar este texto em tom de revolta contra partido “a” ou “b”. Também não vamos jogar a culpa em nenhuma instituição pública, sejam os três poderes, sejam os setores básicos oferecidos pelo estado (sobretudo educação). Vamos já no primeiro parágrafo colocar a culpa na necessidade de um desfecho “messiânico”, alimentado por boa parte dos seres tupiniquins viventes neste território nacional.

Essa necessidade causa a insatisfação em relação aos problemas políticos que eclodiram nos últimos dias e a resignação geral da população em âmbito político, social e econômico e que se propaga já a algum tempo. Por que eles pensam assim, eu não sei dizer. Mas normalmente as pessoas alimentam a expectativa (e expectativa não é esperança) de que suas escolhas sejam pessoais, sejam politicas, impreterivelmente terão um desfecho “agradável”.

O ser tupiniquim erra primeiro e “caga a regra” depois. Se o ímpeto de “cagada à regra” não funciona ele arma um barraco e exige cobertura da mídia, além de proporcionar selfies de si mesmo, instantaneamente expostas nas redes sociais. Voltando à questão, os problemas políticos eclodidos no fim da última semana dão conta da investigação da chamada “operação lava a jato” proporcionada pelo Ministério Público.

As mesmas surgem em relação a irregularidades envolvendo a gestão da Petrobrás nos últimos anos. A própria mídia/imprensa tem “cagado a regra” gramatical (não que esta regra seja crucial para algo), grafando “lava jato”. O nome da operação alude à “lavagem rápida” não a jatos ou aeronaves sendo lavados. Num aspecto sério, há muita dificuldade por parte do grande público, no entendimento da questão.

O “juridiquês”.

O que o ministro Dias Toffoli em nome do Superior Tribunal Federal ordenou na última sexta-feira, foi a quebra de sigilo bancário de mais de 50 políticos envolvidos em ainda “supostas” irregularidades, envolvendo a empresa estatal de direito privado Petrobrás. “Suposto” pois no âmbito jurídico ainda não há processo, muito menos condenação. Deu-se início à uma investigação ou inquérito, ainda não há réus ou acusados.

Eis o que bem humoradamente nomeamos “juridiquês” em nosso título, ou seja, detalhes referentes ao âmbito jurídico. Noutras palavras é uma questão do âmbito do direito criminal. Quem já teve algum problema criminal mínimo, seja como acusado ou sendo acusador sabe o quanto é difícil encontrar um advogado especialista na área criminal, em nosso país.

Por que há esta dificuldade nós também não sabemos responder. Muitos alunos de graduações em direito dizem não querer se enveredar pela área criminal. Isso sob o argumento pseudo-moralista de que não querem “defender matadores ou estupradores”. Talvez haja falta de especialistas em direito criminal em proporção muito além da proclamada “lentidão burocrática”, do poder Judiciário. Isso não é uma tese embasada em pesquisa de campo, apenas uma intuição.

Simplificando, os investigados podem se tornar réus se comprovadas práticas ilícitas enquadradas pelo direito criminal como: tráfico de influência, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, extorsão, suborno, peculato, etc.

O “politiquês”.

A “fauna” política dos mais de 50 políticos que estão sob investigação desde o fim da última semana, envolve também os respectivos partidos aos quais estes investigados, são devidamente filados. Em maior escala, ao PP (Partido Progressista) e em menor escala ao PT, PMDB e ao PSDB.

Lembrando que o atual presidente do Senado, relevante para o bem ou para o mal no cenário político, Renan Calheiros está incluso na lista e representa a legenda do PMDB. Usamos a terminologia “fauna”, porque nos parece coerente, sobretudo se levarmos em conta a forma como o filósofo grego Aristóteles descrevia o homem já no século IV a.C. Ou seja enquanto “animal político”.

No jargão que bem humoradamente nomeamos no título “politiquês”, remetemos aos problemas que já eclodem entre divergências partidárias tanto no poder Executivo, quanto no Legislativo. Isso obviamente devido a questão da determinação dos elementos agora sob investigação. Noutras palavras uma harmonia de, permita-nos um neologismo, “governabilidade”, já dificultosa devido as ímpetos confusos da atual presidente re-eleita; mostra-se neste momento algo quase que improvável.

Talvez seja um tanto quanto obsoleto nos referirmos a partido “a” e “b” enquanto “direita” ou “esquerda”. Há um partido de situação (PT) outro de frontal oposição (PSDB) e um terceiro, o PMDB, que realmente não encontra terminologia melhor para ser descrito que não, de “centro”. Como sabido, este último detém o número maior de componentes no congresso (Câmara dos Deputados/Senado).

Enfim, o tupiniquim gosta de finais felizes, promessas “messiânicas” e encara a política enquanto algo similar a rixa de torcida organizada. Não é o que procuramos aqui neste 90 Minutos, assim como não tiramos nenhuma conclusão precipitada.

Isto é só o começo, sem sermos especialistas em política. Leigo nunca foi sinônimo de imbecil.

Foto do citado senador Renan Calheiros: veja.abril.com.br