França 1×3 Brasil: outra vitória ilusória de Dunga.

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A seleção de Dunga foi ao San Denis em Paris (França) enfrentar na última quinta-feira a renovada seleção francesa, comandada por Didier Deschamps. O Brasil venceu de virada no segundo tempo, após empate em 1×1 na etapa inicial. Os francêses nitidamente “tiraram o pé”, com o treinador e ex-capitão dos bleus, promovendo alterações entre os atletas que entraram como titulares.

A escalação inicial de Dunga teve Jefferson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís. Luiz Gustavo, Elias, Willian e Oscar, Neymar e Firmino. Os gols brasileiros foram anotados por Oscar, que empatou a partida aos 26 min, Neymar no início do segundo tempo e Luiz Gustavo aos 68 min. O Brasil parece ter um time base? Sim. Há jogadores atuando em alto nível na Europa? Sim. Alguém além de Neymar (ou talvez Thiago Silva) é protagonista em seu clube? Não.

Algumas peças que deveriam ser protagonistas ainda não inspiram confiança e geram a desconfiança de que sentirão a camisa “pesar” num jogo decisivo. Com 100% de concentração e intensidade a França foi superior na primeira etapa, sufocando os atletas de ataque brasileiros, fisicamente mais leves.

A marcação sobre Neymar era implacável, com Varane (autor do gol francês) que o marca nos confrontos entre Barcelona e Real Madrid, saindo na marcação homem a homem. Isso devidamente contando com “dobras” e coberturas.

Sem Diego Tardelli, Dunga lançou expediente de Firmino que cumpre a função de “falso centroavante”, enquanto homem referencia único no desenho em 4-2-3-1. Mas quem é Firmino? Ele durará até 2018? O Brasil ainda sofre da escassez de nomes relevantes no campo ofensivo. Depende do brilho individual de Neymar e do voluntarismo de Oscar.

Mas Oscar, tal qual Willian não é protagonista no Chelsea. Ambos aliás por vezes, disputam posição. Na hierarquia da importância do time blue Eden Hazard, Diego Costa e Fàbregas vem antes tanto de Oscar quanto de Willian. Neymar não tem ao redor de si na seleção nem Messi, nem Luis Suárez.

A França de Deschamps.

Capitão do título francês no Mundial de 1998, Deschamps parece ter os últimos estágios de uma seleção francesa, que tenta se renovar desde a combalida campanha do Mundial 2010. O time que atuou contra o Brasil se prepara para a EURO 2016 que acontecerá em solo francês. No último Mundial esta França foi eliminada nas quartas de final pela campeã Alemanha, que venceu pelo placar mínimo.

O time titular dos bleus teve cinco atletas importantes em clubes que disputarão as quartas de final Champions League. São eles Benzema e Varane (Real Madrid), Blaise Matuidi (PSG), Patrice Evra (Juventus) e Antoine Griezmann, artilheiro e grande destaque do atual elenco do Atlético de Madrid. O time atuou desfalcado do lesionado Paul Pogba (também Juventus), tido como o grande talento da atual geração bleu.

O desenho tático se dá numa variação do 4-2-3-1 para o 4-3-3, quando a equipe detem a posse de bola. Valbuena e Grizemann se projetam pelos flancos da linha dos 3 meias do 4-2-3-1, podendo “flutuar” para formar o tridente ofensivo com Benzema no 4-3-3. Grizemann ocupa a lacuna deixada por Samir Nasri que prematuramente se aposentou da seleção, por não ter sido convocado para o Mundial.

Famigerado atleta-celebridade, Nasri realmente não faz falta alguma. A defesa francêsa é solida com o vigoroso Sissoko (do inglês Newcastle) postado a frente da linha de quatro defensores. Formando dupla de centrais com Varane, Mamadou Sakho é a grande surpresa tendo se firmado na linha defensiva do britânico Liverpool. Sakho foi preterido pelo PSG com a chegada de David Luiz.

Após ter sido cortado do Mundial 2014 por lesão, Franck Ribery também solicitou aposentadoria. Deschamps declarou publicamente que espera que o meia-atacante do FC Bayern, reveja sua decisão. Ribery ainda tem idade útil para estar presente na EURO. Esta é a melhor França desde 2006.

Foto de Neymar e Oscar: Yoan Valat – EFE