Atlético de Madrid: negócio da China.

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Após encerrar o primeiro turno de La Liga em terceiro lugar (41 pontos), o atual campeão do torneio Atlético de Madrid, anunciou a venda de 20% de seu controle, para o milionário chinês Wang Jian Lin. A notícia foi repercutida pela imprensa espanhola tão logo a semana começou. O clube colchonero deve lucrar cerca de 45 milhões de Euros.

Segundo o periódico espanhol El País, Jian Lin tem 59 anos e já foi considerado pela revista Forbes, enquanto o homem mais rico da China. O magnata responde por sua empresa Wanda, uma holding. Desta forma, o controle do Atlético de Madrid será dividido entre três principais acionistas. Miguel Angel Gil Marin detém 52% das ações do clube, ou seja segue enquanto detentor da maior “fatia”.

O presidente do clube rojiblanco Enrique Cerezo detém 20% das ações, tal qual Jian Lin. Os 8% restantes estão repartidos entre a família de Gil Marin e acionistas menores. Segundo o El País, Wang Jian Lin será representado no conselho administrativo colchonero por um homem de confiança a ainda ser designado.

O Atlético de Madrid tenta paralelamente se adaptar ao fair play financeiro imposto pela UEFA a todos os clubes europeus e, manter-se frequentemente disputando a Champions League competição em que é o atual vice-campeão. Segundo o El País, o atual saldo devedor do Atlético está em torno de 540 milhões de Euros. Para manter o objetivo de seguir disputando a CL, o Atlético precisa ter um saldo positivo em torno de 225 milhões. Lembrando que a UEFA é rigorosa em sua regulamentação para que os clubes disputem a CL, desde que lancem expediente de saúde financeira equilibrada.

O periódico espanhol frisa que o clube colchonero entende que os valores adquiridos com direitos televisivos apenas, não são o suficiente. Isso sob o panorama de uma saturação de mercado e poucas opções de investidores dispostos a se aventurar no meio futebolístico. A busca por Wang, um investidor asiático, intenciona atrair patrocinadores daquele continente. Num primeiro momento, a ideia é angariar fundos para transferências e manter salários em dia.

O valor angariado pelo time rojiblanco com patrocinadores atualmente seria algo em torno de 120 milhões de Euros. O clube colchonero já mantem um patrocínio com uma multinacional chinesa, a Huawei, do ramo das telecomunicações e cujo vinculo deve expirar em 2016. A expansão da marca do clube pela Asia poderá contar também com uma série de apresentações pelo continente, a ser feita pelo próximo campeão de La Liga.

O projeto ainda inclui um intercambio envolvendo a China e alguns clubes espanhóis para o desenvolvimento do futebol de base. Desde 2011 o Atlético recebe jovens chineses em suas categorias de base, sendo que o Valencia e o Villarreal também estão recebendo jovens atletas chineses. Noutras palavras, o futebol chinês hoje em expansão, está buscando um intercâmbio com o ocidente.

Wang Jian Lin em especial tem sido uma especie de “mecenas” do futebol na China. O magnata patrocina a Superliga chinesa e arcou com a contratação do espanhol José Antonio Camacho, como treinador da seleção chinesa. Camacho, que anteriormente trabalhou na seleção espanhola, no Benfica e no Real Madrid, esteve a frente do time chinês entre 2011 e 2013.

Fora do futebol, Jian Lin é respeitado na Espanha desde que adquiriu o Edifício España localizado em Madrid, pelo valor de 265 milhões de euros.

Foto de Cerezo, Wang, Gonzales e Gil Marin – Diario AS.