Na última quarta-feira o Atlético de Madrid enfrentou mais uma vez o Barcelona pela Copa Del Rey, derby que aconteceu há quase duas semanas mas por La Liga. A nova partida valeu pelas quartas de final da copa nacional da Espanha e os catalães venceram mais uma vez, por 1×0. Na partida válida pela liga espanhola, os culés venceram de forma categórica, por 3×1.

Se por um lado o Atlético aprendeu a jogar contra o Real Madrid, desde a derrota para os blancos na final da última Champions League, por outro conter o Barcelona está sendo um novo desafio. A derrota colchonera por 3×1 em La Liga, aconteceu entre as partidas de ida e volta das oitavas de final da copa. Em meio ao frenesi do retorno de Fernando Torres, eclodido nas duas partidas contra o Real Madrid, as quais culminaram em uma vitória e um empate (2×0 e 2×2). E consequente classificação rojiblanca.

O momento atual do Barcelona se dá em consequencia da pressão psicológica exercida pela suposta “crise” deflagrada há duas semanas, após a demissão de Zubizarreta, agora ex-diretor desportivo. E coincide com o alvorecer do condicionamento físico ideal, o qual culminou na possibilidade do técnico Luís Enrique escalar um mesmo time em oportunidades subsequentes.

Há porém pelo lado culé a inserção de duas peças novas nesta temporada, Rakitić no meio-campo e Luís Suárez no ataque. Em termos táticos houve uma mutação, que obrigou Iniesta também a se readequar. O Barça agora tem um franco módulo em 4-3-3 sendo que Rakitić tem um vigor físico para auxiliar Busquets na marcação. Algo que Xavi já não tem mais e Iniesta perdeu sensivelmente.

Por outro lado o módulo catalão ainda é muito ofensivo com um (bom) falso centroavante a mais (Suárez), e os laterais que avançam desmedidamente (D. Alves/Alba).

Incomodado Simeone.

Após o último confronto com o Barça, o periódico espanhol El País ressaltou as palavras de Diego Simeone, pós jogo afirmando que seus comandados tiveram que “aprender a jogar” com o Barcelona. O periódico relembrou a demora de “cholo” para comparecer a coletiva de imprensa, em razão muito provavelmente da “bronca” dada em seus jogadores, após a derrota por 3×1 em La Liga. Simeone inclusive foi multado pela LFP, pelo atraso.

Voltando à partida da Copa Del Rey, equipes que jogam propositadamente de forma defensiva, saindo nos contra-ataques, caso do Atlético, acabam sendo vítimas da própria auto-suficiência. No caso, a vitória culé saiu aos 85 min, após penalti cometido pelo lateral colchonero Juanfran. Nos momentos críticos da partida, a partir dos 70, 75 min de jogo, atletas de ataque principalmente se vêem mais pressionados na hora de marcar, ou desarmar o adversário. Não é seu habitat natural e derrotas originadas por penaltis não são incomuns neste contexto.

No aspecto tático Simeone não errou, pois seu módulo 4-2-3-1 pode sem a posse de bola, regredir a um 4-5-1 “feio” com todo o time no campo de defesa; Griezmann centralizado no circulo central e o homem referência pouco mais a frente, esperando a bola para correr. A véspera da partida previa o uso da dupla colchonera de ataque formada por Torres e Mandzukić. Mas Simeone optou por Griezmann e “el niño” mais leves e mais aptos a saída em contra-ataques.

A preocupação de “cholo” Simeone era o lado esquerdo da sua defesa, onde Messi atuaria marcado pelo ítalo brasileiro Guilherme Siqueira. A montagem do meio-campo rojiblanco teve Gabi como primeiro homem e Koke. mais a frente visando a saída de jogo. Isso além de Arda Turan, fisicamente, o meia-ofensivo mais vigoroso do elenco. Cabia a Gabi também aproveitar as lacunas dos avanços desmedidos do catalão Jordi Alba. Koke, além de Isco (Real Madrid) são as peças que deverão suprir Xavi e Iniesta, nos próximos anos da seleção da Espanha.

O Atlético precisa vencer o Barcelona por 2×0 na partida de volta das quartas de final da Copa Del Rey. A mesma acontece no Vicente Calderón (Madrid) já no próximo meio de semana.

Foto de Messi cercado pela marcação de Turan (a esquerda) e Godín (o número 2) Atlético: Alex Caparros – Getty Images.