Darstellung

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“Here one can neither stand nor lie nor sit/
There is not even silence on the mountains/
But dry sterile thunder without rain/
There is not even solitude in the mountains”
(“The Waste Land” – T.S. Eliot)

Algumas linhas reveladas e todos os segredos se irromperam. Lenta e intensamente, como o início do tracklist de “Black Gives Way to Blue”, do Alice in Chains. Se houvesse um som que o representasse seria o da guitarra de Jerry Cantrell, rangendo enquanto “All Secrets Known” se desenvolve. O invólucro impenetrável tornou-se inatingível com o decorrer dos anos. É cômodo manter-se em seu interior.

Por vezes se pensava que talvez já não houvesse nada mais na superfície, posterior a uma hecatombe, onde um ou outro sobrevivente clamava por mais um dia de miséria. Ou tudo poderia ter continuado da mesma maneira, propagando-se num desígnio amórfico e metafísico de ideias engessadas represadas em mentes contemplativas diante do televisor. Ou nem uma nem a outra das possibilidades cogitadas.

Não há diferença. Inside or outside. Já não havia mais uma razão para manter-se conectado com o que estava ao redor. Tal qual o Zaratustra nietzscheano que deliberadamente exilou-se na montanha, enquanto o “espírito absoluto” de Hegel passeava cavalgando um vistoso quadrúpede. Não faz diferença, tal qual “zapear” com o controle remoto do televisor, variando entre ditos escatológicos de Paul Virílio e o laço rosa na cabeça da Margarida a observar o Pato Donald zangado.

Um vazio calculado e oportuno que se deixou eclodir. Uma fuga ou pretexto para uma nova linha ser criada, fora do contexto. O novo que deixa alguma desconfiança ser percebida. Será mesmo o novo? De fato, dar-se conta daquilo que ficou entre um monumento da modernidade e o que foi superado rapidamente por aquilo que subitamente impôs-se contemporanizando na sequencia, é desnecessário. As paredes se aproximaram e o “espírito absoluto” sufocou.

O que dizia o poema de Hegel único por ele preservado? Dizem que era dedicado a Hölderlin. Foi escrito ou trata-se de uma lenda erudita, tal qual o livro de Aristóteles a respeito da comédia? O segredo não revelado, segredo cogitado sob os escombros modernos da terra devastada. Procura-se um poema de Hegel e uma “obra completa” de T.S. Eliot…

Arte: “Gray Tree” (Piet Mondrian – reprodução)

Ouça All Secrets Known do Alice in Chains.