Desde que chegou ao Brasil para o Mundial 2014, Van Gaal refutou a condição de favorito, relegando a mesma aos espanhóis, que então integravam o mesmo grupo B. Não escondeu uma formação “feia” de um time disposto em 5-3-2. De forma similar ao Brasil, a Holanda carrega consigo um arquétipo maldito de ter que “jogar bonito”. Se o espectro que aflige o Brasil é o do time de 1970, o espectro holandês é aquele do time de 1974, mesmo derrotado na final do Mundial daquele ano. Durante as eliminatórias, a Holanda tinha enquanto centro de gravidade do meio campo o jovem Kevin Strootman da Roma. É o próximo grande astro holandês, que fatalmente se lesionou, meses antes desta copa. Strootman combina senso tático e capacidade técnica.

Um reserva imediato seria o veterano Rafael Van Der Vaart (ex-Ajax e Real Madrid), do alemão Hamburgo, mas que também acabou cortado por lesão antes da convocação final. Sem um meia de criação, Van Gaal recorreu a Wesley Sneijder, hoje um ex-craque em atividade no turco Galatasaray. É como se Felipão convocasse Alex (do Coritiba), Ronaldinho Gaúcho ou Kaká para este Mundial, na necessidade de um meia talentoso.

5-3-2

O 5-3-2 de Van Gaal não é estático e lembra muito o 3-5-2 de Felipão no Mundial de 2002. As críticas que Van Gaal tem recebido da imprensa holandesa atual, são similares às críticas que Felipão recebia em 2002, quando inventou Edmilson como terceiro zagueiro. E Van Gaal tem sido coerentemente categórico ao afimar que não faz sentido ordenar Arjen Robben e Sneijder a correrem atrás de laterais adversários. Logo, Snjeider não tem a obrigação de marcar, sendo uma atleta de qualidade de passe comparável a Andrea Pirlo ou Xavi. Van Gaal tem arrematado o questionamento dos jornalistas holandeses afirmando que tem montado seu time para “vencer”.

O 5-3-2 de Van Gaal com a posse de bola pode tranquilamente ser vertido num 4-3-3, como visto na vitória por 2×1 contra o México, após a parada técnica. O baricentro do meio-campo holandês é Nigel De Jong, que se assemelha a um interditor uruguaio ou argentino, um típico camisa 5. O pé alto na cara de Xabi Alonso na final da copa de 2010 certifica a qualidade “chucra” de De Jong.

Mentalmente (e na certidão de nascimento) De Jong é holandês, o que lhe confere senso tático superior. É De Jong quem completa a linha de 5 defensores, ao centro, quando o time perde a posse de bola. Com Strootman Van Gaal teria um baricentro que alia senso tático, capacidade de passes e improviso. Strootman no entanto, seria como um Pirlo ou um Xavi, um meia que poderia atuar recuado ou ir a frente como um camisa 10. Sem Strootman, Van Gaal precisou de um De Jong e um Sneijder.

Baricentro é um termo utilizado por analistas futebolísticos da Itália. Baricentro é um conceito geométrico referente ao triângulo, conceito este visto também na física desde Arquimedes. Em campo De Jong seria o centro de gravidade de um triângulo equilátero cuja base é representada pela linha dos quatro defensores. Os ângulos do triângulo que formam o vértice superior teriam ali o ataque. O triângulo no entanto, pode variar a sua forma (escaleno, retângulo, obtusângulo, acutângulo) conforme as ações do adversário.

A postura é propositadamente defensiva, no intento de chamar o adversário para o jogo. A virtude da equipe de Van Gaal é a saída rápida em contra-ataques sobretudo porque seu jogador que se vê no ápice da capacidade física e mental é Arjen Robben, um atacante de transição rápida.

Trata-se da anti-tese do tiki-taka espanhol e da forma sul-americana de jogar. A defesa é reforçada mas Robben, além de Sneijder e Van Persie são atletas que decidem partidas, aliando capacidade psicológica e técnica.