A seleção da Holanda bateu o México neste domingo 29/06 por 2×1 de virada e no fim do segundo tempo. A cobertura da rádio CBN, pós jogo, destacou as palavras dos atletas na zona mista, as quais demonstravam uma confiança no resultado, mesmo com o placar inicialmente a favor do México; sem falsa modéstia. Isso não é arrogância. Se observado o histórico de alguns componentes da atual seleção holandesa, incluindo-se o treinador Louis Van Gaal, estes demonstram vontade de provar algo.

Os remanescentes do vice-campeonato de 2010 naturalmente teriam, mas Van Gaal não estava lá. O atual treinador holandês ostenta fama de arrogante, a qual se expandiu em seu período a frente do Barcelona, entre o fim dos anos 90 e início dos anos 2000. Van Gaal é lembrado por afirmar que com Riquelme em campo, o Barcelona tinha um homem a menos, quando perdia a bola. É também lembrado por suposta rusga com Rivaldo, rusga esta que Van Gaal sempre negou. E ainda por dizer o que pensa a frente das câmeras dos jornalistas.

Antes do Barcelona Van Gaal escreveu seu nome no primeiro escalão europeu ao montar o super Ajax da temporada 1994/1995. O time campeão da Champions League daquela ocasião tinha Van Der Sar, Edgar Davids, Clarence Seedorf, Marc Overmars, Patrick Kluivert, Frank De Boer dentre outros jogadores holandeses que se tornariam importantes em nível mundial. Curiosamente, Van Gaal enfrentou Felipão, este ainda no Grêmio porto alegrense, na final da Taça Intercontinental (hoje Mundial de Clubes) de 1995. O tricolor gaúcho foi derrotado nos pênaltis.

No entanto, se houve um momento de decepção na carreira de Van Gaal, este foi exatamente a frente da seleção holandesa, após sua passagem pelo Barcelona. O técnico não conseguiu qualificar a seleção para o Mundial de 2002. Após isso, Van Gaal foi refazer o “caminho das pedras” e treinou o obscuro AZ Alkmaar da Holanda, conduzindo-os a um improvável titulo holandês.

Depois esteve a frente do FC Bayern entre 2009 e 2011, levou os bávaros ao titulo alemão 2009/2010 e vice campeonato da CL, também naquela temporada. Como herança tática, o treinador holandês deixou um reposicionado Bastian Schweinsteiger, como segundo homem de meio campo. Bastian inicialmente era um externo de meio campo, em função similar a um Gareth Bale por exemplo. O alemão nunca teve a velocidade necessária para posição que exige transição rápida.

Como segundo volante, ou camisa 8 ou low playmaker, Bastian passou a atuar de forma como ingleses tais quais Beckham, Lampard ou Gerrard o fazem/faziam, explorando sua capacidade de passe longo. O treinador holandês pavimentou o caminho para Juup Heynckes conquistar a triplice coroa em 2013. Van Gaal é um homem vitorioso.

Os craques.

Após a recente leva de conquistas da Espanha, a única seleção européia de tradição que ainda é afligida pela síndrome do “amarelão” em momentos decisivos, é a Holanda. Isso desde 1974, quando o time que contava com Johan Cruiff perdeu a final do Mundial para a Alemanha de Beckenbauer. A grande conquista europeia da Holanda foi a EURO 1988 com um time saudoso que tinha Ruud Gullitt, Frank Rijkaard e Marco Van Basten, que posteriormente integrariam o mítico “Milan holandês”.

A próxima grande geração holandesa, seria eliminada pelo Brasil na copa de 1998 nos pênaltis, na semifinal. A equipe tinha como time base o super Ajax de Van Gaal. No atual time holandês Robin Van Persie, Arjen Robben e Wesley Sneijder já tinham grande renome há quatro anos atrás, quando foram derrotados pela Espanha, na final da copa da África do Sul.

Dos três Sneijder vivia em 2010 um ano dourado, embarcando ao continente africano logo após a conquista da tríplice coroa da Internazionale, em temporada onde fora protagonista. Das quatro Bolas de Ouro recebidas por Lionel Messi, a única contestável é a de 2010, quando Sneijder podia ter vencido.

Robben exorcisou a síndrome de “amarelão” individual só em 2013 ao ser protagonista do FC Bayern na temporada em que os bávaros venceram a tríplice coroa européia. Robben marcou o gol da vitória bávara sobre o Borussia Dortmund na final da CL 2012/2013. Van Persie foi um dos grandes ídolos do Arsenal “pós Thierry Henry”, sendo o sucessor de Denis Bergkamp, holandês que fez história na primeira metade dos anos 2000, em Highbury, o antigo estádio dos gunners. Van Persie transferiu-se para o Manchester United para finalmente obter um título da Premier League, o qual veio em sua primeira temporada pelos red devils em 2012/2013.

Van Gaal, Sneijder, Robben e Van Persie são nomes vitoriosos no futebol europeu. Mas tem algo a provar no que diz respeito a seleção holandesa.