O senso comum e a sabedoria popular, às vezes podem ter razão. Milton Neves, após a convocação da seleção feita por Felipão, nesta quarta, disse que nunca um técnico teve tanta tranquilidade para realizar o procedimento.

A imprensa futebolística ficou polemizando a questão Henrique ou Miranda, mas a ausência de um Miranda não tem o hype da ausência de Romário (em 2002), ou da ausência de Neymar/Ganso (em 2010). A sobra de talento ou de melhores jogadores, está no sistema defensivo, onde o Brasil está melhor servido. Hoje a seleção padece de falta de opção, sobre tudo no campo ofensivo, onde a lavoura no passado era generosa.

Se o Brasil não vencer, há algum tipo de legado devido a baixa média de idade do grupo que vai disputar o mundial aqui. Felipão montou um time, porém formado por bons jogadores que ainda são apenas coadjuvantes em grandes clubes europeus. Mas isso tanto faz, porque planejamentos nunca são seguidos em termos de Brasil.

Devido a baixa média de idade, tem-se jogadores dotados de muita disposição física, os quais em sua maioria, podem atuar em transição rápida pelos lados do campo. Exatamente nos moldes do futebol europeu atual, o que mostra que Felipão não anda tão tosco assim em termos táticos. Meias com características de armadores e/ou dotados de habilidade minima para serem responsáveis pelo último passe, porém, só Hernanes e Oscar.

Nesse aspecto atual, falta de experiência talvez não seja tanto um peso para atletas não veteranos. Nas últimas semanas, o quarteto do Chelsea, por exemplo, Ramires, Oscar, Willian e David Luiz se submeteu a jornadas de jogos decisivos em meio de semana, pela Champions League e em fim de semana pela Premier League.

Estão acostumados a lidar com a pressão. É nesse detalhe que se enfatiza a expressão “tem que jogar na Europa”, quando direcionada a um ou outro novo bom jogador que surge no Brasil.

Quem poderia ser lembrado?

Kaká não jogou 50% do que jogou entre 2004 e 2007 no Milan, mas nesta temporada que termina, conseguiu voltar a atuar regularmente pelo rossonero e merecia ser lembrado. Pelo que representa, pela liderança (mais psicológica do que técnica, é verdade), por ser um meia que pode dar o último passe e atuar como armador, e por ter sido parte da Família Scolari I em 2002.

Mas como dissemos anteriormente, planejamentos nunca são seguidos no Brasil, nem por Felipão. Bernard é o “caçula” como Kaká foi em 2002? Sim, mas Philipe Coutinho (22 anos), na Europa desde 2010 é protagonista no Liverpool dentro de uma Premier League, muito maior que a liga ucraniana onde Bernard atua a menos de um ano. Coutinho aliás que está muito mais adaptado à Europa, do que Neymar.

Apenas seis atletas dos 23, já atuaram em copas anteriores (Fred, Julio Cesar, Maicon, Daniel Alves, Thiago Silva, Ramires). Nenhum deles tem a característica que Kaká tem, em chamar a responsabilidade para si. Ou características como já ter vencido uma Bola de Ouro, de já ter carregado um Milan inteiro nas costas num titulo italiano (2003/2004) e numa Champions League 2006/2007. E que pelo bom comportamento, merecia uma redenção, nos moldes da redenção de Ronaldo em 2002.

Ainda assim os critérios de Felipão não são o grande problema. Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Adriano, Carlos Alberto e Alexandre Pato são atletas que poderiam estar neste grupo atual. Isso caso não fossem tão afeitos a distrações extra-campo, à necessidade de serem mais celebridade do que atleta, ou a qualquer outro dos sete pecados capitais.

Em suma, caso não fossem tão pouco profissionais. Ao chegar ao Milan em 2010 Robinho dizia que em Milanello dava “pra ser melhor do mundo sem sair do banco”. Mesmo lugar onde Kaká dizia “quero ganhar tudo de novo” após vencer uma CL, um Mundial de Clubes e uma Bola de Ouro em 2007. Kaká não foi bem nos Mundiais de 2006 e 2010 por desgaste físico, não por cretinice. Robinho ainda não conseguiu ser melhor do mundo.

Os cinco citados na segunda frase do paragrafo anterior poderiam atuar como atacantes de área, onde Jô e Fred que nunca se firmaram em grandes clubes da Europa, são opções absolutas. Felipão tem mil defeitos, mas não tem um antídoto para a “síndrome de macunaíma”.

Alea Jacta Est.