Definitivamente a EURO 2012 (Polônia/Ucrânia) mostrou-se superior a última edição realizada na Suíça em 2008. A edição de 2008 pegou muitas seleções de ressaca pois dois anos antes o Mundial havia acontecido na Alemanha, ou seja em domínios europeus.

A Inglaterra que se via badalada em 2006 sequer teve forças para se classificar nas eliminatórias para a competição de 2008. A França começava a sentir a falta de um líder (Zidane se aposentou após a final de 2006) bem como o desgaste para com o técnico daquela época, Raymond Domenech.

A Itália ainda era praticamente o mesmo grupo tetracampeão em 2006, mas fisicamente em frangalhos e sob comando do inexperiente Roberto Donadoni. Já se esperava muito de Cristiano Ronaldo que junto a Portugal. Os lusos foram eliminados nas quartas de final na última competição de Felipão junto aos portugueses.

Naquele período CR7 se preocupava mais com sua imagem projetada no telão do que com a direção das bolas que chutava.

Basta compararmos os qualificados para as semifinais de 2008 para com os qualificados das semifinais em 2012 para observarmos a diferença. Em 2008 tivemos Rússia, Turquia, Alemanha e Espanha, os russos foram as sensações muito bem administradas pelo técnico holandês Guus Hiddink.

Os turcos (ausentes na atual edição) as zebras e os dois últimos os finalistas. Naquela ocasião apenas a Alemanha era detentora de títulos Mundiais. Agora em 2012 tivemos Portugal, Espanha, Itália e Alemanha. Os lusitanos foram realmente conduzidos por CR7 que começou a ser decisivo contra a Holanda na terceira rodada da fase de grupos.

E entre uma arrancada de 80 metros e outra pelo lado esquerdo do campo, CR7 arrumava o cabelo quando percebia sua imagem projetada no telão. Numa dessas arrancadas, CR7 fez aquele golaço da virada, o segundo da citada partida vencida por 2×1 e que sepultou as pretensões da badalada Holanda. Os espanhóis defendem o título parecendo não ter muita empolgação.

A Alemanha favoritíssima foi merecidamente derrotada pela surpresa Itália, tradicionalíssima mas que nem de longe se apresentava como candidata ao título. Nestas semifinais da EURO 2012 contabilizamos oito títulos Mundiais distribuídos entre Espanha, Itália e Alemanha.

Tática e técnica

Taticamente muitos apontaram semelhanças entre algumas seleções. Talvez realmente haja um padrão europeu predominante onde o design tático varia entre o 4-2-3-1, 4-3-1-2 e o 4-3-3. Com a posse de bola a França tinha possibilidades de avançar com o trio Nasri/Benzema/Ribery, a Alemanha com Podolski/Gómez/Muller ou Portugal com C.Ronaldo/Helder Postiga-Hugo Almeida/Nani.

Ao centro descrevi os homens de área. Os atacantes que jogam pelos lados carregam características de externos de meio de campo. A harmonia entre um sistema defensivo muito confiável e qualidades ofensivas foi plenamente personificado pelo nationalelf alemão do técnico Joachin Löw. Ainda que disputas pelo terceiro lugar estejam se tornando incomodas para os germânicos.

Os homens de área decisivos que pareciam em extinção até o Mundial de 2010 tiveram presença marcante. Andriy Shevchenko fez a festa da Ucrânia na primeira partida contra a Suécia vencida por 2×1, os dois gols dele que se despede da seleção ucraniana. Mesmo não sendo um camisa 9 típico, Sheva tem atuado mais fixo na área desde que sentiu a idade avançar.

Um monstro dentro da área, Zlatan Ibrahimović a estrela solitária da Suécia eliminada na primeira fase anotou dois gols na competição. Um deles o voleio fantástico na improvável vitória contra a França pela terceira rodada. A decepcionante Holanda funcionava melhor quando o artilheiríssimo Klaas Jan Huntelaar se via em campo.

Os alemães viram um revezamento entre o grandalhão Gómez (3 gols) e a lenda Klose. O talento lusitano sem duvida reside nos pés de Cristiano Ronaldo e Nani, mas que precisam muito de uma referencia na área seja Helder Postiga ou Hugo Almeida. Centroavante europeu que se preze sabe jogar sem bola e atrair os marcadores.

Na semifinal brilhou a estrela negra de Balotelli pela Itália sendo que ele já havia feito um belo gol contra a Irlanda na primeira fase. Será que a Espanha sentiu falta de David Villa? Ah sim, a Inglaterra eliminada nas quartas de final tiveram Rooney voltando de suspensão a partir da terceira rodada e deixaram uma ótima imagem na cabeçada plasticamente perfeita de Andy Carroll no gol anotado contra a Suécia.

O primeiro 0x0 da competição só aconteceu na última partida pelas quartas de final, entre Inglaterra x Itália decidida os pênaltis. A história de Europa ‘retranqueira’ é discriminação xenofóbica de sul-americano invejoso.

Para o Mundial de 2014.

A renovação da França foi uma das que mais chamou a atenção ainda que o técnico Laurent Blanc tenha que conviver com ‘chiliques’ de alguns jogadores/celebridades tais quais Samir Nasri. Com um atleta decisivo entre seus homens de ataque temos uma seleção jovem e promissora. Cristiano Ronaldo está a caminho do ápice da forma física e mental podendo comandar a surpreendente seleção de Portugal no Mundial de 2014.

Apesar dos revezes em seu planejamento a Inglaterra tem ótimos valores como Lescott, Ashley Young, Welbeck e Walcott ou o próprio Carroll, aptos a aposentarem medalhões como Terry, Gerrard e Lampard. Este último cortado antes da EURO se iniciar. Roy Hodgson comandou um grupo que Fabio Capello conseguiu sim renovar até se demitir em fevereiro.

A conservadora Itália também vem se renovando a fórceps. Para Balotelli falta apenas serenidade psicológica. Riccardo Montolivo pode mostrar seu valor em alto nível pois é um dos novos reforços do Milan para a próxima temporada. Também atleta do Milan, Antonio Nocerino é um dos candidatos a preencher a lacuna de Gattuso. Alessandro Diamanti meia do Bologna foi uma das surpresas neste grupo da azzurra.

Aos poloneses e ucranianos o nosso muito obrigado!