Mês: maio 2012

A vergonha italiana e a lei de Drácon

Seis anos depois, novamente a seleção se concentra em Coverciano para um torneio importante e está soterrada pelas denúncias de falcatruas, desta vez, partidas arranjadas por conta de apostas, ou Calcioscomesse. Nomes como os dos recém-campeões da Itália, Antonio Conte e Bonucci, do lateral Criscito, além de ex-ídolos como Signori e Doni (mitos de Lazio e Atalanta) e uma série de outros jogadores da Série A. O sério e não-político premiê italiano, Mario Monti, indignado com o futebol infecctado de seu país, sugere uma pausa de dois a três anos no futebol para que “o cidadão comum amadureça”. Naturalmente, a cartolagem e todas as rêmoras do sistema futebol apressam-se em dizer que tal coisa é impensável. Mas não é impensável, não. O escândalo de hoje é filho da leniência com os culpados de Calciopoli, o escândalo de 2006 que terminou praticamente sem punidos porque a Itália venceu a Copa do Mundo. A Itália precisa de um choque draconiano, algo que desinfete até o último poro de seu futebol. Se isso significar o redimensionamento do Calcio por uma década, que o seja. Como está, ficará redimensionado para sempre. A Lei de Drácon jamais foi tão necessária.

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Você se lembra do Barcelona de 2006?

Pareço não ter sido o único a ter julgado a final da CL vencida pelo Chelsea há pouco enquanto ‘morna’ ou ‘chata’. Se você leu meu post de estréia neste blog deve se lembrar que eu escrevi que teria sido a final mais sem graça das últimas quatro ou cinco temporadas. Não, não nasci no dia em que inventaram o futebol como todos os tiozões que dizem ter estado na Rua Javari quando Pelé marcou o suposto gol mais bonito da sua vida não registrado em vídeo. Mas você leitor precisa saber que acompanho a CL regularmente desde 2005, o que coincide com a chegada das transmissões da competição a tevê aberta brasileira. Um exercício interessante é por vezes ver um jogo passado de forma lúcida, sem a euforia da final. FC Bayern x Chesea foi possivelmente o jogo mais chato do que aquela virada não merecida pelo Barcelona em 2006. Onde você estava naquela data?

Em 2005 tivemos o 3×3 espetacular que culminou na tragédia rossoneri em Istambul. O Milan vencia por 3×0 no primeiro tempo. Por culpa de Dida (se puder reveja o segundo tempo da partida) que falhou nos dois primeiros gols do Liverpool, os reds empataram em quinze minutos de segundo tempo e venceram nos pênaltis. Era um Milan esplendoroso com Seedorf, Pirlo (ambos não senis), Kaká, Crespo e Shevchenko. Em 2007 o Milan deu o troco no próprio Liverpool em Atenas batendo os reds por 2×1 onde um Kaká no melhor momento de sua carreira fez dupla de ataque com Inzaghi, grande finalizador (os dois gols foram dele) e homem de sorte. Em 2005 Pippo Inzaghi se via lesionado e não pode atuar na final. O Liverpool 2007 era superior ao Liverpool de 2005 e o Milan de 2007 afora a ofensividade de Kaká representava um time retranqueiro. Com a transferência de Shevchenko para o Chelsea, Carlo Ancelotti dispôs um Ambrosini a mais no meio de campo.

Em 2008 sim uma grande final entre Manchester United e Chelsea com ambos os times tendo seus principais atletas a disposição e muitos em seus melhores momentos como Tevez e Cristiano Ronaldo pelos red devils campeões merecidamente numa disputa de pênaltis. Os red devils de Sir Alex foram competentes, competitivos mas também tiveram a sorte de contemplar o escorregão de John Terry. Se pudessem, blues e red devils estariam disputando aquela partida até agora. Era a supremacia da Premier League na Europa. Em 2009 o neo futebol total do Barcelona vence o então atual campeão Manchester United quando a luz de Lionel Messi começava a irradiar de forma plena. Em 2010 o durão José Mourinho tira a Internazionale da fila de mais de quarenta anos ao vencer um renascido FC Bayern comandado por Louie Van Gaal mentor do super Ajax 1995. Em 2011 um tira-teima entre Barcelona x Manchester United onde a consagração do neo futebol total catalão se dá por completa. Já se lembrou onde você estava em 2006?

Estávamos todos inebriados pelo futebol alegre de Ronaldinho Gaúcho a coisa de um mês para o Mundial da Alemanha. Arsenal e Barcelona se qualificam para as finais da Champions League de 2005/2006 temporada em que os gunners utilizaram um bonito uniforme bordô em alusão a última temporada jogando em Highbury. Na final porém o time de Londres usou o uniforme 2 amarelo. Eles estavam em San Denis (França) a 17/05/2006. Sim o Arsenal era mais time e Nick Hornby deve chorar quando se lembra de Lehmann, Eboué, Touré, Campbell e Cole. Gilberto Silva, Fabregas, Ljungberg e Hleb. Pires e Henry. O Arsenal começou pressionando, o Barcelona chegou a frente num lance por acaso que culminou na expulsão de Lehmann. Comparado ao Barcelona que vimos nos últimos tempos tinha-se ali um Barça bizarro. Valdes, Oleguer, Rafa Márquez, Puyol e Van Bronckhorst. Edmilson, Van Bommel, Deco e Giuly, Ronaldinho Gaúcho. e Eto’o. Edmilson era um zagueiro disfarçado de volante ao lado do tanque holandês Van Bommel. A expulsão de Lehmann ocorreu aos 18 minutos e o Arsenal chegou a um gol de cabeça anotado por Campbell aos 37 após falta cobrada por Henry. O Barça do hoje comprovadamente mediocre Frank Rijkaard não conseguia buscar o gol com um a mais em campo. E veja bem, há algumas semanas Pep Guardiola (cuja era se encerrou na última sexta feira com a conquista da Copa Del Rey) foi eliminado da CL com um empate contra o Chelsea que tinha um a menos, o Barcelona não perdeu o jogo. E Guardiola foi eliminado após dois títulos de CL merecidamente ganhos tanto por competência quanto por sorte. Pois diria Nelson Rodrigues sem sorte o individuo não chupa nem um chicabom. Acaba por ser atropelado pela carrocinha do sorveteiro. Rijkaard teve mais sorte do que competência, aliás, por onde ele anda?

Entretanto o ‘destaque’ era Ronaldinho que de maneira revolucionaria já desenvolvia o ‘Robinhobol’ (MASSINI, Paulo, Rádio CBN/2011) modalidade futebolística jogada individualmente. Finalizava desplicentemente, dava seus famosos passes com a cara virada e etc. O Barcelona só chega ao empate, já num segundo tempo que se tornava dramático, quando Andrés Iniesta vem a campo, inicia uma jogada pelo meio e passa para Henrik Larsson que como um pivô entre os defensores gunners toca para Eto’o fazer o gol. Rijkaard percebeu que Eto’o estava jogando ‘sozinho’ então colocou Larsson para fazer dupla com ele. Mas Ronaldinho continuou em campo protagonizando a versão primitiva do ‘Robinhobol’. O Arsenal se vê fisicamente esgotado e a diferença de um homem a mais pende a favor do Barcelona que tem o jogo decidido com um lance individual de…Belletti! Nada de troca de passes a frente da área nem inversões impensáveis de posicionamento. Recém subido das canteras pouco justificaria Iniesta ser escalado no onze inicial, realmente um jogador world class saído de lá, ao contrário de Jeffren, Bojan e Giovani Dos Santos. Alguns podem se perguntar onde estava Xavi e o mesmo se via lesionado fisicamente sequer saiu do banco, o que explica a inoperância criativa dos blaugrenas.

Ademais, pouco antes de Lehmann ser expulso, Robert Pires dava sinais de que seria a partida de sua vida caso não saísse para dar lugar ao outro goleiro Almunia. Henry era aquele mesmo que semanas depois eliminaria o Brasil do Mundial 2006. Gilberto Silva fazia uma das melhores partidas de sua carreira. E naquela final despertava a obsessão do Barcelona em repatriar Cesc Fabregas jogando uma final de CL sem ter completo vinte anos de idade. Caso você veja um vídeo da transmissão da ESPN Brasil perceba o próprio José Trajano dizendo que Ronaldinho estava ‘requebrando demais’ ao fim do primeiro tempo. E ao fim da partida disse que R10 deixou a desejar na final para alguém tomado enquanto ‘melhor do mundo’.

11 contra 11 o Arsenal levaria e o titulo da CL 2009 que Henry obteve atuando pelo Barcelona foi uma justiça poética!

Em jogo, a sorte

Umaa semana antes da final da Champions League 11/12 me deparei com um livro incomum na prateleira de livros de educação física na biblioteca da universidade. Era ‘Futebol Total’ em esgotada edição nacional da autoria de Johann Cruyff. A lenda holandesa justificava ali a derrota no Mundial de 74. Sua definição para o gol me soou extremamente incomum. A concepção futebolística de Cruyff e consequentemente de todo o futebol holandês e do Barcelona era física e cerebral a não ser a definição do gol em si. “Eu penso que futebol é acertar e criar as ocasiões de gol. Marcar gol é um tanto casual e que está fora do futebol. Mas como a única maneira de ganhar é marcar gols, em cada equipe há que ter sempre um ou dois homens com habilidade suficiente para empurrar o balão para as redes. Embora insista que isto nada tem a ver com futebol. Jogar futebol é combinar com eficácia e profundidade de maneira que se criem as oportunidades. Marcar gols, como já disse depende de muitas outras coisas: sangue frio, causalidade, sorte, falha contrária.” (CRUYFF, Johann ‘Futebol Total’. Nova Fronteira, 1974. P.45) – por Alexandre Kazuo

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O fim oficial da inocência

No minuto seguinte àquele no qual o futebol ficou profissional, a inocência do esporte já havia começado a morrer. Jogar pela camisa ou pela torcida são discursos que só funcionam para a mídia. Há tempos que o futebol é dominado pelo dinheiro e a onipotência dos Barcelonas, Bayerns e afins é a prova de que sem dinheiro não se vai a lugar nenhum. Contudo, a incapacidade do Chelsea de vencer a LC e o fracasso do Manchester City na Premier League, apesar dos gastos obscenos, mantinham em pé a máxima de que para se vencer no futebol não basta dinheiro. Depois da semana passada, isso acabou. Qualquer imbecil bem assessorado que possa torrar cerca de £1 bilhão, pode ser campeão inglês e com cerca de €3 bilhões, uma Liga dos Campeões pode virar troféu de mafioso russo.

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