Mística

Clubes têm místicas. Normalmente ligadas a um sentimento. Os gaúchos são comumente ligados à fibra de times passados e da resistência para não entregar os pontos. O Corinthians, pela ajuda mítica de sua torcida – assim como o Flamengo. O Santos sempre se remete à história de Pelé. Hoje em dia, contudo, esta mística é tudo o que resta para alguns clubes ignorarem as gestões sofríveis que têm. Ou como chamava Nelson Rodrigues, Sobrenatural de Almeida.

Peguemos o Grêmio. O presidente atual é desafeto político do presidente do Clube dos 13 , notadamente o dirigente que conseguiu os melhores times da história do Grêmio. Na sua gestão, o atual presidente fez pouco ou nada. Conseguiu transformar um time que chegou em segundo lugar no campeonato de três anos atrás (vencido pelo São Paulo) num arremedo de time que, no ano passado, protagonizou uma reação notável – sustentada muito mais pela mística gremista. Agora, a mesquinharia política da atual gestão, o aproxima da Aliança do Mal em vez de um dirigente que está na história do clube.

No Corinthians, a situação é a mesma. O saldo da gestão de Andres Sanches é de um Paulista e uma Copa do Brasil – graças a um Ronaldo pré-100kg. Todo o resto é salpicado de fracassos, culminando com uma eliminação inédita para um clube brasileiro diante do Tolima. Ah, sim e em todas as superações conseguidas pelo time, que tinha jogadores medianos elevados à condição de gênios (André Santos, Jucilei, Boquita, Lulinha, etc) foram conseguidas pela mística de uma torcida incansável.

O Flamengo é um caso ainda mais notável. Com gestões atabalhoadas em sequência, conseguiu um título brasileiro. Mesmo um jogador jurássico como Petkovicossauro foi capaz de ter boas apresentações com um time mediano com um craque decadente no canto do cisne (Adriano). Nas arquibancadas, Sobrenatural de Almeida se encarregava de dar ao time a turbinada inexplicável que posteriormente desaparaceria revelando todos os limites do time e no ano seguinte, seria responsável, ao lado de uma diretoria inenarravelmente inescrupulosa, a humilhar dois dos maiores jogadores da história do clube – Zico e Andrade. Achincalhado por anos pela CBF, o Fla engoliu em seco para receber um troféu ridículo e uma contratação mediática, para se aliar a um cartola que humilhou o maior clube do Brasil por duas décadas.

O torcedor raramente raciocina porque é tomado pela emoção. É como um pai em negação quando o filho comete uma bobagem e o defende independente das evidências. Mas agora, o torcedor precisa se dar conta que haverá um preço a pagar. O corintiano tem de se lembrar do que significou a aproximação com Kia Joorabchian e que ela está retornando; o flamenguista deveria se lembrar de como tem sido frustrado nos últimos anos, mesmo com uma torcida fanática e devotada. A mesma coisa para o gremista, o cruzeirense, e tantos outros. O que ocorre hoje no futebol é uma sentença para uma década e não um campeonato perdido. Vender a alma tem um preço. E nem a mística não vai recuperar isso de uma hora para a outra.

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5 Comments

  1. Diogo Terra

    Não sei o que é mais ridículo: vender a alma ao diabo, como o texto deixa a entender, ou fazer que nem o Gilmar Rinaldi, que age como se não soubesse que o Adriano teria seu contrato rescindido. Logo ele que fica inventando boatos mesmo após a assinatura de contratos… Ele e o Wagner Dinheiro, ops, Ribeiro, são dois elementos exponenciais desse câncer chamado agente de jogadores. Com a bênção da FIFA, eterna amante do dinheiro fácil, ainda que para isso tenha que vender a mãe.

  2. Deborah L

    Oi amigo,
    Gostei muito do seu blog! Você tem twitter? Gostaria de te seguir para ser avisada quando voce fizer novos posts!
    Abraços

  3. Lineu Del Ciampo

    Acompanhando a partir de agora seu blog, que me agrada muito. Abração, Lineu

  4. Raphael

    Cada vez mais, vivem da mística.

  5. Tadeu

    Cassiano, só uma correção. O Paulo Odone não era presidente do Grêmio em 2009 e 2010. O grupo político dele perdeu a eleição para aquele período para a atual oposição (que tem o apoio do Fabio Koff).

    De resto, assino embaixo.

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