Richarlysson e seu destino

Richarlysson está fora do São Paulo. Na verdade, está há tempos. A torcida homofóbica do clube (que se incomoda em ser chamada de Bambi pelos adversários, como se xingo de rival importasse) já o sacou do elenco há tempos. Ele deve ir ao Fluminense (se não for louco) para jogar a Libertadores e é um reforço tecnicamente sensacional. Técnico, fortíssimo fisicamente e versátil ao extremo, precisa só ser tutelado emocionalmente por causa da perseguição sórdida da ala preconceituosa da torcida e por parte de uma imprensa igualmente homofóbica que não se cansa de publicar fotos suas em poses cotidianas que sugerem que ele seja homossexual.

Infelizmente, no Rio, Richalysson deve encontrar o mesmo ambiente hostil de São Paulo (seria muito bom descobrir que o Rio tem a capacidade de dar essa lição de civilidade em São Paulo, mas não creio). A torcida aceita e idolatra jogadores que batem nas esposas, usam drogas, andam com traficantes, espancam rivais,  recebem presentes de políticos corruptos, humilham torcedores ou qualquer outra aberração que se possa imaginar (não fosse a campanha devastadora da mídia contra o goleiro Bruno, tenho minhas dúvidas sobre se ele ainda não continuaria como ídolo do Fla). Aceita-se tudo. Menos que o jogador seja homossexual assumido (sim, porque só um imbecil imaginaria que não há gays no futebol).

Se Richarlysson está trocando de clube esperando encontrar novos ares, deveria ir para a Europa, de preferência para um país que seja civilizado o suficiente para respeitar a opção sexual das pessoas. No Fluminense, sua primeira partida ruim significará as mesmas ofensas de sempre. Acho que ele é um cara de muita coragem de aguentar o que aguenta, mas a sensação é a de que ele sempre (ou quase sempre) joga aquém de suas possibilidades dada a pressão que ele sofre sobre (ser (ou parecer) homossexual. Boa sorte para ele.

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5 Comments

  1. Ramon

    Cara,

    Só para te dizer que o termo correto é “orientação sexual”, segundo os estudiosos de sexualidade.

  2. Cassiano Gobbet

    Caríssimo, tens toda razão. A observação era em relação ao episódio do Ronaldo onde ele supostamente teria ido comprar drogas. Não faria sentido defender o Richarlysson, que em breve vc verá no Flu e criticar o Ronaldo por sair com travestis. Mea culpa Abs

  3. Eric

    Excelente comentário! Mas não posso deixar de criticar um detalhe: bater em esposas, andar com traficantes, espancar rivais seriam mesmo comparáveis a sair com travestis? Sair com travestis é crime ou motivo de vergonha?

    Isso não seria homofobia, Cassiano?

    PS: texto corrigido seguindo a observação do leitor tricolor.

  4. Boni dos Santos

    perfeito Cassiano!
    “A torcida aceita e idolatra jogadores que batem nas esposas, usam drogas, andam com traficantes, espancam rivais, saem com travestis , recebem presentes de políticos corruptos, humilham torcedores ou qualquer outra aberração que se possa imaginar (não fosse a campanha devastadora da mídia contra o goleiro Bruno, tenho minhas dúvidas sobre se ele ainda não continuaria como ídolo do Fla). Aceita-se tudo. Menos que o jogador seja homossexual assumido”

  5. Raphael

    As ofensas serão piores com muita certeza. E ele me parece nesse ano muito descontrolado, uso como exemplo a expulsão no jogo contra o Santos, numa entrada violentíssima, onde ele só faltou agredir o juiz depois de ter sido expulso. Óbvio que a perseguição e preconceito afetam, só que nesse ano parece que teve algo a mais, porque ele nunca teve reações do gênero.

    Falando sobre o campo, será muito útil se vier ao Fluminense, que carece de bons volantes, além de ser um jogador versátil, e com bom temperamento, alternou titularidade e reserva, e não o vi questionar isso, é bom profissional.

    E pra finalizar, na verdade mesmo, ele deveria era sair do país, porque aqui, em qualquer clube que ele jogar, vai passar pelos mesmos problemas. A imagem dele está muito desgastada, e ele tem habilidades e perfil para jogar em clubes europeus.

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